Família de vidraceiro morto cobra agilidade na investigação
A Comissão de Direitos Humanos ouviu nesta terça-feira (23/11/1999), a requerimento do deputado Durval Ângelo (PT), p...
25/11/1999 - 07:20Família de vidraceiro morto cobra agilidade na investigação
A Comissão de Direitos Humanos ouviu nesta terça-feira (23/11/1999), a requerimento do deputado Durval Ângelo (PT), parentes do vidraceiro Marcelo Ribeiro dos Santos, morto em outubro do ano passado, após ter sido agredido por um policial militar, quando desembarcava de São Paulo no aeroporto da Pampulha. A mãe e a tia de Marcelo, Terezinha Ribeiro de Souza e Ivone Rodrigues Souza, vieram a Belo Horizonte para pressionar entidades ligadas aos Direitos Humanos e a Justiça do Estado para a agilização do processo que investiga as circunstâncias da morte do vidraceiro. Segundo o ouvidor de Polícia do Estado, José Roberto Rezende, que tem acompanhado as investigações e que também participou da reunião, o processo está em andamento no Primeiro Tribunal do Juri e a expectativa é que o julgamento ocorra até outubro do ano que vem.O deputado Durval Ângelo (PT) acredita que houve falhas e quer responsabilizar o Comando da PM. Segundo ele, o laudo do Instituto Médico Legal não registrou, à época, os hematomas na testa e nos olhos de Marcelo que, segundo testemunhas, caracterizaram a agressão. Também segundo Durval Ângelo, o Comando do 13º Batalhão da PM informou, no dia seguinte à morte do vidraceiro, que o policial Renato Pereira da Silva era inocente e que não tinha nada que o desabonasse em sua ficha, o que foi, depois, contestado pelo advogado de defesa da família.
De acordo com depoimentos, o vidraceiro desembarcou e se dirigiu ao balcão de informações da companhia aérea. Acusado de estar embriagado, foi conduzido por funcionários da Infraero até um policial militar. Trinta e quatro testemunhas, ouvidas durante as investigações afirmaram ter visto o policial estrangular Marcelo com uma chave de braço, até a morte. A família também questiona o laudo do IML emitido pelo Hospital de Venda Nova e que foi baseado em informações dos policiais. Também denuncia que o soldado não foi punido e continua trabalhando. A tia de Marcelo afirmou, durante a reunião, que não irá desistir enquanto Renato Pereira da Silva não estiver preso. Atualmente, o policial está desenvolvendo funções administrativas no 13º Batalhão da PM.
O deputado Durval Ângelo (PT) afirmou que irá trabalhar pela mobilização de entidades ligadas aos Direitos Humanos para que estejam presentes no dia 13 de dezembro no Primeiro Tribunal do Júri, quando será ouvido o policial acusado de matar Marcelo. "Vamos continuar a luta para que esse criminoso seja punido e expulso da PM", ressaltou o deputado. O deputado João Leite (PSDB), também lamentou o ocorrido e afirmou que a Comissão de Direitos Humanos vai continuar acompanhando as investigações.
Presenças - participaram de reunião da Comissão, os deputados João Leite (PSDB), que a presidiu, Durval Ângelo (PT), o ouvidor de Polícia do Estado, José Roberto Rezende, e as senhoras Terezinha Ribeiro de Souza e Ivone Rodrigues de Souza.
Responsável pela informação: Ana Carolina - ACS - 31-2907715