DEPUTADO BRUNO ENGLER (PRTB)
Discurso
Legislatura 19ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 12/02/2021
Página 16, Coluna 1
Assunto CALAMIDADE PÚBLICA. SAÚDE PÚBLICA.
Aparteante DOUTOR JEAN FREIRE, BARTÔ
Observação Pandemia coronavírus 2020.
5ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 10/2/2021
Palavras do deputado Bruno Engler
O deputado Bruno Engler – Sr. Presidente, eu ocupo hoje a tribuna desta Casa para me defender de afirmações que foram feitas ontem por um nobre colega que se encontra aqui, no Plenário, o deputado Doutor Jean Freire.
Deputado Jean, eu gostaria de dizer, em primeiro lugar, antes de entrar no discurso político, que tenho profundo respeito e admiração pelo trabalho de V. Exa. como médico, e o parabenizo por estar na linha de frente no combate a esse vírus. Mas, no que tange à política e ao discurso, eu vejo que é necessário voltar a esta tribuna para debater um pouco do que o senhor questionou ontem, de forma veemente, nesta tribuna, quando questionou a eficiência do que vem sendo feito em Porto Seguro e os dados daquela cidade. Chegou inclusive a dizer que eu estava sendo irresponsável ao trazer o resultado positivo de Porto Seguro, ao ver o comércio aberto e não ver os hospitais.
Eu não só vi o comércio aberto, mas também conversei com a secretária de Saúde de Porto Seguro para entender o que estava sendo feito e como estava a situação daquele município. De fato, aquele município apresenta resultados muito melhores que a sua região, que o seu estado e que o nosso país. Porto Seguro tem uma taxa de recuperação de 96,5% entre aqueles que apresentam índices de Covid. V. Exa. trouxe um dado importante: 75% dos leitos de UTI estão ocupados, e de fato estão, mas estão ocupados porque os leitos de UTI de Porto Seguro são de hospital regional, que recebe pacientes de diversos municípios. E outros municípios não necessariamente estão adotando o mesmo tratamento de Porto Seguro. Quando nós falamos de leitos clínicos, que são, em sua maioria, da rede municipal, a taxa de ocupação é de 42%. Nós temos 58% dos leitos disponíveis, porque o tratamento que lá está sendo feito, o tratamento precoce, o tratamento profilático tem dado resultado.
V. Exa. veio aqui falar justamente que diversos medicamentos estão sendo testados como tratamento e que nós precisamos dar ênfase a isso e precisamos trabalhar com isso. Isso é verdade. E nós precisamos respeitar o tratamento que está sendo realizado em Porto Seguro, com sucesso. A gente precisa, sim, discutir isso. O que não podemos ver é o que vimos em Porto Alegre: um partido político, no caso, o Psol, tentando barrar o tratamento precoce que o prefeito Sebastião Melo queria implementar, tentando barrar um tratamento por motivos políticos. É isso o que eu estou dizendo aqui.
O presidente Bolsonaro, chamado de negacionista, nunca trabalhou contra a vacina. Pelo contrário, ele investe, sim, na vacina. Ele comprou vacinas. Ele busca importação de insumos e tem trabalhado na produção da vacina. Agora, infelizmente – e eu não digo aqui que é o caso de V. Exa., acredito que não seja –, existem políticos que, por viés ideológico, querem impedir que a gente teste, discuta e aplique um tratamento que tem dado resultados promissores.
V. Exa. fez questão de dizer que gosta de fazer uma política de somar e não de dividir. É por isso que eu, juntamente com o deputado Bartô e o deputado Coronel Sandro, fiz aqui um requerimento para a realização de uma audiência pública para, assim que a Comissão de Saúde voltar a funcionar – no momento as comissões estão para serem formadas –, a gente debater, discutir amplamente os efeitos e a funcionalidade do kit Covid; que a gente possa ouvir aqui a Dra. Raíssa e outros especialistas que aplicaram esses medicamentos que têm dado resultados e que têm ajudado as pessoas no combate a essa doença.
A gente não quer impor medicação obrigatória a ninguém, não. Muito pelo contrário. Queremos dar às pessoas uma oportunidade de, caso seja a vontade delas, usar um tratamento que felizmente, graças a Deus, tem dado resultado.
