DEPUTADO BRUNO ENGLER (PSL)
Discurso
Legislatura 19ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 14/05/2019
Página 11, Coluna 1
Assunto ADMINISTRAÇÃO FEDERAL.
Aparteante CORONEL SANDRO
37ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 8/5/2019
Palavras do deputado Bruno Engler
O deputado Bruno Engler* – Sr. Presidente, venho aqui hoje defender um filósofo, escritor e o maior expoente intelectual deste país, que se chama Olavo de Carvalho, e lamentar profundamente o analfabetismo funcional de alguns senadores que são incapazes de interpretar um texto, mas são responsáveis por elaborar as leis da República. Temos uma briga, um conflito entre o Prof. Olavo e o Gen. Santos Cruz, que começou quando o Prof. Olavo elogiou o Gen. Santos Cruz e foi atacado por este. A resposta a um elogio foi uma ofensa. E houve, sim, discussão e troca de farpas. E o Prof. Olavo publicou, entre outras coisas, que o problema inteiro é muito simples: que a pauta do Bolsonaro e de todo o povo que o elegeu é nacionalista, conservadora, cristã e anticomunista, e a dos generais é contra tudo isso. Será que alguém não entendeu ainda? Em resposta, veio uma nota do ex-comandante do Exército Brasileiro, o Gen. Villas Bôas, dizendo o seguinte: ( – Lê:) “Mais uma vez, o Sr. Olavo de Carvalho, a partir de seu vazio existencial, derrama seus ataques aos militares e às Forças Armadas, demonstrando total falta de princípios básicos de educação, de respeito e de um mínimo de humildade e modéstia. Verdadeiro Trótski de direita, não compreende que, substituindo uma ideologia pela outra, não contribui para a elaboração de uma base de pensamento que promova soluções concretas para os problemas brasileiros. Por outro lado, age no sentido de acentuar as divergências nacionais no momento em que a sociedade brasileira necessita recuperar a coesão e estruturar um projeto para o País. A escolha dos militares como alvo é compreensível por sua impotência diante da solidez dessas instituições e da incapacidade de compreender os valores e os princípios que as sustentam”.
Em resposta a essa nota, essa, sim, um ataque ao Prof. Olavo de Carvalho, este respondeu da seguinte maneira: (– Lê:) “Há coisas que nunca esperei ver, mas estou vendo. A pior delas foi os altos oficiais militares, acossados por afirmações minhas que não conseguem contestar, irem buscar proteção escondendo-se por trás de um doente preso a uma cadeira de rodas. Nem o Lula seria capaz de tamanha baixeza”.
Ele, em momento nenhum, ofende o Gen. Villas Bôas ou o denigre. Esse ataque é claramente aos Santos Cruz e outros generais, que se esconderam atrás do Villas Bôas para fazerem críticas ao Prof. Olavo. Mas temos senadores que não conseguem interpretar um texto e que foram ao Senado atacar o Prof. Olavo de Carvalho, dizer que estavam em defesa do Gen. Villas Bôas, repudiando o Prof. Olavo de Carvalho. São eles: Randolfe Rodrigues, Jorge Cajuru, Telmário Mota, Chico Rodrigues, Major Olímpio, Plínio Valério, Tasso Jereissati, Otto Alencar, Kátia Abreu, Lasier Martins, Luiz Carlos Raizer e Omar Aziz.
Quer dizer, para esses nove senadores, quando usamos uma expressão comum, por exemplo, quando um adolescente faz alguma bobagem e foge da responsabilidade, se escondendo, pedindo ajuda da mãe, é comum dizer: “Que vergonha, um marmanjo desse tamanho, se escondendo atrás da barra da saia da mãe”. Para esses nobres senadores, a ofensa nessa frase é “a barra da saia da mãe”, e não, “marmanjo”. É uma estupidez surpreendente, vinda de pessoas que deveriam ser lideranças políticas em nosso país.
Olavo até deixa claro em outro post: “Tendo em vista o estado de saúde do Gen. Villas Bôas, o Santos Cruz e seus cúmplices teriam a obrigação moral de não envolvê-lo nas suas brigas, mas, em vez de defenderem a si mesmos como homens, foram se esconder por trás do chefe, usando-o como escudo e porrete. Foram eles, e não eu, quem desrespeitou gravemente o comandante”. Essa é a interpretação óbvia de qualquer um que faz uma análise do que foi dito.
