DEPUTADO ANTÔNIO CARLOS ANDRADA (PSDB)
Declaração de Voto
Declaração de voto favorável ao projeto de lei, de autoria do Deputado
Eduardo Brandão, que determina o reembolso do valor por ingresso para
evento cultural ou esportivo realizado em espaço de propriedade do
Estado. Comenta o projeto de lei complementar, de autoria do Governador
Itamar Franco, que dispõe sobre o Estatuto dos Profissionais da Educação
Pública do Estado de Minas Gerais.
Reunião
286ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 20/12/2002
Página 26, Coluna 1
Assunto EXECUTIVO. PESSOAL.
Proposições citadas PL 2186 de 2002
PLC 53 de 2002
Normas citadas LEI nº 14575, de 2003
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 20/12/2002
Página 26, Coluna 1
Assunto EXECUTIVO. PESSOAL.
Proposições citadas PL 2186 de 2002
PLC 53 de 2002
Normas citadas LEI nº 14575, de 2003
286ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
14ª LEGISLATURA, EM 12/12/2002
Palavras do Deputado Antônio Carlos Andrada
O Deputado Antônio Carlos Andrada - Gostaria de dizer que votamos
a favor da matéria porque entendemos que ela é importante e terá
grande repercussão social.
Quero aproveitar o tempo que me resta nesta declaração de voto
para fazer um comentário sucinto relacionado com as discussões,
nos últimos dias, acerca do plano de carreira da educação, que
tramitou nesta Casa e que tanta polêmica trouxe ao Plenário da
Assembléia Legislativa, sobretudo pela obstrução praticada pelo PT
nas últimas reuniões.
É preciso fazer algumas considerações, pois, muitas vezes, a
paixão, o calor do debate, a emoção não deixam que temas
importantes sejam discutidos e debatidos. Primeiro, é que o
projeto foi remetido a esta Casa pelo Governador no mês de junho,
às vésperas do recesso parlamentar. No mês de julho, a Casa esteve
praticamente parada. Nos meses de agosto, setembro e outubro,
estava não só a Assembléia de Minas, mas também todo o Brasil,
envolvida nas grandes eleições para eleger o futuro Presidente da
República, Senadores, Governadores, Deputados Federais e Deputados
Estaduais.
O debate e tramitação desse projeto na Casa que trata do Estatuto
do Magistério e do Plano de Cargos e Salários acabou, por uma
ótica mais técnica, ficando prejudicados. Prevaleceu a pressão
política do momento, fazendo com que aquela matéria fosse votada
em 1º turno, sem que debates técnicos pudessem ter o espaço e a
dimensão que deveriam ter. O fato é que agora o projeto chegou à
Comissão de Educação, após as eleições e fui designado pelo
Presidente da Comissão, Deputado Paulo Piau, atendendo a uma
solicitação minha, como relator da matéria.
É preciso também lembrar que, no 1º turno, essa matéria não
passou pela Comissão de Educação, que está sendo ouvida agora. É
fato importante que uma matéria que trata especificamente da
educação em Minas Gerais tenha de passar pela Comissão de
Educação, que dar sua contribuição à matéria.
Existem dois problemas básicos em relação ao Projeto de Lei
Complementar nº 53, que trata do plano de carreira. O primeiro é
um aspecto jurídico e administrativo que mistura num só projeto
matéria de lei complementar com matéria de lei ordinária. O
Estatuto do Magistério é matéria de lei complementar, está
previsto na Constituição. O plano de cargos e salários é questão
de lei ordinária. Isso muda em termos de tramitação e importância
na hierarquia das leis. Um projeto de lei complementar tem
tramitação muito mais engessada e complicada do que um projeto de
lei ordinária, com tramitação muito mais tranqüila, com quórum
muito mais fácil de ser atingido, podendo ser modificado de acordo
com as necessidades das negociações que por ventura ocorram entre
a categoria e o Governo.
