Sindicalistas denunciam ameaças a trabalhadores da Cemig
Comissão do Trabalho da ALMG ouviu representantes do Sindieletro sobre precarização do trabalho na companhia.
17/09/2021 - 14:25Representantes do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais (Sindieletro-MG) entregaram, nesta sexta-feira (17/9/21), à Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), pauta com reivindicações diversas.
A entrega ocorreu durante audiência pública realizada pela comissão sobre a precarização das relações de trabalho na Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Uma das principais reivindicações tem relação com as atividades sindicais dentro da companhia. Gerentes estariam ameaçando trabalhadores que participam de reuniões do Sindieletro-MG, o que é contra a lei.
Consulte o resultado e assista ao vídeo completo da reunião.
“Temos inúmeros casos de trabalhadores ameaçados com corte de horas, advertência e até mesmo suspensão, caso continuem participando das assembleias. Isso nunca tinha acontecido. Agora, as coisas são diferentes porque a gestão atual se coloca como inimiga da categoria eletricitária. Quando um gerente ameaça, ele faz isso em nome de uma elite que quer ver o trabalhador escravizado, sem lutar por seus direitos”, afirmou o coordenador-geral do sindicato, Emerson Andrada Leite.
O secretário-geral do Sindieletro-MG, Jefferson Leandro Teixeira da Silva, denunciou também mudanças nas instruções internas da companhia, com a finalidade de coibir a participação de trabalhadores na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Cemig, da ALMG, que investiga irregularidades cometidas na atual gestão da empresa.
“É um jogo muito sujo e desonesto que não está permitindo que os senhores deputados tenham acesso a todas as informações. Como um trabalhador pode vir depor aqui pensando na possibilidade de ser mandado embora por isso?”, questionou.
Outra denúncia feita durante a audiência foi a extinção da equipe que fazia a gestão do call center e que resultou na contratação, sem licitação, da IBM. “Essa equipe era a que garantia que o número de trabalhadores ativos e o número de trabalhadores com contratação prevista fosse o mesmo. Aí, desmontaram a equipe e contrataram a IBM, sem licitação. A IBM contratou a A&C, alegando não dar conta de gerenciar. Mas a A&C perdeu a licitação no começo de 2020 para a Audac, e até hoje não repassou a responsabilidade”, afirmou o secretário-geral. As contratações sem licitação também são foco da CPI.
O dirigente do Sindieletro frisou que numa empresa privada isso poderia ser justificado como modelo de gestão, mas numa empresa pública há leis que regulamentam e impedem favorecimento a empresários.
“É claro o desmonte da Cemig que está sendo feito. O governador acabou com 50 bases já em 2019. Com equipes que faziam o primeiro atendimento ao consumidor. O trabalhador antes deslocava 50 quilômetros para trabalhar, agora desloca 250. Querem estabelecer lógica de empresa privada na Cemig. A Base São Gabriel atendia muita gente e agora a população ficou muito prejudicada na região”, afirmou.
Respostas – O representante da área de Relações Institucionais da Cemig, Franklin Moreira Gonçalves, respondeu parte das acusações feitas pelos representantes do sindicato. Segundo ele, não há nenhum tipo de retaliação por parte da empresa aos trabalhadores que se engajam em atividades do sindicato. “Se isso acontecer, tem de ser denunciado, pois é absurdo”, afirmou.
Ele também disse acreditar que a IBM fará o trabalho para o qual foi contratada. “É uma empresa de renome. Temos de ir atrás de uma tecnologia mais adequada para atender os nossos clientes. E foi isso que fizemos”, ressaltou.
O representante da Cemig afirmou ainda que as mudanças nas instruções internas têm apenas por finalidade adequar questões relacionadas à aposentadoria dos eletricitários. “Quase todas as empresas fazem avaliação de desempenho. Essa é uma discussão séria dentro de uma empresa pública. Ninguém será demitido sumariamente. E aos empregados com baixo desempenho serão dadas várias instâncias de defesa, garantindo a impessoalidade”, declarou.
Franklin Gonçalves criticou a instalação da CPI da Cemig, considerando-a um “tiro de canhão desnecessário”, por não haver, em sua avaliação, uma denúncia grave de corrupção que a justificasse.
Barbaridades - O deputado Betão (PT) destacou que na CPI da Cemig têm sido reveladas várias “barbaridades” cometidas pela gestão da empresa. Enfatizou que, ao contrário de uma empresa privada, a companhia exerce também um importante papel social no Estado.
“Romeu Zema quer destruir as empresas públicas para poder vender para os amigos. Estamos recebendo denúncias de contratos sem licitações, pagamento de valores de salários vultuosos para diretores e o fechamento de bases operacionais importantes para a população. Tudo isso vindo de um governador que usa as redes sociais para depreciar a Cemig e espalha notícias falsas”, completou.