DEPUTADA MARIA JOSÉ HAUEISEN (PT)
Discurso
Transcurso do 54º aniversário da proclamação da Declaração Universal dos
Direitos Humanos.
Reunião
420ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 17/12/2002
Página 42, Coluna 2
Assunto EDUCAÇÃO. SAÚDE PÚBLICA. DIREITOS HUMANOS.
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 17/12/2002
Página 42, Coluna 2
Assunto EDUCAÇÃO. SAÚDE PÚBLICA. DIREITOS HUMANOS.
420ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 10/12/2002
Palavras da Deputada Maria José Haueisen
A Deputada Maria José Haueisen - Sr. Presidente, Srs. Deputados,
senhores e senhoras que nos escutam nas galerias, professores,
funcionários da Colônia Santa Isabel, trabalhadores que ali atuam,
trabalhadores do setor de saúde, telespectadores, estamos aqui
também para discutir problemas importantes para todos nós.
Primeiramente, quero lembrar que hoje é o dia da Carta das Nações
Unidas. É bom que nos lembremos que pouco antes da Carta das
Nações Unidas tivemos a Declaração dos Direitos Humanos, em 1948.
Mas declaração não tem força de lei. As Constituições é que
afirmam e reafirmam as declarações. Vêm referendar e colocar no
papel, com força de lei, o que tem que ser feito. As Constituições
atuam sempre no sentido positivo. Para hoje lembrar a Declaração
dos Direitos Humanos, abri a Constituição cidadã de 1988, no
capítulo que fala dos direitos individuais e coletivos. No art.
205 há palavras muito fortes: “Todos são iguais perante a lei”. O
art. 206 diz: “Educação é direito de todos e dever do Estado”.
Quando li o art. 205, suas palavras me soaram muito forte. “Todos
são iguais perante a lei”. Que igualdade é essa? Sabemos que uns
são muito mais iguais que os outros. Estamos vendo aqui o pessoal
da educação, da saúde, da Colônia Santa Isabel, lutando há anos
para ter seus direitos, garantidos pela Constituição, respeitados
e reconhecidos. O projeto que lhes interessa e as reivindicações
que fazem nesta Casa não saem do papel e da gaveta.
Enquanto isso, há projetos que aparecem e tramitam numa semana ou
em 15 dias. Estão garantindo direitos de quem? Para reivindicar
esses direitos, precisamos conhecer, nos informar e saber
exatamente do que tratam e como estão as coisas. Somos
parlamentares e o nosso papel é legislar, fiscalizar e denunciar,
se for preciso. Muitas vezes, não podemos legislar, porque, na
Casa, quando o projeto não interessa a alguns, não sai da gaveta;
porém, em outros momentos, corre com uma velocidade que chega a
descarrilar dos trilhos em muitas curvas.
Temos de fiscalizar. Acabamos de ouvir o que foi dito pelo
Deputado Adelmo Carneiro Leão. Vimos o requerimento dele
solicitando que o Tribunal de Contas seja investigado, a fim de
conhecermos as causas do incêndio. Só depois que as conhecermos é
que veremos, de fato, a quem interessa. Assim, poderemos denunciar
o que realmente aconteceu e o porquê daquele incêndio.
Meus amigos, Deputados presentes, queremos lembrar o problema da
saúde, que anda tão abandonada. É também um direito de todos. Por
que a reivindicação dos funcionários da saúde não passa por aqui
ao menos para ser apreciada, discutida com mais lealdade e à vista
de todos?
Quero lembrar também o problema do pessoal da Colônia Santa
Isabel. Muitos que hoje estão aqui buscam uma ajuda, que pode ser
uma bolsa, ou um auxílio para que continuem atuando na Colônia
Santa Isabel em favor dos outros, dos que estão doentes. Muitos
deles entraram como doentes, como pacientes; depois, recuperaram a
saúde, tomaram amor àquele lugar e compreenderam o sofrimento
daqueles companheiros que lá estão. Querem continuar trabalhando
como voluntários, não estão exigindo muita coisa, não estão
exigindo nada pelo muito que fazem. O reconhecimento do trabalho
deles pode vir por meio de uma bolsa ou ajuda.
Falarei ainda sobre os professores. Há 20 anos, eles buscam um
direito e se sentem cada vez mais enganados, mais enrolados nessa
busca.
Vou ler o inciso V do art. 206 da Constituição Federal de 1988:
“Valorização dos profissionais do ensino, garantido, na forma de
lei, plano de carreira para o magistério público, com piso
salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso
público de provas e títulos, assegurado regime jurídico único para
todas as instituições mantidas pela União”.
É uma afirmativa dessa Constituição de que a valorização dos
profissionais do ensino é um dever para com eles, incluindo planos
de carreira. E também de que o ingresso no magistério deve ser
feito por concurso público.
O que vemos? Todo mundo se lembra de que o projeto da Deputada
Elbe Brandão é inconstitucional, porque esses profissionais já
fizeram concurso público. Todo mundo se lembra de que os
designados não têm direito porque não fizeram concurso público.
Pergunto: já que a Constituição fala que o ingresso no magistério
deve ser feito por meio de concurso público - o ingresso em
qualquer serviço público -, por que esse concurso nunca se
realizou?
E agora, quando se realiza, é feito de tal maneira que atropela
os designados que trabalharam 20, 25 anos, dispensando-os sem
direito a nada, sem aviso prévio, praticamente.
Deixo bem claro para os professores que estão aqui, desde a
semana passada, na luta para que o plano de carreira seja lembrado
nesta Casa, que se trata também de uma exigência da Constituição.
Plano de carreira não é favor prestado por governos. É direito
constitucional. Falamos do concurso, mas não do plano de carreira.
Vamos fazer todo o possível, agora, para mostrar ao Governo que
está saindo e ao que vai chegar que têm de respeitar a
Constituição, que esse plano de carreira tem de existir, mas, para
que exista, tem de passar por esta Casa, tem de ser votado. Se
todos são iguais perante a lei, por que o projeto do Tribunal de
Contas dos Municípios anda tão depressa e o plano de carreira dos
professores precisa esperar 20 anos?