O dia das acampadas foi de mobilização e preparativos para ato no Dia Internacional da Mulher
Maria do Carmo exibe com orgulho o balde que usa para garantir sua sobrevivência
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Coletivos de mulheres se preparam para ato na Praça Sete

Acampadas no Hall das Bandeiras, manifestantes confeccionaram materiais a serem levados em mobilização no Centro de BH.

07/03/2018 - 20:25

As integrantes dos coletivos de mulheres que estão acampadas no Hall das Bandeiras da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) fizeram ao longo desta quarta-feira (7/3/18) os últimos preparativos para participarem da programação do Dia Internacional da Mulher, celebrado em todo o mundo nesta quinta (8).

Centenas de mulheres, vindas de diversas partes do Estado, apoiadas também por homens, confeccionaram os materiais que serão levados para um grande ato na Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte, ápice da mobilização Mulheres na Luta por Direitos: Resistência, Poder e Democracia.

A única pausa nas atividades do dia, e somente para uma parte das mulheres, foi usada para participar da Reunião Ordinária do Plenário, na tarde desta quarta, para cobrar a aprovação pelos deputados do Projeto de Lei (PL) 3.312/16, do governador, e do Projeto de Resolução (PRE) 49/17, de autoria da Mesa da Assembleia. O primeiro institui a Política Estadual dos Atingidos por Barragens (Peab) e o segundo cria a Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Mulher. Ambos seguem aguardando votação, já que faltou quórum para apreciar as duas proposições.

Uma das coordenadoras do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), Camilla Brito, reforçou a importância da aprovação das duas proposições. "É uma vergonha a Assembleia não ter uma comissão permanente das mulheres. Da mesma forma, as principais atingidas pelos rompimentos de barragens são elas e esse projeto garante uma segurança maior. Seriam dois passos importantes para garantir os direitos do povo, sobretudo das mulheres”, afirmou.

Do lado de fora do Palácio da Inconfidência, as oficinas seguiram a todo vapor, como de batucada e forró, que tiveram a finalidade de preparar os participantes para as coreografias do protesto na Praça Sete. O dia foi encerrado com uma noite cultural com diversas apresentações artísticas.

Um dos coletivos presentes no Hall das Bandeiras foi o Linhas do Horizonte, cujas integrantes bordam mensagens e imagens com teor político e feminista em lenços e faixas. O “Marisas”, como também é conhecido pelo fato de o primeiro bordado ter sido presenteado à ex-primeira dama Marisa Letícia, já falecida, pretende distribuir no ato desta quinta as confecções preparadas ao longo do dia.

A coordenadora do coletivo, Leda Leonel, lamentou a falta de mais mulheres na política, mas destacou a importância de a Assembleia promover eventos como esta semana de mobilização em razão do Dia Internacional da Mulher. “Todo o nosso bordado é político. Nós pretendemos nos pronunciar politicamente e fazer as pessoas pensarem a respeito da política, por meio de um ato ancestral que é bordar”, destacou.

Baldes e latas - O MAB também fez seus preparativos para o ato na Praça Sete. As mulheres desse coletivo trouxeram seus baldes e latas, usados para carregar água, a fim de expô-los. Serão estampadas neles frases como “Agua e energia não são mercadorias”, segundo destacou uma das coordenadoras, Aline Ruas, que estava a frente da oficina de confecção desses materais. “A ideia é a gente passar essa simbologia de água enquanto soberania”, destacou.

Quem participou dessa oficina foi a moradora do acampamento Amaralina, em Almenara (Vale do Mucuri), Maria do Carmo Fonseca. O balde que ela trouxe para expor foi o mesmo que utiliza diariamente para pegar água do rio próximo de sua casa. A produtora de hortaliças lamenta que o local onde mora não possui água encanada, o que dificulta o acesso a esse recurso, indispensável a sua sobrevivência.

“O trabalho lá é muito sofrido. Veja a minha mão, é uma mão de uma mulher que trabalha na luta para produzir algumas coisas e vender em Almenara. Eu peço para que os deputados olhem para o nosso lado porque também somos seres humanos”, afirmou.