Pronunciamentos

DEPUTADA ANDRÉIA DE JESUS (PT)

Discurso

Critica o governador Romeu Zema pela intenção de privatizar a Companhia de Saneamento de Minas Gerais – Copasa – e pela tentativa de retirar a realização de referendo popular para autorizar a desestatização ou federalização da empresa, medida prevista na Proposta de Emenda à Constituição nº 24/2023. Questiona sobre o impacto da privatização para as milhares de famílias que dependem da tarifa social.
Reunião 25ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 29/10/2025
Página 47, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PEC 24 de 2023

25ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 23/10/2025

Palavras da deputada Andréia de Jesus

A deputada Andréia de Jesus – Boa noite. Boa noite, trabalhadores e trabalhadoras da Copasa. Quero cumprimentar os colegas deputados e deputadas que ainda estão aqui acompanhando este debate. Quero agradecer muito a vocês pela resistência, por se manterem aqui. Eu sei que lá fora também há muita gente acompanhando, colocando nas redes sociais, formando e orientando o nosso povo mineiro. Nós estamos aqui nesta noite histórica. Estou aqui, há quase 7 anos, e esta é a primeira vez em que a gente passa uma noite inteira, de forma pedagógica, orientando um debate tão importante, talvez o mais importante para o Estado de Minas Gerais. Nós conseguimos avançar com o projeto para garantir condições de o Estado de Minas Gerais arcar com a sua dívida a nível federal. Mas isso foi distorcido e distorcido até chegar a atacarem a água, um direito fundamental.

Eu queria começar aqui falando da minha preocupação, deputado Leleco, deputada Ana Paula, que falou muito bem sobre o lugar das mulheres neste processo. Eu estava ali fazendo umas pesquisas para ver como está a tarifa social. Eu queria falar é disso. Se a gente hoje retira o direito de as pessoas serem ouvidas sobre qualquer alteração na empresa pública que garante água potável, que garante saneamento, independente de qual cidade seja, se dá lucro, se não dá lucro, se é caro, se é barato, eu imagino como ficarão as 775 mil famílias do Estado de Minas Gerais que hoje dependem da tarifa social. Aí eu pergunto aqui se os deputados que são a favor da retirada do referendo, de não ouvirmos as pessoas, também já têm resposta para isso. Como ficaria a tarifa social para quase um milhão de famílias que dependem da tarifa social, tarifa essa que desafoga as famílias em quase 5% da renda delas? Eu estou dizendo que, se a gente abre mão de uma empresa pública, nós vamos levar muitas famílias hoje chefiadas por mulheres, como a minha e de muitas mulheres negras, a um nível de pobreza ainda maior, a um nível de desigualdade ainda maior.

Eu ouvi aqui os colegas dizendo: “Olha, é grave imaginar que podem, da noite para o dia, todos os trabalhadores da Copasa ficarem desempregados.” Não há resposta para isso. Se a gente entrega a Copasa para um grupo de banqueiros, de investidores que não têm nenhum compromisso com o trabalho, com a força de trabalho, a gente já imagina quantos ficarão desempregados. Além de tudo isso, esses mesmos desempregados vão pagar ainda mais na conta de água. Nós estamos falando de um aprofundamento incalculável da pobreza no Estado de Minas Gerais. Recentemente, debatemos na Casa a questão da miséria, da fome, que é uma realidade no Estado. Nesses últimos anos do governo Zema, não houve nenhum investimento para enfrentar a fome e a miséria no Estado, nem para garantir o acesso à tarifa social, ao controle social, mas, há, sim, um posicionamento de aumentar o desemprego, aumentar a conta de água.