Além do problema jurídico, existem outras questões de ordem
administrativa. Citarei apenas uma. Esse projeto junta em um só, o
chamado carreirão da educação. Quer dizer que deixa de existir o
plano de hoje, que atende apenas o magistério, e passa a existir o
carreirão da educação. O professor e todos os servidores que têm
função de apoio passam a ter um tratamento igualitário. Não que os
outros servidores não sejam importantes, mas não é possível
comparar a atividade de apoio com a atividade-fim, que é o ensino
e cujo agente principal é o professor.
Acabando, por exemplo, com o biênio, com o pó-de-giz, todo mundo
terá tratamento igualitário. Isso, em médio prazo, engessará as
negociações com a educação, por que aquele tratamento diferenciado
que durante anos e anos o magistério quis ter para si, e com toda
a justiça, porque a ação do professor é específica e precisa ter
tratamento diferenciado, será complicado, porque qualquer
tratamento, qualquer negociação que englobe o magistério terá de
ser estendida a toda carreira e às funções de apoio. Isso limita a
capacidade do Governo em dar aumento diferenciado ao professorado,
como em outros momentos já ocorreu.
Existem algumas questões que precisam ser abordadas. A mais séria
delas é a questão do impacto financeiro. Falam que não haverá
impacto, que o projeto em si não gera custos. No momento em que se
vota uma lei como o plano de cargos e salários, que cria e
extingue direitos e fixa percentuais, é obvio que geram-se custos.
Quando a tabela salarial for estabelecida, esse quadro vai se
adequar a ela. No momento em que se fizer o enquadramento, esses
percentuais vão incidir sobre valores concretos. Ninguém conhece
esses valores, porque ninguém conhece a tabela. Não é possível
estabelecer uma tabela sem fazer simulações prévias, para saber
qual será o seu impacto. É o que queremos. Essa tabela que será
fixada terá, no mínimo, os valores atuais.
Se pegarmos a folha atual, que é de R$300.000.000,00 - a maior
folha de pagamento do Estado -, veremos que qualquer impacto
percentual sobre esse valor significará muito. É preciso lembrar
que o Estado de Minas vive uma situação de muitas dificuldades. O
pagamento do mês passado não foi feito em dia, o deste e o do mês
que vem também não serão. O 13º salário depende de uma verba do
Governo Federal, de um encontro de contas que está sendo negociado
a duras penas pelo futuro Governador, que, por direito, poderia
fazer como o atual Governador fez ao tomar posse, quando o
Governador Eduardo Azeredo, devido às dificuldades de caixa, não
conseguiu pagar o 13º salário. O Governador Itamar Franco
simplesmente disse que o décimo-terceiro não era dele, que era do
Governo anterior, demorando um ano para pagá-lo. O Governador
eleito, Aécio Neves, poderia tomar posse em janeiro usando do
mesmo artifício, dizendo que o décimo-terceiro não é
responsabilidade sua, que é do Governo passado, e demorar um ano
para pagá-lo. Pelo contrário, optou pelo caminho mais difícil.
Isso demonstra o grau de consideração que tem pelo funcionalismo
mineiro. Mesmo sem ter assumido as funções de Governador, ele está
lutando em Brasília para conseguir os recursos para que o
Governador Itamar Franco honre a folha do 13º salário,
possibilitando-lhe, dessa forma, assumir o Governo de Minas com
condições de avançar nessa questão do funcionalismo.
Durante o período de obstrução feita pelo PT, ouvimos diversas
vezes do sindicato das categorias que não haveria impacto, que
bastaria votar o projeto. Foi feita quase uma lavagem cerebral,
dizendo que haveria impacto somente com a tabela. Pois bem, vamos
começar a desmistificar isso. O próprio Deputado Rogério Correia,
grande defensor dessa tese, disse várias vezes que não haveria
impacto. Ele apresentou uma emenda, que foi publicada no “Minas
Gerais” do dia 21 de novembro, pedindo uma verba de
R$200.000.000,00 para a implantação do plano de carreira do
magistério. Está aqui. Não é opinião minha, é a publicação do
“Minas Gerais”, órgão oficial do Estado. O próprio PT prevê que o
impacto mínimo será de R$200.000.000,00. E na discussão isso foi
omitido o tempo todo. Como relator, em momento algum dissemos que
éramos contrários. O que queríamos o tempo todo eram dados das
Secretarias da Fazenda, da Educação e da Administração. Ontem
chegamos a marcar uma audiência pública na comissão, convidando os
três Secretários. Nenhum deles compareceu. E os números não
apareceram. Na reunião, o sindicato disse que tinha os números.
