Comissão de Assuntos Municipais debateu o processo de implantação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais em Coronel Fabriciano
O deputado Paulo Lamac foi autor do requerimento para o debate
Caio Mário Bueno Silva contextualizou a criação da instituição

Campus do IFMG em Fabriciano depende de decisão do MEC

Lideranças do Vale do Aço se mobilizam para garantir implantação de unidade do Instituto de Educação e Tecnologia.

16/07/2014 - 15:53

A instalação de uma unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG) em Coronel Fabriciano (Vale do Aço) depende, agora, de portaria do Ministério da Educação (MEC). O anúncio foi feito em audiência da Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizada nesta quarta-feira (16/7/14) no município. A reunião, requerida pelo presidente da comissão, deputado Paulo Lamac (PT), debateu o processo de implantação da instituição na cidade.

Os procedimentos de instalação do instituto devem obedecer aos trâmites administrativos regulares, afirmou o reitor do IFMG, Caio Mário Bueno Silva. Ele ressaltou que existem ainda pendências nesse sentido. Silva explicou que a contrapartida do município, que consistia na doação de terreno e prédio, já foi concretizada; no entanto, para iniciar o funcionamento da instituição será necessária a realização de obras. A reforma predial, por sua vez, requer antes a publicação de portaria do MEC formalizando a criação da unidade.

Caio Silva disse que o projeto da reforma já está pronto e que o custo será de R$ 7 milhões. A licitação para dar início às obras só poderá ser feita com esse documento. Para obter a emissão da portaria, autoridades locais, estaduais e federais deverão somar esforços para pressionar o MEC a fim de regulamentar a criação do campus e, consequentemente, obter os recursos necessários para sua efetiva instalação.

Já o pró-reitor de extensão do IFMG, Lucas Magalhães, apresentou o anteprojeto da reforma predial para instalação da unidade. Ele descreveu a disposição de laboratórios, salas de aula, biblioteca, auditório, setores administrativos, refeitório, estacionamento, banheiros, entre outras estruturas. Magalhães ainda anunciou a pretensão de solicitar a realização de outra audiência pública no município para discutir com a população quais serão os cursos e o eixo tecnológico a serem oferecidos pela instituição.

A prefeita de Coronel Fabriciano, Rosângela Mendes Alves, ressaltou que foram tomadas todas as providências que cabiam à administração municipal. “Com toda dificuldade, abrimos mão do melhor prédio da prefeitura, a antiga sede da Secretaria de Saúde, para ceder ao instituto. Preparamos os documentos, formalizamos a doação. Mas estamos dispostos a voltar a Brasília para negociar essas pendências sem mais morosidade”, destacou.

IFMG pode trazer crescimento para a região

Para as autoridades locais, a implantação do campus do IFMG em Coronel Fabriciano trará desenvolvimento social e econômico para a região. A secretária de Educação e Cultura de Coronel Fabriciano, Glória Giudice, reforçou essa expectativa. “Temos 600 mil habitantes no Colar Metropolitano do Vale do Aço. A unidade do instituto tecnológico vai trazer novas oportunidades para um grande número de pessoas, sobretudo para a população de Coronel Fabriciano. O município, que é considerado uma cidade dormitório, passará a cumprir importante papel na formação dos nossos cidadãos”, afirmou.

O vereador Luciano Lugão da Silva destacou que a implantação do IFMG representa a concretização de um sonho. Ele disse que, embora a região concentre o segundo maior PIB (Produto Interno Bruto) de Minas Gerais, os investimentos federais na educação têm sido “acanhados”, em comparação com outras cidades como Governador Valadares. “Com o IFMG, esperamos reverter esse quadro e oferecer mão de obra qualificada aos nossos setores produtivos”, afirmou.

O deputado Paulo Lamac lembrou que, na década de 1990, era até mesmo proibida a existência de cursos técnicos de nível médio, o que prejudicou a formação técnica no País. “Os institutos tecnológicos vão motivar o crescimento do setor produtivo, com a profissionalização dos trabalhadores”, afirmou.

Já o presidente da Associação Comercial e Industrial de Coronel Fabriciano, Marco Túlio Lamounier, disse que sua expectativa era a de que o processo de instalação da unidade do IFMG estivesse mais avançado. “Estou frustrado, mas reconheço que as providências necessárias foram tomadas”, ressaltou.

Educação tecnológica pode mudar perfil da economia do País

Caio Mário Bueno Silva, reitor do IFMG, também contextualizou a criação da instituição. Segundo ele, os institutos foram criados com o objetivo de mudar o perfil da economia brasileira. De acordo com o reitor, o País encontra-se centrado em commodities, e esse modelo, embora proporcione recursos, não se mostra suficiente para impulsionar o crescimento econômico e tende a concentrar riquezas. “Só conseguiremos alterar o perfil da economia com a inovação tecnológica. E como vamos criar novas tecnologias e patentes sem escolas de qualidade?”, provocou. “Nossa aposta nos institutos de educação tecnológica é a de que, dessa forma, será viável transformar o País pela educação”, continuou.

O reitor disse ainda que esses institutos nasceram da necessidade de agregar os cursos técnicos já existentes, como os oferecidos pelos centros tecnológicos (Cefets), ao ensino superior, incluindo o pós-doutorado, para formação também de pesquisadores e docentes. As unidades oferecem vagas em cursos técnicos (50%) e em cursos de educação superior (50%). O IFMG possui, hoje, 21 unidades em Minas Gerais. No País, são 562.

A instituição - O IFMG é uma autarquia formada pela incorporação da Escola Agrotécnica Federal de São João Evangelista, dos Cefets de Ouro Preto e Bambuí e das Uneds de Formiga e Congonhas. É composto por doze campi: Bambuí, Betim, Congonhas, Formiga, Governador Valadares, Ibirité (em implantação), Ouro Branco, Ouro Preto, Ribeirão das Neves, Sabará, Santa Luzia e São João Evangelista. Há também os campi avançados de Piumhi e Ponte Nova (em implantação), além das unidades conveniadas de Pompéu, Oliveira, Bom Despacho e João Monlevade.

A instituição mantém pólos de ensino a distância nos municípios de Alfenas, Betim, Cachoeira do Campo e Cataguases e tem parceria para oferta do projeto especial do Proeja FIC nos municípios de Carandaí, Congonhas, Sabará, Iguatama, Perdões, Pompéu e Santa Bárbara. São disponibilizados mais de 60 cursos, além de pós-graduação. São promovidas também parcerias entre o IFMG e outras instituições de ensino superior para a realização de programas de mestrado e doutorado interinstitucional.