DEPUTADA ANA PAULA SIQUEIRA (REDE)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/12/2025
Página 62, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 4380 de 2025
42ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 17/12/2025
Palavras da deputada Ana Paula Siqueira
A deputada Ana Paula Siqueira – Bom dia, presidente; bom dia, colegas deputadas e colegas deputados; bom dia, população de Minas Gerais que nos acompanha através dos canais de comunicação da Casa; bom dia, “copasianos” e “copasianas” que estão aqui, mais uma vez, reforçando essa luta, buscando trazer essa demanda para a atenção da nossa sociedade. Nós estamos tratando aqui de algo muito sério, gente, que é o direito à água, o direito ao saneamento básico.
Hoje eu estou com uma voz um pouco estranha, estou muito gripada e um pouco afônica, mas não podia deixar de estar mais uma vez aqui, vereador Queijinho, neste Plenário, nesta tribuna, para reafirmar o meu compromisso com a luta contra a privatização da Copasa. Nós estamos aqui, mais uma vez. E, no momento da reta final dessa batalha – vamos daqui a pouquinho votar o projeto no 2º turno –, vamos provocar ainda mais os nossos colegas deputados a votarem “não” a esse projeto. Essa nossa discussão atravessa o Plenário, passa pelas ruas, vai para as galerias. Ali embaixo, no espaço democrático, está cheio de gente acompanhando a nossa discussão. Queria, inclusive, saudar a todos, através do telão que está exposto lá fora mas que adentra a Casa da nossa população, chega à mesa da cozinha da casa de muitas pessoas que, neste momento, estão juntando moedas, fazendo cálculo para pagar a conta de água, já se preocupando com a conta que vai aumentar, caso esse projeto seja aprovado aqui, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
No meu mandato, nós ficamos o tempo todo ao lado do Estado de Minas Gerais, ao lado das pessoas que mais precisam. Desde quando assumi o mandato, em 1º/2/2019, temos feito discussões e análises e temos acompanhado estudos e dialogado com a nossa sociedade sobre a importância de garantir que serviços essenciais, como água, saneamento básico e energia, estejam sob a gestão do governo estadual. Esses bens essenciais não são mercadorias. Eles não podem estar nas mãos da iniciativa privada, que visa ao lucro. Aquelas pessoas que moram em lugares mais distantes, nos rincões de Minas Gerais, nas periferias ou em cidades pequenas, cujo orçamento não comporta subsídios para garantir o saneamento básico, serão as mais prejudicadas. Estamos aqui, desde o início do nosso mandato, por essas pessoas e por essas famílias. Como assistente social que sou e que acompanha muito o drama das famílias que não conseguem garantir o acesso aos seus direitos, estou aqui para dizer, mais uma vez: “não” à privatização da Copasa; “não” à mercantilização da água; “não” contra a falta de saneamento básico. É sobre tudo isso que estamos falando.
É claro que os meus colegas deputados que compõem a base do governo estão preocupados com outros interesses. Estão preocupados com a eleição do ano que vem; estão pensando em como vão fazer campanha. Eu estou aqui, junto com o Bloco Democracia e Luta, para defender sobremaneira o direito da nossa população. E não vamos nos furtar a fazer deste dia mais um dia de luta nem de convencer mais deputadas e deputados a votarem “não” a essa proposta.
Aos “copasianos” e às “copasianas”, eu quero dizer o seguinte: obrigada por estarem aqui; obrigada por estarem presentes com seus corpos ocupando a Assembleia, as praças públicas e as cidades, para dizer à população que estamos em defesa de uma das maiores empresas públicas do Estado de Minas Gerais, que é a Copasa. Muito obrigada pela presença de vocês.
