Pronunciamentos

DEPUTADA BELLA GONÇALVES (PSOL)

Discurso

Presta solidariedade à prefeita do Município de Contagem, Marília Campos, em razão da conduta do governador Romeu Zema durante o evento de entrega da obra da Bacia B3 no município e elogia a postura da prefeita. Critica a pré-candidatura do governador Romeu Zema à presidência da república. Denuncia desvio de recursos destinados ao enfrentamento da miséria, relações de favorecimento a empresários financiadores de campanha, e suposto lobby do banco BTG Pactual pela privatização de estatais mineiras.
Reunião 50ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 21/08/2025
Página 48, Coluna 1
Indexação

50ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 19/8/2025

Palavras da deputada Bella Gonçalves

A deputada Bella Gonçalves Obrigada. Bom dia, deputado Betão, que preside os trabalhos. Quero saudar todos os deputados e todas as deputadas, todos os trabalhadores da Assembleia e todo o mundo que nos acompanha. Antes de começar a minha fala, gostaria também de expressar a minha solidariedade à Marília Campos, prefeita de Contagem. Quero também parabenizá-la pela educação que teve após um gesto deselegante e grotesco do governador do Estado de Minas Gerais, que lhe pediu que se retirasse para que ele fizesse um vídeo sem a presença da prefeita petista, que, aliás, é a maior prefeita de uma cidade de Minas Gerais e uma das maiores do Brasil. Ele pediu que ela se retirasse, e ela se retirou do evento, mas não deixou de fazer uma postagem, inclusive com o governador, agradecendo ao governo de Minas Gerais a parceria. Acima dessas disputas mesquinhas e pequenas, acho que a prefeita sabe que o compromisso de entrega de obras e melhorias para o povo é o que a move. Acho que esse gesto da prefeita foi de enorme grandeza e merece ser reconhecido. Mais do que a deselegância de uns, a grandeza da prefeita Marília Campos merece ser ressaltada.

Vale lembrar que os recursos para as obras da bacia de contenção em Contagem não são recursos do governador. E não são sequer do governo do Estado. A maior parte deles vem do crime da Vale em Brumadinho. Então eles pertencem ao povo que foi atingido, aos familiares das 272 pessoas que perderam as vidas por esse crime. É importante que a gente não permita que haja uma capitalização em cima de um recurso que é de reparação, e essa reparação tem que servir ao povo. Por isso falo da grandiosidade de quem soube reconhecer essas parcerias, como é o caso da prefeita Marília Campos.

Mas subi hoje a esta tribuna para falar de um assunto que, eu confesso, parece tragicômico: a candidatura a presidente do Romeu Zema. Digo “tragicômico” porque ela nasce morta, ela já nasce muito enfraquecida. E ela não nasce enfraquecida só pela ausência de fundo partidário ou de tempo de TV; ela nasce sem apoio popular, ela nasce sem nenhum projeto de país. É uma candidatura com o mesmo DNA que tem tido o governo de Minas Gerais: o do abandono. O Brasil precisa saber quem é Romeu Zema, e eu gostaria de relembrar algumas características marcantes do governador.

A primeira delas é que o governador foi aquele que aumentou o próprio salário em 300% no mesmo ano em que deu apenas 3% de reajuste ao funcionalismo público. Ele é aquele que sempre se coloca contra a redução da jornada e a favor da manutenção de uma escala extenuante, a escala 6x1. Ele faz declarações contra o salário mínimo e mantém, nas empresas vinculadas ao grupo da sua família, pessoas em condições análogas à escravidão. Ele é um gestor que mantém isenções fiscais bilionárias, que neste ano vão chegar a R$25.000.000.000,00, enquanto a dívida de Minas disparou. O Sindifisco diz que essa dívida já vai chegar, no final do ano, a R$190.000.000.000,00. Sabem aquele papo de bom administrador? Pois é. É só propaganda. Ele é um homem que faz declarações inacreditáveis. Por exemplo, compara pessoas em situação de rua a carros abandonados que deveriam ser guinchados, mostrando que ele não tem humanidade nem empatia. Ele é aquele que disse que uma trabalhadora doméstica do Vale do Jequitinhonha deveria ganhar menos de um salário mínimo, e isso, para ele, está certo. Ele é o governador que gastou milhões para asfaltar a estrada que liga Araxá ao rancho da família dele, mas que deixou estradas esburacadas e acidentes acontecendo por todo o Estado de Minas Gerais. Ele é aquele que tentou impor pedágios na região metropolitana e só não o fez porque foi impedido pelo trabalho desta Casa, da sociedade e do Tribunal de Contas.

