SÉRGIO BARBOSA., Gerente do Núcleo de Gestão de Informação da Agência Nacional de Água - ANA.
Discurso
Comenta o trabalho desenvolvido pela Agência Nacional de Água - ANA,
como parte do tema "Água: conhecer para administrar - a importância do
sistema de informações".
Reunião
4ª reunião ESPECIAL
Legislatura 15ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 01/04/2006
Página 64, Coluna 2
Evento V Fórum das Águas para o Desenvolvimento de Minas Gerais.
Assunto RECURSOS HÍDRICOS. MEIO AMBIENTE.
Legislatura 15ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 01/04/2006
Página 64, Coluna 2
Evento V Fórum das Águas para o Desenvolvimento de Minas Gerais.
Assunto RECURSOS HÍDRICOS. MEIO AMBIENTE.
4ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 22/3/2006
Palavras do Sr. Sérgio Barbosa
Bom dia a todos. Agradeço a oportunidade de falar um pouco sobre
o trabalho que a Agência Nacional de Águas está desenvolvendo
dentro do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos.
É um instrumento importante, previsto na Lei Federal nº 9.433.
Estamos trabalhando em várias frentes. O nosso objetivo é
exatamente o tema da palestra: “Água: Conhecer para Administrar”.
Para conhecer, devemos organizar as informações existentes e dar-
lhes visibilidade, além de estruturá-las em bancos de dados e
ferramentas de consulta e análise.
Administrar traz a necessidade não apenas do conhecimento dessas
informações, mas também de sua evolução dentro da estrutura de um
sistema de informações.
O SNIRH busca uma integração institucional entre a sociedade e os
governos federal e estadual. Como coordenadora do Sistema Nacional
de Informações, previsto na lei das águas, cabe à ANA a
implementação desse sistema, que busca uma construção conjunta,
participativa e descentralizada. Esses são os fundamentos básicos.
Estão trabalhando conosco os governos estaduais e a sociedade
civil, por meio de comunidades científicas. Temos 4 redes de
pesquisa e 19 instituições de pesquisa em todo o Brasil, que estão
trabalhando dentro da proposta do Sistema Nacional, que também
conta com o apoio do Ministério de Ciência e Tecnologia e com o
fundo CT-Hidro.
Os objetivos básicos do SNIRH são: coleta e divulgação de
informações e atualização permanente dessas informações. Aí entra
o conhecer, porque é preciso ter as informações sempre
atualizadas. O administrar também necessita disso.
Além disso, ele tem de ser um instrumento que forneça subsídios a
planos e que seja um ponto de referência para o desenvolvimento de
outros instrumentos. Isso se integra às necessidade da
administração e dos recursos. Os próprios objetivos, como eu
disse, estão previstos nos incisos e artigos da Lei nº 9.433, que
trata da coleta, divulgação, atualização e fornecimento. O
trabalho da Agência é fazer cumprir os requisitos previstos na lei
das águas.
O Sistema contém a proposta de divisão em módulos. O módulo de
topologia hídrica seria a parte referente a uma rede hidrográfica
nacional. O módulo de dados qualiquantitativos traria as
informações sobre qualidade e quantidade da rede
hidrometeorológica. O módulo de oferta hídrica e operação
hidráulica traria a contribuição das redes de pesquisa integradas
ao desenvolvimento do Sistema Nacional. O módulo de regulação de
uso abrange os instrumentos da gestão: outorga, fiscalização e
cobrança pelo uso da água. Haveria ainda o módulo de planejamento
e gestão e o módulo documental.
É bom que esse sistema tenha uma integração com os entes
estaduais. Essa integração com todos os gestores é importante,
porque não existe administração só das informações da União, sem
as informações dos usuários estaduais. A própria gestão de uma
bacia dá-se de forma integrada. Para que atuemos juntos na gestão,
precisamos desse nível de informações harmonicamente
compartilhadas com os Estados.
