DEPUTADO ANTÔNIO JÚLIO (PMDB)
Discurso
Solicita a realização de audiência pública para discussão do projeto de
lei complementar, de autoria do Procurador-Geral de Justiça, que altera
dispositivos da lei complementar que criou o Fundo Estadual de Proteção e
Defesa do Consumidor - FEPDC - e o Conselho Gestor do Fundo Estadual de
Proteção e Defesa do Consumidor.
Reunião
85ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 16ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 18/12/2010
Página 259, Coluna 4
Assunto DEFESA DO CONSUMIDOR.
Aparteante PAULO GUEDES, SÁVIO SOUZA CRUZ.
Proposições citadas PLC 59 de 2010
Normas citadas LCP nº 66, de 2003
Legislatura 16ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 18/12/2010
Página 259, Coluna 4
Assunto DEFESA DO CONSUMIDOR.
Aparteante PAULO GUEDES, SÁVIO SOUZA CRUZ.
Proposições citadas PLC 59 de 2010
Normas citadas LCP nº 66, de 2003
85ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
16ª LEGISLATURA, EM 14/12/2010
Palavras do Deputado Antônio Júlio
O Deputado Antônio Júlio - Tentamos discutir os fundos na Comissão
de Fiscalização Financeira e na Comissão de Defesa do Consumidor.
Quando há votação de fundos na Comissão, gosto de dizer que
ficamos arrepiados: é fundo sem fundo. Aqui, nunca vi um fundo
criado que seja ativo, que tenha atingido seus objetivos. Tanto
que, todo dia, muda o órgão gestor, muda para isso, muda para
aquilo. As coisas não funcionam porque não há um controle
específico por parte do governo do Estado, por meio da Secretaria
de Fazenda sobre a questão da liberação desses recursos para o
fundo. Há um artigo, Deputado Carlos Pimenta, que diz que dinheiro
que vai para fundo pode ser para manutenção ou para custeio. Mas
dinheiro de fundo não é para custeio. Devemos ter coragem para
enfrentar essa situação e discutir com o Ministério Público, a fim
de elaborarmos uma legislação clara e definitiva para aplicação e
recebimento de recursos para fundos. Caso contrário, os recursos
irão para o Ministério Público, para engordar o fundo, a indústria
da multa. Multa-se o contribuinte para engordar o fundo, para que
esse tenha recursos para a manutenção e custeio da máquina
administrativa. O Deputado Domingos Sávio, na reunião da Comissão
de Fiscalização, foi feliz no seu posicionamento contrário a essa
participação excessiva no fundo de quem tem o direito e a
obrigação de fiscalizar. Ele tem toda a razão. Por que o
Ministério Público, que tem o poder de fiscalizar, de multar, será
o gestor do fundo? É uma coisa esquisita. Ele nos dizia que houve
um caso, no Copam, onde o grupo que aprovava determinado projeto
votou contra, e o Promotor achou ruim porque era a favor do
projeto e ameaçou multar aquela empresa quando ela viesse a
funcionar com ordem do Copam. Quem vai decidir não pode
participar.
Desafio os Deputados a informar um fundo que criamos que funciona.
E esse que ora modificamos, Deputado Jayro Lessa, é porque querem
pegar o dinheiro do fundo para pagar despesa de custeio. Isso é
sério. Queremos fazer uma discussão com o Ministério Público.
Cobrei do Deputado Lafayette de Andrada ontem uma audiência
pública para que todos tivessem o direito de discutir o assunto, a
fim de sabermos para onde está indo o dinheiro do fundo, qual é a
forma de arrecadação e como é a sua distribuição. Mas quando
vemos, camufladamente, que é para pagar despesa de custeio,
constatamos a grande ilegalidade cometida pelo Ministério Público.
O Deputado Lafayette de Andrada não queria fazer essa discussão
num primeiro momento; preferia que fizéssemos uma discussão
interna, fechada, a que até não me oponho. Mas acho que essa tinha
de ser uma audiência realmente pública para que todos os
Deputados, todos os envolvidos dela tomassem conhecimento.
Precisamos de uma legislação plausível, e realmente aplicável.
