DEPUTADO JORGE EDUARDO DE OLIVEIRA (PMDB), Presidente "ad hoc"
Discurso
Comenta o tema: "Seguridade Social: A Experiência de Outros Estados".
Reunião
192ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 08/12/2000
Página 23, Coluna 3
Evento Fórum Técnico: "Seguridade Social do Servidor Público Estadual".
Assunto PREVIDÊNCIA SOCIAL.
Legislatura 14ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 08/12/2000
Página 23, Coluna 3
Evento Fórum Técnico: "Seguridade Social do Servidor Público Estadual".
Assunto PREVIDÊNCIA SOCIAL.
192ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 9/11/2000
Palavras do Deputado José Eduardo de Oliveira
O Sr. Presidente - Neste momento, daremos início à fase dos
debates. A Presidência informa ao ao Plenário que os participantes
poderão formular perguntas aos expositores, e as questões poderão
ser encaminhadas por escrito ou oralmente. Para agilizar os
debates, solicitamos aos participantes que, ao fazerem uso do
microfone, identifiquem-se, sejam objetivos e sucintos, estando
dispensada a formalidade das saudações pessoais. Cada participante
disporá de até 3 minutos para fazer a sua intervenção, tempo
reservado também para a resposta.
Debates
O Sr. Geraldo Taciano - Sou Presidente da Associação dos
Aposentados de Betim, Igarapé, São Joaquim de Bicas e Esmeraldas e
Diretor de Seguridade Social da Federação dos Aposentados do
Estado de Minas Gerais. O que nos preocupa em Betim está
preocupando o Brasil todo. O trabalhador que teve cargo
comissionado durante parte da vida em Prefeituras, autarquias e
fundações ficou descoberto de contribuições desde 1991, porque não
foi regulamentada a lei. Como fica esse cidadão? Faço essa
pergunta em nome dos servidores públicos que trabalharam em cargos
comissionados. Esses cidadãos trabalharam, ganharam seu salário, e
a Constituição garante a sua aposentadoria.
O Sr. Francisco José Carlos - Sr. Geraldo, já temos, no Espírito
Santo, esse tipo de situação solucionada. Temos pessoas em cargos
comissionados há 28 anos. E a Constituição Estadual previa que,
para o ocupante do cargo comissionado se aposentar, teria que ter,
se mulher, 30 anos, se homem, 35 anos de efetivo exercício, não
poderia trazer tempo de lugar algum. Com a alteração, já que o
comissionado passou para o regime geral da previdência, o que está
acontecendo?
Tenho dois casos de filiados ao Sindicato que estão aposentados
pelo INSS - ocuparam cargos comissionados por mais de dez anos,
não contribuíram, em nenhum momento, para o INSS. Juntaram uma
certidão de tempo de serviço comissionado prestado ao Estado e a
apresentaram ao INSS. Para completar o tempo de aposentadoria,
ainda apresentaram tempo de trabalho no comércio. Há vários casos
parecidos ainda em tramitação. No Espírito Santo, já há esses
casos.
Na época, quando foi feita a lei passando o pessoal comissionado e
temporário, em nível de previdência, fizemos consulta ao INSS. Já
estamos prontos para atender a todo o pessoal que estiver para se
aposentar. Os outros benefícios ainda estão sendo avaliados. Hoje,
as questões de acidente de trabalho, etc., já estão sendo
resolvidas. Não sei o problema que está ocorrendo em Minas, mas,
no Espírito Santo, já foram definidos dois casos de comissionados
que não tinham esse tempo contado. E contou-se.
O Sr. Geraldo Taciano Filho - Então, foi bom. Precisamos
verificar, porque, o INSS, apesar de ser nacional, tem dado
encaminhamentos diferenciados. Em um Estado, é de um jeito; em
outros, de outro jeito. Até de uma cidade para outra, costuma ser
diferente. Precisamos verificar a questão. Há situações como a que
coloquei, em que o pessoal está sendo obrigado a ir à justiça.