Bom, gente, o governo Zema é aquele que se diz austero e comprometido com a boa gestão pública, mas que fez o desvio de recursos do enfrentamento da miséria e que está respondendo hoje na Justiça por ter retirado recursos que deveriam ser usados para enfrentar a fome e a pobreza. Como vocês perceberam, na fala que me antecedeu, hoje os apoiadores de Bolsonaro chamam Zema de rato oportunista. Imaginem só: para receber tamanho elogio de quem recebeu, de fato, o governador Zema está de parabéns mesmo pelo oportunismo. E é importante que todo o mundo saiba que, além de oportunista, ele é aquele que troca o futuro da população, o futuro da Nação por privilégios para si próprio e para os seus amigos empresários. A eleição do governador Zema se deu muito a partir de investimentos de empresários, que depois receberam contrapartidas do Estado. Um caso que temos denunciado aqui é o do Salim Mattar, dono da Localiza, que, após ter financiado a campanha do Zema, virou consultor voluntário de economia do governo do Estado e, depois de receber uma isenção bilionária para as locadoras de veículo, deixou o Estado e foi cumprir outras missões. Acho importante relembrar isso, porque, quando a gente aumenta a escala, a busca por parcerias também aumenta.

Hoje escutamos que os CEOs da BTG Pactual estão aqui, em Minas Gerais, fazendo lobby pela privatização das nossas estatais, em especial pela privatização da Copasa. Gostaria de lembrar quem são André Esteves e Mansueto Almeida, deputado Cristiano. Lembro que hoje Mansueto e André Esteves são os principais acionistas do banco BTG Pactual. Esse banco hoje tem feito um lobby pela privatização da Copasa e está se reunindo com vários deputados. A relação que eles têm com o governador Zema não é uma relação distante, pois, no último fim de semana, Mansueto estava no lançamento da candidatura do Zema a presidente e, alguns dias antes, um dia antes, ele estava com os presidenciáveis em uma reunião na Faria Lima, em que o BTG Pactual estava tentando dar a linha do que seria a prioridade do setor financeiro para as eleições presidenciais. Vocês vão ver que o BTG Pactual está envolvido em vários escândalos, como o da PBH Ativos, em Belo Horizonte, em que o banco comprou debêntures boas e deixou as podres com a prefeitura, em um esquema que depois foi investigado e que até hoje está para ser julgado no Tribunal de Contas do Estado. Fiquei sabendo, nestes dias, que é o BTG Pactual, deputado Betão, o banco que está administrando os recursos da expansão do metrô de Belo Horizonte. Eu imaginava que o recurso público, que vem do governo federal e do crime de Brumadinho, deveria ficar em um banco público, Caixa Econômica ou Banco do Brasil. Mas não, ele está rendendo hoje dividendos em um banco privado. Qual banco? BTG Pactual.

Mas vamos compreender a relação histórica entre o Mansueto e o Zema. Alguns anos atrás, eles faziam lives juntos no Partido Novo. Então, essa relação de apoio não é recente. Mas, quando Mansueto fazia lives com o governador, ele era ninguém mais ninguém menos do que o secretário nacional da Fazenda, que discutia com o governador do Estado a privatização das estatais no Regime de Recuperação Fiscal. Veja bem: o secretário da Fazenda do governo Bolsonaro, que tentou implementar o Regime de Recuperação Fiscal para arrecadar as estatais mineiras, hoje é o principal CEO de um banco que está aqui em Minas Gerais para tentar privatizar e vender as nossas estatais.

Quer compreender quais são os interesses que o Zema representa? Siga o rastro do dinheiro, que vocês vão achar. Ele não representa os interesses do povo, não pode combater a fome e a miséria, não pode gerar soberania nacional e se coloca sempre contra políticas que garantam a melhoria de vida do povo, como é o caso do Bolsa Família. Mas a bolsa empresária e os privilégios é com ele mesmo. Não nos enganemos, Brasil. Vamos ficar atentos para que essa candidatura que nasceu natimorta não prospere e, além disso, que não possa nem ser registrada. Afinal de contas, Zema é um grande problema hoje para Minas Gerais e não pode ser um problema para o Brasil. Obrigada.