O Deputado Paulo Guedes (em aparte) - Parabenizo o Deputado
Antônio Júlio por essa discussão que considero de fundamental
importância. Aproveito o tema, já que se fala sobre a criação do
fundo do Projeto de Lei Complementar nº 59, proposto pela
Procuradoria de Justiça do Estado, para relembrar a questão de
outro fundo, o Fhidro, com mais de R$500.000.000,00, valor do ano
passado. Ele foi criado para ser usado em recuperação de
nascentes, em recomposição de matas ciliares, porém ninguém sabe
para onde vai o dinheiro desse Fhidro, apenas sabemos que existe a
indústria da multa perseguindo produtores da região. Nos últimos
30 dias, eles fizeram uma devassa na região de Januária
apreendendo tratores agrícolas de pequenos produtores e de
associações comunitárias. O IEF, a cada dia que passa, fica com
mais poder para multar. Os funcionários dele chegam à propriedade
para multar: se o proprietário roça um pasto, eles multam alegando
que aquela terra é mata regenerativa. E tudo o que eles falam vira
lei. E o pior de tudo: estão sempre amparados pelo Ministério
Público nessa questão. Na minha região, produtor rural virou
bandido. Os produtores rurais e trabalhadores rurais estão sendo
tratados como bandidos, todos têm processo. Por esses dias, eles
multaram lá um produtor rural que tinha uma cerca em sua
propriedade. E eles entenderam que aquela cerca tinha sido feita
com aroeira, mas ela já tinha 20 anos. O Promotor determinou que o
proprietário arrancasse a cerca de 20 anos, Deputado Antônio
Júlio, em Januária. Mas o Juiz teve bom-senso e corrigiu o
Promotor na audiência. É muito absurdo o que essa turma está
cometendo contra os produtores, espalhando pânico na região. No
ano passado, uma Promotora de Manga chegou ao Vale do Itacarambi,
no Município mais pobre de Minas Gerais, que é São José das
Missões, onde só tem agricultor familiar e índio, e queria cercar
o rio da noite para o dia: 30m de um lado e 30m do outro,
obrigando as pessoas a molhar suas terras com irrigação. Lá
ninguém tem irrigação. É um absurdo colocar essas pessoas sem
preparo para ocupar esses cargos. Um Promotor chega lá com 25 anos
de idade e acha que é "o dono do pedaço", quer mandar na cidade,
quer espalhar pânico. E isso não podemos aceitar.
Temos de discutir para onde estão indo os recursos desses fundos.
E o Fhidro é importante demais. Esperamos que o José Carlos
Carvalho não seja mantido no governo, porque é um xiita rei, chefe
desse fundo cujos recursos ninguém sabe para onde estão indo. No
ano passado, o governo tirou R$50.000.000,00 e fez obras, como
praças, calçamentos de rua, pontes. E não está indo um centavo
sequer para a recuperação do São Francisco, para a recuperação das
nascentes. Por falar nisso, recebi uma denúncia ontem de que há
uma mortandade muito grande de peixes na região de Três Marias,
mais uma vez fruto dos dejetos da Votorantim. Pergunto ao José
Carlos Carvalho: onde estão os xiitas do meio ambiente que não têm
coragem de multar a Votorantim? A Votorantim é protegida pela
Globo, é protegida pelo governo, é protegida por muita gente. Mas,
se um produtor rural roçar seu pasto, chegará lá um funcionário do
IEF com brinquinho na orelha, com uma mochilazinha, num jipão ou
num helicóptero, para multar, multar e multar. Precisamos ter
coragem de falar isso e mandar um recado ao Governador. Ontem
estive em uma reunião no Banco do Nordeste, em que estava presente
a maioria das entidades de classe da região. Pediram-me para
falar. Então, aproveito esse aparte para falar que o Norte de
Minas espera do Governador um Secretariado de Meio Ambiente que
olhe para aquela região, que não trate os produtores como bandidos
e que tome providências em relação a essa turma que anda de jipão,
torrando gasolina, dinheiro do Estado, pondo banca de mocinho
enquanto os produtores são tachados de bandidos na região. Muito
obrigado, Deputado Antônio Júlio.
O Deputado Antônio Júlio - Muito obrigado, Deputado Paulo Guedes.