Administrativamente, por meio de ordens de serviço e com base em
medidas provisórias, o INSS vem procedendo diferentemente de uma
cidade para outra e de uma gerência para outra. Temos de analisar
esses casos e denunciar. Muito obrigado.
O Sr. José Augusto Braga - Boa-tarde a todos, senhores da Bahia,
do Espírito Santo e demais componentes da Mesa; primeiro, gostaria
de dizer para todos os colegas servidores públicos de Minas Gerais
que estamos de parabéns, mesmo tendo que continuar nessa luta. Em
Minas Gerais, ainda não fomos atingidos por essa nefasta reforma.
Para nossa felicidade, parece que Minas foi o primeiro Estado que
encaminhou, por meio da Procuradoria-Geral do Estado, uma liminar,
que foi garantida, inclusive, quanto ao mérito. Tanto a Emenda nº
20 quanto a nº 9.717 não prevalecem em Minas Gerais. Trata-se de
um ponto positivo, colegas de Minas Gerais.
Vou fazer uma consideração, até de um pouco de pesar com o
Espírito Santo e com a Bahia. Quero solidarizar-me com esses dois
Estados pelo que estão passando. Pelo que percebi, a luta lá tem
que ser grande, como a nossa também deve continuar. Mas acho que
estamos um pouco mais felizes, porque ainda não fomos solapados
por essa reforma do Governo Federal, graças à liminar, inclusive
quanto ao mérito, que já ganhamos.
Gostaria de solicitar a todos os integrantes da Mesa que
fizéssemos um paralelo, tendo em vista já ter sido dito que, em
Minas, vivemos uma situação inédita em todo o País. Devemos
considerar que também temos um instituto com 88 anos de existência
e uma estrutura em que não temos apenas algumas prestações de
serviço.
Falta-nos uma previdência completa, inclusive para aposentaria,
embora já tenhamos estrutura para tal, conquistada numa luta
travada ao longo de cinco anos. Gostaria que fizessem uma
consideração, já que temos de levar a sério a proposta dos
servidores públicos, que é a de uma previdência incluindo a
aposentadoria, com cálculo atuarial, que deve ser apresentado
amanhã, por nosso Presidente, João Diniz Pinto Júnior. Não abrimos
mão de ter uma previdência incluindo os itens saúde, benefício e
aposentadoria. Trata-se de questão de honra para nós, e, para
tanto, temos propostas objetivas, concretas, para apresentação de
uma lei nesse sentido.
Parabéns a todos nós, de Minas Gerais. Continuaremos nessa luta.
Aos companheiros do Espírito Santo e da Bahia dizemos que, se
necessário, iremos aos referidos Estados apresentar nossa
proposta. Como Secretário-Geral do IPSEMG, tenho a certeza de que
o nosso Presidente encampa essa idéia. Estamos solidários, de
canto a canto do País, no objetivo de termos uma previdência
pública de boa qualidade, em todos os Estados, a qual garanta os
direitos dos servidores públicos.
O Sr. Presidente - Pergunta à Sra. Tereza Deiró, de Elizabeth
Menezes, do IPSEMG: o Governo do Estado da Bahia foi acionado
judicialmente em razão da extinção do IAPSEB?".
