Pronunciamentos

DEPUTADO CARLOS PIMENTA (PDT)

Discurso

Comenta o crescimento da violência no País e o assassinato do torcedor do Cruzeiro Esporte Clube, Otávio Fernandes, supostamente por integrantes da torcida organizada do Clube Atlético Mineiro - Galoucura. Comenta a importância da Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES - para o País e parabeniza o seu novo Reitor, Professor João dos Reis Vanela.
Reunião 93ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 16ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 14/12/2010
Página 79, Coluna 3
Assunto SEGURANÇA PÚBLICA. EDUCAÇÃO. HOMENAGEM.
Aparteante DALMO RIBEIRO SILVA.

93ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª LEGISLATURA, EM 7/12/2010 Palavras do Deputado Carlos Pimenta O Deputado Carlos Pimenta* - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados presentes, imprensa que cobre os trabalhos do Legislativo, povo do meu Estado, boa tarde. Gostaria, Sr. Presidente, de tecer alguns comentários sobre uma das maiores universidades do nosso país, a Unimontes. Antes, porém, gostaria de registrar a minha indignação com o que assisti hoje na mídia. Há uns 10 dias um jovem de 19 anos estava numa via pública trajando a camisa do Cruzeiro. Esse jovem foi barbaramente espancado até a morte, no meio da rua, por torcedores do Atlético. Aqui não faço nenhuma conotação sobre um time ou outro, mas sobre o fato em si. Esse fato chocou o Brasil, e as imagens mostrando a barbaridade que se pratica hoje no País estão rodando o mundo. O Brasil, daqui a três anos e alguns meses, sediará a Copa do Mundo e será a sede das Olimpíadas, e esse episódio mostra que muita coisa ainda precisa ser feita. Esperamos que a Polícia Civil, a Polícia Militar e o governo, até mesmo pelo bom nome de Minas Gerais, das famílias e das pessoas que gostam de futebol, que vão ao campo, que torcem e que têm a coragem de vestir a camisa do seu time, elucidem, esclareçam esse fato para que os responsáveis não fiquem impunes. Temos visto pela TV muitos crimes ficarem impunes. Há poucos dias, em São Paulo, um jovem foi agredido por um grupo de rapazes, alguns deles de classe média alta, em plena rua. O rapaz, por questões sexuais, foi barbaramente agredido. Nosso país está caminhando para isso. A violência está se tornando uma coisa banal. O pior de tudo é que essa violência está sendo mostrada à sociedade brasileira, às nossas crianças e aos nossos jovens, por meio das câmeras do “Big Brother” do mundo. Elas filmam essas ações e as colocam na mídia, na imprensa. Hoje ouvi, até mesmo como advertência por parte do jornalista, que veríamos cenas pesadas e graves. Isso mostra claramente o que está acontecendo. Não que queiramos que a mídia não transmita e não mostre as barbaridades, mas acredito que a violência está caminhando para uma situação quase insustentável. É preciso que se faça alguma coisa. Faz-se necessário punir os criminosos, essas pessoas que, mesmo sabendo que estão sendo filmadas - parece até que gostam de se exibir - , continuam as agressões. O jovem está caído no meio da rua, agonizando, vem um sujeito, pega uma placa de trânsito e o agride; outro vem com uma barra de ferro e agride a cabeça desse jovem, que morre no local. Repito: essas imagens estão correndo pelo Brasil e por todo o mundo. Isso nos causa grande preocupação. A segurança pública tem de ser amplamente discutida. Tenho certeza de que não se combate tamanha criminalidade aumentando o aparato da polícia. Não será com fuzis de grosso calibre, com armamentos de precisão, caríssimos, que se combaterá o crime. Não será dessa forma. Não será com tanques nem blindados. Acredito que temos de combater a criminalidade no País com duas ações importantes. A primeira é o País investir em educação. Não me canso de dizer que, se não tivermos condições de investir na educação básica, elementar dos nossos filhos, dos jovens, que são presas fáceis nas mãos de criminosos e de narcotraficantes, não conseguiremos banir a criminalidade do nosso país. É preciso implementar ações na área social, oferecer emprego à população, à juventude, dar condições a esses jovens de se sentirem gente e saberem que a sociedade será uma extensão da sua casa, do seu lar. Se não promovermos ações sociais, investimentos na geração de emprego e renda, não conseguiremos o grande objetivo. O nosso Governador Antonio Anastasia está de parabéns. Talvez a grande virtude de seu mandato seja o investimento no emprego e na renda de Minas Gerais, para que o Estado seja o maior celeiro de empregos com o maior número de carteiras assinadas, com a maior atenção ao primeiro emprego do jovem de 16 anos. É bonito ver um governante fazer opção pela geração de emprego e renda. Temos também uma das melhores polícias. Retornei de Montes Claros e vi, na semana passada, a presença de policiais militares quase em toda esquina. Não sei se isso é devido ao final de ano, mas vi dois, três ou quatro policiais militares. O Cel. Franklin, que comanda a regional da Polícia Militar, está fazendo um trabalho primoroso, e isso tem origem em suas raízes: nasceu no Norte de Minas, em Montes Claros, e está preparado porque conhece bastante a segurança pública dessa cidade. A sensação que temos é que Montes Claros é uma cidade tranquila, onde se pode ir a um teatro ou “show” à noite e até mesmo a barzinhos, que a polícia estará sempre presente. Vemos contraste entre o policiamento de Montes Claros e o de Belo Horizonte. Não que a polícia de Belo Horizonte seja ineficiente, mas devemos ser eficientes na procura do que está ocorrendo. O que vi e viram milhares de pessoas