Esse seu pronunciamento dos fundos nos relembra alguns fatos
acontecidos em relação ao IEF. Gosto de dizer que a Assembleia
deveria fazer uma CPI sobre o IEF, que não aguenta 15 minutos de
questionamentos. Quando realizamos a CPI da Mina de Capão Xavier,
denunciamos todo o licenciamento aprovado naquele projeto, e agora
a Justiça mandou cancelar todos. Infelizmente, deu com uma mão e
tirou com a outra, pois cancelou o licenciamento, mas não proibiu
a mineradora de continuar explorando, contrariando todos os
procedimentos legais de licenciamento. Há muitos fatos reais para
contar sobre esse absurdo que o Ministério Público, juntamente ao
IEF e à Semad, tem feito aos produtores rurais do Estado.
O Deputado Sávio Souza Cruz (em aparte)* - Agradeço o aparte e
cumprimento o Deputado Antônio Júlio pela iniciativa de,
resistindo à tentação que parece tomar conta da Casa de deixar os
projetos fluírem ao sabor e ao alvedrio dos interesses do governo,
insistir em expor seu ponto de vista, sempre competente e
diligente em relação às proposições que tramitam na Casa. Esta
reta final de legislatura, Deputado Antônio Júlio, será marcada
pela aprovação de verdadeiros "projetos Ben Johnson", com
tramitação rápida e viciada. Participei de reunião ontem, com V.
Exa., na Comissão de Fiscalização Financeira, onde V. Exa.
representa tão bem o PMDB. Fiquei com o entendimento de que esse
projeto e o Projeto nº 58 fariam por merecer, antes de sua votação
em Plenário, a realização de uma audiência pública. Achei que foi
esse o acordo celebrado com o Presidente daquela reunião, Deputado
Lafayette de Andrada, e me surpreende que o projeto esteja em
votação sem que haja o mínimo de conhecimento, por parte do
Plenário, do teor do que está em discussão e, na sequência, em
votação.
Mas não é só isso. Estamos vendo acontecer nas comissões, nesta
reta final, toda sorte de absurdos que o mais comezinho bom-senso
não permitiria prosperar. Por exemplo, na reunião aludida foi
apreciada uma proposição já antiga do Deputado Walter Tosta, em
que ele propõe isenção de ICMS na aquisição de veículos para
deficientes físicos.
Deputado, primeiro achei que o projeto não passaria na Comissão de
Justiça porque, embora, do ponto de vista do mérito, seja
altamente positivo, seria difícil imaginar como resolver a
renúncia fiscal vedada pela Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF.
Mas passou. A Comissão de Justiça entendeu que o projeto era
constitucional, o que me animou a apresentar uma emenda estendendo
o mesmo benefício aos deficientes auditivos e de fala. Minha
surpresa foi que, sendo relatada a emenda na comissão de mérito,
que não tinha competência para analisar a juridicidade, a
constitucionalidade e a legalidade, já que isso se faz na Comissão
de Justiça, e lá o parecer foi pela aprovação, na comissão de
mérito o relator apresentou justificativa para recomendar a
rejeição da emenda, dizendo que ela afronta a LRF. Chegamos ao
seguinte absurdo: isentar o ICMS dos veículos automotores para
deficientes físicos não ofende a LRF, mas isentar os deficientes
auditivos e os de fala ofende a referida lei.
É esse tipo de responsabilidade legislativa que esta Casa está
emprestando ao povo de Minas Gerais. É esse tipo de comportamento
que está marcando este final de legislatura.
Deixo para a sociedade uma preocupação deste Deputado: algo me diz
que a proposta de emenda à Constituição do Deputado Alencar da
Silveira Jr., aprovada em 1º turno, por unanimidade, não voltará
em 2º turno. Fiquemos atentos antes da comemoração da aprovação da
proposta de emenda à Constituição que veda a nomeação dos chamados
fichas sujas, porque tenho a impressão de que não voltará em 2°
turno nesta Casa, de acordo com a lógica que a Casa adotou neste
final de legislatura. Fiquemos atentos e vamos ver aonde vamos
chegar até o final desta semana.
Termino como comecei, parabenizando V. Exa. pela dedicação sempre
militante em favor da discussão dos projetos e do povo de Minas
Gerais.
