DEPUTADO LUIZINHO (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/12/2025
Página 75, Coluna 1
Proposições citadas PL 4380 de 2025
42ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 17/12/2025
Palavras do deputado Luizinho
O deputado Luizinho – Boa tarde a todos e todas e as pessoas que nos assistem. Eu gostaria de conversar um pouco. Lembremo-nos, também, de que a obstrução é um instrumento da democracia. Em tese, a gente fala mais para tentar convencer os colegas deputados e as colegas deputadas da nossa ideia, do nosso posicionamento. Então não é uma obstrução… Chama-se obstrução, mas se trata de aprofundar o debate.
Eu gostaria de começar conversando sobre as razões pelas quais o governador Zema está colocando a entrega da Copasa em um período eleitoral. Se ele conseguir, se ele tiver sucesso na privatização, isso vai acontecer por volta dos meses de março e abril – ou seja, seis meses antes de uma eleição, ao final de oito anos de governo Zema. Mas por que ele está debatendo isso agora, por que está entregando a Copasa? Por questões eleitorais, eleitoreiras. Ninguém é bobo aqui. Sabemos que a entrega da Copasa ao sistema financeiro vai gerar financiamento para as campanhas do seu vice, Mateus Simões. Este é um dos objetivos: captar recursos financeiros para a campanha do Mateus Simões no ano que vem. Isso é claro. Ou seja, ele está entregando a Copasa para financiar a campanha. Isso é claro. Se houvesse um debate sobre a necessidade ou não de privatizar, nas pequenas cidades, seria natural na política fazermos isso. A gente deveria até respeitar. Mas não é isso o que está acontecendo; não se discute se a Copasa deve ser privatizada ou não, se ela presta um bom serviço ou não. Trata-se da entrega da Copasa para captação de recursos financeiros para a campanha do vice-governador. Depois, serão entregues aos prefeitos recursos que, conforme estimativa, são da ordem de R$2.000.000,00 por prefeito. Isto é, R$1.500.000.000,00 desse recurso que foi vendido também se destinará à busca por apoio financeiro para a campanha. É isto o que estão fazendo com a Copasa: entregando-a para captar dividendos, recursos financeiros para a campanha. Além disso, querem seduzir os prefeitos com os R$2.000.000,00 para cada um. Esse é o objetivo principal do governador Zema com a entrega da Copasa.
Isso demonstra que o governador tem uma estatura pequena para administrar. Ele não tem estatura para administrar o nosso estado. É miúdo o seu pensamento. Ele não é um estadista; não está preocupado com o Estado. Está, na prática, diminuindo a importância da política. Se isso acontecesse no interior, seria o mesmo que pegar dinheiro, comprar dentadura e cesta básica para ganhar a eleição. Essa é uma política miúda, pequena. Os grandes políticos de Minas Gerais – Tancredo Neves, Juscelino, Itamar Franco – certamente estão dando voltas no caixão vendo uma situação dessa. Como um governador do Estado trata a política dessa maneira, de forma miúda, pífia? É lamentável que o governador Zema não tenha, como eu disse, estatura política para administrar um estado como Minas Gerais. Vende-se uma empresa para se ganhar a eleição. No Rio de Janeiro, isso foi feito com o Cláudio Castro e, infelizmente, deu certo. Vendeu-se a empresa e entregou-se o dinheiro aos municípios.
Essa é a verdadeira razão. É claro que, se levantarmos essa situação toda, há abuso de poder econômico e abuso político. Trata-se de um crime eleitoral. Isso vai ser claramente identificado. Há abuso de poder econômico, porque será captado dinheiro para as campanhas e para ser entregue aos prefeitos. Há abuso político, porque, aqui, na Assembleia – basta ver a quantidade de deputados presentes –, há, forçosamente, uma imposição aos deputados e às deputadas da base que votem nesse sentido, com emendas, em favorecimento dessa natureza. Esse é o jogo democrático, mas é o jogo democrático que vem em cima da Assembleia. Então há também um abuso político nessa venda da Copasa. Isso é crime! Inclusive, lá na frente, podemos impetrar uma ação contra a eleição por abuso de poder econômico e abuso político. São as razões de o governador Zema entregar a Copasa. Não é privatização! Ele está é entregando a Copasa. Não é privatizar! Às vezes, privatizar é legítimo no sistema democrático… Quem tem o direito de pensar numa economia liberal, é natural que se privatize, mas, nesse caso, é uma entrega por objetivos pífios, lamentáveis, miúdos na política.
Depois vimos as consequências dessa privatização. As pequenas cidades… Minas tem 853 municípios e é um bom modelo de desenvolvimento, pois onde há aglomeração de pessoas gera-se violência. No Rio de Janeiro, para diminuir a violência nas favelas, há a necessidade de se desaglomerarem as pessoas, senão, não resolveremos o problema da violência neste país. Minas tem 853 municípios. Deveríamos ter mais. O Brasil deveria ter mais municípios. Os Estados Unidos têm 38 mil e a França, 30 mil municípios pequenos. É onde você desenvolve melhor o País, é onde você tem mais tranquilidade. Há várias políticas contra a sustentabilidade dos pequenos municípios. Retirar a Copasa das mãos do Estado é também contribuir para desidratar os pequenos municípios, não é, João? Você sabe que a Copasa, assim como bancos como o Bradesco e o BTG Pactual, não abre agência em pequenas cidades; não vai abrir. Não vai haver água tratada nas pequenas cidades. Eles vão ficar com o filé-mignon e entregar para o Estado o osso. E aí quem vai cuidar da água, que é saúde pública, nas pequenas cidades? É só chegar… Por exemplo, em Divisa Nova, cidade que fica perto de nós e que tem 6, 7 mil habitantes, há um Banco do Brasil porque é público. Daqui a pouco, quando chegarmos lá, não haverá Copasa, não haverá água tratada. Nós vamos ver o retorno de doenças transmitidas pela água – por falta d’água ou por água não tratada. Então o Brasil vai retroceder! Minas vai retroceder com essa privatização. Isso é óbvio e lógico! Isso é do mercado!
Lamento que o governador Zema, num estado importante como o nosso, use uma empresa pública e a saúde pública para ganhar a eleição, ou melhor, para tentar ganhá-la, porque não vão ganhar. O povo mineiro não é bobo. Os prefeitos não vão apoiar porque vão receber dinheiro. Além disso, os deputados e as deputadas daqui que precisam do governo não vão chegar às bases e fazer campanha para o vice-governador. Ele está achando que está eleito só por essas manobras políticas que tem feito. Isso não se concretizará. Ele não será eleito, mas deixará um prejuízo para o povo mineiro que nunca vimos antes. Ninguém ousou prejudicar a saúde pública, especialmente num período pré-eleitoral. É lamentável o governador Zema ter essa prática, que devemos condenar. Aliás, devemos buscar a Justiça por abuso de poder econômico e por abuso político de usar uma empresa pública para tentar ganhar as eleições. Muito obrigado, Sr. Presidente.