A Sra. Tereza Deiró - Para que tenham idéia, vivemos num Governo
da Bahia da maior truculência que possam imaginar. Foi feito, pela
Deputada Alice Portugal, o requerimento de uma CPI. Há mais de
dois meses, estamos tentando, além dos 16 Deputados da bancada da
Oposição, conseguir mais cinco votos, o que ainda não foi
possível. A intenção é abrir uma CPI para apurar os problemas do
PLANSERV, mesmo porque quando foi instituído, através da extinção
do IAPSEB, existia um Secretário de nome Sérgio Moisés, que saiu
do Governo, em sua segunda gestão, com um gasto injustificado, com
propaganda, de R$73.000.000,00, que levou à falência, em menos de
um mês, o BrasilSaúde. Por um lado, contamos com a truculência do
Governo do Estado da Bahia - e quero que essas palavras fiquem
registradas na Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais -,
que é o protótipo do que existe de pior em termos da implantação
do neoliberalismo e de vender a alma do baiano, do brasileiro,
para o FMI. Dezesseis Deputados da Bancada da Oposição já
assinaram a CPI para a apuração das irregularidades do PLANSERV,
inclusive a falta de acompanhamento, de controle, o que deveria
ter sido feito pelo Sr. Sérgio Moisés. Concluo minha fala dizendo-
lhes que nos encontramos numa luta política. Trago uma camisa com
os dizeres: "Devolva-nos o IAPSEB".
Gostaria de pedir autorização à Presidência desta Mesa para expor
o último diapositivo, com uma paisagem bonita de Salvador. O Sind-
Saúde, o Sindicato da Polícia Civil - SINDPOC -, a Associação de
Professores e outras entidades estão em uma campanha cerrada do
"Devolva Meu IAPSEB", que é um patrimônio do trabalhador, não
podendo ser utilizado ao bel-prazer dos caciques do Estado da
Bahia.
O Sr. Fernando Souto - Boa-tarde a todos. Endossando as palavras
do Prof. Braga, quero dizer uma particularidade a respeito de
nossa bandeira, que ali se encontra: a bandeira de Minas é a única
no mundo em que a palavra "liberdade" está destacada. Queremos
deixar bem claro que queremos a liberdade de decidir nosso futuro,
e ninguém irá tirar isso de nós. Pedirei, então, a todos os
presentes e aos membros da Mesa que respeitam essa bandeira que se
ponham de pé, para homenageá-la e, também, à nossa luta pelo
IPSEMG.
Companheiro Renato, que está à frente da luta contra o
sucateamento das instituições, o segurado do IPSEMG tem direito ao
auxílio-natalidade, ao auxílio-funeral, ao auxílio-reclusão, à
aposentadoria e à pensão integral, a direitos estendidos aos
companheiros e companheiras. O que iremos perder e a quem
interessa esse fato?
O Sr. Renato Barros - A nossa bandeira é assegurar esses direitos.
A exposição feita mostra um quadro de nível nacional, de
sucateamento do sistema de seguridade social. São Paulo não se
diferencia do que está despontando. O Espírito Santo coloca,
também, que seu desconto varia em torno de 15%, chegando a 25% na
proposta do Governo. Nossa luta começou em 1998, na Bahia, quando
Antônio Carlos Magalhães já implantava o projeto neoliberal.
Lamentavelmente, foi-nos imposto o desconto de 3,5%.
Na adequação de nossa Constituição Estadual à Emenda nº 20,
teremos que estar assegurando todos os direitos aqui citados e, no
debate amanhã, poderemos trabalhar uma grande mobilização dos
servidores públicos, para garantir em lei que essa adequação seja
menos danosa ao serviço público.
Assim, entendo que no debate de amanhã poderemos trabalhar para
conseguir grande mobilização dos servidores públicos a fim de
assegurar tudo isso em lei. Precisamos cuidar em que a adequação
da Emenda nº 20 seja menos danosa dentro do serviço público. Temos
de nos aprofundar nessa discussão. Precisamos ver, em nível
nacional, o que ocorre, para que possamos intervir nesse processo.
Acabei de receber a reforma que o Governo encaminhou a esta Casa e
não poderia deixar passar a oportunidade de falar sobre o assunto.
Nós, das entidades, precisamos ficar aqui após esta reunião, para
fazer um apanhado sobre o projeto. Na apresentação de amanhã,
quando formos discutir a seguridade e precisamos abordar também
esse assunto. Prescisamos saber quais são as medidas tomadas na
reforma encaminhada pelo Governo estadual e de que maneira
poderemos intervir para resguardar o direito do servidor público e
a estrutura de Estado que defendemos? Queremos saber do Governo
Estadual qual é o Estado que está propondo. A partir daí,
poderemos elaborar a defesa do Estado que queremos, ou seja,
aquele que presta bons serviços à nossa sociedade.