O Deputado Antônio Júlio - Obrigado, Deputado Sávio. O Projeto de
Lei Complementar nº 59 é muito claro. Entusiasmei-me a fazer essa
discussão quando vi o posicionamento claro, objetivo e consciente
do Deputado Domingos Sávio, que se propôs a tentar fazer essa
discussão no Congresso Nacional, já que ele está nos deixando.
Como pode a mesma pessoa que tem o poder de multar ser gestor?
Quando houver necessidade de recurso no fundo que ele gere, ele
vai começar a multar. Essa denúncia foi feita por um Promotor, que
alertou alguns Deputados sobre esse problema, que precisávamos
discutir, colocar na lei que isso não poderia acontecer. O § 2º do
art. 2º estabelece: "O Fundo Estadual de Proteção e Defesa do
Consumidor, assim como seu conselho gestor, serão presididos por
um membro do Ministério Público indicado pelo Procurador-Geral".
Então, essa discussão nada mais é do que para dar clareza à
aplicação desses recursos. Outro artigo determina que pode ser
para custeio, o que nos deixa em dúvida: que esse fundo, cujo
objetivo é claramente prevenir e reparar danos causados ao
consumidor, sirva para bancar o custeio. Não sei se é só desse
fundo gestor ou também do próprio órgão do Ministério Público. Vai
servir para custeio, para pagar a pessoas terceirizadas, para
pagar diárias, para pagar um monte de outras coisas com esse
dinheiro, sendo que o art. 2º é claro: "cumprimento de objetivos
da política estadual de relações de consumo, de forma a prevenir e
reparar danos causados ao consumidor".
Alerto os Srs. Deputados. Ontem, o Deputado Lafayette de Andrada
me fez assumir um compromisso. Não queria fazer audiência pública,
mas ele entende que devemos fazer essa discussão. Não é que
sejamos contra o projeto. Queremos que o projeto funcione, até
porque sou contra fundo. Sempre me posicionei claramente contra a
criação de fundos. Se você fizer um levantamento, aqui na
Assembleia Legislativa deve haver uns 500 fundos. Os recursos de
alguns fundos não são aplicados ou são desviados para outros
objetivos. Então, o Projeto de Lei Complementar nº 59/2010 merece
essa discussão.
Estou apresentando uma emenda para dar a oportunidade de esse
projeto voltar ainda no 1º turno, nas comissões, principalmente na
Comissão de Fiscalização Financeira, para que possamos, juntamente
com o Ministério Público, tirar algumas dúvidas e, se possível,
fazer as modificações necessárias.
O Deputado Paulo Guedes fez um desabafo sobre a questão do IEF.
Acho que a Assembleia Legislativa está passando da hora de tomar
uma decisão dura contra o IEF. Vamos fazer uma CPI. Cansamos de
denunciar o que estava acontecendo no IEF há um ano e meio ou dois
anos. Acabou com a prisão do ex-Diretor da entidade. Cansamos de
denunciar o que estava acontecendo. Eles ainda deram sorte,
Deputado Fábio Avelar, pois queriam criar aquele monitoramento de
caminhão de carvão, que, na verdade, era um assalto aos cofres
públicos, porque o monitoramento não funcionaria. Custaria
R$58.000.000,00. Ainda tiveram a coragem de cancelar por denúncia
nossa. Tiveram a coragem de modificar, Deputado Tenente Lúcio, a
denúncia do Deputado Lafayette de Andrada sobre os acordos que
chamaram de TACs. Multavam as grandes empresas e depois diziam:
"Vocês me dão três, cinco carros, 10 computadores, que o problema
está resolvido". Quem denunciou isso foi o Deputado Lafayette de
Andrada. Começamos a cobrar, e, a partir daí, não houve mais esse
problema. Com esse comportamento, estamos ajudando o governo.
Naquele projeto, Deputado Fábio Avelar, V. Exa. que acompanhou bem
o monitoramento dos caminhões de carvão, estava explícito que era
corrupção. Criaram um monte de mecanismos, um monte de
dificuldades para depois tentar vender uma certa "facilidade",
podendo levar vantagens nesses recursos que são esses contratos,
às vezes até sem licitação ou, quando ela existe, é dirigida.
