Pronunciamentos

DEPUTADO BRUNO ENGLER (PSL)

Discurso

Defende-se das acusações que vem sofrendo do youtuber Felipe Neto.
Reunião 5ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 19ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 21/02/2020
Página 100, Coluna 1
Assunto DEPUTADO ESTADUAL.

5ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 18/2/2020

Palavras do deputado Bruno Engler

O deputado Bruno Engler – Obrigado, presidente. Quero aqui agradecer a gentileza do deputado Fernando Pacheco por ter cedido a oportunidade de falar hoje. Todos nós, eu e outros deputados principalmente, estamos envoltos, desde a semana passada, na questão da recomposição salarial dos servidores da segurança pública. Devido a esse envolvimento, eu ainda não tive a oportunidade de trazer a esta tribuna um assuno que está me incomodando desde sexta-feira, dia 7 de fevereiro. Só que aqui nesta Casa nós temos prioridades; eu tenho o compromisso de trabalhar pela recomposição salarial dos servidores da segurança pública, e diferentemente do Felipe Neto, o meu trabalho não é imitar foca no YouTube. Então eu tenho que trabalhar por esses servidores.

Eu gostaria de trazer à tona, Sra. Presidente, algo que me surpreendeu no dia 7 de fevereiro, quando o Sr. Felipe Neto postou no Twitter: (– Lê:) “Atenção! Policial militar que trabalha com deputado do PSL é um dos responsáveis pela viralização do vídeo falso e manipulado que diz que eu falo sobre sexo para crianças. Já estamos tomando as medidas judiciais cabíveis. Por favor, espalhem essa notícia”. Aí eu fiz questão de ir atrás da notícia e entender do que se tratava. A notícia foi publicada pelo jornalista Guilherme Amado, da revista Época. (– Lê:) “Policial lotado em gabinete do deputado do PSL foi o primeiro a disparar vídeo fake de Felipe Neto.

Um policial que trabalha no gabinete do deputado estadual de Minas Gerais Bruno Engler, do PSL, foi o primeiro a publicar um vídeo com informações falsas sobre o youtuber Felipe Neto. O vídeo viralizou hoje em diferentes redes sociais. A montagem mostra imagens de crianças, enquanto exibe trechos de vídeos antigos de Neto falando sobre sexo, que são editados para aparecer que ele está falando para crianças.

Segundo a equipe do youtuber, a montagem foi compartilhada pela primeira vez por Victor Marques, cabo da Polícia Militar em Minas, que recebe R$10.600,00 por seu cargo no gabinete de Engler. A equipe do deputado confirmou que Marques está lotado no gabinete. Felipe Neto diz que os vídeos usados na montagem são antigos, que parte foi removida ou que o acesso hoje só é permitido para usuários com mais de 18 anos. Abre aspas: ‘A milícia digital cortou os trechos e montou com uma parte mais recente, quando eu já me preocupava com conteúdo para crianças e falei em um vídeo: ‘se você quiser assistir, veja com os seus pais’, em que eu falava sobre um assunto que nada tinha a ver com sexo’, disse o youtuber à coluna. ‘O responsável pela criação do vídeo falso cortou esse trecho e botou no início para dar a entender que eu falei aquele conteúdo impróprio para crianças verem com os responsáveis. As partes sexuais demonstradas no material são veiculadas em trechos antigos, na época em que eu ainda fazia piada com palavrões e conteúdo erótico, como é absolutamente comum no humor direcionado para o público mais velho em stand-ups e em outros canais do YouTube. Foi um período em que eu não dialogava com o público infantil de maneira alguma.’ Segundo Neto, sua equipe jurídica tomará as medidas cabíveis para tirar o material do ar e obter reparação pelos danos causados.”

Pois bem, o vídeo foi postado no dia 5 de fevereiro, pelo meu assessor, com a seguinte legenda: “Deixe o seu filho assistir Felipe Neto” – obviamente, de maneira irônica. E eu trago aqui a transcrição do que diz o vídeo editado, parte dela: “Olá. Eu não sou muito de falar de sexo aqui no canal, mas hoje vou abrir uma exceção. Então, se você é criança ainda, porque eu sei que muitas crianças me assistem, o ideal é que você não assista esse vídeo ou assista com o seu papai ou mamãe, tá bom? Eu sei que você não vai fazer isso, mas eu preciso avisar”.

A começar, essa matéria, que não é matéria, é assessoria de imprensa – tanto me criticam por ter uma jornalista como assessora de imprensa, agora ela não faz assessoria de imprensa no jornal em que ela trabalha, ela faz no meu gabinete. Isso aqui é assessoria de imprensa, isso aqui não é jornalismo, isso aqui é passar recado. A própria reportagem que acusa o meu assessor de fake news pratica fake news. Em primeiro lugar, Victor Marques não é responsável pela produção desse vídeo, ele é o pai de um menino de 2 anos que viu o vídeo e, consternado, compartilhou para que outros pais tomassem ciência do mesmo.

