Pronunciamentos

DEPUTADO ZÉ MAIA (PSDB)

Discurso

Comenta decisão do Juiz da Vara Criminal do município de Contagem, Livingston José Machado, de expedir alvará de soltura para presos condenados pela Justiça.
Reunião 91ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 29/11/2005
Página 58, Coluna 3
Assunto SEGURANÇA PÚBLICA. JUDICIÁRIO.
Aparteante IRANI BARBOSA, DINIS PINHEIRO, CÉLIO MOREIRA.

91ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª LEGISLATURA, EM 23/11/2005 Palavras do Deputado Zé Maia O Deputado Zé Maia - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, telespectadores da TV Assembléia, fomos surpreendidos, no final da tarde e no começo da noite de ontem, com mais uma decisão irresponsável do Juiz da Vara Criminal de Contagem. Causa-nos espanto o fato de um membro do Poder Judiciário agir com tanta irresponsabilidade como esse Juiz vem agindo. Na percepção desse Juiz, é mais importante cuidar dos direitos e privilegiar um bandido preso que cuidar dos direitos do cidadão mineiro, trabalhador, que levanta cedo e que pega o ônibus na favela para ir trabalhar. Pessoas de bem são obrigadas a conviver com bandidos de alta periculosidade, graças à tremenda irresponsabilidade desse Juiz de Contagem. O referido Juiz passou dos limites, no afã de aparecer e de estar na mídia nacional, colocando em risco a vida do povo mineiro. É necessário e urgente que o Poder Judiciário, tão respeitado, e que o seu Presidente, um Desembargador sério, tome medidas administrativas urgentes contra esse Juiz, sob pena de o Poder Judiciário perder a sua autoridade perante o povo de Minas. Sabemos que isso não ocorrerá, porque o Poder Judiciário não nos faltará neste momento. É preciso dizer que as decisões do Juiz, especialmente a de ontem, frontalmente contrariam decisão explícita do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que se posicionou contrário a essas decisões. Mas, mesmo assim, ele desrespeitou o Presidente do Tribunal de Justiça e o Poder constituído, que é o Poder Judiciário, afrontando e colocando em risco a autoridade deste Poder e a de seu Presidente. É necessário que, ainda hoje, o Tribunal de Justiça, na pessoa de seu Presidente, dê uma resposta firme e vigorosa ao povo de Minas Gerais, implementando sanções administrativas duras e firmes, numa demonstração de que o Poder Judiciário não se curva aos loucos e aos irresponsáveis. Talvez esse papel também caiba a nós, da Assembléia. Precisamos investigar se, realmente, as decisões desse Juiz são apenas irresponsáveis. Talvez haja interesses outros por trás dessa aparente irresponsabilidade, os quais desconhecemos. Temos de investigar a fundo essa questão, para saber se ele é apenas maluco ou irresponsável, ou se está querendo chamar a atenção e aparecer na mídia, ou se há outros interesses por trás dessas decisões absurdas. Trata-se de um Juiz absolutamente despreparado para as funções que exerce. Por essa razão, pedimos um posicionamento firme, determinado e corajoso, em respeito ao povo de Minas Gerais. Toda a população de Minas Gerais que se preocupa com a segurança pública está de olho no Tribunal de Justiça e no seu Presidente, esperando dele uma decisão firme, uma demonstração clara de que o povo de Minas Gerais está seguro nas mãos do Poder Judiciário que constituiu. O Deputado Irani Barbosa (em aparte)* - Deputado Zé Maia, a vocação do ser humano, à medida que ele chega à impunidade, é se transformar em um semideus ou em um deus supremo. Temos visto, no Poder Judiciário e no Ministério Público, que não existe hierarquia nem punibilidade para os irracionais ou para os comerciantes de sentença, que são muitos dentro do Tribunal de Justiça e das comarcas de Minas Gerais. Podemos sentir que esse angu tem caroço. Libertar batedor de carteira ou um cidadão preso por não ter pago a pensão alimentícia e, junto com eles, ladrões e principalmente traficantes é algo que nos leva a pensar. Esta Casa deve raciocinar muito, pois essa impunidade está gerando o mercado dos vendedores de sentença e dos oportunistas de ocasião. Esse Sr. Juiz de Contagem é mais um daqueles tantos que já nomeei aqui, daqueles bandidos de toga que existem diante da impunidade que existe hoje no Judiciário. Talvez seja essa a bola da vez, se a população prestar atenção ao fato, uma vez que são os que libertam traficantes. O apartamento de um Desembargador foi assaltado, e não se pode sequer apurar o que foi roubado de lá. Isso ocorre porque os próprios traficantes que esse cidadão havia liberado sabiam onde buscar o dinheiro, pois sabiam que havia muito guardado ali. Esse caso desse senhor, desse Juiz de Contagem, sem respeito algum... Podem ter a certeza de que ele faz parte dessa quadrilha inserida no seio da Justiça brasileira. É um bandido de toga. O Deputado Zé Maia - Agradeço o aparte de V. Exa., Deputado Irani Barbosa. É necessária uma investigação para sabermos se, por trás dessa aparente irresponsabilidade, existe algo mais grave. É preciso também registrar, neste momento, que isso ocorre justamente quando o Estado de Minas Gerais mais investe na segurança