DEPUTADO ARLEN SANTIAGO (PTB)
Discurso
Comenta matéria publicada em jornal do Município de Montes Claros sobre
projeto da Prefeitura Municipal de substituir o vale-transporte por
auxílio-transporte.
Reunião
38ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 28/05/2003
Página 23, Coluna 4
Assunto COMUNICAÇÃO. ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. TRANSPORTE.
Aparteante Domingos Sávio.
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 28/05/2003
Página 23, Coluna 4
Assunto COMUNICAÇÃO. ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. TRANSPORTE.
Aparteante Domingos Sávio.
38ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 22/5/2003
Palavras do Deputado Arlen Santiago
O Deputado Arlen Santiago* - Sr. Presidente, Srs. Deputados,
telespectadores da TV Assembléia, leremos artigo publicado ontem
no “Jornal de Notícias”, de Montes Claros. O editorial, assinado
pelo Sr. Edgar Antunes Pereira, diz: (- Lê:) “Omissão e
cumplicidade. Louvável a atitude da Prefeitura de Montes Claros em
apresentar projeto para acabar com o vale-transporte, substituindo-
o pelo auxílio-transporte, junto com o contracheque do servidor.
Sob a forte argumentação de uma economia mensal de R$100.000,00,
nada impedirá sua aprovação. Mas uma coisa ficou no ar. Se a
Prefeitura admite essa economia também admite o desvio de igual
monta, ou seja, R$100.000,00 por mês. Com algumas elucubrações de
lógica chega-se à conclusão de que o desvio é enorme. É um baita
desvio.
Continuando as elucubrações, só que matemáticas, dá para tornar
tangível, mensurável o valor total dessa subtração. O mandato do
atual alcaide, contando com a reeleição, já dura seis anos e cinco
meses, o que dá um total de 77 meses, que, multiplicados pelo
desvio de R$100.000,00 ao mês - admitidos pelo porta-voz da
Prefeitura -, alcança a soma de R$7.700.000,00, economia que se
fará com a aprovação do projeto.
Todos sabem que existem desvios na administração pública. Não se
pode culpar o Prefeito, porque, ao enviar o projeto à Câmara
Municipal, demonstra que deseja correção. Agora, dizer que foram
feitas ocorrências policiais e abertas sindicâncias que nada
apuraram é, no mínimo, dar atestado de incompetência à polícia,
aqui tratada com respeito e admiração, pois qualquer pessoa que
recepta os vales - e a Praça Dr. Carlos está cheia delas - dirá de
quem os compra.
Já a sindicância é mais difícil, porque envolve outras farras. O
beneficiado com um complemento salarial por meio do vale-
transporte jamais abrirá o bico. Os políticos beneficiados também
não, assim como as pessoas, funcionários, que estão sendo
agradados com uns valezinhos mensais. Apurar despesas pagas, por
meio de vales, de contas que não têm rubrica orçamentária é querer
envolver peixe graúdo, que anzóis de sindicantes não pescam, abrem
e as varas quebram. E, o pior, na cabeça de quem ousar apurar e
apontar: é aquele ali.
Que há culpados por esse desvio, também todos sabem. O que não se
sabe é se existe omissão e de quem, se do Prefeito, da polícia,
dos sindicantes e até do Ministério Público, que tem
constitucionalmente a função, consoante com o art. 129, inciso
III, de promover o inquérito civil e a ação pública para proteção
do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros
interesses difusos e coletivos.
Quanto à cumplicidade? Quem omite é cúmplice da impunidade de que
se valem os culpados”.
Esse artigo foi publicado ontem no “Jornal de Notícias” e está
sendo encaminhado à Procuradoria de Crimes Contra Prefeito. O
porta-voz da Câmara Municipal, Vereador de Montes Claros, admitiu
que projeto que acabe com o vale-transporte economizará
R$100.000,00 por mês. Portanto, deixa claro que há desvio desse
valor. O caso foi muito bem colocado pelo jornalista. Realmente,
não se pode omitir. As apurações devem ocorrer, até para
inocentar, se necessário for.
Sr. Presidente, existe outro assunto importante que relatarei.
Trata-se da questão de ordem levantada pelo Vice-Líder do PTB,
Deputado Fábio Avelar. O senhor disse, em reunião do Colégio de
Líderes, que, para facilitar o trabalho desta Casa, cada partido
teria direito a indicar a realização de um seminário. Isso ficou
definido. E o nosso partido se organizou e protocolou documento,
solicitando tal medida no dia 18 de março. Agora, fomos pegos de
surpresa, com a notícia de um evento realizado nas dependências da
Assembléia, divulgado por um “folder” muito bonito, cujo tema é o
mesmo do documento protocolado pelo Deputado Fábio Avelar. Será
aberto pelo Presidente e contará com as participações do Prefeito
de Belo Horizonte e de secretários de Governo. Seminário este,
muito bem elaborado. Mas há um detalhe: como a Presidência ainda
não deferiu o requerimento do Deputado Fábio Avelar, ficamos sem
saber como agir. Acredito que a Mesa terá a coerência de suspender
esse seminário extra-oficial, de modo a prevalecerem as normas
estipuladas por este parlamento.
