VALDIR RAUPP (PMDB), Senador pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro - PMDB - do Estado de Rondônia. Membro da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional.
Discurso
Comenta a importância da participação popular no processo orçamentário e
as propostas do Orçamento da União para a Região Sudeste para o exercício
de 2007.
Reunião
40ª reunião ESPECIAL
Legislatura 15ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 14/11/2006
Página 43, Coluna 2
Evento Seminário "Região Sudeste" da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional - Orçamento da União para 2007.
Assunto ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. ORÇAMENTO.
Legislatura 15ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 14/11/2006
Página 43, Coluna 2
Evento Seminário "Região Sudeste" da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional - Orçamento da União para 2007.
Assunto ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. ORÇAMENTO.
40ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 7/11/2006
Palavras do Senador Valdir Raupp
Deputados Rogério Correia, Vice-Presidente da Assembléia
Legislativa do Estado de Minas Gerais, representando o Presidente
da Casa; Gilmar Machado, Presidente da Comissão Mista do Orçamento
do Congresso Nacional; e Leonardo Monteiro, membro da Comissão;
Dr. Tadeu, Subsecretário de Planejamento, representando o
Governador Aécio Neves; Deputada Federal Maria do Carmo; demais
Deputados Estaduais; Presidentes de entidades representativas;
imprensa escrita, falada e televisada; minhas senhoras e meus
senhores, quero ressaltar a nossa grande satisfação de estar aqui,
em Minas Gerais, na Região Sudeste do nosso Brasil, discutindo os
rumos do Orçamento da União. Ao participar de uma audiência
pública de tal relevância para o processo orçamentário de nosso
país, registro minha enorme satisfação por ter sido indicado para
exercer o cargo de Relator-Geral do Projeto de Lei Orçamentária
para o exercício de 2007.
Entretanto, ao lado da satisfação, é imprescindível reconhecer
que o cargo de Relator-Geral nos impõe responsabilidades diante da
Nação: habilidade para lidar com demandas insatisfeitas e,
principalmente, capacidade para transformar as demandas sociais em
efetivas ações orçamentárias.
Este é o grande objetivo do nosso encontro aqui em Minas Gerais:
discutir com a sociedade civil organizada, por meio de
representações legitimamente constituídas, visando garantir a sua
participação no processo de elaboração do Orçamento da União para
o próximo exercício. Estão programadas cinco audiências - uma já
realizada ontem, no Sul, em Florianópolis -, sendo uma em cada
região do País, adotando o binômio `transparência e participação´
como nosso lema de trabalho frente à relatoria.
Em um regime republicano e democrático, é essencial preservar uma
relação equilibrada entre os Poderes, a qual perpassa o ciclo
orçamentário. O orçamento público constitui a expressão, através
da lei, das decisões políticas de alocação dos recursos públicos.
O Legislativo, representando formalmente o povo, deve opinar,
modificando as propostas apresentadas pelo Poder Executivo.
Obviamente, tal opinião deve estar embasada nas discussões com a
sociedade organizada.
Desse modo, o orçamento público pode tornar-se a peça de controle
do gasto público, impedindo aqueles não desejados, as prioridades
diferentes das definidas e as despesas em nível superior aos
recursos previstos. Ao mesmo tempo, ao cumprir a função de
planejamento das despesas prioritárias, o orçamento público
representa escolhas políticas que afetam a vida do cidadão.
A necessidade política de controle dos gastos, para evitar a
evolução descontrolada da dívida pública, e a transparência do
processo orçamentário, para tornar explícitos os efeitos
distributivos do Orçamento, têm feito com que a forma de
apresentar, executar e controlar os orçamentos torne-se cada vez
mais abrangente e complexa, exigindo uma infinidade de quadros e
demonstrativos.
Não vou abordar essa complexidade aqui. Na verdade, minha
participação nesta audiência é muito mais de ouvinte do que de
expositor. Mesmo assim, sinto-me na obrigação de fazer uma rápida
demonstração sobre os valores que vieram contemplados no Projeto
de Lei Orçamentária para 2006, encaminhado pelo Poder Executivo ao
Congresso Nacional, e as mudanças promovidas pelo Legislativo na
proposta final para a Região Sudeste.
No caso dos investimentos para o Sudeste, a proposta do Poder
Executivo - falo deste ano de 2006, que está em exercício - era de
R$2.000.000.000,00, e o Congresso Nacional passou para
R$3.240.000.000,00, ou seja, um aumento de 62%. Só quero destacar
o quanto é importante a discussão do Orçamento no Congresso
Nacional.
Já para as despesas de custeio, a proposta, que era de
R$15.200.000.000,00, passou para R$16.100.000.000,00, com aumento
de 6%.
A proposta orçamentária para 2007 contempla a Região Sudeste com
R$12.550.000.000,00, sendo R$2.170.000.000,00 para custeio e
R$10.380.000.000,00 para investimentos.
É claro que esses números aumentarão à medida que os 53 Deputados
Federais de Minas Gerais, os setenta e tantos de São Paulo e mais
os do Rio de Janeiro e do Espírito Santo alocarem suas emendas
individuais, que não estão sofrendo contingenciamentos. São
R$5.000.000,00 para cada parlamentar.
Esses são recursos mais fáceis de serem liberados. E mais as
emendas coletivas, que são emendas de bancada, com um valor maior.