O módulo de topologia hídrica armazena a estrutura topológica
relativa à rede hidrográfica. A idéia é que, a partir dessa rede,
consigamos associar e disponibilizar as demais informações
necessárias a essa gestão de recursos hídricos. Ela usa um
conceito nomeado de hidrorreferenciamento. Na verdade, é uma base
cartográfica extraída da cartografia do Brasil ao milionésimo. Ela
é georreferenciada e tem uma estrutura topológica de rede levada
para uma estrutura de banco de dados. Ela também usa esse conceito
para essa função integradora. A partir daí é que se consegue
extrair e associar informações, buscando a jusante ou a montante
de determinado ponto.
Esse módulo tem um conteúdo de informações nativas, que são as
informações topológicas descritas nessa estrutura da rede.
Trabalha também com informações agregadas, que são as advindas de
outros módulos do sistema, e as informações referenciadas, que são
associadas a essa rede pela codificação do hidrorreferenciamento.
A codificação do hidrorreferenciamento é a Codificação de Otto,
que é aplicada a essa rede hidrográfica para que se tenha toda a
codificação de um trecho ou de um rio todo associado a uma bacia
hidrográfica.
Esse módulo tem basicamente três tabelas que associam toda essa
topologia. Nelas estão as informações nativas, que correspondem a
trechos de rios com o código da bacia; as informações sobre esses
rios, como a área da bacia, a dominialidade, o comprimento, a
extensão desse trecho; e as informações sobre a relação espacial,
ou seja, a própria topologia da rede.
Essas informações agregadas vão gerar tabelas que relacionam os
trechos a essa grandeza. Agregam-se as informações advindas de uma
outra unidade de informação a essa rede, para que se consiga
recuperá-la como consulta a montante ou a jusante de determinado
ponto e fazer a análise da sua bacia. Essa agregação poderia ser
feita tanto em um trecho como a montante dele, ou por meio das
duas formas de agregação de informações.
Essas informações agregadas indicariam o módulo de topologia.
Teríamos um código desse hidrorreferenciamento que identifica o
trecho de uma rede hidrográfica, um trecho do rio ou o próprio
rio. Assim, têm-se as informações desses outros módulos
finalísticos ou mesmo de um provedor externo de informações.
Essa informação passaria a ser agregada a essa rede, mudando a
sua unidade básica.
Outra maneira de trabalhar com essas informações é fazer o
referenciamento delas. Da mesma forma, teremos o código da
informação e os módulos complementares. Mas essa informação será
somente referenciada a esse trecho para fazer a busca em estrutura
de bancos de dados.
Aqui, temos a estrutura desse módulo de topologia, que é essa
base do referenciado com as suas ferramentas de construção da
topologia e associação de informações; a base de informações
agregadas; a base de informações referenciadas; a visualização,
pois aí entra toda a parte de consulta dessa base; e,
principalmente, o trabalho de intercâmbio de informações com os
gestores estaduais. Sem essa parte do sistema, não conseguiremos
avançar dentro dessa estruturação e organização para esse trabalho
integrado. A idéia proposta dentro do sistema de informações é
para que aqueles que forem da área de informática trabalhem com
“web services”, que são serviços de publicação de informações para
a integração com os demais sistemas estaduais e a troca dessas
informações.
O outro módulo é o de dados qualiquantitativos, que armazena as
informações de qualidade e quantidade oriundas do monitoramento
hidrometeorológico, os dados advindos da rede e as informações da
operação hidráulica de reservatórios.
Aqui, estão os dados que a Fabrizia citou, da rede
hidrometeorológica, da operação dos dados estaduais integrados
nessa rede nacional; os dados de qualidade da água, os projetos de
qualidade, que são monitorados e integrados às estações de
monitoramento; os dados de operação hidráulica desses
reservatórios; e os dados de séries naturais, de vazões
reconstituídas, que compõem as séries históricas desse banco em
que será feita toda a análise de disponibilidade existente nos
cursos d´água para os instrumentos de regulação. Aplicação básica
deles são os dados históricos referenciais para suporte;
determinação de vazão de referência para o suporte e a outorga; e
projetos em estudo de interesse econômico e ambiental. Aqui, temos
uma modelagem desse banco de dados. Hoje, há o banco de dados do
Hidro, que é utilizado por vários Estados, inclusive por outros
países. A idéia é fazer uma reestruturação nesse banco, para que
comece a aceitar novos tipos de informações. Há um trabalho de
padronização e normatização dessas informações. Essa proposta de
normas e padrões para esse banco de dados qualiquantitativos é um
trabalho desenvolvido dentro do Sistema Nacional em conjunto com
uma rede de pesquisa, que é coordenada pela Cope do Rio de
Janeiro. A idéia é que esse trabalho tenha métodos de
consistência, equipamentos, procedimentos de coleta e análise,
principalmente para qualificar a informação que estará disponível
no sistema.
