VALENTINO RIZZIOLI, Presidente da Case New Holland - CNH - Latin America e Vice-Presidente do Grupo FIAT.
Discurso
Legislatura 16ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 20/11/2007
Página 74, Coluna 2
Assunto HOMENAGEM.
Observação O número que acompanha o Decreto Sem Número, constante no campo Norma Citada, é para controle interno, não fazendo parte da identificação da Norma referida.
Normas citadas DSN nº 2475, de 2006
50ª REUNIÃO ESPECIAL DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª LEGISLATURA, EM 12/11/2007
Palavras do Sr. Valentino Rizzioli
Exmo. Sr. Deputado Alberto Pinto Coelho, Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais; Exmo. Sr. Eduardo Lery Vieira, Presidente do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais - Indi -, representando o governo do Estado de Minas Gerais; Exmo. ex-Deputado Agostinho Patrús, Presidente desta Casa no período de 1995-1996; Exmo. Sr. Gilman Viana Rodrigues, Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Sr. Luiz Augusto de Barros, Vice-Presidente da Fiemg e Presidente do Conselho de Assuntos Legislativos; Sr. Roberto Luciano Fagundes, Vice-Presidente da Associação Comercial de Minas Gerais; Exmo. Sr. Bryan Bolasco, Cônsul da Itália; Exmo. Sr. Lycio Cadar, Presidente do Corpo Consular e Cônsul da República Árabe da Síria; Exmo. Deputado Estadual Agostinho Patrús Filho; minhas senhoras e meus senhores, boa noite!
Hoje é um dos dias mais felizes da minha vida. Posso encher o peito e dizer com orgulho: sou um autêntico cidadão mineiro. A minha história com Minas Gerais já vem de longa data. Esse caminho iniciou-se em 1969, quando o então Diretor da Fiat do Brasil, Dr. Franco Urani - que me dá a honra de sua presença na platéia - foi a Turim, na Itália, com o objetivo de recrutar um jovem engenheiro para fazer a montagem, em Belo Horizonte, de tratores adquiridos pelo governo de Minas Gerais. A escolha se caiu sobre mim que, em julho daquele ano, já estava de malas prontas para o Brasil. Primeiro, cheguei em São Paulo, onde, na época, ficava a sede da Fiat no Brasil, e, depois, em novembro, com a chegada da minha esposa Silvana, viemos para Belo Horizonte. Gostei de Minas Gerais desde o primeiro dia em que aqui coloquei os meus pés. Já faz tempo, mas lembro-me bem daquele dia. Lembro-me da primeira vez que vi esse céu azul iluminado pela luz intensa e viva de um sol brilhante, com nuvens brancas e horizontes amplos.
Um céu que eu não conheci em nenhum outro lugar do mundo.
Os primeiros contatos com Minas Gerais foram, para mim, deslumbrantes, porque a cada dia havia novas descobertas a fazer. Fiquei extasiado com tamanha vastidão de terras coloridas, como se fossem uma aquarela. A aquarela que eu imaginava que era o Brasil.
Como primeiro executivo da empresa, chegando direto da Itália para Belo Horizonte, o meu orgulho era comunicar que a Fiat iria fazer uma fábrica em Minas Gerais. Para minha surpresa, o comentário que ouvia era: “Que bom, vamos ter uma fábrica de fósforos Fiat Lux aqui, em Belo Horizonte”. Foi a partir daquele momento que, se os mineiros começaram a conhecer e a entender mais o Grupo Fiat, nossa importância econômica e social na Itália e na Europa, eu também tive a sorte de descobrir, a cada dia, as novas sensações que Minas Gerais e o seu povo me ofereciam: a mineridade e o povo mineiro, discreto, no início, mas sempre pronto a transmitir grandes sentimentos para os recém-chegados.
Que maravilhoso. Gente querida, de grandes tradições, preparada, gentil e de bom coração que aqui encontrei. Gente que hoje vejo aqui, nesta platéia, e que me dá a honra de estar presente nesta singela homenagem que os Deputados de Minas Gerais estão prestando-me em nome dos mineiros, que lhes outorgaram seus mandatos democráticos. Aqui, em Minas, aconteceram as minhas melhores realizações pessoais e profissionais. Foi aqui, em Minas, que nasceram os meus dois filhos, Cláudio e Fábio. Hoje, eu também sou filho de Minas. Foi aqui, em Minas, que se estabeleceu um perfeito equilíbrio entre as antigas tradições e a nova era industrial. A fábrica de tratores foi o primeiro investimento industrial da Fiat em Minas Gerais, e com ela foi possível o desenvolvimento de todos os outros investimentos do Grupo Fiat no Estado. Foi a partir desse momento que se iniciou também o processo de integração entre a cultura mineira e a cultura italiana e industrial, representada pelas empresas que estavam instalando-se no Estado.