O Deputado Domingos Sávio (em aparte) - Inicialmente, solidarizo-
me com V. Exa. com relação à questão do seminário proposto pelo
Deputado Fábio Avelar. De fato, o acontecido nos provoca
constrangimento porque o Deputado Fábio Avelar é uma das figuras
brilhantes deste Legislativo e merece o maior respeito. Sua
proposição, como foi apresentada anteriormente, precisa de
resposta urgente da Mesa.
Dirijo-me a V. Exa. e aos ouvintes, não para entrar no mérito do
artigo lido ou para discutir como esse processo aconteceu em
Montes Claros, porque não tenho conhecimento dos detalhes. Por ter
sido Prefeito, afirmo-lhes que um dos graves problemas enfrentados
não apenas pelas Prefeituras, como também pelas empresas
fornecedoras de vale-transporte, diz respeito à sua
comercialização, por parte de quem o recebe. De alguma maneira,
isso gera transtorno para as administrações públicas, inclusive
quanto ao controle dos impostos que cada passagem representa.
Cada passagem gera ISS para o município. Conheço o Prefeito Jairo
Ataíde há décadas, é uma referência de ética, probidade, seriedade
com as questões públicas. Que não paire no ar dúvidas devido a um
questionamento hipotético, baseado no pronunciamento de um
Vereador que fala em economia para o erário público, sem deixar
claro de onde esta economia viria. É preciso preservar aqueles que
dedicam sua vida à atividade pública, e o Prefeito Jairo o vem
fazendo desde o tempo do cooperativismo, passou por esta Casa com
um mandato brilhante, continua trabalhando por Montes Claros, e
sua esposa, Deputada Ana Maria, também está trabalhando por esta
cidade. Estou certo de que o Prefeito dará as explicações lúcidas
e éticas para esse procedimento. Não poderia me furtar de trazer
meu posicionamento de respeito, admiração e absoluta confiança
pelo Prefeito, que, ao enviar um projeto de lei para a Câmara, o
fez pelo bem do povo de Montes Claros. Obrigado.
O Deputado Arlen Santiago* - Não entrarei no mérito, por isso
estamos encaminhando este artigo para o Ministério Público, para
que o Prefeito tenha oportunidade de explicar porque a Prefeitura
de Montes Claros está comprando R$100.000,00 em vales-transporte,
a mais, por mês. Se 7 mil funcionários usam, por exemplo, dois
vales por dia, serão 14 mil vales, que, multiplicados pelo seu
valor, não somam o que está sendo gasto na compra de vales pela
Prefeitura. A compra está sendo feita em excesso. Onde está sendo
aplicado esse excesso? É para ajudar no transporte de alguém? É
para ajudar a fazer política?
Quanto à questão colocada pelo Deputado Domingos Sávio,
acompanhamos o Ministério público, que está trabalhando
tranqüilamente na apuração de outros procedimentos para avaliar a
questão de improbidade administrativa na Prefeitura de Montes
Claros. Não podemos dizer que existe, pois ainda não foi julgado,
nem transitado em julgado. A única ação interposta pelo Advogado
Antônio Adenilson, torna indisponíveis os bens do Prefeito, por
haver colocado em risco o patrimônio do servidor público
municipal, usando recursos da previdência pública municipal para
execução de uma obra. Que a obra fosse feita com recursos da
Prefeitura, não com risco do patrimônio público que geraria
aposentadoria de servidores.
Estamos encaminhando também ao Ministério Público solicitação
para avaliar por que no primeiro projeto para a venda de uma praça
em Montes Claros ao patrimônio do servidor público constava
1.800m, e no segundo, 2.354m. Vários servidores públicos nos
procuraram, considerando que essa mudança foi para vender a
calçada da praça ao patrimônio do servidor. Hoje a Prefeitura,
para pagar dívida com o servidor, teria alterado isso.
Entregaremos, na próxima semana, mais esse procedimento para que
o Ministério Público avalie. Acompanhando alguns processos que
tramitam há mais de dois anos no Ministério Público. O Dr. Gilvan
e o Dr. Cristóvão receberam novamente esses encaminhamentos.
Provavelmente o Ministério Público, bastante atarefado, em Montes
Claros não teve tempo de avaliar, de chamar a julgamento. Depois
que eu e o Deputado Gil Pereira enviamos novamente ao Dr. Gilvan,
os procedimentos foram encaminhados.
Está extremamente certo. Não estamos aqui para acusar ninguém.
Envio ao Ministério Público para avaliar se houve ou não dolo,
como está subentendido no artigo do “Jornal de Notícias”.