DEPUTADO BRUNO ENGLER (PRTB)
Discurso
Legislatura 19ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 06/02/2021
Página 39, Coluna 1
Assunto ACORDO FINANCEIRO. BARRAGEM DE REJEITOS. CALAMIDADE PÚBLICA. EXECUTIVO FEDERAL. SAÚDE PÚBLICA.
Observação Pandemia coronavírus 2020.
3ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 4/2/2021
Palavras do deputado Bruno Engler
O deputado Bruno Engler – Boa tarde, Sr. Presidente. Boa tarde a todos os colegas aqui presentes e àqueles que estão nos acompanhando, seja pela TV Assembleia, seja por qualquer outro meio. Fico muito feliz de voltar a ocupar esta tribuna após o nosso recesso, para falar um pouco dos assuntos que interessam a Minas Gerais, que interessam à minha base, e para trazer a discussão de muito do que é falado aqui.
Antes de mais nada, eu gostaria de fazer um contraponto a um pronunciamento de um parlamentar que veio aqui, na terça-feira, presidente de um partido de esquerda, de um partido que governou o Brasil por muito tempo, para criticar o presidente Jair Bolsonaro quanto às compras que o Executivo fez com a alimentação. Ele veio aqui e falou da mamata adocicada com leite condensado, que todo mundo sabe que se tratava de compras para os servidores do governo federal. No caso, o leite condensado, em sua imensa maioria, para os servidores das forças, porque é um alimento utilizado pelas forças armadas para nutrir as nossas tropas. E aí esse parlamentar veio aqui dizendo: "Ah, a mamata adocicada". Ele disse que ia acabar a mamata e não sei o quê.
E hoje eu venho com uma informação muito interessante. Segundo o Portal da Transparência, a alimentação da Presidência da República - e não dos servidores do Executivo Federal -, em dois anos, da ex-presidente Dilma Rousseff, foi de R$460.000,00; do ex-presidente Temer foi de R$250.000,00; e do presidente Bolsonaro é de R$25.000,00. Mamata é gastar quase R$500.000,00 com alimentação da Presidência da República, que foi isso que a Sra. Dilma Rousseff fez, e não gastar dinheiro para suprir a necessidade de alimentação do Poder Executivo.
Mas eu me compadeço da oposição do presidente Bolsonaro. Deve ser muito difícil ser oposição ao presidente Bolsonaro. Não tem um escândalo de corrupção para bater, então tem que inventar moda, tem que criticar gasto normal do Poder Executivo, que todos os governantes fazem e têm que fazer, porque você não pode deixar os servidores das forças armadas e de todas as áreas do governo federal desabastecidos.
Seguindo com o raciocínio e saindo dessa bobagem de leite condensado, chiclete ou coisa que o valha, eu acho que nós precisamos falar aqui de coisas importantes. E hoje nós temos que comemorar o acordo que o governo de Minas fez com a Vale para que a empresa pague a multa de R$37.000.000.000,00 para o nosso estado para reparação de danos causados pelas tragédias que a empresa infligiu ao nosso estado. É claro que esse dinheiro não traz o perdão à empresa Vale. Esse dinheiro não diminui a gravidade dos crimes cometidos, não traz de volta aqueles que faleceram, nem ameniza a dor daqueles que sentem saudades dos seus entes queridos. Mas é necessário, sim, parabenizar o governador Romeu Zema e todos os agentes que contribuíram para que esse acordo pudesse ser realizado, pois quem conhece a morosidade do sistema judicial do nosso país sabe que, infelizmente, se nós não tivéssemos caminhado para um acordo, se nós seguíssemos nessa batalha judicial, era bem capaz de não vermos esse dinheiro tão cedo - se é que veríamos esse dinheiro. É um dinheiro que vai ser investido no Estado de Minas Gerais para melhorar a vida dos mineiros.
Nós não vamos jamais esquecer o que aconteceu em Mariana, o que aconteceu em Brumadinho. Isso não é a remissão da empresa Vale, isso não é um perdão daqueles que praticaram crimes, mas é uma conquista importante que o governo de Minas traz para o nosso estado, em termos de investimento, e que, felizmente, mesmo tendo essa origem tão triste e tão dramática, vai trazer benefícios para o nosso Estado de Minas Gerais. Por isso eu venho aqui formalmente parabenizar o governador Romeu Zema e todos os envolvidos nessa negociação. Espero que, de fato, o dinheiro seja bem aplicado, bem investido e venha a melhorar a infraestrutura e a vida dos cidadãos de Minas Gerais.
Quero aqui também denunciar da tribuna desta Casa - porque eu acho importante que parlamentares o façam - a censura sofrida pelo Portal Terça Livre. O YouTube simplesmente deletou os dois canais, o principal e o reserva do Terça Livre, porque não quer que esse canal leve informação às pessoas. O que nós estamos vendo é controle de informação. Infelizmente nós temos uma penca de bilionários globalistas canalhas do Vale do Silício que decidem o que pode e o que não pode ser dito. Eles não aceitam que eles não têm mais o monopólio do discurso e querem instituir o ministério da verdade, como no livro de George Orwell, para definir o que pode ser falado e o que não pode ser falado, qual mensagem o cidadão pode ou não ouvir. Eles não aguentam que o cidadão não seja mais obrigado a engolir apenas as informações de Rede Globo, da Folha de S.Paulo, do Estadão e companhia limitada; que o cidadão pode pegar o seu telefone, o seu computador e a internet, buscar informações, formar a sua opinião, independentemente dos grandes grupos de interesse.
