Pronunciamentos

DEPUTADO BRUNO ENGLER (PSL)

Discurso

Destaca o desempenho das escolas cívico-militares e critica a não adesão por parte do prefeito do Município de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, ao programa do governo federal para a implantação de unidades de ensino com esse modelo de gestão. Comenta as divergências entre membros do Partido Social Liberal - PSL no Congresso Nacional e a troca na liderança do partido na Câmara dos Deputados, envolvendo o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Comenta prova aplicada na Escola Municipal Sócrates Mariani Bittencourt, no Município de Contagem, e nota de repúgio recebida em decorrência de sua atuação no caso.
Reunião 97ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 19ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 26/10/2019
Página 53, Coluna 1
Assunto ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. EDUCAÇÃO.
Aparteante CORONEL SANDRO

97ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 23/10/2019

Palavras do deputado Bruno Engler

O deputado Bruno Engler – Boa tarde, Sr. Presidente; boa tarde, colegas que estão em Plenário e aqueles que nos acompanham das galerias e através da TV Assembleia.

Semana passada, estive pouco presente aqui, nesta Casa. Participei brevemente da Comissão de Constituição e Justiça, da qual sou membro, e rumei para Brasília porque tinha importante agenda lá. Na quarta-feira, eu tinha uma reunião com o ministro da Educação, Abraham Weintraub, para tratar da implementação do modelo de escolas cívico-militares aqui, no Estado de Minas Gerais. É um modelo que a gente já sabe que funciona, porque as escolas militares estão no topo de qualquer ranking educacional das escolas públicas. Quando a gente pega Belo Horizonte, as melhores escolas estaduais são todas Colégios Tiradentes da Polícia Militar, porque é um modelo que tem hierarquia, é um modelo que tem disciplina, é um modelo que funciona.

O ministro nos recebeu muito bem, tratou do tema conosco e nos passou a lista das cidades mineiras que aderiram ao programa das escolas cívico-militares. Tenho aqui o nome de diversas cidades. Sabe uma cidade que não está aqui? Belo Horizonte. Gostaria de saber do prefeito Alexandre Kalil por que Belo Horizonte não aderiu ao modelo das escolas cívico-militares. O prefeito Kalil, por motivo ideológico, quer negar aos belo-horizontinos um modelo de educação pública que funciona e que dá educação de qualidade a todos os cidadãos. Felizmente, pego essa lista e fico muito feliz pelas diversas cidades que aderiram. São 135 cidades aqui, em Minas Gerais. Mas fico triste pela cidade onde moro, Belo Horizonte. Infelizmente o nosso prefeito optou por não aderir a esse modelo e abrir mão da possibilidade de mais escolares exemplares na nossa capital. Isso para mim é algo muito triste.

Também na quarta-feira estive no Congresso Nacional, acompanhando o deputado federal Cabo Junio Amaral, que é coordenador do Direita Minas. Acompanhei toda aquela confusão do meu partido, do PSL. Quero deixar registrado nesta tribuna a minha total lealdade e alinhamento ao nosso presidente Jair Bolsonaro. Fiquei indignado com o que vi em Brasília. Diversos parlamentares que efetivamente honram seus mandatos estavam trabalhando junto ao presidente Bolsonaro, mas diversos parlamentares oportunistas, que se elegeram nas costas do capitão Bolsonaro, agora o traem sem o menor pudor. O antigo líder do PSL, Delegado Waldir, orientou pela obstrução de uma medida provisória vinda da Presidência da República. É o partido do presidente fazendo oposição. Qualquer parlamentar que não se indigne com isso e clame pela substituição do líder não é digno do seu mandato.

Ora, agora vêm com a conversinha: “Ah não, o Bolsonaro está impondo o filho dele à liderança”. Mentira! Eduardo Bolsonaro não queria ser líder. Eu fui testemunha. Bolsonaro não queria que ele fosse líder. O nome para liderança era outro, só que alguns parlamentares não concordaram com o nome posto, e o Eduardo Bolsonaro era o ponto de convergência entre todos os parlamentares daquele grupo, que se sentiam representados no filho do presidente. Por isso ele assumiu a liderança, aclamado, não porque ele quis, mas porque recebeu essa missão da bancada federal do PSL. Acompanhei as assinaturas. Na quarta-feira, de Minas Gerais, somente quem assinou a lista foram os deputados federais Cabo Junio Amaral e Alê Silva, aos quais eu parabenizo.

