DEPUTADA LOHANNA (PV)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/12/2025
Página 48, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 4380 de 2025
42ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 17/12/2025
Palavras da deputada Lohanna
A deputada Lohanna – Presidente, bom dia novamente. Bom dia a todos os servidores que estão aqui hoje na luta. Presidente, acho que a gente precisa discutir algumas coisas importantes. Primeiro precisamos discutir e entender juntos o que queremos, enquanto Parlamento, entregar nesta legislatura.
O timing é muito ruim. O timing para falar em privatização é o pior que já houve. Estamos vivendo isso e acompanhando que ainda há 60 mil imóveis no Município de São Paulo sem energia elétrica, por causa da incompetência da privatização do serviço público de energia elétrica nesse estado. O timing é muito ruim; o timing é muito ruim. Se a gente estivesse num timing de privatizações que mostrasse grandes avanços na prestação de serviço, a gente até poderia fazer algum tipo de reflexão sobre algum serviço – não sobre água, não sobre energia. Mas este é um timing de uma péssima prestação de serviço.
Assisti na Globo News, na segunda-feira de manhã, aos jornalistas entrevistando uma família: a família do Sr. José e da senhora… Não sei se o nome dela era Zilma. Eles estavam mostrando tudo o que perderam na casa deles: todas as carnes que foram perdidas, porque estavam no freezer; os iogurtes que compraram para receber os netos; e as frutas que compraram para receber os netos e para servir aos pais idosos. Tudo estava sendo perdido, porque, como a gente viu, as pessoas ficaram sem energia durante quatro dias. E o pior de tudo foi assistir ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, pedindo a intervenção do governo federal, Lincoln, e pedindo para o governo federal intervir na empresa. Aí é mole, não é? Você privatiza a empresa, vende a empresa e, quando ela dá problema, você liga para o governo federal e pede a ele para resolver o problema de uma empresa que agora é de capital privado e que deveria ter condições de ser cobrada. E quem está resolvendo esse problema? É o governo federal.
O ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, anunciou o rompimento do contrato com a Enel para que possa garantir o atendimento às pessoas. Por que estou falando de São Paulo se estamos em Minas? Esta Casa não é a Alesp; é a ALMG. Eu estou falando porque o exemplo está mostrando muito melhor do que as palavras conseguiriam mostrar. O que a gente tem, de forma muito clara, é que há uma decisão do governo de vender a Copasa, independentemente das consequências ruins que isso vai trazer para a população de Minas Gerais. Aliás, consequências ruins que foram atestadas inclusive pelas pessoas que estão defendendo a privatização.
A consultoria que o Zema contratou, e contratou sem licitação, pagando R$7.000.000,00, apontou, presidenta deputada Leninha, que vai haver um aumento de 12% na tarifa da água nos primeiros anos da privatização. Gustavo Santana, Adalclever, Lincoln, Bella, Leonídio, meus amigos deputados, como é que a gente vai pedir voto, no ano que vem, tendo aumentado a conta do povo em 12%? Vai ser muito ruim pedir voto. Na hora em que a gente mexe no bolso das pessoas, a gente mexe com a parte que é mais sensível. (– Manifestação nas galerias.)
Eu defendo a Copasa por muitos motivos: eu defendo a Copasa porque defendo o serviço público; eu defendo a Copasa porque defendo a água como patrimônio das pessoas; eu defendo a Copasa por uma série de motivos, que são motivos da minha trajetória, da minha construção política e da minha forma de pensar. Mas, se você não defende a Copasa por nenhum desses motivos, defenda-a, porque, na hora em que a população começar a pagar uma conta mais cara, vai sobrar para todo mundo que tornou isso possível. Se a defesa do patrimônio não é importante, se a defesa do servidor não é importante, mesmo assim, faça essa defesa, porque, na hora de pagar mais caro, a população vai ficar fula da vida e essa conta vai ser cobrada de cada parlamentar.
