DEPUTADO BRUNO ENGLER (PRTB)
Discurso
Legislatura 19ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 11/06/2021
Página 30, Coluna 1
Assunto EDUCAÇÃO. SEGURANÇA PÚBLICA.
Aparteante CORONEL SANDRO
Observação Pandemia coronavírus 2020.
Proposições citadas PL 2311 de 2020
48ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 9/6/2021
Palavras do deputado Bruno Engler
O deputado Bruno Engler – Boa tarde, Sr. Presidente, colegas deputados e todos aqueles que nos acompanham. Hoje eu ocupo a tribuna desta Casa para falar de um deputado federal que se elegeu como liderança das greves dos caminhoneiros, sendo que não é caminhoneiro. Nas redes sociais, para crescer o seu engajamento, ele engana a população mais simples e humilde deste país, prometendo um auxílio emergencial irreal, que é impossível de entregar, mas ele promete, promete, enganando a população, aqueles que ainda acreditam nas suas mentiras. Ele gosta muito de xingar, de criticar, de falar mal, mas não gosta de ser xingado; pelo contrário, quando é cobrado, fala que vai acionar a Polícia Federal, que ninguém pode falar mal dele.
Eu estou falando – a maioria de vocês já deve saber – do deputado federal André Janones. O deputado Janones fez um vídeo criticando a Copa América no Brasil, no qual ele chama o governo de assassino, como já fez em diversas oportunidades. Ele o chama de assassino, miliciano, genocida, em flagrante violação da Lei de Segurança Nacional e, de maneira hipócrita, critica a realização da Copa América no Brasil, mas nunca abriu a boca para falar de nenhum dos outros campeonatos nacionais e internacionais que acontecem no nosso país.
E um cidadão foi cobrá-lo de maneira veemente, com palavras de baixo calão. Eu abro aspas aqui porque sei que o ambiente da Assembleia não é para essas palavras, mas é importante repassar a mensagem. Um cidadão o procurou nas redes sociais e disse a seguinte mensagem para o deputado André Janones: “Oh, vagabundo, por que você não grita também para não ter os outros campeonatos? Pare de querer aparecer, seu (– Palavra expungida por determinação do presidente.), para o cidadão”, fecham-se aspas. E aqui abro aspas para o deputado André Janones: “Grite você, desgraçado” – peço perdão novamente pelo palavreado, mas abro aspas para o deputado André Janones – “grite você, desgraçado, (– Palavras expungidas por determinação do presidente.) do miliciano, seu veado desgraçado. Vou colocar a PF na sua cola esta semana. Vamos ver até onde vai a sua valentia, seu (– Palavras expungidas por determinação do presidente.)”, fecham-se aspas. E a conversa segue com o cidadão dizendo que não deve nada, e Janones diz que vai mostrar na Justiça quem é (– Palavra expungida por determinação do presidente.), quem é vagabundo; afirma que quinta-feira estará em BH com o superintendente da PF e questiona até onde vai a valentia do cidadão que o cobra. O cidadão responde, e aí ele manda uma mensagem: “Me chamando de senhor? Uai, mas na mesma mensagem lá do Face eu era vagabundo. Mudou rápido, hein? A polícia nem bateu na sua porta e já virou mocinha?”. E termina a interação dizendo – abro aspas novamente para o deputado: “Você é só um (– Palavra expungida por determinação do presidente.) igual à maioria dos que apoiam o miliciano: valente nas redes e uma mocinha na vida real. Só que você mexeu com o cara errado. Vou fazê-lo virar homem por meio da lei. Abraços. Nos vemos no tribunal. Quinta-feira estarei na Superintendência da PF em BH. Te espero lá, gado. Abraços”, fecham-se aspas para o deputado André Janones.
Ora, deputado, o senhor acha que a Polícia Federal é ferramenta de intimidação do cidadão? O senhor que enche a boca para xingar, para cobrar, para chamar de assassino o presidente da República, quando toma um xingamento diz que vai usar o poder da Justiça para fazer o cidadão virar homem? Chama o cidadão de mocinha, mas, de forma covarde, já apagou boa parte dessas mensagens que eu aqui li porque não quer isso seja levado a eventual processo. Só que o cidadão tirou print, ele tem o print; eu tenho os prints.
Ora, deixe de ser hipócrita, deputado! O senhor coloca coletinho de fiscal do povo, fala que não deixa passar nada, que vai fiscalizar, mas quando é fiscalizado pelo cidadão, o senhor dá chilique? O senhor pega pilha? Ora, não pode fiscalizar o fiscal do povo, não? Só o senhor tem o direito de fiscalizar? O povo não é idiota, não cai mais nessas ladainhas. Se você pensa que intimidou esse rapaz, não intimidou, porque nós sabemos que a Polícia Federal é uma instituição séria, que não é uma instituição que vai se deixar aparelhar por deputadinho federal que se sentiu ofendido. E eu já disse ao cidadão que, no que ele precisar do meu gabinete, nós estaremos à disposição. Ou o senhor acha que os deputados não recebem críticas? O senhor acha que nas minhas redes sociais ou nas redes sociais dos outros políticos são só flores, elogios e não tem ninguém falando mal? Agora, na hora de falar...
O presidente – Deputado Bruno Engler...
O deputado Bruno Engler – Sim.
O presidente – Por gentileza, usando o art. 81, eu vou interrompê-lo para pedir que, mesmo que sejam palavras proferidas por outra pessoa – e já estou pedindo para retirar essas palavras da ata –, que V. Exa. não profira mais essas palavras de que o senhor fez uso aí na tribuna, por gentileza.