Porém, são emendas um pouco mais difíceis de serem liberadas, que
exigem constantes negociações das bancadas federais, dos
Governadores, dos Prefeitos e até a pressão da sociedade
organizada e dos Vereadores para a liberação dos recursos. São
recursos importantes, principalmente para as cidades e Municípios
mais isolados e distantes, menos favorecidos pelo orçamento da
União. Antes de encerrar, quero apresentar, em breves palavras, os
grandes números da proposta orçamentária para 2007, encaminhada
pelo Poder Executivo, que é o motivo pelo qual estamos reunidos. (-
Lê:)
“O valor total da proposta é R$1.560.930.000.000,00, sendo
R$655.000.000.000,00 relativos ao refinanciamento da rolagem da
dívida pública, R$49.390.000.000,00 constantes do orçamento de
investimento das estatais e R$855.740.000.000,00 dos orçamentos
fiscais e da seguridade social.
São valores elevados, sem dúvida. Observa-se que, ao deduzir-se a
dotação destinada à rolagem da dívida, as despesas financeiras e
as transferências constitucionais aos Estados, ao Distrito Federal
e aos Municípios, obtêm-se as despesas denominadas primárias, cujo
valor atinge R$547.800.000.000,00.
As despesas primárias são aquelas destinadas a custear os gastos
com pessoal, de R$119.200.000.000,00, e benefícios
previdenciários, de R$181.300.000.000,00. As despesas correntes e
os investimentos, que são chamadas despesas discricionárias,
executadas por meio de atividades e projetos governamentais, somam
R$247.300.000.000,00.
Por outro lado, diminuindo-se as despesas primárias das receitas
primárias, obtém-se o resultado primário, que, grosso modo,
demonstra a capacidade do pagamento das dívidas anteriormente
contraídas por um país, no caso o Brasil.
O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2007, ainda em
tramitação no Congresso Nacional, estabelece um superávit de 4,25%
do PIB em 2007 para a União, os Estados e Municípios, sendo 2,45%
do PIB para o governo central, fiscal e seguridade social, o que
corresponde a R$56.200.000.000,00, e 0,70% do PIB para as estatais
federais, o que representa R$16.100.000.000,00. A rigidez do
orçamento pode ser medida pelas despesas obrigatórias, cujos
recursos não podem ser utilizados para atender a outros tipos de
despesas, em decorrência de determinação constitucional e legal.
Em 2007, as despesas primárias obrigatórias consomem 39% do
orçamento efetivo e 78,4% do total das despesas primárias.
As despesas discricionárias representam 10,7% do orçamento
efetivo e 21,6% do total das despesas primárias. O resultado
primário absorve 6,2% do orçamento efetivo e equivale a 12,5% das
despesas primárias. Observa-se que há pouca liberdade de
remanejamento de despesas dentro das próprias despesas
discricionárias, pois nelas estão abrigados o custeio da máquina
administrativa e alguns gastos sociais importantes. Estou falando
sobre a dificuldade que a Comissão enfrenta quando discute o
orçamento da União.
Relativamente a 2006, destacam-se os aumentos de 9,5% das
despesas primárias obrigatórias e de 10,3% das despesas
discricionárias, onde se situa grande parte dos investimentos
governamentais oriundos de emendas parlamentares.
Sem pretender esgotar o assunto e apenas para informar alguns
valores, estão previstos R$119.300.000.000,00 para despesas de
pessoal e encargos e R$101.800.000.000,00 para transferências
obrigatórias. No caso específico de investimentos e considerando
que as emendas parlamentares acrescentam recursos em investimentos
superiores - são R$3.500.000.000,00 da reserva de contingência
primária contida na proposta para 2007, destinada a acolher
emendas -, o valor pode subir no mínimo para R$19.700.000.000,00,
inferior em R$1.600.000.000,00 ao autorizado em 2006.
Finalmente, acompanhar e fiscalizar a execução orçamentária e
discutir o conflito programação “versus” execução no bojo dos
mecanismos de acompanhamento e fiscalização preceituados na Lei de
Responsabilidade Fiscal - o Congresso não deve abrir mão da LRF,
que organizou e deu equilíbrio fiscal e econômico aos Estados,
Municípios e, por que não dizer?, à Nação brasileira - fortalece a
instituição do orçamento público, símbolo e fundamento das
modernas democracias.
O realismo orçamentário, o esforço para a definição de critérios
e prioridades terá como resultado uma maior valorização da Lei de
Meios e a qualificação da ação congressual, sob pena de se
transferir à administração, durante a execução orçamentária, todo
o poder efetivo de eleger ações e projetos prioritários.
O Senado Federal, o Tribunal de Contas da União e a Controladoria-
Geral da União, entre outras instituições - a Câmara dos Deputados
entra esta semana -, possuem informações relativas à matéria em
seus sítios na internet, em diversos níveis de complexidade, que
por certo serão eficazes no acompanhamento e fiscalização dos
gastos públicos. Muito obrigado, Sr. Coordenador.
O Sr. Coordenador - Obrigado, Senador Valdir Raupp. O Ministério
do Planejamento está participando de todos os seminários. O nosso
Assessor da Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do
Planejamento e Gestão, Márcio Luiz Albuquerque, disporá de até 10
minutos para a sua exposição. Além de participar na exposição, o
Ministério do Planejamento também está recebendo as demandas. O
Ministro Paulo Bernardo tem sido muito correto nesse processo de
ouvir as solicitações. Estamos enviando as demandas ao
Planejamento, que nos ajudará a encaixar algumas entre as que já
foram estabelecidas como prioridade para o País. Com a palavra, o
nosso representante Márcio Luiz Albuquerque Oliveira, por até 10
minutos. Mais uma vez, agradeço ao Ministro Paulo Bernardo a
participação nos seminários.