V. Exa. falou aqui que algumas pessoas estão com medo de usar a cloroquina por causa dessa politização para outros fins contra os quais ela já tem eficiência mais do que comprovada, como a malária e outras doenças. Mas isso ocorre não porque nós estamos aqui propondo um tratamento precoce ou experimental contra a Covid-19, mas porque setores da imprensa e da oposição decidiram atacar o remédio, como se ele fosse a representação do governo Bolsonaro, dizendo que é um remédio mortal, que é um remédio perigoso. Ora, um remédio que está aí há 60 anos e que até outro dia era vendido sem receita na farmácia agora precisa de prescrição médica. É isso que gera o receio nas pessoas, e não virmos aqui dizendo que é um remédio testado, que está aí há décadas, seguro e que tem dado resultados positivos no tratamento contra a Covid-19.
Eu respeito a atuação de V. Exa. – apesar de divergir –, eu respeito demais a profissão de V. Exa., a atuação de V. Exa. como médico, mas não acho que é justo a gente vir aqui, na tribuna desta Casa, diminuir o brilhante trabalho que está sendo feito em Porto Seguro. Porto Seguro é uma das cidades mais turísticas do Brasil e recebe pessoas do mundo inteiro. Pela lógica, se ali estivessem sendo feitas as mesmas coisas que são feitas no Brasil inteiro, teria resultados catastróficos. E, pelo contrário, apresenta resultados muito bons quando comparados ao seu estado, ao nosso país e à região onde se encontra. Eu acho que a gente precisa, sim, discutir esses tratamentos para ver o que, de fato, tem funcionado e trazer o que é bom, o que funciona para ajudar a saúde do povo de Minas Gerais.
Por isso eu gostaria de convidar V. Exa. e todos que se interessarem, assim que a Comissão de Saúde voltar. Se nós conseguirmos aprovar esse requerimento, que nós venhamos a escutar as pessoas que têm usado esses métodos para que cada um possa, de fato, apresentar quais resultados têm sido obtidos, o que se tem de positivo do uso do tratamento precoce e profilático no combate a esse vírus. Acredito que o interesse de todos aqui seja o mesmo: que a gente possa passar bem por essa pandemia e voltar ao normal. E não é descartando um tratamento que, graças a Deus, tem funcionado que nós vamos atingir esse objetivo.
Então convido a todos para a discussão para que a gente possa vir a discutir esse tema. Concedo um aparte ao deputado Dr. Jean.
O deputado Doutor Jean Freire (em aparte) – Deputado Bruno, primeiramente, muito obrigado por me conceder um aparte. Quando eu me levantei para falar, tinha certeza de que V. Exa. faria isso. Porque para alguns, por saberem que era o contraditório, negam o aparte, viu? Então, esta é a Casa do diálogo. E, com certeza, se a doutora vier, eu estarei lá com o contraditório a ela. Espero que V. Exa. também tenha a iniciativa de convidar o contraditório a ela para ir lá debater, convide a ciência. Negacionismo, para mim, é negar a ciência.
Eu tenho falado muito da cloroquina e (– Falha no microfone.) não critico o colega médico que a aplique se for com responsabilidade, com o paciente fazendo eletrocardiograma a nível hospitalar. Inclusive, para saber se aqueles pacientes irão autorizar, não é mesmo? Eu já tive situações em que vi os colegas médicos solicitarem ao paciente se ele autoriza ou não, inclusive fazendo parte de um trabalho a nível mundial, para saber as ações ou não.
Os números não mentem. Em lugar algum os números mentem. O que eu disse aqui ontem... Aliás, fiz questão de ouvir a fala da secretária lá, e, pelo que eu consegui ver, ela coloca que no REC o tratamento é uniforme. Eu não senti isso na fala dela. E nós vimos pessoas, eu relatei com dados. Tive essa preocupação de saber nos CTIs de lá de onde eram as pessoas que estavam internadas, e os números dizem: após o Natal, após o Ano Novo e, se não tomarmos cuidados, após o Carnaval, vai crescer e muito nessa cidade. Isso são publicações de lá, os números de lá. Então, se está fazendo um tratamento que não deixa as pessoas da cidade adoecerem, não teria porque o número crescer. E cresceu, os números mostraram que cresceu.
Nós vimos pessoas que passaram um ano desempregadas e começaram a trabalhar agora por necessidade e se contaminaram. Eu dei dois exemplos: de um barqueiro e também de uma funcionária de hotel. Então, com muita tranquilidade eu falo aqui. Inclusive, tenho notado – pelo menos comigo – o respeito de vossa excelência, mesmo a gente sendo de ideologias totalmente diferentes.