Posteriormente, no fim de semana, o deputado Léo Motta e o deputado Enéias Reis também assinaram a lista colocando Eduardo Bolsonaro como líder. Só que dois parlamentares mineiros, Delegado Marcelo Freitas e Charlles Evangelista, preferiram ficar do lado da velha estrutura do PSL. E eu acho isso lamentável; eu acho lamentável figuras que se elegeram usando a imagem de Jair Bolsonaro agora o estarem atacando. Ver pessoas como Heitor Freire, que eu considerava um amigo, não só se recusando a assinar a lista, como também vazando o áudio do presidente; pessoas como Dayane Pimentel, Julian Lemos; Julian Lemos que, na campanha, ficava igual a um carrapato atrás do presidente: o federal do Bolsonaro para cá; o federal do Bolsonaro para lá. E agora coloca uma adaga nas costas do presidente Jair Bolsonaro. Traidor! Canalha! Não dá para aceitar esse tipo de coisa. E essas pessoas, com a cara mais lavada do mundo, vêm dizer: “Não, o Bolsonaro é que tem que ser grato a mim porque eu o ajudei a ser eleito”. Amigão, se você não fizesse campanha para o Bolsonaro, ele seria presidente do mesmo jeito, e você não seria deputado federal. É assim que funciona.

Então, eu deixo aqui um recado a todos esses traidores do PSL: não pensem que o dinheiro do fundo eleitoral vai comprar o perdão nas urnas. Não vai. Trair Jair Bolsonaro não é só trair o presidente da República; é trair o povo brasileiro que o elegeu e é trair, na cara dura, todos os seus eleitores, que, com certeza, não vão se esquecer disso.

O deputado Coronel Sandro* (em aparte) – Deputado Bruno Engler, é muito oportuna a sua colocação sobre todos esses temas. Vamos começar primeiro por Belo Horizonte, que não aderiu ao programa das escolas cívico-militares. Eu também não entendo. Será que o prefeito de Belo Horizonte não quer um ensino de qualidade, uma educação de qualidade para os filhos e as filhas de todos os belo-horizontinos? Ou será por uma questão ideológica? Porque, de vez em quando, ele fala um monte de bobagens aí e acha que está abafando. Então, prefeito, o senhor deu uma bola fora. O povo de Belo Horizonte... Aliás, pesquisa realizada antes do lançamento do programa, em 5 de setembro, indica que 80% dos brasileiros querem seus filhos estudando em uma escola cívico-militar. Então, prefeito de Belo Horizonte, o senhor contrariou e desagradou 80% dos belo-horizontinos.

E há outra cidade, lá do interior de Minas, que também não aderiu, deputado Bruno Engler: Teófilo Otôni, lugar que eu tenho no coração, onde trabalhei muito tempo e nasceu o meu primeiro filho. O prefeito de lá, que é do Partido dos Trabalhadores, também não aderiu ao programa da escola cívico-militar. E sabe qual é a ironia disso tudo, deputado presidente? O senhor vai gostar dessa: os dois filhos dele estudam no Colégio Tiradentes da Polícia Militar, lá em Teófilo Otôni. Dá para entender isso? Então, fica aqui o meu repúdio ao prefeito de Teófilo Otôni, que não aderiu.

