DEPUTADO BETÃO (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/12/2025
Página 56, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 4380 de 2025
42ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 17/12/2025
Palavras do deputado Betão
O deputado Betão – Bom dia. Bom dia, Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados e povo mineiro que nos acompanha das galerias, pelas redes sociais e pela imprensa livre deste estado. Pessoal, sempre que subi a esta tribuna para fazer essa discussão – já foram inúmeras vezes –, procurei fazer um paralelo entre a privatização de uma companhia de saneamento e a privatização de uma companhia de energia, porque elas são interligadas. Enquanto se persegue aqui a privatização da Copasa, vão tentar privatizar também a Cemig. Já estão mexendo com ela. E aí me veio o exemplo do que aconteceu em São Paulo, nesta semana, e não foi a primeira vez. Milhões de famílias estão sem luz – acho – até hoje. Já se passou uma semana. Isso se dá exatamente pelo processo de privatização que ocorreu em São Paulo, na área de energia elétrica. Eles não conseguem resolver o problema. Colocam a culpa nas condições climáticas, mas a verdade é que, quando a Eletropaulo foi privatizada, mais de 30% dos trabalhadores foram demitidos ou tiveram um plano de demissão voluntária. E hoje não há gente suficiente para prestar um atendimento de emergência numa situação como a que eles estão vivenciando.
Aqui, em Minas Gerais, várias cidades também sofreram com os ventos, e a Cemig restabeleceu rapidamente a energia. Talvez não tenha feito isso na velocidade que se pretendia, mas não foi nada parecido com o que aconteceu em São Paulo. O que aconteceu lá é a demonstração cabal de que a privatização de uma empresa de saneamento ou a privatização de uma empresa de energia elétrica são um verdadeiro desastre para a população e para os comerciantes, que não têm a garantia do retorno da eletricidade. Pois é. Não sei se o Emerson está aí, mas, como me falaram – e você também falou –, a Cemig está lá, em São Paulo, ajudando a resolver o problema. Imaginem.
Nós já falamos aqui, e todo o mundo já escutou, mas é bom repetir: os países que adotaram a privatização do saneamento e da energia elétrica há mais de 20 anos, estão retornando, estão reestatizando, porque não há condições de uma empresa privada querer manter – ela não pode manter – o número de servidores, pois ela quer obter cada vez mais lucro. Então o serviço perde qualidade, as contas ficam mais caras, e a população paga por esse processo.
Quero chamar atenção dos deputados da base do governo que por acaso estejam nos escutando para o fato de que, na quinta-feira passada, no evento do presidente Lula aqui, em Belo Horizonte, deputado Charles Santos, o presidente da Associação Mineira de Municípios, Sr. Luís Eduardo Falcão, fez uma fala bastante ponderada – o presidente da Associação Mineira de Municípios! Ele disse que as prefeituras não deveriam assinar qualquer tipo de compromisso com o fornecimento de saneamento com a Copasa privatizada. Pelo que pude perceber, no centro político-ideológico dele, ele é um cara de centro, Leleco, mas fez essa fala e começou a movimentar as prefeituras – diversas prefeituras, municípios menores e municípios um pouco maiores. Chamo a atenção para o fato de que ele deu a dica de que vai tentar organizar os prefeitos para que não assinem aquela carta de imposição, praticamente, que a Copasa está enviando para as prefeituras e que garante a intenção de permanecerem por aproximadamente cinquenta anos! Eles estão forçando a barra para garantir aos investidores que não vão faltar empresas interessadas em permanecer com a Copasa privatizada. Achei muito interessante essa colocação, porque o prefeito de Belo Horizonte assinou, mas há muitos municípios em Minas, entre os seiscentos e tantos, que estão com problema para assinar. Então pode ser que seja aprovada a privatização. Pode ser que hoje passe essa privatização, mas, depois, os investidores têm ainda uma longa tarefa para contratar os serviços dessa Copasa privatizada. Então acho importante pontuar isso.
O governo Zema não tem limites na sua sanha privatista. Parece uma verdadeira Black Friday do patrimônio público mineiro o que está acontecendo aqui, em Minas Gerais. Só falta colocarem um banner, na Cidade Administrativa – eles gostam de colar banners lá, não é? – com os dizeres: “Leve duas estatais e ganhe um desconto na dívida com a União”. É impressionante a capacidade que esse governo tem de tentar privatizar tudo o que pode ser privatizado: escolas, hospitais, Copasa, Cemig. Ele quer entregar tudo para as empresas privadas. É um Estado absolutamente liberal. Na concepção dele, não existe e não precisa existir o Estado. O Estado para ele é só para assegurar segurança pública e mais nada, porque os projetos dele jogam a educação e a saúde, que são pilares de qualquer sociedade, para a iniciativa privada. Se bobear, daqui a pouco, ele vai querer privatizar a polícia – vai privatizar a polícia! –, vai colocar essa situação para os trabalhadores da segurança. Eu quero ver o que os deputados ligados à segurança pública vão fazer nesse processo, porque essa opção pode acontecer. E, mais grave ainda, gente, é a tentativa de apoiar-se na decisão do governo federal, que ampliou o prazo para que os estados apresentem suas listas de ativos federalizados até dezembro do ano que vem. Essa discussão foi feita aqui também, durante toda a semana.
Então, sinceramente, gostaria de chamar a atenção dos deputados da base que não estão nos escutando, não permanecem no Plenário nem entram no debate – muito raramente. Então, precisamos… Gostaria muito que os deputados pudessem nos acompanhar e nos ouvir, ou seja, que os deputados da base, deputado Celinho, pudessem ouvir o que falamos. Se não querem ouvir agora, porque estão com medo do protesto dos trabalhadores e das trabalhadoras, podem escutar depois no vídeo para entenderem o que estamos dizendo que vai acontecer. Obrigado, presidente.
O presidente – Obrigado, deputado Betão.