Pronunciamentos

VEREADORA CIDA FALABELLA, Vereadora – Belo Horizonte – MG

Discurso

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Reunião 4ª reunião ESPECIAL
Legislatura 18ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 01/04/2017
Página 29, Coluna 1
Evento Fórum Estadual para Debater a Reforma Trabalhista e seus Impactos para os Trabalhadores e o Mercado de Trabalho
Assunto TRABALHO EMPREGO E RENDA.

4ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 24/3/2017

Palavras da Vereadora Cida Falabella

Palavras da Vereadora Cida Falabella

Boa tarde a todos e a todas. Não vim preparada para falar porque sou uma parlamentar em aprendizagem. Sou uma mulher da cultura e do teatro, e o que me trouxe à Câmara Municipal de Belo Horizonte, junto à Áurea Carolina, a vereadora mais votada de Belo Horizonte, num projeto coletivo, de um mandato aberto, foi o golpe. O golpe que golpeou todos nós no ano passado, sobretudo a cultura, que foi desmontada com o primeiro ato do presidente Temer, que é muito simbólico, de acabar com o Ministério da Cultura. Isso diz muito da profundidade desse golpe. É um golpe na nossa alma, na alma do povo brasileiro. Foi por isso que escolhi estar no referido lugar, e posso dizer que me vejo como uma mulher em transição. Não sei se vou ficar lá para sempre, mas, neste momento, isso é necessário.

Gostaria de cumprimentar o deputado André Quintão, que preside esta audiência, e também os demais companheiros da Mesa, sem citar os nomes. Entretanto, faço menção especial ao Patrus, o nosso prefeito mais querido da cidade, que fez uma diferença enorme quando propôs, no seu governo, uma inversão de prioridades, e também por fazer da cultura um dos principais vieses do seu trabalho. Ele foi fundamental para esta cidade, e precisamos recuperar isso.

Pode parecer absurdo, num debate sobre reforma trabalhista e sobre reforma da previdência, falarmos de cultura, mas não é absurdo porque tudo passa pela cultura. Precisamos voltar a fazer um grande do-in cultural neste país, como propôs o ministro Gilberto Gil, no primeiro governo Lula, para fazer frente a esse golpe, que, na verdade, é uma sucessão de golpes, o desmonte de um país, de uma nação que mal começou a se compreender como parte de um processo civilizatório completamente violento. Logo que começamos a construir uma resposta para esse processo, fomos golpeados profundamente.

Gostaria muito de cumprimentar as minhas companheiras de Mesa, as mulheres, porque acredito numa democracia feminista. Quando formos pelo menos metade nas casas legislativas, haverá outra visão de país. Acredito numa política feita com mais afeto e com mais solidariedade. Esse golpe não esconde a sua face misógina, machista, e isso abala profundamente as mulheres. Na verdade, essa reforma e esse desmonte do Estado vai afetar sobretudo os nossos corpos, os corpos das mulheres indígenas, das mulheres quilombolas e das mulheres negras periféricas. É muito triste ver tudo isso, e concordo muito com a companheira Marília. Também gostaria de destacar a deputada Geisa, e, na pessoa dela, falo da alegria de ter essas mulheres companheiras na Mesa. Realmente precisamos ocupar os lugares, as praças e as ruas, todos os lugares possíveis para poder denunciar esse golpe, esse desmonte. Precisamos resistir e resistir. Não podemos ficar só na reação, mas precisamos nos reinventar. Além do mais, é um golpe triste que deixa todos tristes.

Resumindo, não podemos acabar com a nossa alegria, com a possibilidade de ter alguma alegria e esperança, senão estaremos aniquilados.

Conclamo todas e todos a persistir na alegria. Apesar de o golpe ser tão violento, devemos nos manter felizes e esperançosos, porque assim poderemos derrotar o que está aí. Muito obrigada.