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Declarações de voto foram feitas à distância e transmitidas pela TV Assembleia
Declarações de voto foram feitas à distância e transmitidas pela TV Assembleia - Foto:Guilherme Bergamini
25/03/2020 20h56

Deputados avaliam que momento é de união de forças

Parlamentares elogiaram profissionais da saúde e produtores rurais, além de repercutirem fala do presidente.

Atender às medidas de contenção recomendadas pelas autoridades de saúde e estabelecer união irrestrita de forças – dos três poderes, nas esferas federal, estadual e municipal - para conter o avanço do coronavírus no País. Essa visão permeou pronunciamentos da maioria dos deputados presentes à reunião on-line do Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada nesta quarta-feira (25/3/20).

Na reunião, na qual foi aprovado por unanimidade o Projeto de Resolução (PRE) 20/20, que reconhece estado de calamidade em razão da propagação da Covid-19, quase todos os parlamentares fizeram declaração de voto, nas quais ressaltaram o valoroso trabalho prestado pelos profissionais da área de saúde.

Também não faltaram agradecimentos aos produtores rurais, caminhoneiros e trabalhadores das forças de Segurança Pública, entre outros profissionais.

“Declaro meu voto sim, muito preocupado em coordenar todas as ações no sentido de preservar a vida de todos, inclusive daqueles que estão trabalhando por nós. Aí tem um aspecto todo especial o pessoal da segurança, da saúde e da agropecuária", ressaltou o presidente da Comissão de Agropecuária e Agroindústria, deputado Coronel Henrique (PSL).

Os pronunciamentos ainda destacaram os riscos socioeconômicos da pandemia, assim como o impacto sobre a população mais vulnerável, como moradores em situação de rua, microempresários e trabalhadores informais.

Nesse sentido, houve apelo para que a ALMG acelere a votação de matérias que favoreçam essa parcela da sociedade, como a proposição que estabelece o Fundo de Erradicação da Miséria.

Impactos econômicos - Também foi abordada a possibilidade de o confinamento causar um colapso na economia do Brasil e de Minas, levando muitas famílias a situações miseráveis. Muitos dos parlamentares que falaram sobre o assunto, destacaram a necessidade de a ALMG também apresentar e votar medidas que ajudem a reduzir esse tipo de dano.

“Nas próximas reuniões, votaremos matérias também importantes, complementares, sempre com a preocupação do impacto na saúde pública, mas também o econômico e social para a população de Minas e do Brasil. É importante que o Fundo de Erradicação da Miséria seja estritamente utilizado para este momento tão delicado que estamos passando”, ponderou o líder do Bloco Democracia e Luta, deputado André Quintão (PT).

“Precisamos de equilíbrio, temos que buscar um caminho, trabalhar em duas frentes para conciliar a prevenção, adotando todos os cuidados possíveis para evitar a contaminação, mas ao mesmo tempo pensando no emprego, nos pais de família, num colapso de nossa economia, pois suas consequências serão devastadoras”, avaliou Sargento Rodrigues (PTB).

Ainda houve declarações abordando o conteúdo do texto aprovado, assim como cobranças de que o governador Romeu Zema (Novo) apresente um plano de ações para conter a pandemia no Estado.

Também foram feitas reivindicações de hospitais de campanha em diversas regiões do Estado ainda não contempladas nas propostas do governo, assim como solicitações de empenho para suprir os hospitais e órgãos de saúde pública, sobretudo no interior.

Parlamentares repercutem pronunciamento do presidente 

Destaque, ainda, para o pronunciamento feito pelo presidente Jair Messias Bolsonaro, na noite dessa terça (24), no qual ele criticou medidas de confinamento impostas nos Estados, disse que o País precisa “retomar a rotina” e voltou a chamar a Covid-19 de “gripezinha”.

Bolsonaro defendeu o chamado “isolamento vertical”, que propõe manter em isolamento apenas aqueles que forem do grupo de risco - como idosos e doentes crônicos - e que os demais circulem livremente. Combinação que, segundo os órgãos de saúde, favoreceria a proliferação do vírus, uma vez que os não-confinados teriam contato com os isolados.

Os deputados da oposição, e alguns de outros blocos, criticaram o posicionamento, ressaltando que as medidas de contenção têm sido aplicadas em todos os países vitimados pela pandemia, além de serem indicadas por todas as autoridades de saúde. Houve, inclusive, parlamentares que declaram ser favoráveis a Bolsonaro, mas contrários ao que ele expressou neste caso.

“Se não fosse grave, nós não estaríamos fazendo essa votação remota. Não é uma gripezinha. A contaminação está ascendente. Então, é uma irresponsabilidade, é uma postura mesmo genocida o que o presidente da República fez em seu pronunciamento”, criticou a deputada Betriz Cerqueira (PT).

“O falido pode se recuperar, o falecido não” citou Delegado Heli Grilo (PSL), ao avaliar que o mais importante, agora, é salvar vidas.

“Bolsonaro tem o meu apoio, mas acho que a declaração dele vem na contramão de tudo o que vem sendo pregado. Trata-se de uma doença cujo grande risco é a escalada exponencial. Então, um dia faz muita diferença”, disse o deputado Bartô (Novo).

Em contrapartida, os deputados Coronel Sandro e Bruno Engler (ambos do PSL) elogiaram a postura do presidente e sua crítica a medidas de contenção aplicadas por governadores e prefeitos.

“O presidente Jair Bolsonaro defende, sim, o isolamento vertical de idosos e de pessoas com doenças, a população de risco. Mas nós precisamos manter o País funcionando. Eu fico muito feliz que tenhamos, neste momento, um verdadeiro líder na figura do presidente”, declarou Bruno Engler.

“Ainda bem que, na maior crise da nossa geração, temos um líder que tem coragem de tomar a melhor decisão e que não está preocupado com a questão eleitoral. A opção pelo isolamento vertical é uma necessidade. Se não fizermos isso, mataremos as pessoas e mataremos a economia”, afirmou Coronel Sandro.

Além dos parlamentares já citados, também fizeram declarações de votos as deputadas Ana Paula Siqueira (Rede), Andréia de Jesus (Psol), Laura Serrano (Novo), Leninha e Marília Campos (ambas do PT).

E ainda os deputados Alencar da Silveira júnior (PDT), Antonio Carlos Arantes (PSDB), Arlen Santiago (PTB), Betão (PT), Bosco (Avante), Carlos Henrique (Republicanos), Carlos Pimenta (PDT), Celinho Sintrocel (PCdoB), Cristiano Silveira (PT), Doutor Jean Freire (PT), Doutor Paulo (Patri), Duarte Bechir (PSD), Elismar Prado (Pros), Gil Pereira (PP), Glaycon Franco (PV), Guilherme da Cunha (Novo), Gustavo Santana (PL), Hely Tarqüínio (PV), Léo Portela (PL), Noraldino Júnior (PSC), Professor Irineu (PSL), Professor Wendel Mesquita (Solidariedade), Raul Belém (PSC), Tadeu Martins Leite (MDB), Thiago Cota (MDB), Ulysses Gomes (PT), Virgílio Guimarães (PT) e Zé Reis (PSD).


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