Pronunciamentos

DEPUTADO BRUNO ENGLER (PSL)

Questão de Ordem

Defende sua assessora de imprensa, que publicou matéria a respeito de jornalista do Estadão que teria intenção de arruinar o presidente Jair Bolsonaro.
Reunião 15ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 19ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 15/03/2019
Página 63, Coluna 1
Assunto COMUNICAÇÃO. EXECUTIVO.

15ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 13/3/2019

Palavras do deputado Bruno Engler

O deputado Bruno Engler – Sr. Presidente, venho aqui neste momento porque, na segunda-feira, eu me vi envolvido num episódio covarde, numa tentativa de difamação, de destruição de reputação da minha assessora de imprensa e responsável pelo meu trabalho gráfico e de rede social, a Fernanda. Ela publicou uma matéria denunciando uma jornalista do Estadão. A matéria não é de sua autoria, mas, na verdade, foi produzida por um jornalista estrangeiro. Ela apenas a reproduziu. E o Estadão, numa tentativa de desqualificá-la, porque não consegue desqualificar a mensagem, quer desqualificar o mensageiro – porque os áudios que ela divulgou são muito claros e indefensáveis –, decidiu atacá-la porque ela é assessora de um deputado do PSL. Ela é assessora de um deputado do PSL, sim, e esse deputado do PSL tem muito orgulho de tê-la como assessora, porque ela é muito competente. Mas, como o nosso presidente sempre cita João 8:32 - “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” –, eu creio que quem tem a verdade ao seu lado não precisa ter medo da mídia, não precisa ter medo do Estadão. Vou fazer uso da tribuna desta Casa para explicar ponto a ponto toda a narrativa que ocorreu, como o Estadão mente e tenta silenciar um jornal menor do que ele, o Terça Livre. O jornalista belga, de sobrenome Jawad Rhalib, que publica numa plataforma francesa, estava fazendo um estudo sobre a relação da mídia com o governo. Ele tomou o Brasil como elemento de pesquisa e selecionou uma repórter que atacava constantemente o governo Jair Bolsonaro e decidiu falar com ela. Ele mandou um dos seus investigadores se passar por um estudante que dizia que queria fazer um estudo universitário e ia lhe fazer perguntas. Ele divulgou esses áudios, mostrando que a jornalista diz que sua intenção é arruinar o governo Bolsonaro, mostrando também a jornalista dizendo que obteve documentos do Coaf por meio de vazamento ilegal, o que é crime não por parte da jornalista, mas por parte de quem vazou – art. 325 do Código Penal. Esses áudios foram divulgados. Essa matéria repercutiu nos Estados Unidos, no jornal The Washington Times, e também no Brasil, que é o País em questão, por meio do Terça Livre, que reproduziu a matéria e divulgou os áudios. Eu faço questão de trazer os áudios aqui. Eu quero ver o Estadão provar que os áudios são mentirosos, porque, em nenhum momento, ele questiona os áudios ou a veracidade dos mesmos. Eles tentam desqualificar, de maneira covarde, a repórter Fernanda Salles. (– Aproxima celular do microfone.) Ela diz que se dedica exclusivamente a este caso, porque este caso pode comprometer ou arruinar Bolsonaro. Because: porque. Qualquer um que tenha feito escolinha de inglês no primário sabe o que because significa. Não é o Estadão que vai mudar a língua inglesa agora. O outro áudio que eu quero mostrar é esse aqui. (– Aproxima celular do microfone.) Isso é ela dizendo que os documentos não são públicos, mas que os jornalistas recebem de fontes de dentro do Coaf. As fontes incorrem no crime de violação de sigilo funcional – art. 325 do Código Penal. É preciso investigar quem são essas fontes, quem são esses funcionários públicos que estão cometendo crime no exercício de sua função. Eu vou pedir um acréscimo de tempo só para encerrar a linha de raciocínio. A plataforma onde o jornalista belga publica, o Mediapart, divulgou o seguinte tuíte: “Mediapart se solidariza com a jornalista Constança Rezende, vítima de ameaças. As informações publicadas no Le Club de Mediapart, que serviram de base para o tuíte de Jair Bolsonaro, são falsas. O artigo é de responsabilidade do autor, e o blog é independente da redação do jornal”. Aí veio o pessoal da Constança e o pessoal do Estadão dizerem: “O jornal francês disse que é mentira”. O jornal francês não é responsável pela matéria. A matéria foi feita por um jornalista independente. Eu trago aqui a resposta dele: “A Mediapart disse no Twitter que a informação publicada em seu site era falsa. Eu os convido a perguntar, a cavar, como costumam fazer antes de fazer tal julgamento, questionar nossa investigação e nossa integridade. Como eles podem alegar que minhas informações ou fontes são falsas quando não têm informações? Eles têm o direito de expressar sua solidariedade para com o jornalista em questão, mas não questionar o meu profissionalismo ou da minha equipe. Não é porque o artigo é, neste caso, favorecido por Bolsonaro, que eles têm o direito de se levantar como defensores de um jornalista acusado. Alguns meios de comunicação brasileiros me acusam de publicar informações falsas. Convido-os a consultar os interessados. Pessoalmente apenas informei ao público. Sou tão livre quanto Constança Rezende para publicar minha investigação com base em fatos reais e verificados, bem como em evidências físicas, como gravações de áudio. Não esperava esse aumento da mídia na “twittosfera”, mas isso prova que, todos os dias, o público forma opiniões, pontos de vistas, preconceitos sobre seus parentes, sobre vizinhos, sobre produtos vendidos no supermercado, sobre a política, a ecologia, religiões.” Enfim, ele segue o texto. Para concluir, acho que esse episódio deixa claro que a grande mídia tem, sim, a intenção de atacar o presidente, como foi expresso pela jornalista Constança Rezende. Termino com algo que foi publicado pelo Prof. Olavo de Carvalho, no Diário do Comércio, em 7/12/2012. “Os meios de difusão tornaram-se meios de ocultação numa escala tal que já não há nenhum exagero em dizer que a mídia popular tem hoje por missão principal ou única tornar a verdade inverossímil ou inalcançável. Qualquer pessoa que tenha os jornais e a TV como sua fonte principal de informação está excluída, in limine, da possibilidade de julgar razoavelmente a veracidade e a importância relativa das notícias.” Não vamos ser calados pela grande mídia. Liberdade de imprensa não é liberdade para um veículo gigante como o Estadão tentar censurar um veículo independente como o Terça Livre e a jornalista Fernanda Salles.