coloca o País em situação lastimável. Nossa Capital, com esse ar interiorano, onde se diz respirar segurança, viu o que aconteceu. Fica o meu alerta para que fatos iguais não venham a acontecer e, caso aconteçam, que a punição aos bárbaros matadores do jovem de 19 anos, que fugiram da polícia, seja exemplar e imediata. Não adianta responder daqui a um ou dois meses, porém imediatamente, para que os criminosos sejam punidos. Gostaria, Sr. Presidente, de dirigir-me ao novo Reitor da Unimontes, Prof. João Canela, médico egresso da Unimontes, formado em Montes Claros, que ocupou a vaga do Prof. Paulo César e que, durante oito anos, fez uma verdadeira revolução dentro dessa Universidade. O Prof. Paulo César deixou a Unimontes depois de dois mandatos e reitorados de quatro anos, com números expressivos. Tenho orgulho de dizer que a Unimontes hoje é, sem dúvida alguma, uma das melhores universidades deste país. Uma universidade que passa por dificuldades e que não tem os recursos da USP, mas que realmente presta trabalho. Uma universidade que já formou 43 mil profissionais médicos, dentistas e advogados que se radicaram em Montes Claros e em cidades-polos. São mais de 27 cursos que a Unimontes oferece. São 45 anos de história dessa universidade. Temos o hospital universitário, o único hospital com atendimento genuinamente pelo SUS de Montes Claros. Não se atendem planos de saúde, não se atendem pacientes particulares, apenas os 100% provenientes do SUS. Além disso, possui um dos melhores cursos de medicina do País. O médico formado pela Unimontes com certeza absoluta encontrará as portas abertas e certamente não terá dificuldades na aprovação da residência médica. Trata-se de uma universidade com 45% de seu corpo docente com título de mestre e doutor. E todos os que ali lecionam, que trabalham, tiveram oportunidade de se aperfeiçoar, de cursar o mestrado ou doutorado por meio também de recursos públicos, da própria Unimontes. Hoje há câmpus universitários em várias cidades do Noroeste de Minas, dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, assim como em várias cidades do Norte de Minas, que oferecem uma gama de cursos superiores. Essa é a Unimontes, que, há pouco mais de 20 anos, tornou-se pública, uma universidade gratuita, bem sedimentada, bem formada, bem administrada pelo Prof. Paulo César, que ontem deixou a reitoria. Faço aqui a homenagem do Poder legislativo, este Poder que contribuiu para que a Universidade de Montes Claros se tornasse uma universidade estadual, o que ocorreu por meio de emenda de parlamentares - dos Deputados Milton Cruz, Carlos Pereira -, por ocasião da votação ocorrida há 20 anos. Ficam aqui os nossos cumprimentos ao Prof. Paulo César e nossos votos de um bom trabalho ao Prof. João Canela, egresso da Unimontes, junto à Profa. Ivete, que obtiveram 65% dos votos da comunidade universitária. Tenho certeza absoluta de que serão quatro anos de ética, trabalho, avanço, conquistas, para a nossa Unimontes. Só espero que a Universidade do Estado de Minas Gerais siga esse caminho, consolide-se; aliás está se consolidando, o governo tem investido, mas precisa ainda percorrer um longo caminho para se ter a estabilidade, a estrutura que hoje tem a Unimontes. O Deputado Dalmo Ribeiro Silva (em aparte) - Muito obrigado a V. Exa. Quero parabenizá-lo e também fazer coro com as palavras de V. Exa., quando alude à figura extraordinária desse grande Reitor e professor, o nosso caríssimo amigo Prof. Paulo César. Realmente assiste razão a V. Exa. Durante oito anos ele plantou o respeito, a dignidade, a educação de qualidade absoluta na Unimontes. Com ele tenho grande contato, desde o tempo em que permanecia aqui, na área de ciência e tecnologia, junto a ações do governo. Com certeza, pela sua experiência e pelo seu amor extraordinário à educação, ele fez da Unimontes uma grande instituição, hoje uma referência nacional. No momento de sua saída, de sua despedida, quero também consignar uma força de serviço inigualável a essa figura extraordinária, do Prof. Paulo César. Parabéns a V. Exa. O Deputado Carlos Pimenta* - Muito obrigado pelo aparte, Deputado. Gostaria de terminar o meu pronunciamento exaltando esta grande universidade, a Universidade Estadual de Montes Claros, a nossa Unimontes, os seus funcionários, sejam eles serventuários, professores, que estão hoje ajudando na grande transformação da instituição. Espero, sinceramente, que alguns avanços aconteçam no governo Anastasia - e acontecerão. Devemos ter atenção muito grande quanto aos serventuários, que, por trabalharem com afinco, com dedicação e amor, precisam de melhores salários, assim também como os professores. Essa é a bandeira que teremos. Aliás, as modificações já começaram, e vamos continuar nesse caminho. Temos de evitar que os professores que se aperfeiçoam, que cursam mestrado ou doutorado não sejam computados por outras universidade. É muito difícil quando se vê um professor formado, que cursou o mestrado ou doutorado com recursos públicos, muitas vezes não resistir a convites de outras universidades, ou seja, formam-se pela Unimontes e vão trabalhar em outras universidades, muitas delas particulares. Creio que isso é quase um crime, convites feitos dessa forma. Porém todos eles estão firmes na Unimontes, com a qual têm um compromisso. Então, em nome do Poder Legislativo, em meu nome particular, como ex-aluno da Unimontes, formado no curso de Medicina em 1979, ficam as nossas congratulações com o Prof. Paulo César e nossos votos de sucesso ao Prof. João Canela, novo Reitor da Universidade. Muito obrigado. * - Sem revisão do orador.