DEPUTADO BRUNO ENGLER (PSL)
Discurso
Legislatura 19ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 14/06/2019
Página 28, Coluna 1
Assunto ELEIÇÃO. JUDICIÁRIO. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.
Aparteante DELEGADO HELI GRILO, DOUTOR JEAN FREIRE
51ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 11/6/2019
Palavras do deputado Bruno Engler
O deputado Bruno Engler – Boa tarde, presidente! Boa tarde, todos os presentes, quem nos acompanha das galerias e também pela TV Assembleia!
Eu vou começar falando sobre o assunto que foi tratado aqui, a matéria vazada, do Intercept sobre a perseguição ao ex-presidente Lula. “Um cara perseguido, não cometeu crime nenhum. É realmente o maior presidente que a gente já teve.” Em matéria de corrupção, é o maior, e espero que continue sendo por muito tempo. Mas a gente vê o drama, o exagero – não vou dizer teatro para não denegrir, porque é uma parada política –, a valorização do que está escrito em meio ao escândalo político, que é dos mesmos atores, daqueles que sempre defenderam Lula, sempre disseram que ele é inocente e continuam com esse mesmo discurso, agora corroborado por diálogos de que a gente não sabe a veracidade – mas vamos dizer aqui que são verdadeiros. Agora o discurso deles está corroborado por diálogos que não têm nada demais, diálogos que ocorrem em qualquer fórum deste país. Juiz conversa com promotor, juiz conversa com advogado de defesa, as partes conversam entre si. Com o avanço tecnológico, essa conversa que era feita em gabinetes, muitas vezes, é feita por aplicativos – WhatsApp, Telegram ou o que quer que seja. É um diálogo processual completamente normal, isso não se restringe aos autos. Quem já entrou num fórum sabe que isso ocorre.
Mas aí a gente pega a matéria completamente sensacionalista. O Intercept não é do PT, não; o Intercept é do marido de um deputado do Psol; o Glenn Greenwald é casado com o deputado David Miranda, do Psol. É esse o veículo que está trazendo a informação. E aí vêm os diálogos, e, assim, uma coisa bastante sensacionalista. Um dos diálogos, para falar do conluio, do plano da procuradoria, é o seguinte: “Deltan, meu caro amigo, toda a solidariedade do mundo a você nesse episódio da Coger. Estamos num trem desgovernado, e não sei o que se espera. A única certeza é que estaremos juntos. Ando muito preocupada...” – isso aqui é a Carol, da procuradoria, não foi identificada. “Ando muito preocupada com uma possível volta do PT, mas tenho rezado muito para Deus iluminar a nossa população, para que um milagre nos salve.” Deltan: “Valeu, Carol. Reza sim. Precisamos como país.”
É esse o conluio, o grave conluio. Eles são tão sensacionais, que fazem conluio até com Deus. O conluio é aqui, é no plano espiritual, é uma coisa maravilhosa. E não são citadas as conversas, porque o ministro Moro não participa das conversas de ataque ao PT. Os procuradores, sim, conversam entre si que não querem a volta do PT, que não querem que a entrevista do Lula seja realizada. Mas isso é evidente. Se você está trabalhando numa acusação, está trabalhando contra um político corrupto, não vai querer que ele volte ao poder. Os procuradores da Itália certamente não queriam a Cosa Nostra de volta aos seus postos de influência.
Então, quando se combate uma organização criminosa, obviamente não se quer que essa organização criminosa volte ao poder. E é isso que há nos diálogos, diálogos entre procuradores falando que não querem a volta do PT. Procuradores não são figuras imparciais, procurador não é juiz, procurador é parte do processo. Cabe ao procurador a acusação, e a força-tarefa da Lava Jato estava ali para acusar. Mas o ministro Moro não participa em nada das conversas de não querer que haja entrevista, das conversas de não ter volta do PT. Ele simplesmente é consultado e tem diálogos processuais com os procuradores, como certamente também teve diálogos com os advogados de Lula.
