A integração com as forças de segurança pública também foi ressaltada pelos participantes da audiência pública
Marcelo Corrêa anunciou a elaboração de protocolo específico para os Jogos
Deputados lembraram que a comissão debateu segurança na Copa, especialmente o tráfico humano

Hotéis garantem protocolo de segurança para Olimpíadas

Atentado sofrido pela apresentadora Ana Hickmann em hotel de BH motivou debate da Comissão de Segurança Pública.

14/06/2016 - 13:14 - Atualizado em 14/06/2016 - 15:59

Após o atentado sofrido pela apresentadora da TV Record, Ana Hickmann, em maio deste ano, num hotel de Belo Horizonte, representantes das Polícias Civil e Militar, de secretarias de Estado e do setor hoteleiro garantiram cumprir todas as exigências internacionais de segurança antes, durante e depois de grandes eventos.

O acontecido motivou debate na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta terça-feira (14/6/16), sobre os procedimentos de segurança nesses estabelecimentos, principalmente, em razão dos Jogos Olímpicos, que terão eventos na Capital. A audiência da Comissão de Segurança Pública foi requerida pelo deputado Cabo Júlio (PMDB).

O gerente-geral do Hotel Mercure, Rodrigo Mangerotti, por exemplo, afirmou que o estabelecimento tem uma coordenação de segurança que atua em sintonia com as forças de segurança pública. Segundo ele, há rotinas de prevenção contra atos de terrorismo físico e químico, além de planejamento específico para eventos.

“A empresa segue um protocolo internacional, que inclui registro dos hóspedes, monitoramento de 100% das áreas dos hotéis e vistorias de rotina”, explicou. Em relação aos Jogos Olímpicos, garantiu que tem sido feita uma preparação especial, assim como houve na Copa do Mundo de 2014. “Belo Horizonte é uma cidade segura e o que houve com a Ana Hickmann foi um fato isolado”, disse.

A presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais, Patrícia Azevedo Coutinho, defendeu que é preciso zelar pela segurança de todos, preservando o direito de privacidade dos hóspedes. Ela garantiu que o estabelecimento onde ocorreu o atentado segue todas as normas de segurança e que, por isso, é seguro dizer que foi um fato fora do normal, que poderia ter acontecido em um shopping, uma praça ou em qualquer outro local de circulação de pessoas.

“Não é justo penalizar os hotéis. O histórico mostra que a segurança é boa, tendo em vista que a equipe é capacitada e que há uma preocupação com a prevenção contra atos de violência”, alegou. Ainda assim, comprometeu-se a sugerir ao segmento hoteleiro que reforce a identificação dos hóspedes, em especial durante os Jogos Olímpicos.

Integração – O gerente de Segurança das Cidades do Futebol dos Jogos Olímpicos, do Comitê das Olimpíadas do Rio de Janeiro, Andrey Reis, destacou que há um trabalho integrado com a Secretaria Extraordinária para Grandes Eventos, que vem atuando em todos os Estados onde haverá jogos. Segundo ele, foi feito um estudo de melhores práticas em vilas olímpicas e, diante disso, foram estabelecidos protocolos de segurança. As informações, ainda de acordo com ele, são repassadas às forças de segurança para que se preparem.

Na mesma linha, a superintendente de Estruturas do Turismo da Secretaria de Estado de Turismo, Cláudia Bolognani, disse que há um esforço integrado e um objetivo comum na área de segurança para que os turistas sejam bem atendidos. “O maior aprendizado foi a Copa do Mundo e há um gerenciamento de riscos aprimorado para os Jogos Olímpicos. Em Belo Horizonte, serão 12 jogos, o que motiva planejamento turístico para estes eventos”, relatou. Ela também considerou o episódio com Ana Hickmann um caso isolado, provocado por uma pessoa com problemas psicológicos.