E aqui o youtuber Felipe Neto diz que o vídeo é editado de maneira maldosa para dar a entender que ele falou uma coisa que ele não falou. Mentira! O vídeo editado tem conteúdo de dois vídeos em separado. A parte em que ele fala com as crianças que elas não podem ver, mais que sabe que não vão obedecer, e a parte em que ele fala de sexo oral, de penetração, de conteúdo sexual explícito estão exatamente no mesmo vídeo. Eu fiz questão de separar aqui o nome do vídeo e a data em que ele foi publicado no Facebook. Vídeo com o título: “Qual o tempo médio de uma relação sexual?”, publicado em 8/10/2016.

Tendo ciência da matéria acusatória e somente depois de ver o meu assessor ser atribuído falsamente como produtor de vídeo e o meu pessoal ser chamado de milícia digital, eu publiquei o vídeo editado nas minhas redes sociais com a seguinte legenda. Vejam bem, senhoras e senhores. A revista Época está acusando o meu assessor de promover fake news contra Felipe Neto por causa desse vídeo. Assista ao vídeo completo e tirem suas próprias conclusões. E fiz questão de colocar o link do YouTube para o vídeo original do Felipe Neto, para que as pessoas e principalmente os pais pudessem assistir ao vídeo completo, tomar conhecimento da situação e tirar as suas próprias conclusões. É exatamente o que eu falo no meu Twitter.

Em resposta a esse Twitter, o Sr. Felipe Neto, um tanto quanto alterado, diz: “Mais um que será processado”. Ao qual eu respondo: pode processar. Criticá-lo ainda não é crime. “Critique com verdades, Sr. Canalha, vagabundo”, responde ele. E eu pergunto: cadê a mentira ou não é você no vídeo?

E ele diz: “Além de mentiroso e vagabundo, é burro. Entendemos porque você está no PSL. Aguarde”.

Só que não só o meu assessor não editou o vídeo, como ele não produziu fake news, e eu também não produzi fake news. Fake news é quando você posta uma mentira, algo que dá a entender algo errado. Eu publiquei um vídeo editado e deixei o link para o vídeo na íntegra, para que as pessoas tirem as suas próprias conclusões. Quem produziu fake news foi o Sr. Guilherme Amado, com essa matéria mentirosa, e o Sr. Felipe Neto, nas suas declarações, que diz que o início do vídeo, onde ele fala para crianças, nada tem a ver com o conteúdo do mesmo. Porque nós temos o vídeo original completo, e temos como provar que o conteúdo está no mesmo vídeo, onde ele fala para o seu público infantil, para crianças, e onde ele tem uma fala de conteúdo sexual explícito, completamente inapropriado para crianças.

E ontem eu fui surpreendido com uma liminar da Justiça do Rio de Janeiro, que afirma que eu tenho que retirar o vídeo do ar, eu e o meu assessor temos que retirar o vídeo do ar. O Felipe Neto nos processou, pede uma reparação de R$50.000,00 para cada, e agora há uma liminar para a retirada do vídeo do ar. Olhe, não há problema, a gente cumpre a liminar, mas nós vamos interpor um agravo de instrumento para reverter a liminar, e assim que a liminar for revertida, vou fazer questão de postar novamente o vídeo editado e o vídeo completo, porque isto aqui não é fake news. Isto aqui é uma tentativa de intimidação dos meus assessores e do meu mandato.

A gente vê essa esquerda progressista canalha tentando impor, no nosso país, uma espiral do silêncio. É o que nós vemos através da CPMI das Fake News, também conhecida como CPMI da Censura, onde nós vimos recentemente o Sr. Hans River, que foi convocado para depor pelo PT, expondo que fazia disparos de WhatsApp para o PT, e não para o então candidato Jair Bolsonaro. E agora estão falando até em prendê-lo, porque ele falou aquilo que a esquerda não queria que ele falasse. Essa tentativa de intimidação através de imprensa e através de meios judiciais nada mais é do que um cala-boca. É: “Não fale dos meus vídeos, não alerte aos pais sobre as coisas inapropriadas que eu falo para crianças”.

É um absurdo, é uma tentativa de censura ao parlamentar e à sua equipe. Mas eu não tenho medo nenhum de Felipe Neto, de revista Época ou de Guilherme Amado. E este parlamentar, este mandato, vai continuar sendo combativo, sem medo dos progressistas, do politicamente correto, alertando aos pais sobre o lixo de conteúdo que as crianças podem estar consumindo no YouTube.

Para encerrar, eu passo aqui um recado aos pais: tomem muito cuidado com o que seus filhos assistem na internet, não somente Felipe Neto, porque eles são muito bons de desculpas. Depois que eu postei o vídeo, aí começou um turbilhão de mensagens. Que era fake news, que naquele tempo ele não tinha público infantil. Ora, se não tinha público infantil, por que ele fala para as crianças? “Não, mas ele colocou no vídeo: ‘só para maiores de 18 anos’.” Felipe Neto publicou no YouTube um vídeo ensinando menores de idade como criar contas fakes no YouTube, para burlar a ferramenta que bloqueia o acesso a menores de 18 anos. Ele não quer que isso seja exposto, ele não quer que essa questão seja trazida à tona, e ele tenta nos intimidar através de um capacho na imprensa e de medidas judiciais infundadas.

Eu não tenho medo desse tipo de intimidação, e nós vamos continuar o nosso trabalho e a nossa divulgação com toda a tranquilidade, doa a quem doer. Não é Felipe Neto ou quem quer que seja que vai nos calar. Muito obrigado.