Sistema de gerenciamento de base de dados. Novamente, há a
necessidade do intercâmbio de informações e a parte de operação
dessa rede hidrometereológica, de que a Fabrizia falou. Todos
sabem da grande dificuldade que é a operação dessa rede. Com a
extensão territorial do Brasil, realmente são necessários recursos
para essa operação.
Dentro da estrutura de módulos, temos a normatização e a
padronização, que compõem o levantamento e a compilação de normas
e padrões de certificação; toda a parte de metodologia e modelos
operacionais existentes que possam ser aplicados na descrição dos
processos; e um manual que oriente esse trabalho para que todos
tenham a orientação desses processos descritivos, dessas normas,
desses padrões e certificações que serão aplicados nesses dados de
qualidade.
Aqui, a parte do sistema de gerenciamento, a reestruturação dos
aplicativos hoje existentes dentro da Agência para esses estudos e
o Hidro, que é o sistema hoje existente. Logo abaixo dos textos,
todos os Estados que utilizam esse sistema, que baixam as
informações da Agência com essas informações.
Do lado direito estão os países, como o Japão, que baixam essas
informações do Brasil para análise a partir desse sistema. É
preciso estar muito atento aos objetivos do desenvolvimento desse
módulo, dessa reestruturação, bem como aos usuários do sistema,
porque daremos visibilidade às informações existentes.
Vemos aí a parte de intercâmbio de informações. Volto a dizer que
esse é o ponto crucial do sistema, que se une aos sistemas dos
gestores estaduais, proporcionando uma gestão integrada do
processo.
Por fim, a operação da rede, o módulo de operação hidráulica, que
serve para disponibilizar e centralizar as informações para
planejamento de outorga da operação hidráulica.
Aqui estão as outras três redes de pesquisa que estão trabalhando
conosco. Uma delas é a rede coordenada pela Universidade Federal
de Viçosa, que trabalhará na parte de regionalização de vazão
propondo modelos. A outra rede de naturalização de vazões é
coordenada pela Universidade Federal Fluminense. Por fim, a rede
coordenada pela Universidade Federal da Paraíba, que desenvolve
modelos de integração de chuva e vazão. Além disso, essas redes
trabalham com todas as ferramentas de apoio, a parte de estimativa
de uso e as simulações de operação hidráulica.
Essa é a proposta desse módulo, que busca integrar os modelos
desenvolvidos pela comunidade científica a fim de trabalharmos as
informações medidas na rede de qualidade e quantidade das águas.
O módulo de regulação de uso reúne as informações sobre o uso de
recursos hídricos em todo o território nacional. Sobre os
processos associados a esse módulo, há o cadastro nacional de
usuários de recursos hídricos, já implementado hoje. Esse sistema
foi desenvolvido pela Agência. Por meio do seu “site”, é possível
acessar as informações desse cadastro.
Esse sistema já está sendo aplicado no cadastro da Bacia do Rio
São Francisco e também nos cadastros das Bacias dos Rios
Piracicaba, Capivari e Jundiaí, que possuem uma parte mineira. A
parte mineira do cadastro dessas bacias está sendo aplicada pelos
usuários federais.
Estamos migrando as informações do Rio Paraíba do Sul, que foram
desenvolvidas dentro do sistema integrado que faz a gestão da sua
bacia em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, existem
nesse cadastro outras ações que contam com a participação de
outros Estados, até mesmo Minas, para a integração das suas
informações, a fim de que seja um cadastro nacional. Dessa forma,
as informações mínimas e necessárias sobre o usuário serão
definidas por esse cadastro, para que todo o Estado possa avançar
com aquelas informações complementares. O objetivo desse cadastro
nacional é ter a visão dos usuários de recursos hídricos em todas
as bacias.