Eu queria lembrar a vocês que o governador não faz ideia do que está acontecendo. O governador Romeu Zema, que tem governado o Estado fazendo vídeo para a internet o dia inteiro, como se estivesse em um picadeiro de circo, para entreter a plateia, não faz a menor ideia do que está acontecendo com Minas Gerais. O governador participou de um programa, para fazer corte nas redes sociais, e, todas as vezes que ele foi pressionado e perguntado sobre algum assunto que envolvia os fatos em Minas Gerais, que envolvia o ICMS, que envolvia asfaltar a estrada que dá acesso à casa dele, que envolvia aumentar em 300% o salário, ele vinha com o seguinte meme: “E o PT, e o Lula?”. Era só isso. Parecia um meme, um personagem, um personagem de internet desqualificado, e não um governador de estado.
Só que aí, na hora em que a conta das pessoas aumentar 12%, ninguém vai falar do governador, mas, sim, da Assembleia, que autorizou isso. Eles vão falar dos deputados que autorizaram. Vai sobrar para a gente, vai sobrar para a gente. Até porque, na hora em que os prefeitos e as prefeitas ligarem para os senhores, para reclamar da situação da Copasa, ninguém vai ter a Copasa para conversar. A Enel é uma empresa italiana. Ninguém dá conta de conversar com o executivo da Enel, ligar para reclamar e falar que, na cidadezinha em que é majoritário, existem 6 mil pessoas e que o povo está sem energia. Ninguém dá conta de fazer isso, não, gente!
Agora eu preciso dizer uma coisa. A AMM já se posicionou contrária à privatização da Copasa. Mais da metade dos municípios de Minas Gerais dão prejuízo, e essa análise precisa ser feita com seriedade. O que cada colega deputado e cada colega deputada, que estão pensando em votar a favor da privatização, líder João Magalhães, vão fazer com os seus prefeitos? Como que eles vão fazer com os prefeitos? Na hora em que a água acabar na cidade, eles não terão para quem ligar na Copasa. Na hora em que o valor da conta subir, como o prefeito o fará majoritário lá na cidade? Não tem jeito, não tem jeito! Ainda mais se esse colega deputado ou se essa colega deputada estiver servindo de bucha de canhão para um governinho horroroso, que não apresentou nenhum estudo técnico até agora para justificar essa privatização.
E aí eu acho que é importante a gente fazer um recorte. Eu perguntei isso ao colega, ao meu amigo e líder do governo, deputado João Magalhães, o qual eu respeito. E você me respondeu, líder, que o governador se reuniu com banqueiros, porque ele se reúne com todo mundo que quiser conversar com ele sobre geração de emprego, sobre renda e sobre avanço em Minas Gerais. Líder, por que ele não se reuniu com os prefeitos? Ele não se reuniu com os prefeitos – não se reuniu!
O secretário de Governo tem feito reuniões de manhã, de tarde e de noite sobre vários assuntos que não envolvem a Copasa. Ele não se reuniu com os prefeitos para falar sobre a Copasa. Aliás, líder, para falar da Copasa, o que chegou foi uma notinha, uma notinha avisando como a privatização vai acontecer. Eu acho que as cidades pequenas, que dão prejuízo, e as cidades grandes, que garantem o superávit da Copasa, todas elas têm que ser respeitadas. Mas não se assentar para conversar nem mesmo com os principais prefeitos que garantem a condição fiscal da companhia é um desrespeito! E para quem pede voto ou vive de voto, como o político, é um desrespeito maior ainda!
Isso demonstra muito claramente que o governador fez uma opção política de atender o mercado financeiro, os banqueiros e a turma que banca a campanha dele. Esse é um problema muito claro que temos. Quem tem o dinheiro é uma minoria da população; não é quem tem o voto. E aí, presidente, é importante fazer um recorte. A gente está cobrando muito ao governo federal que ele tenha uma cobrança mais justa de impostos, isto é, que coloque as pessoas mais ricas para pagar mais Imposto de Renda, para que a gente possa dar um alívio para os mais pobres. Quem está pagando mais Imposto de Renda agora é um grupo de 120 mil pessoas, e esse povo não elege, dependendo da chapa, deputado federal. Se o governador Romeu Zema está achando que essa turma vai fazer dele presidente da República, ele está muito enganado. Aliás, eu preciso dizer, presidente: na última pesquisa realizada, o governador Romeu Zema diminuiu o desconhecimento e ampliou a rejeição. O povo brasileiro está conhecendo o governador e quanto mais conhece menos gosta e menos quer. (– Manifestação nas galerias.)
O presidente – Obrigado, deputada Lohanna.