Então, o projeto está aqui. Algumas entidades já solicitaram
cópias e a Assembléia as está fornecendo por "e-mail". Temos de
estudá-lo, para discutir o assunto.
O Sr. Presidente - Pergunta de Maria Waleska Franca, à D. Tereza e
ao Sr. Francisco José: "Como é a prestação dos serviços de saúde e
de assistência social em seus Estados? Qual o valor da
contribuição do servidor para os serviços de saúde e para a
aposentadoria?".
A Sra. Tereza Deiró - É aquela tabela que mostrei por último. Não
vou falar sobre as anteriores, porque já sofreram um escalonamento
para pior, como já dissemos, com majoração cada vez maior.
Atualmente, esse desconto é feito através de escala por faixa
salarial acrescida de 4%. A título de exemplo, diria que é aquela
história: quem ganha menos, paga mais. E paga até por aquele que
ganha mais. Sabem que o salário mínimo do trabalhador no Estado da
Bahia é de R$180,00. As gratificações são um monte de
penduricalhos que podem cair a qualquer momento. No entanto, o que
se ouve em nível nacional, principalmente de pessoas de Minas e de
São Paulo é: "Que maravilha, o pessoal da Bahia não ganha
R$150,00. Ganha R$180,00". Mas, o que foi que o Governo fez?
Confiscou parte desse salário através de um aumento absurdo da
Previdência e da assistência ao servidor. O servidor paga ou fica
desassistido.
O servidor tinha um instituto com a Previdência e a assistência
vinculadas, ou seja, pagava a Previdência e tinha a assistência
também. Atualmente, a assistência é literalmente privada. Pode ser
Brasil-Saúde, Inglaterra-Saúde, Estados Unidos-Saúde, ou o que
imaginarem. Portanto, hoje, o servidor público da Bahia
efetivamente pode ter, ou não, a assistência. E o Estado, como já
disse, está insensível à luta dos trabalhadores para resgatar o
Instituto. O desconto é feito por faixa salarial. Para alguns, o
desconto representa mais de 50% do seu salário-base.
O Sr. Francisco José Carlos - No Espírito Santo, como já disse,
não existe nenhuma prestação de serviço à saúde nem serviço
social. O trabalhador que quiser assistência tem de pagar por ela
a uma empresa privada, ou ser assistido pelo SUS. Por parte do
Estado ou da Previdência, não há assistência. No Instituto de
Previdência funciona precariamente - às vezes há, outras, não -,
um atendimento odontológico, em que o Instituto entra com 40% e o
trabalhador, com 60%. Mas, às vezes, ficamos meses e meses sem
atendimento.
Em relação a percentual, o Renato se referiu a 15%. O percentual
em vigor no Estado é 10%, mas existe um projeto na Assembléia
Legislativa de um percentual de 15% a 25%. Esse projeto está
parado por quê? Porque a situação do servidor público no Estado
hoje é bastante complicada. Não temos aumento há seis anos. Não
tivemos nenhum reajuste salarial durante esse tempo. Agora, o
Governo encaminhou uma mensagem à Assembléia Legislativa, dando
uma gratificação para a Polícia Militar, com medo de um trabalho
conjunto, ou seja, unificar a luta dos trabalhadores. Sabe que, se
a polícia entrar na luta, vai-se embora o Governo. Então, essa
gratificação é uma forma de tirar a Polícia Militar da luta, como
ocorreu no Governo anterior, quando fizemos uma greve de mais de
três meses. Para evitar isso, deu uma gratificação à Polícia
Militar de 100% do soldo. Para os outros, não fala em aumento, em
abono. Para piorar a situação, temos uma herança do Governo
anterior de três meses de atraso de pagamento. Esse atraso é de
1998, outubro, novembro e dezembro, sendo pago em 36 meses. Vamos
acabar de recebê-lo quando o Governo estiver acabando. Esse
Governo, ao entrar, além de não pagar esses três meses, adotou uma
coisa chamada contingenciamento por dois anos seguidos, 1999 e
2000. O que é isso? Retinha 20% e só pagava 80% do salário dos
trabalhadores. Conseguimos suspender isso no Supremo Tribunal
Federal e estamos em negociação para que o Supremo obrigue o
Governo do Estado a devolver isso em uma só parcela. A pretensão
do Governo é devolver isso a partir de janeiro de 2001 até 2004.
