DEPUTADO BETÃO (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 29/10/2025
Página 17, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PEC 24 de 2023
25ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 23/10/2025
Palavras do deputado Betão
O deputado Betão – Boa noite, Sr. Presidente, deputados e deputadas, trabalhadores da Assembleia que ainda se encontram aqui, telespectadores da TV Assembleia e também das redes sociais, trabalhadores e trabalhadoras da Copasa que ocupam esta Assembleia Legislativa há pelo menos três dias, nessa greve que estão realizando para defender uma empresa pública.
Sr. Presidente, eu queria dizer que ontem foi realizada na Assembleia, pelo que ouvi de deputados mais antigos, uma das maiores audiências públicas da história desta Assembleia Legislativa. Com aproximadamente 6 mil trabalhadores e trabalhadoras, numa categoria de aproximadamente 10 mil pessoas, você colocar 6 mil trabalhadores num espaço é muita coisa, é muita coisa. Só não vieram mais porque não havia estrutura para que houvesse mais gente aqui. É muito grande a preocupação com esse processo com que estamos trabalhando de forma extremamente acelerada, sem fazer a devida discussão. Chamo atenção para isso.
Ontem, diante desses 6 mil trabalhadores, nós tivemos aproximadamente de 25 a 30 deputados passando pela audiência. Alguns foram lá para proteger o presidente da Copasa e outros para defender a Copasa da privatização. Foram 6 mil trabalhadores. E não é que vinham alguns deputados – porque as manifestações são legítimas, como está acontecendo aqui, agora… Mas não é que, enquanto eu estava na audiência e os trabalhadores se manifestavam, vinham deputados ao meu ouvido, deputado Celinho Sintrocel, para me pedir para botar ordem na Casa? Eu tinha que parar a manifestação de qualquer jeito. Leleco, não são os deputados mais velhos que fazem isso. Eles mandam os mais novos irem lá fazer essa bobagem. E aí têm que tomar, não é? Eu disse ontem que eu dirijo assembleias, comícios e manifestações só há 41 anos. Eu sei como lidar com isso. O que eles queriam? Que essas pessoas que estão vendo uma carreta vindo para cima delas, com o farol ligado, não se manifestem contra aqueles que defendem que os direitos delas sejam preservados. Eu fico impressionado. É uma hipocrisia – é uma hipocrisia. Todas as experiências que existem no mundo e no Brasil sobre privatização de companhia energética e de companhia de saneamento demonstram que pelo menos 30% da categoria é demitida. Vocês vão perder seus salários, vão perder o seu plano de saúde, vão perder o ticket-alimentação. E eles querem que as pessoas não se manifestem.
E o pior, gente: nesse processo acelerado que nós estamos vivendo aqui, nós vimos, esses dias, deputado entrando, marcando presença e saindo – eles entram, marcam presença e saem. E eu, até agora, não ouvi nenhum deputado da base do governo vir a este microfone e fazer a discussão em defesa da privatização. Eu não sei quais são os argumentos. É até difícil… Não é possível, gente! O governo mandou, e o pessoal veio para cá para votar? Falaram para mim – eu não posso comprovar isso – que há até avião voando pelo Estado para trazer deputado para cá. O que está por trás disso? O que está por trás disso, gente? É o capital financeiro, é o capitalismo, que têm interesse na privatização de uma empresa tão importante quanto essa. É o BTG, são outros bancos.
O discurso era que tinha que privatizar porque não dava tempo de aderir ao Propag. Aí, duas semanas atrás, o governo federal prorrogou o prazo. Agora inventaram outra discussão: “Não, não é mais por causa do Propag. Tem que privatizar porque é melhor”. Não, gente. As experiências do mundo afora demonstram que a privatização de companhia de saneamento é um verdadeiro desastre – um verdadeiro desastre. A água fica mais cara, trabalhadores e trabalhadoras são demitidos, e o serviço fica péssimo. Aí países pelo mundo afora, diversas cidades pelo mundo afora, inclusive no Brasil, começaram o processo de reestatização, Dr. Hely Tarqüínio – um processo de reestatização. Isso é difundido em vários jornais e vários sites. Parece que ninguém lê nada, que ninguém se interessa. Com as companhias energéticas acontece a mesma coisa.
Então, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, faço um apelo aos deputados que estão nos ouvindo para tomarem consciência dessa situação, porque vamos levar o Estado de Minas Gerais à bancarrota hídrica e de saneamento nos 600, quase 700 municípios em que a Copasa atua. E lembro que a Copasa precisa ter lucro em alguns municípios para garantir o abastecimento nas pequenas cidades mineiras, em que é preciso fazer esses investimentos. No entanto uma direção de uma Copasa que não aplica dinheiro e que não faz investimentos só existe por um motivo: tentar sucatear ao máximo para privatizar a preços baixos e depois tentar lucrar com a venda ou com a transmissão dessa empresa.
Sr. Presidente, termino minha fala mandando minhas condolências ao soldado que faleceu. Peço o voto favorável ao requerimento do deputado Ulysses Gomes. A gente tem que terminar bradando bem alto: “Contra a privatização da Copasa! Água da privada não dá para engolir!”.
O presidente – Obrigado, deputado Betão.