O deputado Delegado Heli Grilo (em aparte) – Deputado Bruno Engler, eu me lembro muito bem de quando vazou uma conversa em que um motorista do ex-presidente da República estava na escuta. Vazou uma conversa dele com a presidente, em que eles armavam um esquema para dar um cargo para o ex-presidente, para que ele não fosse preso, para lhe dar imunidade parlamentar. Mas por que, se ele não devia nada? Olha, eu até admito que pode ter havido conversa, sim, mas não tem nenhum texto na matéria que eu vi que traga qualquer problema. Não tem nenhum texto articulando para se fazer isso ou para se fazer aquilo, como aconteceu no passado.
Agora, você pode fazer tudo isso, só que você não vai conseguir inocentar o maior ladrão que este país já teve, que se chama Luiz Inácio Lula da Silva. Nunca vai conseguir. Por que não vai? Porque existem provas. Quem era o maior amigo de Lula, sem ser o José Dirceu? Antonio Palocci. Foi o Palocci. E ele vai devolver mais de R$400.000.000,00. Por que ele está devolvendo? Esse dinheiro é dele? Ou foi dinheiro que eles levaram deste país? Por que o cara pegava um dinheiro… Olha, gente, a JBS… Quantos e quantos milhões eles deram? Era dinheiro deles, não era dinheiro do poder público que estava voltando para o poder privado, não. Era dinheiro que saiu do BNDES, era dinheiro que saiu das empreiteiras, da Petrobras, dava a volta e voltava para eles. Olhe, como é que você vai conseguir inocentar... Tudo bem, fale o que quiser, não tem nada lá que o possa incriminar, nenhuma questão processual. Nenhuma. Nenhuma questão processual.
Agora, muito me admira que a esquerda no Brasil – e me desculpem os colegas aqui – sempre tenha debatido e odiado os Estados Unidos. Agora, estão adorando o americano que veio aqui e que está detonando o País lá fora. Olha, isso é normal. Agora, a questão do papa Francisco… A religião perdoa até os bandidos. Até os bandidos. Pergunte se ele não perdoa o Marcola, se ele não perdoa Elias Maluco, se ele não perdoa Fernandinho Beira-Mar. Perdoa. Perdoa. Força.
Então, é muito relativo querer fazer uma tempestade em copo d’água. Eu tenho formação jurídica, então posso lhe falar. Muitas vezes você conversa com o juiz e conversa com o promotor sobre uma investigação, vai lá e discute qual o melhor caminho a seguir. Isso é normal. Ou você acha que os advogados de defesa não conversaram com o Moro, não conversaram com a procuradoria? É claro que conversaram. É claro que conversaram. Não conseguiram sustentar uma defesa. Só isso. Devolvo a palavra.
O deputado Bruno Engler – Obrigado, deputado Delegado Heli Grilo. Doutor Jean, vejo que o senhor está com a matéria. Espero que vá fazer uma citação, mas peço que seja breve porque tenho outro assunto a tratar e o tempo está correndo.
O deputado Doutor Jean Freire (em aparte) – Muito obrigado pela gentileza, deputado. Você leu uma mensagem, a parte que interessava à sua defesa, a defesa que você faz do fato. Você deve ter as outras partes. Você deve ter a parte onde eles bolavam o tal do power point. Você deve ter a outra parte, deve ter, onde o juiz pedia para ele inverter as fases de investigação. Você deve ter a outra parte em que o juiz, onde o promotor diz que não tinha convicção… Aliás, lá atrás ele disse que tinha convicção, que não tinha prova. Agora, nem convicção… Agora, nem convicção a gente vê que ele tem. Poucas horas antes de apresentar a denúncia ele dizia que não tinha convicção, que a opinião pública viria pesada em cima porque o argumento era muito frágil. Você deve ter essas outras partes, eu acredito.
Realmente, eu concordo com V. Exa., porque eu vi situações ali. Mas eu li todas, não li só o que me interessava, não. Eu li todas. Aí a você interessa a parte que falavam da campanha – e também considero criminoso atuar para um candidato, seja qual for, ser prejudicado. Então, se der tempo ainda, eu pediria para você ler as outras partes. E queria terminar… Até onde eu sei V. Exa. é formado em direito, não é?