Gente, o governador Zema deixou um recado muito claro durante a tramitação desses projetos: ele escolheu calar a boca da nossa população com a chamada PEC do Cala-Boca. Todos vocês aqui observaram e viram que foi a força do governador Zema que fez retirar da nossa população o direito constitucional ao referendo. E a nossa campanha “Água sem lucro” deixou outro recado para o governador: “Nós, população de Minas Gerais, com 44 mil pessoas, queremos decidir o futuro dessa empresa. Queremos participar da decisão que as deputadas e os deputados votarão na Casa”. O que o Zema fez, gente, foi, mais uma vez, de forma antidemocrática, retirar da nossa população o direito de votar. O Zema escolheu outro caminho. Preferiu calar a boca do povo; preferiu jogar a população, mais uma vez, para escanteio e atendeu os interesses dos seus amigos, os interesses de poucos em detrimento dos interesses de muitos.
Trabalhamos ao lado do povo. Enquanto o Zema escolhe estar ao lado de seus coleguinhas empresários, escolhe aumentar o próprio salário em 300%, nós estamos aqui para dizer “não”. Ele paga de bom gestor nas redes sociais, mas nós sabemos que foi no governo do Zema que a dívida do Estado com o governo federal aumentou mais de 50%. Que bom gestor é esse que aumenta a dívida do Estado? Que pega uma empresa como a Copasa, que não é deficitária… A Copasa é uma empresa que arrecadou, no último trimestre, R$360.800.000,00. Isso somente no terceiro trimestre. Não estamos falando de uma empresa que está falida ou que não sabe o que faz. Estamos falando de uma empresa que o próprio governo Zema quis estragar, quis atrapalhar o funcionamento dela e prejudicar seus servidores. Vocês são prova disso. Estamos falando de uma empresa que o Zema trabalhou com muito afinco para criar a imagem de empresa que não atende à população. Mas muito antes pelo contrário: é uma empresa que garante o serviço, especialmente nos lugares mais precarizados.
Então, gente, há muita coisa por trás da privatização da Copasa. E não é para se fazer boa gestão, porque boa gestão o governo deveria garantir. Mas o governo do Estado insiste em tirar o direito da nossa população, insiste em escolher, gente, um lado que prejudica as pessoas. Eu sei muito bem disso e vou falar, de novo, desta tribuna: o governo Zema sempre escolhe o lado daqueles que oprimem, daqueles que desgastam as pessoas, daqueles que não estão nem aí para a vida da nossa população. É o mesmo que ele faz na política de enfrentamento à violência contra nós, mulheres. Quando ele escolhe o lado, ele escolhe o lado da pessoa que violenta, escolhe o lado dos feminicidas, escolhe o lado daqueles que oprimem as mulheres. Por isso, ele também não toma iniciativa na política de enfrentamento à violência.
Nós estamos chegando agora à reta final da nossa discussão, mas temos o dia todo para voltar a esta tribuna e dizer, mais uma vez, em alto e bom som: água não é mercadoria; água é direito fundamental da nossa população, é questão de saúde pública, é questão de dignidade. Nós vamos voltar a defender o “não” a esse projeto, que é um projeto que vai prejudicar a nossa população. Temos um exemplo recente em São Paulo. Vocês estão acompanhando a questão da energia elétrica em São Paulo. Olhem o problema, olhem quantas famílias ficaram desassistidas. Lá em São Paulo, mais recentemente, é a energia elétrica, mas se aplica também à questão da água e à questão do saneamento, gente – não tenham dúvida disso.
Hoje estou com a minha voz um pouco fraca, mas eu trouxe estampado no meu paletó. A água vai encarecer, sim; a água vai subir, sim. Aí eu quero ver, na hora em que a população menos favorecida tiver que pagar 20% a mais, 30% a mais, 50% a mais para aquilo que é direito e obrigação desse governo de garantir…
Então, gente, vamos lá. Continuo junto com vocês, continuo ao lado da população de Minas Gerais, ao lado do povo mineiro para fortalecer a nossa Copasa e o direito à água da nossa população. Presidente, quero somente registrar a presença do nosso vereador Queijinho do Povo, de Leopoldina. Seja bem-vindo, Queijinho, sejam bem-vindos todas e todos aqui.
O presidente – Obrigado, deputada Ana Paula Siqueira.