Formalizei, então, um requerimento na frente deles para que,
burocraticamente, regimentalmente, o pedido fosse dirigido ao Sind-
UTE.
E o Sind-UTE, até agora, não entregou à comissão os dados do
impacto.
Na verdade, não é possível tratar matéria dessa magnitude e
importância, de uma categoria que representa R$300.000.000,00
mensais na folha, sem um cálculo ou dado concreto. Isso é
irresponsabilidade. Não podemos ser irresponsáveis votando uma
matéria sem ter cálculos. O que queremos e buscamos, o tempo todo,
é isso.
O prazo da legislatura está se esgotando, e os dados não
apareceram, a matemática financeira não apareceu, nem mesmo
nenhuma projeção foi feita. Então, promovemos, na tarde e na noite
de ontem, uma reunião com o Colégio de Líderes desta Casa e
convidamos, através do Presidente da Casa, um interlocutor
credenciado pelo Governador eleito, o Deputado Danilo de Castro,
que veio de Brasília especialmente para a reunião, acompanhado de
representantes do Sind-UTE. Esta questão foi colocada de maneira
muito clara: não se pode avançar sem dados.
O Governador eleito, Aécio Neves, além de não conhecer o impacto
que esse projeto traz e que já está configurado e reconhecido pelo
próprio PT, quando apresentou emenda prevendo R$200.000.000,00
para a implantação desse plano, disse não ser possível avançar
numa matéria de tamanha representação financeira sem conhecer
números que sejam confiáveis. Faltam 20 dias para que ele assuma o
Governo, e ainda não tem sua equipe: Secretário da Fazenda, da
Educação e Administração. Então, através de seu interlocutor,
disse que gostaria ainda de obter o conhecimento do quadro atual
do Estado, que a equipe de transição está levantando. O
diagnóstico ainda não foi concluído. E o Governador sequer
conhece, de maneira real, o quadro da situação financeira do
Estado.
Primeiro, ele quer conhecer a situação financeira do Estado,
conhecer, com sua equipe, as projeções de impacto desse projeto,
para que, na primeira semana de Governo, possa abrir negociação
direta com os representantes dos professores, através do
Sindicato, e da Assembléia. Quer fazer, ainda, uma discussão
transparente e positiva, assumindo o compromisso de, o quanto
antes, remeter a esta Casa um plano de carreira para atender o
justo anseio do professorado. Porém revendo pontos, para que esse
projeto seja real, palpável, concretizável e capaz de ser aprovado
e implementado, com a certeza de que o Tesouro terá condições de
arcar com todos os compromissos que assumir.
Encerro minhas palavras dizendo que a nossa posição, o tempo
todo, foi a de buscar o entendimento para que essa questão possa
avançar, não apenas com discussões filosóficas, acadêmicas ou
pedagógicas. Entendemos que a educação é investimento, e não
gasto. Investimento requer capacidade financeira. É preciso
conhecer o tamanho do investimento para que o Estado possa assumir
a responsabilidade, o compromisso de que o investimento previsto
será honrado.
O Governador eleito, Aécio Neves, começa muito bem, pois não
começa com demagogias, prometendo aquilo que não conhece nem tem
certeza de que irá fazer. Ele quer trazer para si a
responsabilidade de uma negociação séria, decidida com base em
dados reais, para assumir um compromisso com o professorado
mineiro e iniciar um novo tempo, em que essas questões serão
enfrentadas nos primeiros meses de Governo, e não no final, a fim
de que seu sucessor possa honrar aquilo que não se discutiu ou
sequer conhece. Muito obrigado, Sr. Presidente.