Economista critica taxas de juros do Brasil
No Ciclo de Debates Retomada do Desenvolvimento Econômico, Nilson de Souza diz que desde 1981 o País não cresce.
03/12/2015 - 21:05 - Atualizado em 04/12/2015 - 14:35“O problema não é a crise mundial, é a escolha de políticas econômicas ruins”, disse sobre o atual momento brasileiro o economista Nilson Araújo de Souza, professor da Universidade Federal de Integração Latino-Americana (Unila). Para ele, o País caminha para uma depressão econômica e o principal problema seriam as altas taxas dos juros brasileiros. Ele foi o primeiro convidado do Ciclo de Debates Retomada do Desenvolvimento Econômico, promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a partir desta quinta-feira (3/12/15), no Plenário. Os debates terão continuidade na sexta-feira, a partir das 9 horas.
Para Nilson de Souza, a crise econômica, agravada agora, começou em 1981, quando o Brasil teria entrado em estagnação econômica. Segundo ele, houve momentos de baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nas últimas décadas, mas esse aumento foi, em média, de cerca de 2%. Essa percentual, ainda segundo o economista, é semelhante ao crescimento populacional, o que significa estagnação do ponto de vista de PIB per capita. Ele disse, ainda, que entre 1930 e 1980, o crescimento médio no Braisl foi de, aproxidamente, 7%.
O economista citou vários fatores para justificar o melhor desempenho do crescimento econômico entre as décadas de 1930 e 1980. “Primeiro, todos os governos desse período, especialmente os de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, tiveram um sério compromisso com o desenvolvimento”, disse. Nilson de Souza disse ainda esses governos pensavam a longo prazo e planejavam efetivamente as políticas públicas. Além disso, o professor citou o controle mantido sobre a economia nacional. “Não significa que não havia espaço para aporte financeiro internacional, mas havia controle da atividade produtiva e do mercado interno. A importação era complementar”, disse. Por fim, Nilson de Souza destacou o fortalecimento do mercado interno e o investimento em indústrias de base e infraestrutura, que teriam garantido a evolução das indústrias de bens de consumo.
A partir de 1981, de acordo com Nilson de Souza, começou uma era em que as crises mundiais passaram a ser enfrentadas com contenções de gastos, que significariam, por exemplo, redução de créditos e de salários. “Como resultado, tivemos a década perdida”, afirmou, explicando que esse contexto levou à redução nos investimentos em produção. Os governos sucessivos teriam, para ele, mantido esse caminho. “Fernando Henrique Cardoso valorizou a moeda nacional e reduziu as tarifas de importação. Funcionou para conter a inflação, mas inviabilizou a produção interna. Veio outra década perdida”, disse.
“De 1981 para cá, a estagnação não foi inevitável, foi consequência de escolhas”, afirmou o economista. Para ele, o maior problema é a alta taxa de juros. “Parcela grande do que é arrecadado vai para o pagamento de juros, foram mais de R$ 400 bilhões gastos com isso até setembro deste ano. Aí o governo tem que cortar gastos e aumentar impostos”, explicou. Além disso, Nilson de Souza disse que as altas taxas inibiriam investimentos em atividades produtivas e o dinheiro acabaria direcionado a atividades especulativas. “Nesse caminho, não há saída para crise. Já estamos em recessão e vamos entrar em depressão”, concluiu.
Fiemg defende parcerias público-privadas
Também participou do encontro o diretor financeiro da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Rômulo Rodrigues Rocha. Ele defendeu pontos considerados estratégicos pela instituição para mudar a realidade econômica a médio e a longo prazo. Primeiro, seria importante fortalecer o parque industrial e agregar valor aos produtos. Depois, aumentar a presença da iniciativa privada em estruturas sociais como escolas, presídios e estações de tratamento de esgoto, na forma de concessões e parcerias público-privadas (PPPs). Por fim, ele falou da necessidade de reordenamento espacial da economia e da reforma tributária.
O deputado Antonio Carlos Arantes (PSDB), autor do requerimento que deu origem ao encontro, disse que é preciso manter o otimismo e olhar para as boas iniciativas espalhadas pelo Estado. Ele salientou, ainda, que é preciso agregar mais valor aos produtos mineiros, como o café e o minério, além de reduzir a dependência desses poucos itens. O deputado Felipe Attiê (PP), por sua vez, criticou o Governo Federal por querer, em sua avaliação, controlar as forças do mercado. Já o deputado Geraldo Pimenta (PCdoB) destacou que, apesar do baixo crescimento econômico, houve distribuição de riqueza nos últimos doze anos no Brasil.