Órgãos de segurança preparam protocolo específico

Para os Jogos Olímpicos, o governo estadual está trabalhando de forma integrada com todas as forças de segurança, hotéis, prefeituras de cidades onde haverá eventos ou que receberão delegações ou o comitê organizador. A informação foi dada pelo assessor-chefe da Secretaria de Estado de Defesa Social, coronel PM Marcelo Corrêa, que anunciou a elaboração de um protocolo específico e sugeriu aos hotéis reforçar a segurança privada e oferecer maior capacitação aos funcionários para o reconhecimento de objetos suspeitos.

O subcomandante do 22º batalhão de Polícia Militar, major Lucas Pinheiro dos Santos Neto, salientou que a corporação tem por princípio planejar suas atuações. Para tanto, oferece policiamento ostensivo, patrulhamento e canal direto com o segmento de hotelaria, em especial nos grandes eventos.

O major garantiu que existem unidades especializadas contra o terrorismo, planos de evacuação e que todas as informações para a melhora da segurança são compartilhadas. “Mesmo com todas estas ações, casos como a atentado sofrido pela apresentadora Ana Hickmann não têm como ser previstos”, lamentou.

O superintendente de Investigação e Polícia Judiciária da Polícia Civil, André Pelli, também defendeu a integração das informações entre as polícias e citou a dificuldade enfrentada pelas forças de segurança, mesmo nos Estados Unidos, com a chacina em boate na cidade de Orlando; e na Europa, em razão dos riscos de terrorismo na Eurocopa.

André Pelli entende, no entanto, que os hotéis podem contribuir mais com a segurança pública. “Sugiro que as fichas de hospedagem sejam conferidas, retidas cópias dos documentos e que os funcionários, em especial de limpeza, sejam orientados a denunciar a presença de armas ou equipamentos suspeitos nos quartos”, ressaltou.

Parlamentares pedem mais rigor na identificação dos hóspedes

O deputado Cabo Júlio, ao citar o caso da apresentadora Ana Hickmann, questionou se falta interação entre seguranças privada e pública e se os hotéis não deveriam ser mais rigorosos na identificação de quem hospeda. “Hoje, são 200 estabelecimentos desta natureza na Capital, que recebem mais de um milhão de turistas. Entendo que o caso foi isolado, mas precisamos ser mais vigilantes”, solicitou.

Ainda em sua fala, o parlamentar destacou que a estimativa para as Olimpíadas é que cerca de um milhão de turistas estrangeiros venham ao Brasil. Diante deste cenário, pediu que o Estado faça um atendimento específico para as Olimpíadas de prevenção e repressão e que o setor hoteleiro esteja atendendo àqueles que se hospedarem em seus estabelecimentos neste período.

Os deputados João Leite (PSBD) e Sargento Rodrigues (PDT) lembraram, ainda, que a comissão debateu a segurança durante a Copa do Mundo e que, na oportunidade, houve uma preocupação especial com tráfico humano, que é frequente em grandes eventos mundiais. “Hoje, existe legislação que exige dos hotéis a identificação de turistas estrangeiros. Isso deve ser intensificado”, alertou João Leite.

Requerimentos – Na reunião, foram aprovados seis requerimentos, com solicitações de audiência pública e um debate público da comissão. O deputado Nozinho (PDT) quer audiência para tratar de roubos e explosões em caixas eletrônicos na cidade de São Gonçalo do Rio Abaixo (Região Central); e o deputado João Leite pediu reunião com convidados para tratar da segurança no Hipercentro de Belo Horizonte.

O presidente da comissão, deputado Sargento Rodrigues, solicitou um debate público com a Comissão de Agropecuária e Agroindústria para discutir a segurança no campo e a ameaça às atividades rurais.

O mesmo parlamentar também teve aprovados pedidos de audiências públicas para: repercutir a reunião do dia 5 de abril, que tratou do combate criminalidade em Itamarandiba (Vale do Jequitinhonha); debater atos de perseguição e assédio moral por parte do diretor do presídio Teófilo Otoni (Vale do Mucuri), José Alberto de Souza Almeida; e discutir violação de direitos de militares do 5° Grupamento da 239ª Companhia PM de Diogo de Vasconcelos (Região Central do Estado).

Consulte o resultado da reunião.