Essa é a situação no Estado, bem pior que a situação de vocês.
O Sr. Presidente - Pergunta de Gisele à Sra. Tereza Deiró e ao seu
colega Consultor Jurídico: diante da exposição de vocês,
consideramos que o fracionamento do seu Instituto trouxe profunda
perda para os servidores em geral. Nós, do IPSEMG, devemos
continuar firmes na defesa da nossa unidade. Qual a mensagem que
trazem para Minas, diante da situação atual da Bahia?
A Sra. Tereza Deiró - Sem dúvida, acho que essa é a oportunidade
que vocês, de Minas, estão tendo para refletir e lutar. O que está
havendo no Estado da Bahia é fruto de truculência, de um
autoritarismo inimaginável, estando a mídia manipulada e a rede de
televisão nas mãos de Antônio Carlos Magalhães e seus parentes. É
muito difícil o acesso dos sindicatos. O Sind-Saúde é um sindicato
jovem, porque até 1988 não tínhamos direito a ter sindicato. O
aconselhamento, se é que podemos aconselhar alguma coisa é que
lutem para não perderem o Instituto de Previdência. Por quê?
Porque nós, servidores públicos do Estado da Bahia - aqui estou
também credenciada a representar a Federação de Trabalhadores da
Bahia - FETRAB -, temos lutado e vamos continuar lutando pela
devolução do nosso Instituto, que o Governo, da forma mais
arbitrária, com toda corrupção, com tudo de ruim que podem
imaginar, com gastos injustificados, destruiu. Destruiu o
Instituto de Previdência dos servidores, impondo a eles essa
situação aqui apresentada. Então, não caiam no engodo de que a
assistência privada é melhor. Somos detentores do SUS? Somos, mas
o servidor construiu um espólio ao longo de anos, de 1966 para cá.
Esse espólio é do servidor. O Estado não pode se transformar em
Estado mínimo, desobrigado da seguridade social dos seus
trabalhadores. Muito obrigada.
O Sr. Ulisses Santana - O Governo da Bahia anda na contramão.
Enquanto lutamos para consolidar o SUS, esse Governo está querendo
privatizar a assistência dos seus próprios servidores. Se isso
fosse bom, especialmente para o nosso Estado, o requerimento para
a instalação dessa CPI não existiria, e não existiriam duas ações
na justiça, em nível nacional, contra a obrigatoriedade de
participação e contra os aumentos abusivos. Também não haveria a
necessidade dessa luta da Federação dos Trabalhadores Públicos,
incluindo todas as suas representações. Vocês têm de lutar para
que Minas Gerais não chegue à mesma situação do Estado da Bahia.
O Sr. Francisco José Carlos - Fui consultado sobre a passagem dos
funcionários regidos pela CLT para o regime estatutário. A partir
de 1º de outubro, os celetistas do Espírito Santo passaram para o
regime estatutário. Todos vocês têm aquelas gratificações por
tempo de serviço. Esses funcionários que mudaram do regime
celetista para o estatutário não terão esses direitos. Portanto, o
seu tempo contará apenas para a aposentadoria e para a
disponibilidade. Eles podem ter 18 anos de serviço, mas, quando
entrarem para o regime estatutário, começarão do zero. Esse mesmo
tratamento foi dado, em 1994, aos celetistas.
