Pronunciamentos

LAURO ELIAS DE OLIVEIRA, Padre da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes

Discurso

Agradece a homenagem pelo transcurso do 100º aniversário de fundação da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, do Município de Vespasiano.
Reunião 31ª reunião ESPECIAL
Legislatura 20ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 08/11/2023
Página 12, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 269 de 2023

31ª REUNIÃO ESPECIAL DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 6/11/2023

Palavras do Padre Lauro Elias de Oliveira

Boa noite a todos e a todas. É um prazer estar aqui. Para mim, é meio difícil porque eu sei falar sem ler, mas hoje vou ter que ler para poder manter minimamente a ideia daquilo que tentei escrever. E assim eu começo dizendo que, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Casa do povo, “Poder e voz do cidadão”, a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, por minha voz, saúda a deputada Nayara Rocha, autora do requerimento que deu origem a esta reunião especial, pela iniciativa desta homenagem, e saúda também as digníssimas e digníssimos membros da Mesa: Exma. Sra. deputada Nayara Rocha, autora do requerimento que deu origem a esta homenagem, conforme já disse, neste ato representando o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Tadeu Martins Leite; Exmo. Sr. deputado federal Antônio Pinheiro Neto, Pinheirinho; Exma. Sra. prefeita e paroquiana de Vespasiano Ilce Rocha; Exmo. Sr. presidente da Câmara Municipal de Vespasiano, vereador Filipe Caldeira; Exmo. Sr. vigário judicial e presidente do Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese de Belo Horizonte, Pe. Íris Mesquita Martins, nosso colaborador, companheiro de caminhada há muitos anos, representando também o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, D. Walmor Oliveira de Azevedo – aí, Pe. Íris, o negócio não é fácil, não. E ainda o Exmo. Sr. vice-prefeito de Vespasiano, Zé Wilson, e as demais autoridades presentes, sem nomear individualmente, mas nem por isso desconsiderando a importância hierárquica e os cargos de cada um.

A homenagem se inscreve no reconhecimento dos esforços evangelizadores de uma paróquia que celebra o seu centenário estendido, uma vez que a pandemia impossibilitou que o fizéssemos no tempo cronológico correto. Importa, mais que a ordem cronológica, o sentimento jubilar que persiste e persistirá ainda longamente. Evangelizar é missão fundamental da igreja. Jesus, em Mateus 28:19-20, replicado em Marcos 16:15, ordenou: “Ide e ensinai a todas as nações, batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinai-as a observar tudo quanto vos ordenei”. Portanto, na fidelidade a este mandato, nos encontramos perseguindo o objetivo de evangelizar. Fragilidades e limitações humanas não impediram, ao contrário, que a graça de Deus nos motivasse a fazer o que achávamos impossível.

Nesse contexto, aplicamos ao agir da paróquia centenária o versículo 10 do capítulo 10 do Evangelho de João: “Eu vim para que todos tenham vida, e vida plena”. Vida plena se deseja e se constrói, é esperança e compromisso, por isso a paróquia, já nos primórdios, atentou, pelos seus padres e paroquianos, para o cuidado da criança de colo, com as instituições ali fundadas: Ação Social Maternal Nossa Senhora das Graças e Posto de Puericultura São José. Alimentação, cuidados médicos, relevância social especialmente para as famílias, na sua maioria negras, como atestam as fotos da época. Mantemo-nos no caminho desses precursores, atentos às necessidades da criança e do adolescente, com os projetos da Aspav, Ação Social da Paróquia de Vespasiano: “Adolescer com saúde e paz”, passando pelo reforço escolar, o atualmente desativado pré-vestibular paroquial e a Cooperativa Paroquial de Reciclagem, desde 1988, pioneira no município, com geração de trabalho e renda.

O respeito ao meio ambiente é uma das nossas principais bandeiras e, fazendo eco à brilhante carta encíclica do papa Francisco, Laudato si, sobre a ecologia integral, sonhamos, projetamos e realizamos o Horto do Centenário, com o plantio inicial de 100 árvores, atingindo atualmente quase 200 árvores plantadas ao lado da réplica da matriz antiga em construção.