Esse módulo é o de outorga de uso, ou seja, o módulo de cobrança
nos usos dos corpos hídricos de domínio da União. Essa cobrança já
está implementada e aplicada ao Piracicaba, Capivari e Jundiaí, o
chamado PCJ, e também ao cadastro de usuários.
Por fim, o módulo de fiscalização, o recebimento e a
disponibilização dos dados de usuários aos gestores de maneira a
permitir a coerência no exercício da regulação. A estrutura desse
módulo consiste em cadastro, outorga, cobrança, arrecadação e
fiscalização.
Vemos agora o detalhamento do cadastro nacional. Vou passar
rapidamente por esse módulo. Na página da ANA há um fórum sobre
isso. Basta os senhores consultarem o seu “site” para obterem
maiores informações sobre o modo como está desenvolvido esse
cadastro. Ele baseia-se principalmente na definição de um
empreendimento integrado em que todas as captações e lançamentos
estarão associados a uma finalidade específica ou a todo o
empreendimento. Dessa forma, todas essas informações de captação,
sejam elas de domínio da União, sejam elas de domínio do Estado,
assim como os seus lançamentos, poderão ser feitas de forma
integrada.
O módulo de planejamento e gestão faria o acompanhamento físico e
financeiro do planejamento por bacia. Além disso, aumentaria e
daria visibilidade aos processos de planejamento de uma bacia
hidrográfica. Funcionaria como uma base para o sistema de gestão,
as ações de comitês de bacias e outros órgãos gestores. Assim,
obteríamos toda a parte de entrada e alteração de informações
sobre a estrutura de planos, todos os dados sobre a evolução
física e financeira de ações nesse plano e nessa bacia, que é uma
dificuldade que enfrentamos.
São muitas ações descentralizadas, e não temos conhecimento do
que se investe em cada bacia ou de como registrar essas
informações. Obviamente, dependeremos do trabalho integrado para
fazermos as informações chegarem até o sistema. Não adianta termos
o sistema se não trabalharmos para alimentá-lo com informações.
Além dessas finalidades, esse módulo teria a parte de análise e
pluviologia. Trabalhamos com a qualidade da água, com a criação de
indicadores, de balanço de cargas poluidoras; enfim, essa parte
destina-se à gestão de recursos com todo o arcabouço legal e a
parte institucional, instrumentos e investimentos nessa área, os
setores usuários, toda a parte de saneamento, de barragem e de
irrigação, os demais setores integrados.
Trabalhamos com prevenção e análise de eventos críticos, como
anomalias e precipitações, índice de aridez, e com a
caracterização da ação antrópica.
Por fim, o módulo documental serviria para armazenar uma base de
dados sobre os documentos referentes aos recursos hídricos de
maneira distribuída.
Hoje, na Agência há o Sistema de Gerenciamento Eletrônico de
Documentos - GED -, que registra boa parte das informações, e um
centro de documentação que as organiza. Que isso evolua para um
sistema de gerenciamento de conteúdo e que possamos tratar essas
informações, disponibilizando-as para a unidade de uma bacia
hidrográfica.
Quanto aos processos associados, há sempre a necessidade dessas
informações.
Já foi iniciada a parte de desenvolvimento desse sistema
nacional. A empresa que está trabalhando conosco é o Centro de
Estudos de Sistemas Avançados, de Recife, que opera a parte de
implementação das funcionalidades. Já iniciamos no ano passado a
etapa de entendimento dessas necessidades e estamos finalizando um
relatório sobre ela. A partir do mês de abril, no mais tardar em
maio, iniciaremos o desenvolvimento desses módulos. A idéia é
trabalharmos o sistema em módulos e, à medida em que chegarem as
informações, as funcionalidades e as ferramentas,
disponibilizarmos esses módulos gradativamente.
Temos ainda um trabalho de organização das informações
hidrometereológicas. Há um “link” para acessá-las no “site” da
ANA: snirh.ana.gov.br. Obrigado.
- No decorrer do pronunciamento, procede-se à apresentação de
“slides”.