Quanto à situação que nós estamos vivendo no momento, deputado Bruno Engler: quem trai Bolsonaro trai o Brasil. Esses que lhes viraram as costas agora acham que vão ter o perdão das urnas, e não vão ter. Eu aqui, nesta Casa, desde o primeiro dia, disse: “Eu sou bolsonarista”. Se o presidente deixar o PSL, vou para o partido que ele for. Se ficar no PSL, estou defendendo o partido. Não esses que o traíram, não esses que o traíram. Sabem por quê? Eu me lembro muito bem da campanha. Esses de que o senhor falou ficavam grudados nele igual a carrapato. E agora, na hora de provar lealdade, viraram-lhe as costas. Então, saibam: não há direita no Brasil consolidada, o que existe no Brasil é Jair Messias Bolsonaro. Quem se afastar dele está condenado nas urnas, não volta para o Parlamento. Então, parabéns por ter tocado neste assunto.

E eu quero aqui também reafirmar, categoricamente, sem dúvida: eu sou Bolsonaro! Eu sou Bolsonaro! Muito obrigado.

O deputado Bruno Engler – Muito obrigado, deputado Coronel Sandro. Acho importante o exemplo que V. Exa. traz de Teófilo Otôni porque essa é a figura dos políticos canalhas do nosso país. Quer dizer, para a minha família, o melhor, para o povo, não; quer dizer, aderir ao modelo das escolas cívico-militares para que diversos cidadãos de Teófilo Otôni possam colocar seus filhos em escola com excelência, ele não faz. Agora, os seus dois meninos estão no Colégio Tiradentes. É hipocrisia nua e crua. Não sabia disso e achei importantíssimo esse exemplo.

Por fim, já que meu tempo está acabando, seguindo na pauta da educação, eu quero falar sobre algo que ocorreu na Escola Municipal Sócrates Mariani Bittencourt, em Contagem. Eu fui alertado por pais de um aluno sobre uma prova que foi aplicada na disciplina de história, que não é educação, é simplesmente doutrinação.

São diversas perguntas que induzem o aluno a ficar contra o governo Jair Bolsonaro, que colocam o presidente como monstro. Para mim, a mais icônica é esta charge aqui – não sei se a TV Assembleia consegue mostrar -, que fala da pós-verdade (- Mostra o jornal.) Colocam aqui uma imagem que imita o presidente Jair Bolsonaro: “Vou prender, torturar e matar todo mundo”. E o colocam como se fosse um idiota, uma pessoa com a camisa “Bolsonaro 2018”. Não é bem assim! A gente tem que interpretar o que ele diz. Faço questão de mostrar aqui. Isso é uma palhaçada! É doutrinação! É um ataque, um desrespeito não só ao presidente Jair Bolsonaro, mas também a todos os seus eleitores.

Jair Bolsonaro obteve mais de 65% dos votos em Contagem. Mais de duzentos mil contagenses votaram no presidente Jair Bolsonaro, pessoas que pagam seus impostos, que sustentam essa escola municipal e que estão sendo chamados de idiotas pela professora, numa prova. Eu, na condição de deputado, alertado pelos pais sobre esse absurdo, oficiei a Secretaria Municipal de Educação e a diretoria da escola, pedindo tomassem providências. Está aqui o ofício. (- Mostra o ofício.) Eu não o escondo de ninguém.

Qual a minha surpresa quando, ontem à noite, chegou para mim um vídeo da referida professora, fazendo-se de vítima, dizendo que está muito abalada, que eu a ameacei. Peço que tomem providência, pois ela disse que eu a ameacei, e esta é uma acusação leviana: que eu a ameacei, que estou querendo censurar. Impedir que você use o seu direito de cátedra para atacar frontalmente a família dos alunos, porque os pais desses alunos que denunciaram são eleitores do Bolsonaro, agora é ameaçar e tentar censurar.

Ainda recebi esta nota de repúdio do Sind-UTE. Nota de repúdio à censura contra a professora Adriene Gomes, na qual eles dizem que repudiam a minha tentativa de censura. Sabem o que faço com esta nota aqui? (- Rasga a nota.) Isto aqui, para mim, é lixo. Não estou tentando censurar ninguém. Sou deputado, tenho mais de seis mil votos em Contagem e, mesmo se não os tivesse, ia continuar prezando pela educação e pelo respeito às famílias brasileiras que elegeram Jair Bolsonaro. Muito obrigado!

– * Sem revisão do orador.