Falamos isso porque o produtor rural, o homem do campo tem sofrido
na mão deste governo, que mantém o Secretário de Meio Ambiente
dessa tal de Semad, que apenas perseguiu os pequenos, protegendo
os grandes de Minas Gerais. Desafiamos a MMX, a CSN, a Vale do Rio
Doce a dizer se tiveram alguma dificuldade de licenciamento,
porque não tiveram. Agora, o produtor rural que está fazendo pasto
na sua propriedade tem dificuldade. O IEF vai lá o dia que quer,
da forma que quer e quando der. Ainda tem mais isso, porque às
vezes a pessoa precisa utilizar o seu patrimônio, mas não pode
porque o IEF não pode ir lá porque não tem fiscal, não tem gente
para trabalhar. Mas para atender os interesses dos grandes sempre
tem alguém para ajudar.
Temos de ter coragem para levantar essas discussões. É uma forma
de beneficiar o governo. Deputada Maria Tereza Lara, há três,
quatro anos, ainda na legislatura passada, fizemos uma discussão
quando criaram a tal de Semad. Criaram a Semad e foram para São
Tomé das Letras, com a Polícia Ambiental para fiscalizar a
extração da pedra são tomé e prenderam todo o mundo. A população
então fez um levante, se revoltou e se armou para enfrentar a
fiscalização. Aí, o governo teve de mandar três, quatro
helicópteros e avião para abafar esse caso e não deixar que
tomasse maiores dimensões, que depois não saberíamos como
terminaria. Realmente, foi muita revolta. Isso foi documentado,
mas a imprensa não divulgou nada. O povo fez um levante contra as
ações da Semad e da polícia.
Em Pará de Minas, há um ano e meio, também tivemos esse mesmo
problema. Temos 800 produtores rurais condenados pela Justiça a
partir de três anos de "sursis", pessoas trabalhadoras que não
cometeram nenhum crime ambiental, apenas não tiveram advogados
para se defender, porque preferem fazer o termo imediato. Fizemos
audiência pública lá com a presença dos 800 produtores rurais.
Chegaram ao absurdo de condenar um produtor a três anos de
"sursis" porque ele cortou um pé de goiaba para resolver o
problema da sua pocilga. Para atender às exigências da Justiça,
esse produtor só poderia sair de casa às 6 horas e retornar até às
20 horas, sendo que pegava serviço às 4 horas da manhã e, muitas
vezes, chegava à meia-noite em casa. Se chegasse fora do horário
determinado, poderia ser considerado foragido.
Falei o que estava acontecendo em Pará de Minas com o IEF, com a
Polícia Ambiental, que é outra coisa que precisamos resolver.
Também precisamos resolver a questão do Corpo de Bombeiros, que
passou a ser a maior autoridade do Município, determinando coisas
absurdas. Tem certas coisas em que a Assembleia tem de atuar. Esse
produtor rural disse com muita clareza para o Promotor: "Quando
fui à sua audiência, o senhor não me respeitou, me desacatou e me
humilhou, mas agora, na audiência pública, vai ter de me ouvir".
Isso alertou o próprio Promotor, que depois viu que estava sendo
induzido pelas ações do IEF e da Polícia Ambiental a alguns erros,
equívocos e excessos. Não defendemos quem degrada o meio ambiente.
Não faremos isso em hipótese alguma. Esse é um fundo complicado.
Por isso devemos fazer essa discussão proposta pelo Deputado
Domingos Sávio e por mim.
Ontem, em conversa com o Deputado Lafayette de Andrada, que teve a
oportunidade de presidir a nossa reunião, sugeri que discutíssemos
esse tema. Por exemplo, a aplicação de multas subjetivas, sem
critérios de avaliação, depende da vontade de quem vai aplicá-las,
como ocorre em nosso sistema tributário e fiscal. A pessoa
responsável pela fiscalização aplicará as multas de acordo com o
momento, o dia, a lua, o sol. Não existem critérios: se a pessoa
estiver nervosa, a multa será mais alta; se estiver calma,
administrará melhor a sua aplicação. Isso precisa ser discutido.
Necessitamos, Sr. Presidente, da realização de uma audiência
pública. Encerro, num primeiro momento, as minhas palavras.