Com relação ao fim do Instituto de Previdência, fiz uma luta
solitária no Espírito Santo, porque não havia um acúmulo de
discussão com relação à previdência social. O projeto do Governo
anterior e do atual, do José Ignácio Ferreira, era de privatizar o
Instituto de Previdência. O nosso Sindicato, os outros que compõem
a Intersindical dos servidores públicos do Espírito Santo e os
funcionários do Instituto de Previdência, juntamente com o seu
atual Presidente, fizeram um trabalho, conseguindo desestruturar
essa situação, que vinha desde a Caixa Econômica, do Banco do
Brasil e dos Bancos privados. Todos esses segmentos estiveram no
Estado e fizeram propostas para assumir a previdência. Como a
Tereza falou, a previdência social é a vida de cada trabalhador,
que já foi deixada, por muito tempo, nas mãos dos outros. Trata-se
do futuro dos nossos filhos e da nossa família, que está sendo
deixado para que outras pessoas administrem. Nós temos de fazer o
nosso futuro agora, aproveitando essa discussão.
Peço-lhes desculpas por ter de me retirar, pois tenho um outro
compromisso. Vim passando mal e tive de ser atendido no posto
médico, mas não falho com os meus compromissos. Tenho de levar a
todos essa experiência com relação à questão da previdência do
nosso Estado.
O Braga, se não estiver enganado, fez uma explanação. Com certeza,
Braga, convidaremos alguém de Minas Gerais para ir ao Espírito
Santo levar essa experiência de lutas. Não tinha conhecimento de
que a lei complementar e a Emenda à Constituição nº 20 não estavam
sendo aplicadas aqui. Esse exemplo deve ser seguido por nós e pelo
pessoal da Bahia. A Constituição Federal não está sendo seguida,
porque os Estados têm a sua independência e autonomia em
determinadas áreas, o que ocorre na questão da previdência e da
seguridade social. É mais fácil para os Governos embarcarem no
projeto neoliberal, acabando com o funcionalismo, com a
previdência e com a seguridade social.
Agradeço o convite e o tratamento que nos foi dispensado,
colocando-me à disposição para voltar a esta Casa, a fim de fazer
debates não só relacionados com a previdência, mas também com o
regime jurídico único ou com a organização dos trabalhadores.
Muito obrigado.
O Sr. Célio Miranda - Sr. Presidente, demais componentes da Mesa,
meus colegas de profissão, funcionários públicos estaduais,
falarei sobre a segunda casa que tenho, ou seja, o IPSEMG, onde
comecei a trabalhar com 15 anos, como faxineiro. Hoje, estou
ocupando um cargo, que fiz por merecer.
Alguns colegas funcionários públicos presentes e a nossa
companheira da Bahia talvez não conheçam a fundo o IPSEMG, que é
composto de tudo o que se possa imaginar em favor do associado.
Temos um odontológico quase de Primeiro Mundo, embora não conheça
o exterior. No entanto, em termos de Brasil, é difícil encontrar
outro igual. Temos, também, um hospital quase de Primeiro Mundo,
com os melhores médicos e funcionários. A aparelhagem é da melhor
qualidade. Temos sede própria. O IPSEMG tem um patrimônio
incalculável, construído com o nosso trabalho, com os esforços de
todos os associados, sem a ajuda de praticamente ninguém.
Portanto, aqueles que ainda não conhecem o IPSEMG devem ir até lá,
pois pagamos por aquele patrimônio. Todo funcionário público de
Minas Gerais é dono do IPSEMG e dele usufrui. Se não usufrui, é
porque não deseja, pois o tratamento é o melhor possível. Muito
obrigado.
A Sra. Tereza Deiró - Companheiros, foi uma satisfação enorme
estar com vocês, porque estas audiências, estas nossas conversas é
que fazem com que troquemos idéias e vejamos como estamos neste
País lindo e maravilhoso que é o Brasil e como somos maltratados,
discriminados.