Mas, infelizmente, nós temos senadores que falam bobagem para caramba. O senador Randolfo Rodrigues disse: “O Gen. Villas Bôas foi atacado da pior forma, da forma mais vil, hoje, pelo ideólogo do governo Bolsonaro. Esse ideólogo, que é um astrólogo que mora lá em Nova York” – Olavo mora na Virgínia, então, destilo aqui a ignorância –, “proferiu que se trata o Sr. Villas Bôas ‘de um doente preso a uma cadeira de rodas’”. Isso não é ofensa, ninguém está aqui desejando o mal ao Villas Bôas ou comemorando a condição de saúde dele. Está sendo apontada justamente a vergonha que é se esconder atrás de uma pessoa que está com a saúde debilitada.
E aí, fala do repúdio e, pior, ainda critica a declaração do presidente da República. Presidente da República que tem se portado da melhor maneira possível, tentando acalmar os ânimos e manter a ordem, sempre fiel e leal à base militar, na qual ele cresceu, mas respeitando, e muito, a contribuição do Prof. Olavo para a retomada cultural do nosso país. Trago aqui a leitura do post feito pelo Jair Bolsonaro e que foi criticado pelo Randolfo Rodrigues. (– Lê:) “Cheguei na Câmara em 1991 e encontrei-a tomada pela esquerda num clima hostil às Forças Armadas e contrário às nossas tradições judaico-cristãs. Aos poucos, outros nomes foram se somando à causa que se defendia, entre eles Olavo de Carvalho. Olavo, sozinho, rapidamente tornou-se um ícone, um verdadeiro ídolo para muitos. O seu trabalho contra a ideologia insana que matou milhões, no mundo, e retirou a liberdade de outras centenas de milhões é reconhecido por mim. A sua obra em muito contribuiu para que eu chegasse ao governo e sem ela o PT teria retornado ao poder. Sempre o terei nesse conceito. Continuo admirando o Olavo. Quanto aos desentendimentos ora públicos contra militares, aos quais devo minha formação e admiração, espero que seja uma página virada para ambas as partes”.
O presidente teve o posicionamento o mais republicano possível ao tentar somar forças em prol do Brasil. Mas, infelizmente, tem senador que não fica satisfeito se ele não repreender Olavo de Carvalho e disser que o Prof. Olavo tem que calar a boca. Existem algumas pessoas, que acho que têm fetiche de ditadura, que esperavam que o presidente Bolsonaro fosse um ditador e esperam atitudes ditatoriais dele. Esperam que o presidente da República diga a um cidadão privado o que ele pode ou não dizer, se ele pode ou não opinar. Mas, como o próprio Prof. Olavo disse, nenhum presidente anterior a Bolsonaro foi tão respeitador das liberdades democráticas.
Trago aqui também a fala do senador Jorge Kajuru, que chamou Olavo de polichinclo. Ele disse que não ia explicar o que era o xingamento e que não lê “Olavo Monteiro ou Olavo de Carvalho, sei lá o nome dele, não quero saber”, e que, para entender o xingamento, Olavo deveria ler Sócrates, não o que jogou no Corinthians, mas Sócrates, o grego. Mal sabe ele que Olavo é filósofo, escritor e professor de filosofia. Então, não só leu Sócrates, como também escreveu e dá aula sobre Sócrates. O Olavo é o brasileiro vivo que mais tem conhecimento de filosofia. Um dos grandes best-seller do Prof. Olavo de Carvalho é o livro Aristóteles em nova perspectiva: introdução à teoria dos quatro discursos, que ele escreveu na década de 1990. Mas o senador Kajuru, que se orgulha de ser ignorante, em não saber nem o nome do Prof. Olavo de Carvalho, quer dar lição de moral ao dizer que tem que ler Sócrates grego e não o que jogou no Corinthians.
O senador Telmário Mota também perguntou: “Quem é Olavo de Carvalho? O que esse senhor fez de relevante para o País, a não ser compartilhar a sua loucura? Onde ele vive? A que leis ele se submete? A quem ele serve? Que interesses escusos ele defende?”. Olavo de Carvalho é alguém que, na década de 1990, publicou obras denunciando as mazelas e as conspirações da esquerda, que ninguém mais ousava denunciar. Foi só o primeiro brasileiro que denunciou com veemência o Foro de São Paulo. Foi alguém que deu base para a guinada à direita que o nosso país está dando. Foi só isso que ele fez para o País, mais nada. Certamente o senador Telmário Mota fez muito mais pela nossa nação.
Continuando, acho que é preciso ressaltar que Olavo de Carvalho, na condição de cidadão privado, tem todo o direito de opinar e dizer o que acha do governo. Ninguém tem o direito de dizer que ele deve ficar calado. Digo mais: nós, que elegemos Jair Bolsonaro, os quase 60 milhões que votaram em Jair Bolsonaro, queremos, sim, trocar uma ideologia por outra. Não votamos em um governo sem ideologia. Se a nossa pauta fosse liberalismo econômico, a gente poderia ter votado no João Amoêdo, do Novo; se quiséssemos um candidato do centrão, para fazer troca de favores, a gente poderia ter votado no Geraldo Alckimin. Mas, votamos num candidato da direita. Queremos um presidente de direita. O Prof. Olavo de Carvalho tem todo o direito de exigir um governo de direita. Não é o governo que vai dizer a um cidadão que ele não pode mais emitir a sua opinião.