Como o pastor negro Martin Luther King, eu digo: I have a dream – eu tenho um sonho – e nutro em mim sonhos sonhados por outros de que o dia da paz virá; de que as armas se calarão; de que as crianças não serão exploradas e brincarão nos espaços a elas por direito dedicados; de que não haverá racismo nem xenofobia; de que o trabalho será direito de todos, conquistado por leis justas e cumpridas; de que não haverá corrupção e de que todos seremos registrados como irmãos, independentemente da raça, cor ou religião. Esse sonho é possível numa paróquia, porção geográfica facilitadora de uma pastoral orgânica, mas que ultrapassa, e muito, o jurídico quando se abre às antigas e atuais demandas da sociedade, sem perder a fidelidade ao Evangelho e em comunhão com o magistério da igreja. Sonhos possíveis que vemos, com alegria, serem realizados pouco a pouco, mas que nos motivam a continuar como igreja missionária de comunhão e participação, sinodal, como somos convocados por Jesus, convocação retomada, muito tempo depois, no Concílio Vaticano II, que o papa Francisco corajosamente atualiza.

Muito simbólico que esta homenagem venha no mês cheio de datas ligadas à luta da sociedade por direitos civis, especialmente dos negros, celebrando-se, no dia 20, o Dia da Consciência Negra. Muito simbólico que eu, padre negro, seja humildemente colocado, ainda que por instantes, como porta-voz dessa imensa porção de brasileiros e brasileiras que não suportam mais a carga de escravidão disfarçada, o preconceito já não mais sub-reptício, mas escancarado. Também oportuno que, em novembro, realize-se o Enem, com mais de 3 milhões de inscritos e com um tema de redação que bate profundamente no coração da mulher e da sua invisibilidade, especialmente da mulher negra, a mais invisível das invisíveis. Muito oportuno que seja o mês de conscientização para os cuidados com a saúde do homem, o “Novembro azul”, com intenso apelo para que se deixe de lado o preconceito contra a consulta com o urologista, que evitaria centenas, se não milhares, de mortes causadas pelo câncer de próstata. Finalmente reconheço que esta homenagem à Paróquia Nossa Senhora de Lourdes e a mim apresenta a paróquia como local de incentivo, criação e manutenção de múltiplas atividades socioculturais, já relatadas aqui anteriormente e repetidas, porque é necessário: música, dança, teatro, arquitetura, diálogo com as manifestações afro-brasileiras, valorização de manifestações religiosas antigas e recuperadas. Reconheço, no requerimento da deputada Nayara Rocha, nossa paroquiana e amiga, a valorização de um conjunto de atividades pastorais e ministérios que geram vida, mantêm a vida e a multiplicam.

Em meu nome e em nome de tantos paroquianos presentes e ausentes fisicamente, digo-me muito grato à deputada Nayara Rocha, muito grato a todos aqueles que assinaram o requerimento da deputada. Reconheço, na acolhida desta Casa, o desejo de se aproximar, valorizar e visibilizar pessoas e instituições que apresentem uma biografia que as capacitem para tal homenagem. Esse é o caso da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, aqui apresentada, aceita e homenageada. Lembro que a homenagem é uma via de mão dupla, deputada Nayara Rocha, deputados presentes e aqueles que também assinaram, porque traz à Assembleia Legislativa cidadãos e cidadãs, eleitores que, gratos pela homenagem, não se furtarão ao compromisso de fiscalizar e cobrar das senhoras deputadas e dos senhores deputados o resultado das leis cidadãs de que precisamos e para as quais foram eleitos.

Gratidão especial aos paroquianos aqui presentes, e também àqueles que estão ausentes, da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes; aos amigos e à minha família, resumidamente aqui presente, uma família pequena e de pessoas idosas, mas a minha família. Paróquia, família e amigos são os motivos principais desta homenagem que hoje se faz à paróquia e a mim, por isso agradeço: muito obrigado! Obrigado.

Queria, se possível, deputada, quebrar o protocolo, mas simplezinho, rapidinho. Mês da Consciência Negra, padre preto; porque preto é cor, negro é raça, não é assim? (– Canta.) Obrigado.