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01/06/2012 20h44

Especialistas apresentam alternativas sustentáveis

O uso do bambu como tecnologia social foi um dos destaques do último painel do Ciclo de Debates Rumo à Rio+20

O uso do bambu como matéria-prima na construção civil, alvenaria, agricultura e na produção de artesanato, trabalho desenvolvido pela organização não governamental Bambuzeria Cruzeiro do Sul (Bamcrus), foi o destaque do último painel do Ciclo de Debates Rumo à Rio+20 e à Cúpula dos Povos, que abordou o tema “Tecnologias Sociais como Alternativas Sustentáveis”. O evento aconteceu nesta sexta-feira (1°/6/12), no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

O presidente da ONG, Lúcio Ventania, narrou a experiência desenvolvida em 50 comunidades carentes de cinco regiões do país. Em 20 anos, mais de 10 mil pessoas foram capacitadas para atuar nas áreas de plantio, produção e comercialização de produtos feitos a partir dessa matéria-prima.

Um dos resultados do trabalho foi a produção em massa (cerca de 100 mil por mês) de cabides confeccionados a partir do material. “Exportamos para os EUA e a Holanda. Nosso projeto foi premiado e saiu até na capa da Vogue”, informou. Outro destaque foi a produção de cercas de bambu para uso em condomínio. “Investimos em produtos pequenos, de alto valor agregado e ecologicamente corretos”.

A experiência contribuiu para que Lúcio coordenasse outro projeto, o Centro de Referência do Bambu e das Tecnologias Sociais (Cerbambu), em funcionamento há três anos na região de Ravena. O objetivo é criar e manter condições para o desenvolvimento e consolidação da cadeia produtiva do bambu na região. Para isso, a iniciativa conta com núcleos de capacitação técnica, de tratamento de bambus, de compostagem, além de viveiros de mudas e estufa.

Entre as linhas de atuação do Cerbambu, está a de incentivo ao uso da planta para sequestro de carbono. “O potencial da planta é grande para esse fim. Queremos, também, suprir com bambu 5% do mercado mineiro de madeira para telhado, marcos, portas e janelas”, revelou. Está entre os objetivos do projeto a venda coletiva de créditos de carbono como fonte de renda para associações de pequenos produtores. O Centro também pretende lançar, em outubro uma linha de óculos feitos com bambu.

Cooperativismo e convivência com a seca

Valquíria Alves Smith, membro da Coordenadoria Nacional da Articulação do Semiárido Brasileiro e secretária executiva da Cáritas Brasileira/Regional de Minas Gerais, trouxe para o debate sugestões que podem ajudar a superar os efeitos da seca no semiário brasileiro. Para ela, as alternativas passam necessariamente por iniciativas que busquem o aumento da capacidade de estoque de água, alimento e forragem para animais.

Em sua apresentação, ela criticou a criação dos comitês de combate à seca. “Não se combate a seca, porque ela é cíclica, ou seja, vai sempre acontecer. A saída é traçar estratégias para se conviver com esse problema, o que pressupõe ações emergenciais e estruturais”, defendeu.

Valquíria também destacou que o país está atravessando a pior seca dos últimos 30 anos. Segundo ela, mais de 500 municípios foram atingidos, 93 deles em Minas Gerais. A palestrante também elogiou o programa federal “Água para Todos”, mas lamentou a burocracia na implementação das ações por parte de Estados e Municípios.

Já o presidente da Cooperativa de Trabalho dos Consultores e Instrutores de Formação Profissional, Promoção Social e Econômico, José Ailton Junqueira de Carvalho, ressaltou que o movimento das cooperativas está no contexto das discussões da Rio+20. “A ONU decretou 2012 como o ano internacional das cooperativas, alegando que elas ajudam a construir um mundo melhor”, afirmou.

Crianças - Outro participante do último painel do Ciclo de debates foi o coordenador da Regional Centro da Pastoral da Criança em Minas Gerais, Luiz Gustavo Honório. Ele citou como o organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), utiliza de tecnologias sociais para combater a mortalidade infantil, reduzir a incidência de doenças endêmicas e contribuir para melhorar a saúde de gestantes – três dos oito objetivos milênio estipulados pela Organização das Nações Unidas (ONU) para serem atingidos até 2015.

A instituição trabalha com uma rede de líderes comunitários e voluntários, que somam 220 mil no Brasil, para disseminar a prática e o uso de soluções baratas para melhorar a vida da população pobre do País. Uma delas, que repercutiu em todo o planeta, foi a disseminação do soro caseiro para combater a desnutrição.

Por meio de reuniões, campanhas e outras formas de mobilização, a Pastoral da criança estimula o cuidado durante a gestação, como o pré-natal, o aleitamento materno, a alimentação saudável, a vacinação e a saúde bucal, entre outras formas de manter a saúde e evitar doenças ou mortes prematuras. Também trabalha com alfabetização de jovens e adultos e educação para a cidadania. Para tanto, utiliza de material didático e informativo como jornais, panfletos, cartazes, guias, cartilhas, entre outras peças.

A Pastoral está presente em 13 países e atende, no Brasil a 1,4 milhão das mais de 9,6 milhões de crianças consideradas pobres no País.

Consultor defende mudanças estruturais

O consultor internacional em desenvolvimento sustentável e secretário executivo do Fórum Mineiro de Mudanças Climáticas, Milton Nogueira da Silva, elogiou as experiências apresentadas no painel, mas lamentou que nenhuma delas promove mudanças estruturais para alterar, de fato, a realidade do mundo. “Atacam emergencialmente a clientela atendida, de maneira econômica e com trabalhos de primeiríssima qualidade, mas mantêm o status quo (situação atual)”.

Milton Nogueira explicou que é necessário rever o atual sistema econômico que, em sua opinião, “é produtor de pobre”. Segundo ele, a proporção de miseráveis no planeta aumentou muito nos últimos 50 anos e a pobreza já está atingindo países ricos como Suiça, que já vive um processo de favelização em Munique. “O ponto central da Rio+20 será como reduzir essa máquina”, acredita.

Ele defendeu uma revisão da economia e o fim do “vício” do consumo de petróleo, carvão vegetal e carvão mineral, que devem ser substituídos por enegrias renováveis. “É preciso manter o conforto, sem passar os limites da própria natureza”.

Reclamou que os poderes públicos não atacam as causas dos problemas ambientais e das injustiças sociais. Ele advertiu para as mudanças que já começam a ocorrer no mundo com a mudança climática. “Cada vez mais teremos secas prolongadas e mais cruéis, epidemias cada vem mais longas e a diminuição da produção de comida. As mudanças estruturais ocorrerão, mas da pior maneira”, sentenciou.

O deputado Almir Paraca, que coordenou os trabalhos, em entrevista, afirmou que a preservação ambiental estar associada ao combate à pobreza. Para ele, as tecnologias sociais são soluções que podem combater a degradação e, ao mesmo tempo, gerar emprego, renda e incluir pessoas hoje à margem do desenvolvimento. “Espero que esse debate possa influir os delegados que estarão no Rio de Janeiro.


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