A Comissão de Segurança Pública verificou as condições de funcionamento da 4ª DP em Belo Horizonte
Segundo delegado Flávio Grossi (à direita), efetivo não é suficiente para garantir atendimento adequado

Falta de policiais civis compromete atendimento à população

Comissão de Segurança Pública visita unidades responsáveis pelo policiamento de 13 bairros de Belo Horizonte.

27/02/2018 - 14:16

A falta de policiais civis para atender às demandas da população e atuar na solução dos crimes foi o principal problema constatado na 4ª Delegacia de Polícia Civil em visita da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta terça-feira (27/2/18).

O objetivo era conhecer as unidades que compõem a Área Integrada de Segurança Pública (Aisp) nº 8, responsáveis pelo combate à violência nos Bairros Pilar e Olhos d’Água, na região do Barreiro, em Belo Horizonte. A visita foi motivada após audiência pública realizada na última terça-feira (20), em que a população denunciou o aumento da criminalidade na região.

O delegado Flávio Grossi explicou que conta com 15 policiais civis para o atendimento de 13 bairros da Capital com uma densidade populacional de cerca de 100 mil pessoas. Segundo ele, são aproximadamente 2.000 procedimentos, sendo 1.300 inquéritos, distribuídos entre os 15 policiais.

“O que acontece na prática é que não conseguimos dar o atendimento adequado à população”, explicou. Segundo ele, os policiais se dedicam principalmente à solução dos crimes que tiveram o uso da violência, sendo que os crimes sem violência acabam ficando com as investigações prejudicadas.

Flávio Grossi explicou que o efetivo deveria ser pelo menos o dobro para que a população recebesse um atendimento adequado. De acordo com ele, apesar de a delegacia possuir boa infraestrutura, parte das salas ficam fechadas devido à falta de pessoal.

O presidente da comissão, deputado Sargento Rodrigues (PDT), criticou a falta de policiais para atender a população. “É humanamente impossível que 15 policiais sejam responsáveis pelo atendimento a 100 mil pessoas”, considerou.

Comando da PM não comparece à visita

Outra unidade visitada pela comissão foi a 126ª Companhia da Polícia Militar, que também compõe a Aisp n° 8. Entretanto, a visita não contou com a presença de representante responsável pela unidade.

Sargento Rodrigues condenou a ausência do comando da PM. “Viemos aqui justamente porque a PM foi convidada e não compareceu à audiência. O prejuízo maior é da população, que está cobrando empenho no policiamento da região”, apontou. O parlamentar explicou que irá apresentar requerimento convocando o responsável pela 126ª Cia. da PM para comparecer em reunião da comissão.

Rotina afetada - O deputado João Leite (PSDB) lembrou que, na audiência, vários moradores e comerciantes dos bairros Pilar e Olhos d'Água reclamaram da falta de segurança e pediram reforço no policiamento.

Eles alegaram que a violência está afastando serviços importantes da região, que não tem mais caixas eletrônicos, e obrigando comerciantes a mudarem os horários de trabalho de seus funcionários, para antecipar o horário de saída diante do medo da violência.