Em 1975, deixamos o Brasil para morar, por cinco anos, em Chicago, nos Estados Unidos, onde a empresa tinha importantes fábricas de máquinas para construção da marca Fiat Allis. Foi nessa época que eu compreendi o significado da palavra portuguesa “saudade”. Em 1981, eu e minha família voltamos ao Brasil. Primeiro a São Paulo e, depois, finalmente às Minas Gerais. Os nossos filhos cresceram e se casaram também com mulheres mineiras. Hoje Silvana e Valentino são avós de Luca, Marina, Lara e Giulia. As famílias cresceram, a dos Rizzioli e a da Fiat também. Do embrião inicial, da fábrica de máquinas Fiat Allis, surgiram: a Fiat Automóveis, a Iveco, a Case New Holland, a Teksid, a Fiat Power Train, e a Magneti Marelli, entre outras, até formar um conglomerado de 15 empresas do Grupo, com mais de 31 mil funcionários no Brasil, além do vasto parque de fornecedores que aqui se instalaram.
Esse é o grupo Fiat: mineiro por própria escolha, mineiro por adoção dos mineiros.
Como o nosso Governador Aécio Neves gosta de lembrar, “temos uma Minas Gerais antes e outra depois da chegada da Fiat”.
Hoje o complexo industrial automotivo do Grupo Fiat é o maior do Brasil e da América Latina. O sucesso, sem dúvida, deve-se a três fatores fundamentais: a Fiat ter trazido a tecnologia automotiva; as autoridades mineiras, com a visão que lhes é própria, criaram o ambiente ideal e colaboraram para que as nossas empresas pudessem desenvolver-se; e o povo mineiro, com a própria preparação, inteligência e sensibilidade, conseguiu adaptar-se rapidamente às novas exigências de uma vida industrial moderna. Sem dúvida, esses três fatores fizeram com que o Grupo Fiat não tivesse pares entre os próprios concorrentes.
Caro amigo Agostinho Patrús, caro padrinho, tenho orgulho do título que me foi concedido. Se é verdade que o meu passado me liga à terra dos meus antepassados, à minha amada Itália, é também verdade que o meu presente e o meu futuro estão aqui, nas terras das Minas Gerais; terra de grandes nomes e de grande história que aprendi a amar: Aleijadinho, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Fernando Sabino, Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, entre outros nomes referenciais.
De agora em diante, tenho certeza de que nos meus descendentes sempre haverá um coração mineiro e o orgulho dessa herança, pois se é verdade que sou mineiro por adoção, meus filhos e netos já pertencem às montanhas, às Gerais, ao povo de Minas e às tradições.
Senhores, quantas belas lembranças desses mais de 30 anos vividos aqui com vocês. Lembranças que fazem o coração bater mais forte. Porém, gostaria de aproveitar este momento, nesta solenidade, para deixar registrada uma mensagem que vem do fundo do meu coração: que o Estado de Minas Gerais possa continuar crescendo, com harmonia, no caminho do desenvolvimento econômico e social do seu povo; que os nossos jovens tenham um futuro sempre mais promissor, com menos violência e mais amor; e que todos possam viver numa sociedade mais equilibrada, com valores fortes, justos e sinceros, que são os valores de Minas.
Obrigado, Minas Gerais; obrigado, Deputados, que me outorgaram esse título; obrigado, Presidente. Em especial, muito obrigado à minha família, que muitas vezes foi privada da minha presença por conta da minha dedicação ao trabalho. Obrigado à minha esposa Silvana e aos meus filhos, pelo apoio e pela constante dedicação. Preciso também agradecer o apoio de todos os meus amigos e colegas do Grupo Fiat, que tanto cresceu nestes 30 anos. Sem vocês, nada disso seria possível. Obrigado, sem distinção, a todos que fizeram essa caminhada comigo desde que aqui cheguei, em 1969. Tenham certeza de que todos vocês contribuíram muito para as minhas realizações. Hoje estou pleno de felicidade, porque sou um cidadão mineiro. De coração, já era; agora, sou mineiro de fato. Muito obrigado.