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Audiência busca solução para salvar Benjamin Guimarães
Marinha pode ajudar Iepha na restauração do vapor Benjamin Guimarães
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Participantes da reunião vão compor grupo de trabalho para concluir projeto de restauração
Participantes da reunião vão compor grupo de trabalho para concluir projeto de restauração - Foto: Sarah Torres
Ao defender intervenções no casco, Odair Sanguino alertou que já está entrando água na embarcação
Ao defender intervenções no casco, Odair Sanguino alertou que já está entrando água na embarcação - Foto: Sarah Torres
17/04/2019 20h02

Ainda não há recursos para restauração do Benjamim Guimarães

Representante do Iepha, em audiência desta quarta (17), afirma que é preciso adequar projeto de reparação do vapor.

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Impasses para a restauração do vapor Benjamim Guimarães, única embarcação do tipo ainda em operação no mundo, passam pela conclusão do projeto técnico e pela captação de recursos. Os esclarecimentos foram dados pela presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), Michele Abreu Arroyo, em audiência pública da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quarta-feira (17/4/19).

Originalmente, a embarcação foi construída em 1913, nos Estados Unidos. O barco navegou no Rio Mississipi e, posteriormente, em rios da Bacia Amazônica. Na segunda metade da década de 1920, a firma Júlio Guimarães adquiriu o vapor e o montou no porto de Pirapora (Norte de Minas), rebatizando o navio em homenagem ao patriarca da família proprietária da empresa. A partir de então, o vapor passou a realizar viagens ao longo do Rio São Francisco e afluentes.

O Benjamim Guimarães possui três pisos: no primeiro, encontra-se a casa de máquinas, caldeira, banheiros e uma área para abrigar passageiros. No segundo, estão instalados doze camarotes e, no terceiro, um bar e área coberta. Tem capacidade para 170 pessoas, entre tripulantes e passageiros, e consome um metro cúbico de lenha por hora. Historicamente realizava a viagem entre Minas e Bahia, saindo da cidade de Pirapora até Juazeiro.

O vapor está desativado desde 2014, e se encontra em avançado estágio de deterioração, o que inviabilizou até mesmo os passeios turísticos realizados entre as cidades da região. A determinação da Marinha do Brasil levou em conta o grave comprometido do casco que precisará ser totalmente substituído. A operação vai exigir inclusive a retirada do barco das águas do Velho Chico para que seja levado a um estaleiro.

Segundo Michele Arroyo, o custo da reparação é de aproximadamente R$ 3 milhões. Para captar esses recursos, ela explica que será necessário primeiro concluir o processo de licitação, que implica a finalização de planilha com a previsão dos serviços a serem executados e os respectivos valores. Ela conta que o Iepha tem enfrentado enorme desafio devido à especificidade do objeto.

A planilha usada como modelo nos processos licitatórios do instituto foi pensada de acordo com os parâmetros da engenharia civil, não para a reforma de bens como o vapor, explica a gestora. Sem adequar tecnicamente o instrumento, ela diz que não haveria segurança jurídica para dar andamento aos procedimentos.

Só depois de finalizada essa etapa, pode-se estabelecer termos de parceria para obter, por exemplo, o material necessário à construção do casco, informa a presidente do instituto. No entanto, o engenheiro naval, Odair Thadeu Sanguino, contratado por meio de carta-convite (após três licitações não receberam proposta), alerta que “o estado precário do vapor não vai esperar; a embarcação pode estar no fundo do rio até la”.

Medidas de emergência serão necessárias

Até que a planilha, o processo licitatório e os recursos sejam obtidos, reparos emergenciais serão necessários para que se evite a perda do patrimônio, tombado desde 1985. Odair Sanguino disse que, sobretudo o casco, deve passar por intervenções porque já está entrando água na embarcação. Sugeriu ainda que a Capitania Fluvial de Minas Gerais avalie o vapor e indique as providências a serem tomadas de imediato.

Além dessa avaliação, foi proposta a formação de grupo de trabalho para a revisão e adequação técnica do projeto, em especial, da planilha que se encontra pendente. O capitão-tenente da Marinha, Luciano Ivan Corrêa Duro, afirmou que a instituição está disposta a cooperar com o que for possível. “Estamos aguardando a demanda”, ressalta o oficial.

A presidente do Iepha, Michele Abreu Arroyo, e o engenheiro naval, Odair Sanguino, também demonstraram interesse em compor o grupo e somar esforços e conhecimento para concluir o projeto conforme as exigências da legislação.

Desenvolvimento – Marco André de Oliveira Martins Malaquias, Gestor do Circuito Turístico Guimarães Rosa, lamentou o prejuízo financeiro devido ao fim das viagens turísticas realizadas pela embarcação: “O vapor é a âncora do circuito Guimarães Rosa, por meio dele fomentamos a gastronomia, o artesanato e demais atrações culturais da região”.

Ele explica que, com a ausência dos passeios, a receita de turismo reduziu significativamente. Ele conta que o impacto direto chega a R$ 5 milhões, considerando apenas itens como a hospedagem e o ingresso para o vapor.

O deputado André Quintão (PT) pondera que a recuperação do patrimônio histórico e cultural se faz ainda mais relevante “nesse momento em que é necessário diversificar nossa economia”. Para ele, o turismo associado à cultura é uma das alternativas mais viáveis para tanto.

O deputado Mauro Tramonte (Avante) afirma que vai apresentar requerimentos para que a TV Assembleia documente a história do vapor e para que sejam avaliados os riscos da embarcação pela Capitania Fluvial de Minas Gerais.

Consulte o resultado da reunião.


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