pública, especialmente em relação às vagas nas penitenciárias, o que é objeto da discussão proposta irresponsavelmente por esse Juiz. É preciso destacar, Sr. Presidente, que, em Minas Gerais, até o governo Aécio Neves, havia apenas 5 mil vagas nas penitenciárias, e, apenas em quatro anos, apenas em um governo, foram abertas 10 mil vagas, ou seja, o dobro do que havia até o Governador Aécio Neves assumir. Neste momento, em que o governo sinaliza claramente que resolverá o problema, o Juiz toma essas decisões absolutamente irresponsáveis. O Deputado Dinis Pinheiro (em aparte)* - Foi brilhante e bastante apropriado o pronunciamento do Deputado Zé Maia, Presidente da Comissão de Segurança Pública, o qual vem realizando um trabalho extraordinário. Em Belo Horizonte, Contagem, Ibirité, enfim, em todas as cidades mineiras e até mesmo brasileiras, todos se encontram estarrecidos, perplexos, atônitos com a situação e a ação irresponsável do Juiz Livingston José Machado. É difícil qualificarmos sua conduta: irresponsável, leviana, precipitada, sem bom senso. Aliás, como disse o Deputado Irani Barbosa, ele está muito distante daqueles sábios conhecimentos que permeiam o Judiciário e nossa magistratura e muito próximo das características de um criminoso. É um verdadeiro acéfalo. Está se comportando, lamentavelmente, como um criminoso a partir do instante em que concedeu alvará de soltura para esses criminosos de alta periculosidade. Esses criminosos cumprem penas que variam de 4 a 25 anos de prisão em regime fechado. Essa atitude é lamentável. Não resta outro caminho: a Assembléia Legislativa tem de se pronunciar. V. Exa., como Presidente da Comissão de Segurança Pública, tem realizado um trabalho maravilhoso, e o Governador Aécio Neves reagiu com muita bravura. O Tribunal de Justiça e o Ministério Público devem, urgentemente, tomar as devidas e necessárias providências para que ações desmedidas como essa não ocorram mais. Isso é lamentável, sobretudo em um momento em que, conforme V. Exa. disse e conforme têm conhecimento todos os mineiros, Minas se esforça gigantescamente na promoção de investimentos altamente expressivos para a segurança pública e jamais vistos na sua história. De 5 mil vagas no sistema prisional, em quatro anos o Governador Aécio Neves, com competência, capacidade, altivez e visão, conseguirá atingir, até dezembro, 15 mil, representando um aumento de mais de 200%. Lamentavelmente, na contramão da história das ações importantes que o Governador tem realizado, esse Juiz, de forma equivocada, comete esse ato altamente criminoso. Parabéns, Deputado. Continue atuando brilhantemente à frente da Comissão de Segurança Pública. O Deputado Zé Maia - Agradeço o aparte de V. Exa., Deputado Dinis Pinheiro, que reforça o nosso pronunciamento pela importância do papel que desempenha nesta Casa. O Deputado Célio Moreira (em aparte) - Obrigado, Sr. Presidente e Deputado Zé Maia. Parabenizo-o e informo que, daqui a pouco, haverá uma reunião extraordinária da Comissão de Segurança Pública para tratar dessa audiência que V. Exa. acatou de pronto com a OAB, o Ministério Público e os representantes do governo, a fim de discutirmos essa injustiça cometida por esse Juiz em Minas Gerais. Em vez de fazer com que haja justiça, comete uma injustiça, por falta de diálogo com o próprio Tribunal de Justiça. Ontem, quando solicitou ao policial que tirasse as algemas dos presos, disse: “Ordem judicial. Cumpra-se”. O Tribunal de Justiça já se manifestou contrário à atitude do Juiz. Não sei se está pretendendo aparecer, mas uma atitude irresponsável como essa macula o Judiciário de Minas Gerais. Às 15 horas, estaremos na Comissão de Segurança Pública debatendo e discutindo essa situação gravíssima. Espero que o Tribunal de Justiça e os Promotores procedam com justiça em relação a essa atitude irresponsável desse Juiz. Quando nós, parlamentares, e o Executivo praticamos um ato que fere o decoro, somos cassados. A opinião pública solicita uma posição do Legislativo, do governo e do Tribunal de Justiça contra as atitudes arbitrárias desse Juiz, que está causando, em nível nacional, uma insegurança muito grande. Parabenizo V. Exa. e convido os nobres pares para participarem dessa audiência. Com toda a certeza, encontraremos um caminho para que Minas Gerais tenha mais segurança e justiça. O Deputado Zé Maia - Deputado Célio Moreira, agradeço seu aparte. A audiência pública que realizaremos agora, provocada por V. Exa., dará maior tempo para debatermos esse assunto importante. Acredito que toda a sociedade mineira espera um pronunciamento firme e decidido do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que foi afrontado pelo Juiz Livingston Machado, de Contagem. Ele foi absolutamente desrespeitoso com o Tribunal de Justiça e com o povo de Minas Gerais. Por essa razão, estamos aguardando, hoje ainda, sanções administrativas sérias do Tribunal de Justiça para o afastamento desse Juiz das funções que ocupa atualmente. Ele não tem o perfil para ocupar a posição de Juiz da Vara de Execução Criminal de Contagem. (- O som é cortado.) * - Sem revisão do orador.