Atualmente, uma das metas do Governo da Bahia é desqualificar o
servidor; por isso, sinto-me bastante à vontade para dizer que
devemos fazer uma campanha em nível nacional. Fico muito feliz por
ouvir o companheiro dizer aqui, numa plenária de uma Assembléia
Legislativa, como está o Instituto de Previdência dos Servidores
do seu Estado. Então, a nossa luta é pela preservação e para que
não deixemos que essa proposta seja destruída. Ao contrário, que
sempre seja melhorada e que o servidor não seja penalizado, mais
ainda pelos baixos salários que recebemos e ainda por termos de
pagar uma previdência e uma assistência à saúde em separado.
Fala-se tanto em cidadania, mas o servidor público que está nesse
documento que montou essa CPI, que representa o trabalhador
público da Bahia, não poderia deixar de dizer aqui que essa
política de privatização da seguridade social é somente uma
política de encaminhamento de Governos perversos, que estão
privatizando a saúde no Estado. Já existe cidade na Bahia com o
único hospital regional privatizado, com as chamadas organizações
sociais.
Estou extremamente agradecida pelo convite. Continuamos na luta.
No Estado da Bahia, estamos à disposição para qualquer informação.
Emprestei agora um calhamaço de documentos, por meio dos quais
verão como um Estado pode andar na contramão e desqualificar os
trabalhadores, a ponto de depauperar a sua qualidade de vida, como
está acontecendo no Estado da Bahia. Agradeço ao Presidente desta
reunião, Deputado Jorge Eduardo de Oliveira, pela paciência, pela
forma como conduziu a reunião. Peço desculpas se algo não ficou
satisfatório. Agradeço ao Renato pela força e pelo convite.
Agradeço, mais uma vez, a todos pela paciência e tolerância. Muito
obrigada.
O Sr. Presidente - Pergunta Sra. Aydê, do IPSEMG, ao Prof. Braga:
"Após tantos decretos, emendas e leis editados pelo Governo
Federal, que interferiram na soberania dos Estados e municípios,
várias Prefeituras foram obrigadas, através de sanções, a mudar de
regime previdenciário, trocando o IPSEMG pelo INSS. Como, então,
explicar o desejo veemente dos funcionários dessas entidades de
voltar a contribuir para o IPSEMG?".
O Prof. Braga - Entendo que é uma questão que demandaria um pouco
mais de consideração. Pois é. A pessoa poderia formular a pergunta
de forma mais detalhada, e poderíamos até fazer uma resposta por
escrito. Trata-se de convênios que o IPSEMG pode fazer com as
Prefeituras.
Ultimamente, tem havido alguns convênios que caducaram, porque o
Prefeito deixou de repassar. Então, precisa-se de um estudo
melhor. Não é uma questão para ser respondida com pouco tempo.
Seria interessante que se formulasse a pergunta com mais detalhes.
Assim, poderíamos responder até com fundamentos jurídicos, já que
existe uma assessoria que trata especificamente disso no IPSEMG,
um setor que cuida exclusivamente de convênios com Prefeituras.
Portanto, penso que dessa maneira seria melhor, Deputado, para não
corrermos o risco de darmos uma resposta incompleta, que não
satisfizesse a pessoa.
O Sr. Ulisses Santana - Antes das considerações finais, gostaria
rapidamente de fazer uma colocação.
No Estado da Bahia, além de toda essa situação já apresentada,
algumas das próprias clínicas que prestam serviço ao SUS não
aceitaram prestar serviço ao PLANSERV. Isso quer dizer que, se não
tivéssemos o PLANSERV, nossa assistência seria um pouco mais
ampla, com o SUS. Falo isso apenas para efeito de informação.
Gostaria de agradecer o convite e dizer que estamos abertos a
qualquer participação em qualquer evento que diga respeito a
questões da área jurídica, entre outras. Não devemos esmorecer em
nossa luta, mas continuar firmes, de pé, para que possamos ter um
mínimo de dignidade com o trabalhador e com o ser humano.