O deputado Bruno Engler – Perfeitamente, Sr. Presidente. Eu até quero pedir perdão. Deixo claro que não são as minhas palavras, mas eu acho importante explanar para as pessoas que nos assistem que, por mais que sejam de baixo calão e de teor ofensivo, entendam o teor do que foi falado por um parlamentar a um cidadão que lhe cobra. E não era a minha intenção aqui, de modo algum, ofender a dignidade desta Casa e deste Plenário ou ofender aqueles que nos acompanham, mas apenas demonstrar aquilo que foi falado e, por isso, pedi licença para abrir aspas e usar palavras desse teor, mesmo não concordando com as mesmas.
Mas seguindo o pronunciamento, eu digo da hipocrisia do deputado, que é muito homem para cobrar, mas que não aceita ser cobrado. O senhor enche a boca para dizer que é funcionário do povo. Se é funcionário do povo, então pode ser cobrado pelo povo. O povo brasileiro tem direito, sim, de cobrar hipocrisia, incoerência e um posicionamento eficaz ao invés de faniquitos em redes sociais dos seus representantes. É essa a mensagem, Sr. Presidente.
O deputado Coronel Sandro (em aparte) – Obrigado, deputado Bruno Engler.
Parabéns por se manifestar sobre esse parlamentar, aliás, a quem também tenho severas restrições. Eu acho que ele é um populista descarado, um líder fake caminhoneiro que se aproveita hoje da condição de deputado federal para vender ilusões ao povo. Por exemplo, ele sempre se apresenta quando começa a discussão de que vai haver uma prorrogação, no caso do auxílio emergencial – diga-se, de passagem, nenhum governo na história deste País deu tanta ajuda às pessoas que precisam como o governo do presidente Bolsonaro –, mas isso é tudo dentro da capacidade de endividamento e de pagamento da União. Aí ele sabe: “Olha, vão prorrogar o auxílio emergencial”. Aí ele lança nas redes dele: “Nós queremos é de R$600,00, queremos de R$1.000,00”. Enfim, na verdade, é demagogia pura. Esse cidadão, que hoje é deputado federal, para mim, envergonha qualquer Parlamento em que ele estiver e envergonha Minas Gerais.
Ao mesmo tempo em que ele se utiliza da onda de quem perdeu a eleição, mas que não aceita, que quer tirar um presidente da República legitimamente eleito, usa as palavras chamando o nosso presidente de genocida, na verdade, para mim, isso é crime, mas crime hoje são só os atos antidemocráticos que os conservadores fazem na rua, sem nenhuma briga e com bandeira verde e amarela, é antidemocrático. Então fica aqui também o meu registro, o meu desagrado à forma de atuar desse deputado André Janones. V. Exa. está de parabéns ao mencionar aqui os atos que ele vem praticando que não dignificam o parlamento. Aliás, não dignificam nenhum ser humano. Eu acho que ele deveria pedir para sair. Parabéns, deputado Bruno Engler.
O deputado Bruno Engler – Muito obrigado, deputado Coronel Sandro.
Só reforço aqui ao presidente e a todos os colegas que a intenção de fazer uso daquelas palavras foi de fato para explicitar o que foi dito para que entendessem o contexto. Mas eu entendo que são palavras inadequadas para o Parlamento, como entendo que são palavras inadequadas para resposta ao eleitor que fez uma cobrança ao deputado. Eu quis apenas mostrar o que foi dito.
Mudando de assunto, hoje ocorreu, aqui em Belo Horizonte, em frente ao Palácio da Justiça, uma manifestação pela volta às aulas. Eu não pude participar, porque eu estava em outro compromisso previamente agendado, mas quero aqui parabenizar todos aqueles que se manifestaram e dizer da importância desse tema, que infelizmente vem sendo muito negligenciado. Nós estamos vivendo nessa pandemia o momento de definir aquilo que é ou não essencial, e só pode funcionar aquilo que é considerado essencial. Mas eu entendo, e as pessoas que foram ali se manifestar entendem que a educação é essencial. E muito me incomoda ver parlamentares, lideranças, sindicalistas, que sempre bateram na tecla de defensores da educação, pedindo a valorização, o respeito à categoria e ressaltando a importância dessa profissão, colocarem a educação no rol das profissões, das ações não essenciais, daquelas que podem esperar, daquelas que não precisam ser realizadas. Os pais estão vendo o prejuízo que seus filhos estão tendo por serem mantidos longe das escolas. Há um clamor para que nós tenhamos a volta às aulas presenciais. Aqui, nesta Casa, nós temos um projeto de lei do deputado Bartô para transformar a educação em serviço essencial. Nós temos uma proposta de emenda à Constituição do deputado Doutor Paulo com teor semelhante, para transformar a educação em serviço essencial.
Assim sendo, eu gostaria de pedir aos colegas, aos responsáveis pela tramitação nesta Casa, que a gente dê uma atenção maior a esse tema. Aproveito para fazer uma cobrança também ao governo de Minas: que tenha um posicionamento mais enérgico pela volta às aulas, porque a gente sabe que o prejuízo educacional e de formação das crianças têm sido muito grande. No meu entender e no entender de diversos mineiros, a educação é, sim, um serviço essencial, e já deveria ter voltado o ensino presencial há um bom tempo.
Muito obrigado, Sr. Presidente.