Laércio confirma denúncias em depoimento à CPI

O informante da polícia de São Paulo e autor das denúncias contra o deputado Arlen Santiago (PTB) e seu irmão, o empr...

24/04/2000 - 23:47

Laércio confirma denúncias em depoimento à CPI

O informante da polícia de São Paulo e autor das denúncias contra o deputado Arlen Santiago (PTB) e seu irmão, o empresário Paulo César Santiago, identificado como "Laércio da Cunha", prestou depoimento nesta terça-feira (18/04/2000) à CPI do Narcotráfico da Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Cumprindo uma pena de 18 anos, Laércio já havia prestado depoimento à CPI do Narcotráfico nacional, quando falou do envolvimento do empresário com o tráfico de drogas na região de Montes Claros e de ambos com o traficante Fernando Beira-Mar. A testemunha está sob a escolta da Polícia Federal.

Em seu depoimento à CPI mineira, Laércio reforçou as denúncias contra Paulo César Santiago. O informante afirmou que Minas Gerais é corredor do tráfico de drogas e de carros roubados. De acordo com Laércio, Paulo César Santiago é proprietário de uma loja de veículos no Rio de Janeiro, Riocar, e de outra em Montes Claros, Automontes, administrada pelo funcionário conhecido como "Pinduca".

Ele informou que conheceu o Paulo César Santiago quando comprou um veículo Kadet na Automontes por meio de Pinduca. Segundo Laércio, Pinduca lhe vendeu um carro sem documentação obrigando-o a procurar Paulo César Santiago na Riocar, sua loja de veículos no Rio de Janeiro, para trocar por um Tempra. De acordo com Laércio, Pinduca passou confiar nele e falar sobre o esquema da droga. Segundo o informante, os carros são carregados de drogas em Montes Claros e distribuídos para Rio de Janeiro e Fortaleza.

ARLEN SANTIAGO
Sobre o deputado Arlen Santiago (PTB), Laércio da Cunha reafirmou o que disse à CPI nacional, quando contou que viu o deputado e seu irmão com o traficante Fernando Beira-Mar no parque de exposições de Montes Claros. Ele acrescentou que, segundo informações repassadas por Pinduca, Beira-Mar investiu R$ 500 mil na campanha eleitoral de Arlen Santiago. "Nunca falei que ele é traficante, mas que ele estava no parque de exposições de Montes Claros com Fernando Beira-Mar", afirmou.

De acordo com Laércio, existe uma fita com imagens que comprovam o encontro do deputado e de seu irmão com o traficante, mas o proprietário da fita tem medo de denunciar. Segundo ele, outros funcionários como Antônio Silvestre, mais conhecido como "Pintado", e pessoas de Montes Claros sabem do envolvimento de Paulo César com o tráfico, mas não têm coragem de falar. "Tenho 18 anos de prisão para cumprir. O interessante para mim é denunciar o tráfico", disse. O informante relatou que, certa vez, foi preso junto com o filho do prefeito de Montalvânia, por envolvimento em roubo de caminhão. Segundo ele, a família do rapaz procurou o deputado Arlen Santiago que interferiu para libertá-lo em dois dias.

O presidente da Comissão, deputado Marcelo Gonçalves (PDT), disse ao depoente que o deputado Arlen Santiago (PTB) alegou não conhecer Fernando Beira-Mar. "É o direito dele. Eu também mentiria para me defender", respondeu, dizendo ter certeza que o deputado já conhecia o traficante. O deputado Sargento Rodrigues (PL) afirmou que Beira-Mar disse nunca ter ido a Montes Claros. Laércio respondeu que o traficante tem que defender quem lava o dinheiro dele. Questionado sobre o nome de outras pessoas envolvidas, Laércio disse que já tem uma lista com o deputado federal Cabo Júlio (PL), membro da CPI nacional, com o nome de todas estas pessoas.

TRÁFICO EM MONTES CLAROS
De acordo com Laércio da Cunha, era Pinduca quem recebia a droga de Paulo César Santiago. A mercadoria chegava de avião de 20 em 20 dias e era colocada nos carros para a distribuição. Segundo Laércio, Minas Gerais é um Estado com estradas pouco fiscalizadas, o que facilita o transporte de drogas e de veículos roubados. "Eu sou um ladrão sim, mas eu também gostaria que Paulo César Santiago parasse de matar crianças com sua droga", finalizou. A reunião foi transformada em secreta para que o informante prestasse depoimento à Polícia Federal.

De acordo com os deputados da CPI, a Comissão se reunirá em Montes Claros após o feriado da Semana Santa para ouvir mais pessoas envolvidas no caso.

REQUERIMENTOS
Durante a reunião foram apresentados os seguintes requerimentos:
· dois, do deputado Sargento Rodrigues (PL), que pede ao procurador geral de Justiça, Márcio Decat, informações sobre a promotora Sandra Fronlan, e convoca uma lista de pessoas de Montes Claros a prestar depoimentos naquele município;

· três, do deputado Paulo Piau (PFL), que solicita uma reunião da Comissão em Pouso Alegre, outra em Uberaba, e informações ao secretário de Segurança Pública, Mauro Lopes, sobre a liberação do traficante Waldomiro da Silva;

· um, do deputado Marcelo Gonçalves (PDT), pedindo a quebra do sigilo bancário de Rita Maria Motta Santiago e Laís Santiago, respectivamente, irmã e esposa do deputado Arlen Santiago (PTB), assim como de outros parentes. Ele também requer informações dos cartórios de Montes Claros sobre propriedades e procurações em nome destas pessoas;

· um, do deputado Rogério Correia (PT), que pede a quebra do sigilo telefônico de uma lista pessoas envolvidas com o tráfico em Montes Claros.

PRESENÇAS
Participaram da reunião os deputados Marcelo Gonçalves (PDT) - presidente; Paulo Piau (PFL); Rogério Correia (PT); José Henrique (PMDB); Marco Régis (PPS); Sargento Rodrigues (PL); Agostinho Silveira (PL); Dinis Pinheiro (PSD); Dimas Rodrigues (PMDB) e Márcio Kangussu (PPS).


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