Fica aqui o meu muito obrigado ao Prof. Olavo de Carvalho por toda a sua obra, pela influência que o senhor exerce em nosso país e que possibilitou que Jair Bolsonaro chegasse à Presidência da República. Desejo muitos anos de saúde, para que o senhor continue sendo esse ícone da direita brasileira.
O deputado Coronel Sandro (em aparte)* – Deputado Bruno Engler, primeiro quero parabenizá-lo por essa defesa oportuna, razoável e enfática do brasileiro, a quem todos nós devemos essa mudança de rumo político no Brasil.
Podemos extrair algumas lições desse episódio; não para nós, que já sabemos disso, mas para aqueles que insistem em dizer o contrário. A esquerda brasileira já ouviu o Bolsonaro e agora o ouviu novamente dizer o seguinte: “Eu não faço controle social da mídia. Isso nunca esteve no nosso programa de governo; esteve, sim, no programa de governo de um dos partidos de esquerda que disputou a presidência”. Liberdade total de expressão. Excessos eventuais vão para a Justiça para serem discutidos. Então, esse é o presidente democrático. Ao contrário do que a esquerda diz.
O professor Olavo de Carvalho, deputado, como V. Exa. muito bem frisou, foi o expoente principal dessa mudança que aconteceu no Brasil. Quando todo mundo tinha vergonha de falar e de defender valores de direito, lá estava ele escrevendo obras. Mesmo assim, foi atacado e achincalhado, e ainda o é, nesse episódio.
Mas, diga-me: quem é irrelevante o suficiente para que a Globo, a todo-poderosa, dedique quase 10 minutos? E o chama de ideólogo. Poderia chamar de filósofo. Mas, coisas da Globo a gente entende.
No dia 6 de maio, às 20h22, manifestei-me sobre esse episódio na rede social. Vou ler o que escrevi para que aqueles que não leram tomem conhecimento; aqueles que leram, vão ouvir novamente: “O Prof. Olavo enfrentou praticamente sozinho a esquerda, após o fim do regime militar. Nós, militares, por outro lado, chegamos mais tarde na briga. Hoje, sentamos nas cadeiras e usufruímos da grande vontade de mudança proporcionada pelo povo brasileiro. Chegar mais tarde não deslegitima, mas também não engrandece. Porém, a falsificação da verdade, a presunção, a torpeza e a ingratidão com aquele que mais devíamos prezar, sem dúvida nos apequena.
Esse governo possui a obrigação moral de trocar uma ideologia por outra. Afinal, desmontar a superestrutura comunista e dar novos ares à direita, e de viés conservador, não é um dos pilares da eleição do presidente. Quem age contra isso e desautoriza os interesses do nosso presidente não pode estar ao lado do povo brasileiro.
Olavo não estava no Brasil como Trótsky esteve para a União Soviética, mas, sim, como Aristóteles um dia esteve para Alexandre, ou Thomas Morus esteve para Henrique VIII. Obrigado por tudo, professor”.
Encerrando, Sr. Presidente, devo ao militarismo a minha formação moral, intelectual e patriótica. E os militares já contribuíram muito com esta nação e vão contribuir mais ainda. Só que, com a esquerda não tem arrefecimento. A esquerda tem que ser combatida todo dia, em cada esquina, em cada escola, em cada universidade, em cada órgão de empresa, em cada casa democrática de parlamentares.
Então, sim, nossa guerra é ideológica contra a esquerda, que arrebentou este país e, graças ao Prof. Olavo, hoje estamos aqui para defender e salvar a nossa pátria. Parabéns, deputado Bruno Engler.
O deputado Bruno Engler* – Coronel, quero parabenizá-lo pelo texto publicado e destacar o posicionamento de V. Exa., que é militar, é coronel da Polícia Militar e se posiciona de maneira firme em defesa do Prof. Olavo de Carvalho. Eles tentam colocar isso como se fosse uma dualidade, na qual os militares se opõem a Olavo e ele se opõe aos militares, o que é uma grande mentira. Existem algumas figuras militares dentro do governo, que querem briga com o Prof. Olavo de Carvalho, mas não é a totalidade dos militares. Seria uma irresponsabilidade fazer tal suposição.
Você, coronel de polícia, vir à tribuna defender o professor é prova viva de que não é unanimidade entre a classe militar o ataque ao professor Olavo de Carvalho. Muito obrigado, Sr. Presidente.
* – Sem revisão do orador.