O deputado Bruno Engler – Não, eu era estudante de direito antes de chegar aqui.
O deputado Doutor Jean Freire (em aparte) – Estudante de direito. Se V. Exa. chegasse a juiz, queria saber de V. Exa. se acha correto orientar, seja a defesa ou a acusação: “Vai por ali. Já está tudo combinado o jogo. Vai por ali”. Queria saber se V. Exa. concorda com isso.
O deputado Bruno Engler – Deputado Jean, conforme coloquei, as conversas em relação ao PowerPoint, à montagem do PowerPoint ou à montagem da peça de acusação são tiradas do grupo da força-tarefa da Lava Jato, da procuradoria. O trabalho da procuradoria é acusar. O trabalho de julgar é do juiz, do juiz Sérgio Moro, ex-juiz Sérgio Moro, hoje ministro, que em nada participa dessas conversas. Nada mais natural que os procuradores discutam e montem estratégias entre si. O que não é natural é um hacker querer invadir celulares de autoridades brasileiras, e isso ser publicado em um portal de um estrangeiro, casado com um deputado federal, de partido de esquerda, e não gerar problema. E isso não gerar problema! Querem comparar com o caso do Bessias, que é um grampo legal, autorizado pela Justiça. Mas isso aqui é uma operação ilegal. Temos um portal, o Intercept, que é de um cidadão chamado Glenn Grimball, um americano casado com um deputado federal do Psol, que já sofreu acusações de espionagem no Reino Unido e está agora querendo interferir na política brasileira. E isso é muito grave. Mas não vou me delongar aqui e continuar falando do presidiário Lula, até porque as conversas têm muito sensacionalismo, mas não tem nada que macule as provas, nada que macule o processo. E digo aqui: não foi só Moro que condenou Lula. Moro condenou Lula a nove anos de prisão; depois, o TRF4 aumentou para doze; depois, ele foi condenado no STJ. Então, é um conluio do Judiciário inteiro contra Lula. O Judiciário se juntou. Todos os juízes e desembargadores do País juntaram-se e falaram: “Nós vamos perseguir o Lula, porque ele é tão inocente, a alma mais honesta deste país”. Certamente foi isso que aconteceu. Mas não vou me delongar sobre esse assunto, porque tenho um assunto muito mais importante a ser tratado do que esse alvoroço que está sendo feito. Infelizmente, o meu tempo está acabando.
Gostaria de trazer aqui algo dito pelo advogado de defesa do Dr. Adélio Bispo, ontem, em Juiz de Fora. Ele foi entrevistado por uma coordenadora do Direita Minas e disse o seguinte. Vocês ouçam: A pergunta é clara: “A quem interessa esconder quem mandou matar Bolsonaro?”. E o advogado responde: “À pessoa que me pagou”. Cai por terra aquele discurso de que Adélio Bispo é um desequilibrado mental, que agiu sozinho, que não tem mandante. Foi um crime pensado – aí, sim –, para tirar alguém da corrida presidencial, mas não punindo por corrupção, até porque Jair Bolsonaro não é corrupto, mas tentando matar o presidente da República, o então candidato Jair Bolsonaro. Um crime que tem mandante e que interessa àqueles que pagam aos advogados de Adélio esconder, isso foi dito aqui.
Outra denúncia: há emissoras de televisão pagando o salário dos advogados de Adélio. Onde já se viu isso? Isso tem que ser investigado, é preciso descobrir quem está pagando a Adélio Bispo e quem mandou matar Jair Bolsonaro.
Isso, sim, é uma questão de grande relevância. Isso, sim, é uma questão de segurança nacional. Nós queremos saber isso. Eles vêm com esse argumento de sigilo entre advogado e cliente, mas nós queremos saber quem está bancando os advogados de Adélio. A quem interessa esconder quem mandou matar Jair Bolsonaro? É a pergunta que o Brasil inteiro quer saber: quem mandou matar Jair Bolsonaro? Eu faço essa pergunta aqui em Plenário e creio que colegas também a farão no Congresso Nacional. E essa pergunta tem que ser respondida. Quebre-se o sigilo de quem quer que seja, mas nos deem uma resposta.