Assembléia homenageia Aureliano Chaves na segunda-feira (23)

O ex-governador Aureliano Chaves será homenageado pela Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais com uma Reuni...

23/06/2003 - 19:21
 

Assembléia homenageia Aureliano Chaves na segunda-feira (23)

O ex-governador Aureliano Chaves será homenageado pela Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais com uma Reunião Especial, no Plenário, no próximo dia 23 de junho, às 20 horas. O requerimento para realização da reunião é do deputado Dalmo Ribeiro Silva (PSDB), que disse que a homenagem "representa não somente a gratidão do parlamento de Minas a este grande mineiro, mas reconhece, de maneira especial, sua presença marcante na administração pública e seu maior compromisso, que foi com a moralidade". O presidente da Assembléia, deputado Mauri Torres (PSDB), irá presidir a solenidade. Antônio Aureliano Sanches de Mendonça, filho do ex-governador, irá discursar em nome da família.

Aureliano Chaves faleceu no dia 30 de abril, em Belo Horizonte, aos 74 anos. Nesse dia, o Plenário da Assembléia suspendeu os trabalhos em respeito à memória do ex-governador, que foi também vice-presidente da República (1979-1985) e ministro das Minas e Energia (1985-1989, no governo José Sarney). Vários deputados discursaram em Plenário lembrando a trajetória de Aureliano na política mineira e nacional. O presidente da Assembléia, deputado Mauri Torres (PSDB), declarou na data que "a morte do ex-governador Aureliano Chaves é uma perda irreparável para Minas Gerais e para o Brasil. Sua extensa e rica biografia, como político e homem público, mostra que ele esteve presente em momentos decisivos da história do país, de forma corajosa", afirmou. Mauri Torres lembrou ainda que "mesmo tendo construído grande parte de sua trajetória durante o regime militar, quando foi governador de Minas e vice-presidente da República, não podemos deixar de reconhecê-lo como um verdadeiro democrata."

Dados biográficos

Antônio Aureliano Chaves de Mendonça nasceu em Três Pontas, em 13 de janeiro de 1929. Era engenheiro mecânico e elétrico, com especialização em Organização Racional do Trabalho e em Segurança e Desenvolvimento. Foi professor da Universidade Católica de Minas Gerais. Iniciou sua carreira política no final da década de 1950, quando foi eleito suplente de deputado estadual pela UDN (para a 4ª Legislatura, 1959-1963), sendo efetivado em 1961. Ele renunciou ao mandato em outubro de 1962, para ocupar uma diretoria da Eletrobrás. Iniciava-se aí sua atuação pública ligada ao setor energético, onde teve destacada atuação até o fim de sua vida.

Em 1963, elegeu-se novamente deputado estadual para a 5ª Legislatura (1963-1967); foi novamente chamado para ocupar um cargo no Executivo e foi secretário de Estado do governo Magalhães Pinto, primeiramente na da Educação e depois na de Comunicação e Obras Públicas. Esteve vinculado a um dos centros de articulação do movimento que depôs o presidente João Goulart, em 1964. No final de 1965, com a reorganização do quadro partidário no Brasil, vinculou-se à Arena. Apesar de sua ligação com o regime militar, votou contra a cassação do mandato do então deputado federal Márcio Moreira Alves (hoje jornalista), que criticou o governo federal, no Congresso - o discurso e a cassação deram origem ao Ato Institucional nº 5 (AI-5).

Em março de 1975, assumiu o governo de Minas Gerais, indicado pelo então presidente Ernesto Geisel, cuja nome tinha apoiado para a presidência. Aureliano já começava, com isso, a externar sua identificação com as correntes políticas progressistas que pediam o fim do regime militar, a volta do governo civil e eleições diretas para a presidência da República.

Valorização do planejamento

Durante seu governo, nas mensagens que dirigiu ao Legislativo estadual, em 1976, 1977 e 1978, Aureliano acentuou a importância da modernização da máquina administrativa, que, na sua avaliação, devia ser capacitada a sustentar condições favoráveis para garantir e expandir investimentos de ponta na indústria e na agricultura, a despeito da crise econômica que já comprometia a continuidade do chamado "milagre econômico". Para racionalizar e melhor planejar a administração do Estado, Aureliano criou duas novas pastas: a secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação-Geral e a de Ciência e Tecnologia, ambas originárias de grupos de trabalho originários da Fundação João Pinheiro. Na sua gestão, também, foram criados vários setores visando o planejamento regional do desenvolvimento.

Em julho de 1978, renunciou ao cargo de governador de Minas Gerais para "concorrer" à vice-presidência da República, na chapa do general João Figueiredo, pela eleição indireta, conforme previa a Constituição Federal de então. O mandato começou em março do ano seguinte, pelo PDS e foi até março de 1985. Durante esse período, foi progressivamente identificando-se com as correntes políticas que ganhavam força no país, pedindo o fim do regime militar, a volta do governo civil e o restabelecimento de eleições diretas para a Presidência da República. Como vice-presidente, pelo PDS, partido do governo, afirmou-se como líder dissidente e defendeu a convocação de uma Assembléia Constituinte. Apoiou a candidatura e eleição de Tancredo Neves para a presidência da República, em 1984. No início de 1985, liderou a transformação da Frente Liberal em partido político, o Partido da Frente Liberal (PFL).

Nos últimos anos, mesmo sem ocupar cargos públicos, Aurelinao Chaves foi sempre ouvido e lembrado por defender posições nacionalistas claras e coerentes com o que julgava prioritário para o interesse público, do Brasil ou de Minas Gerais. Em maio de 2001 participou na Assembléia Legislativa do Ato Contra a Privatização de Furnas e, em junho do mesmo ano, do Ciclo de Debates "Colapso Energético e Alternativas para a Crise".

 

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