Agradeço mais uma vez ao Deputado Jorge Eduardo de Oliveira, pelo
convite, e ao Plenário, que, pacientemente, nos ouviu. Muito
obrigado.
O Sr. Renato Barros - Basicamente, acho importante ressaltar um
ponto na fala do companheiro do Espírito Santo, que falou sobre a
forma de organização que tinha a gestão da seguridade social em
seu Estado, inclusive, citando o Conselho Deliberativo, que é
similar ao que estamos propondo seja criado em Minas Gerais.
A lei recentemente aprovada, mas que o Governador vetou, dispunha
sobre a regulamentação do Conselho de Beneficiários e propunha a
seguinte formatação: seis representantes do Governo e seis
representantes dos servidores. Justamente na parte em que se
discriminava essa representação, houve o veto do Governador.
Nós, das entidades, encaminhamos novamente a esta Casa uma outra
lei que criava o Conselho Deliberativo do IPSEMG. Solicitamos às
Comissões e aos parlamentares que não fizessem nenhuma emenda,
mantendo o projeto original do Governo. Quanto à representação dos
seis trabalhadores, discriminamos a seguinte composição: dois do
Executivo, um do Legislativo, um do Ministério Público, um do
Tribunal de Contas e um do Judiciário. Na parte do Governo, seriam
seis representantes do poder público estadual, sem que houvesse
uma discriminação.
Foi feita uma emenda ao projeto, que voltou à forma não original
do Governo. Esse projeto virá a Plenário.
Estaremos pedindo às Lideranças dos partidos que destaquem essa
emenda que foi colocada, aprovando-a em Plenário na forma
original, para que tenhamos a instalação do nosso Conselho
Deliberativo, onde teremos 50% da representação para os servidores
públicos. Queremos estar dentro desse Conselho Deliberativo, para
que possamos gerir o IPSEMG. Essa é a consideração que gostaria de
fazer, pedindo que amanhã, nas discussões, tenhamos a presença de
todos os companheiros. Temos de aproveitar o tempo para
aprofundarmos a discussão sobre o que está se propondo com relação
à reforma administrativa, encaminhada a esta Casa pelo Governo
Estadual.
Quero colocar uma grande preocupação nossa. Estamos vendo que a
estrutura que está compondo a Secretaria de Administração do
Estado está caminhando para a direita. Pessoas oriundas do Governo
anterior vêm ocupando cargos-chaves, e isso nos preocupa. Temos
alertado o Governador Itamar Franco, que talvez não saiba o que
está acontecendo. É por isso que tivemos uma grande preocupação de
realizar este fórum, a fim de poder intervir na proposta que está
sendo pré-elaborada pelo Governo, que tem diferentes visões com
relação à seguridade social do servidor público. Colocamos com a
maior clareza que este Governo tem que definir se vai para a
esquerda ou para a direita. E nós, servidores, estamos atentos à
situação que vem se colocando e ao grupo que vem tomando o comando
deste Governo. Se ele caminhar da forma como está - ele vem,
inclusive, fazendo propostas de sucateamento do serviço público e
da vida dos servidores -, temos que nos organizar, ir para o
enfrentamento e combater, para resguardarmos o serviço público e a
vida dos nossos servidores. Voltar ao que era antes, para nós, é
uma situação inaceitável, e não admitiremos isso. É por isso que,
cada vez mais, temos que estar organizados e sair deste fórum com
uma proposta unitária do conjunto dos trabalhadores do serviço
público, para que possamos interferir nesse projeto que está sendo
encaminhado. Não queremos ver uma parcela deste Estado
privatizado, como anteriormente estava sendo proposto. Muito
obrigado.
O Sr. Presidente - A Presidência manifesta seus agradecimentos às
autoridades presentes, bem como ao público em geral, pela honrosa
presença, e, em especial, aos nossos ilustres expositores.