DEPUTADO ALENCAR DA SILVEIRA JR. (PDT)
Questão de Ordem
Legislatura 18ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 27/07/2018
Página 68, Coluna 1
Assunto CARTÓRIO. CONSTITUIÇÃO ESTADUAL. DEPUTADO ESTADUAL. EDUCAÇÃO. ORÇAMENTO. PESSOAL.
Proposições citadas PEC 34 de 2015
PEC 49 de 2018
9ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 25/7/2018
Palavras do deputado Alencar da Silveira Jr.
O deputado Alencar da Silveira Jr. – Sr. Presidente, acho que tivemos, nesta manhã, um momento histórico, que ficará para o futuro. Explico o porquê. Primeiro, houve aprovação da PEC das professoras, do ensino; segundo, Sr. Presidente, tivemos a aprovação da emenda impositiva. Acho que as professoras não estão sabendo que foi aprovada, nesta segunda PEC, a emenda impositiva. Isso, Sr. Presidente, é independência do Poder Legislativo. Particularmente, sou contrário às emendas parlamentares. Deputado é eleito para legislar e para fiscalizar. Aqui acabou de ser votada a independência do Poder Legislativo. Se essas emendas, se um projeto dessa natureza tivesse sido aprovado anos atrás, com certeza teríamos uma diferença muito grande nesta Assembleia de Minas; teríamos realmente os deputados da oposição e os deputados da situação. Há dificuldades para os projetos com aval ou sem aval do governador. Ficaria parado, como está o projeto de minha autoria, sobre a cobrança de IPVA, sobre a apreensão dos carros com IPVA atrasado. Há projetos contra os quais está o governo, como o plebiscito acerca do horário de verão para a população resolver se deve ou não haver horário de verão. Infelizmente, neste Plenário, a maioria dos deputados ainda comunga a ideia de querer emendas para levar para as suas regiões. Sr. Presidente, deputado não foi eleito para levar emenda, mas para legislar e fiscalizar, para fazer boas leis. Com tranquilidade, nesses 30 anos que temos de vida pública, afirmo que é histórica esta manhã, que coloca a Assembleia de Minas em independência. É a independência do Poder Legislativo, porque o deputado terá suas emendas preservadas, independentemente de votar ou não com o governo. No futuro, sem dúvida, veremos como foi válido isso para o Parlamento; veremos como foi válida para o Parlamento essa independência. Repito que continuamos lutando pelo fim das emendas, pela unificação das eleições, pela reforma partidária. Não pode haver o número de partidos de hoje. Continuamos lutando, presidente, por uma nova constituinte, por uma constituinte exclusiva, por uma constituinte sem a presença dos deputados do Congresso, mas com a presença da sociedade organizada. Lutamos pela constituinte que a sociedade está aclamando e pedindo; lutamos por uma constituinte que, depois de pronta e acertada fora do Congresso, será levada para ele. Com a pressão popular, teremos a sua aprovação. Cuba, Sr. Presidente, fez uma reforma agora na Constituição. Está na hora de o Brasil pensar no que mudou. A constituinte que aí está foi feita no período pós-ditadura, por isso a liberdade total que é dada hoje; primeira, segunda, terceira instâncias; deputado que não é preso, que não fica, vai e volta. Se tivermos uma nova constituinte, Sr. Presidente, isso mudará. Por isso ainda lutamos por uma constituinte e pela unificação das eleições. Tenho certeza de que o Brasil pode mudar, mas só vai começar a mudar quando começarmos a mudar os costumes dentro da nossa Casa, quando mudarmos os costumes dentro da nossa Assembleia, que pode dar exemplo para todo o Brasil. Minas hoje dá exemplo para o Brasil com a lei antifumo, com a primeira TV Assembleia, com a primeira lei da ficha limpa e tem de dar outros exemplos. Esta Assembleia terá de dar exemplos. Temos a lei da ficha limpa no governo de Minas, mas não a temos aqui na Assembleia Legislativa. Para completar, Sr. Presidente, quero repetir que temos um projeto sobre os cartórios. A certidão de nascimento é válida por 30 dias – repeti isso para o Roberto hoje – e a de casamento é válida por 90 dias – e você tem de tirar outra. Agora, o absurdo: uma certidão de óbito, Sr. Presidente, que custa R$100,00 só vale por três meses. Os cartórios estão fazendo o que querem. Está na hora de esta Assembleia fazer alguma coisa. Certidão de óbito valer por três meses em Minas Gerais é um absurdo. Só os cartórios de Minas conseguem fazer voltar, ressuscitar, Sr. Presidente, as pessoas que já foram embora, porque aqui em Minas – temos que acabar com isso – certidão de óbito só vale por três meses. Se se precisar desse documento de novo, depois de três meses, ele não terá validade; tem de se tirar outro. De casamento e de nascimento, tudo bem, mas de óbito? Temos de lembrar isso. O Brasil está mudando, e hoje esta Assembleia começou a mudar com a votação da emenda impositiva. É a liberdade do Poder Legislativo. Governo vai ser governo, oposição vai ser oposição, e o governo vai ser obrigado a pagar as emendas dos que ainda vivem de emendas e que não entendem que deputado tem de legislar e fiscalizar. Obrigado, Sr. Presidente.