Então, eu estou aberto ao diálogo e irei a essa audiência pública. Pode ter certeza de que, se precisar do meu voto para ela vir falar... Aliás, eu não vou estar mais lá na comissão; estou na Mesa agora, mas eu farei questão absoluta de estar lá. Espero também que tenham a iniciativa de chamar para discutir com ela aqueles que estudam a medicação e são contra a sua iniciativa. Se um dia provar que ela é eficaz, eu estou aqui para aplaudir. O que eu sou contra é usar uma medicação que não tem comprovação científica para dizer que é a solução. É só isso.
O deputado Bruno Engler – Sim, respeito a sua fala. Mas, como eu disse, ninguém está propondo uma solução mágica. De fato, os números cresceram em Porto Seguro após o Natal e o Ano Novo como cresceram no Brasil inteiro. Mas, independentemente disso, os números lá de recuperação e as porcentagens são melhores do que as do Estado da Bahia, do resto do Brasil, da região onde a cidade se encontra. O número de internações é menor do que no Estado da Bahia, no resto do Brasil e na região onde Porto Seguro se encontra. Não é um tratamento mágico, não é um tratamento que vai impedir a Covid de atingir as pessoas, mas é um tratamento que está sendo aplicado e que tem ajudado a diminuir o efeito da pandemia. E nós queremos saber por que isso tem ocorrido. Caso consigamos comprovar o efeito positivo, a gente quer trazer isso para Minas Gerais. E acredito que não só para Minas Gerais. Políticos de outras partes do País também vão querer levar esse tratamento para ajudar no combate à doença. Não é uma solução final. Não vai impedir que a doença aumente, mas é uma cidade que está aberta, funcionando e com índices muito melhores do que outras cidades brasileiras que estão completamente fechadas, em lockdown absoluto. Isso certamente tem um motivo. Não é só o sol da Bahia e a brisa do mar. A gente quer saber o motivo, para trazer as coisas boas para o nosso estado. Tenho certeza de que a vontade de V. Exa. não é diferente.
O deputado Bartô (em aparte) – Obrigado, Bruno, por me conceder a palavra. Doutor Jean, quero também me dirigir ao senhor. Sou também autor desse requerimento. Conversei com o Bruno e o Sandro bastante antes. Somos a favor, sim, do contraditório. Sempre tem um lado e outro para poder explicar o que está acontecendo. Ali a gente não vai tratar de estudos, mas, sim, de casos práticos: pessoas que, de fato, implementaram políticas públicas apresentaram ali até mesmo políticas das empresas que funcionam, colocando as pessoas, de fato, a utilizar o tratamento precoce e profilático. Então, a ideia é trazer não estudos, porque estou cansado de ver estudo de que o ovo faz bem e de que o ovo mal, estudo de que o socialismo dá certo e estudo de que o socialismo dá errado. Estudo é tese, é papel, aceita tudo. Eu quero é prática. Eu quero ver quem colocou a política pública para poder finalizar, para poder fazer de forma eficaz o tratamento e ver quais foram os retornos. Então, a gente está procurando vários nomes, no Brasil afora, de várias cidades, de empresas e de hospitais que colocaram, na prática, a utilização de tratamento profilático e precoce, para aí, sim, debater e ver o que está dando certo lá; se, de fato, está dando certo lá.
Então, se o senhor tiver casos de pessoas que utilizaram, na prática, que colocaram em prática a utilização desses tratamentos que, porventura, possam ter dado errado, a gente está à disposição para poder tratar disso também. É claro que, evidentemente, a audiência é uma audiência rica em que vamos conversar várias coisas. Pode ser que não encontremos tantos casos porque a gente sabe, sim, que há uma perseguição a todas as pessoas que estão se utilizando desse tratamento precoce. A gente ouve médicos que foram... A própria Raíssa, que é secretária, foi perseguida lá. A gente vê outros casos aqui em volta. Em Nova Lima, já ouvi falar que pessoas foram perseguidas também. Então, a gente vê muito a atuação do Ministério Público que, às vezes, demonstra um viés contra a utilização desse medicamento e assim faz um trabalho para perseguir essas pessoas.
Então, a gente vai se utilizar realmente daqueles onde há o exemplo, onde foi colocado na prática e ver como está sendo utilizado lá. Obrigado.
O deputado Bruno Engler – Obrigado, deputado Bartô. Eu tenho certeza de que a audiência, conforme requerida por V. Exa., por mim e pelo deputado Coronel Sandro, vai ser uma grande oportunidade para nós debatermos o efeito desse tratamento e os benefícios que esse tratamento pode vir a trazer, se implementado aqui em Minas Gerais. Muito obrigado, Sr. Presidente.