Só que, infelizmente, o meio que nós usávamos e ainda usamos para comunicar essas mensagens, a fim de levar ao povo a informação que o povo quer, agora está sendo usado como meio de censura, como meio de impedir que a informação chegue aos cidadãos.
Eu presto aqui toda a minha solidariedade ao jornalista Allan dos Santos, a todos os jornalistas do Terça Livre e a todos os que sofrem censura nas redes sociais. Nós não podemos permitir que uma plataforma venha a definir qual informação pode ou não ser divulgada. Se esse for o caso, essa plataforma deve se responsabilizar por todas as informações que ali são divulgadas, porque passa a assumir papel de editor e não apenas de veículo onde as pessoas podem postar as suas ideias. É um absurdo o que nós estamos vendo ser feito com o Terça Livre, é um absurdo o poder que está sendo dado a essas empresas de censurar e controlar o livre discurso e o livre pensamento.
E, por fim, gostaria de falar aqui sobre uma viagem que fiz no final de semana passado para a cidade de Porto Seguro, na Bahia. Eu fui lá para o aniversário da Dra. Raíssa Soares, uma médica que tive o prazer de conhecer durante a minha campanha para prefeito e que é uma das grandes defensoras do tratamento precoce e profilático contra a Covid-19. A Dra. Raíssa se tornou Secretaria de Saúde da cidade de Porto Seguro. Eu fui a Porto Seguro e fiquei muito feliz com o que vi. Eu vi uma cidade aberta, eu vi os restaurantes funcionando, eu vi os hotéis funcionando, eu vi as praias com banhistas aproveitando o sol e fiquei curioso de como aquilo ali tudo estava aberto e a rede hospitalar não estava colapsando, como que os índices de Covid-19 estavam controlados. Eu perguntei à Dra. Raíssa, Secretaria de Saúde, que me disse: "Olha, aqui nós adotamos o tratamento precoce e o tratamento profilático". O que é tratamento profilático? É o tratamento preventivo que é dado às pessoas que ainda não estão doentes para que, caso venham a entrar em contato com o vírus, não se infectem ou a infecção tenha efeitos menos graves. E o tratamento precoce, que já é conhecido da maioria dos brasileiros, é o que se dá no momento em que ocorrem os sintomas iniciais da Covid-19 para que a doença não venha a progredir, porque, uma vez que nós chegamos aos estágios mais graves dessa doença, os índices de mortalidade são muito mais altos do que aqueles da fase precoce. É lamentável que isso esteja sendo feito apenas em Porto Seguro e em algumas outras cidades do Brasil. Muitos veem e dizem: "Ah, mas isso não tem comprovação científica". São remédios que já existem há décadas, que eram vendidos sem receita nas farmácias, que estão sendo aplicados e que estão dando resultados. Ninguém me contou, não. Eu fui lá e vi. Não estão fazendo mágica em Porto Seguro; estão fazendo tratamento profilático e precoce. A cidade está aberta. É uma cidade que tem uma rede hospitalar pequena e que está com os índices de Covid perfeitamente controlados.
E aí a gente vem aqui e acusa o pessoal da direita, os apoiadores do presidente Bolsonaro de negacionistas. Negacionistas por quê? Porque levantam algumas desconfianças sobre a vacina. Agora o negacionista Bolsonaro, assim que as vacinas foram aprovadas pela Anvisa, se mobilizou para comprar e distribuir vacinas. Hora nenhuma o governo federal deixou de investir em vacinas; muito pelo contrário, correu atrás e, graças ao excelente trabalho da nossa diplomacia e ao nosso bom relacionamento com a Índia, nós estamos recebendo vacinas da Índia. Nós estamos trabalhando com vacinas da China, nós estamos trabalhando com a vacina de Oxford. O negacionismo de Bolsonaro não impediu ninguém de receber vacina. Agora, as pessoas que negam o efeito positivo do tratamento precoce e do tratamento profilático querem proibi-lo, não querem nem que seja opção. Quando Porto Alegre anunciou que ia adotar o tratamento precoce contra a Covid-19, o Psol foi à Justiça para que esse tratamento não fosse implementado, para impedir que as pessoas recebessem tratamento contra a Covid-19. Alguém vai chamar o Psol de genocida? Não. O Psol pode porque infelizmente, para muita gente, a preocupação não é com vidas, mas com política.
Eu espero que aqui, em Minas Gerais, a gente possa dar a opção aos mineiros, porque ninguém é obrigado a tomar remédio se não quiser, de ter acesso ao tratamento profilático e ao tratamento precoce enquanto a vacinação em massa não chega, já que certamente vai demorar muito a chegar. A gente precisa zelar pela saúde dos mineiros, e não fazer politicagem em cima da pandemia. O negacionismo da direita está trabalhando, comprando e distribuindo vacinas; o negacionismo da esquerda impede que os cidadãos tenham acesso ao remédio que, nos lugares em que tem sido aplicado, tem funcionado e trazido benefícios à população. Vamos deixar as narrativas de lado, vamos parar de nos preocupar se é remédio do Bolsonaro ou se não é remédio do Bolsonaro e vamos dar à população uma opção de ter um tratamento que felizmente tem dado resultados positivos e gerado uma menor taxa de mortalidade para quem vem entrando em contado com esse vírus. Muito obrigado, Sr. Presidente.