Pronunciamentos

PEDRO MÁRIO RIBEIRO, Representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais - Fetaemg e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura - Contag

Discurso

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Reunião 4ª reunião ESPECIAL
Legislatura 18ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 01/04/2017
Página 33, Coluna 1
Evento Fórum Estadual para Debater a Reforma Trabalhista e seus Impactos para os Trabalhadores e o Mercado de Trabalho
Assunto TRABALHO EMPREGO E RENDA.

4ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 24/3/2017

Palavras do Sr. Pedro Mário Ribeiro

Palavras do Sr. Pedro Mário Ribeiro

Boa tarde a todos. Tentarei ser breve. Neste momento, abro mão das formalidades em respeito a quem nos acompanha pela TV. Agradeço especialmente aos companheiros dos sindicatos presentes.

Tenho 60 anos e nunca na minha vida ouvi falar que se aumentam postos de trabalho permitindo o aumento da jornada. Ou eu estou doido ou lá estão doidos. Essa é a realidade. Sou do campo. Nosso ponto de vista é de onde estou. O trabalhador rural de safra nunca vai sair do contrato de experiência. Vai acabar. Ele começa e termina a safra no contrato de experiência. A situação é crítica em geral e, no campo, vai pesar ainda mais.

Essa é uma decisão brilhante para os trabalhadores, mas só quem não sabe disso são os trabalhadores. Eles não enxergam assim. Eles enxergam essa decisão como perversa. Empregadores estão contentes. A Rede Globo, como acabou de citar o meu xará, está achando ótimo. Então, só quem não sabe disso são os trabalhadores. Só falta dizer que essa tomada de decisão gera emprego. O maior absurdo do mundo! Se não der resultado, se não gerar emprego – e vamos jogar todos esses direitos para um lado, para um canto, vamos quebrar tudo –, com quem vamos tratar depois? Com o Ministério do Trabalho? Vão acabar com o Ministério do Trabalho porque gera emprego? E se não der certo? Como já disse o presidente do Congresso, depois, o que vamos fazer? Vamos acabar com a Justiça do Trabalho, porque ela não tem mais sentido e, acabando com ela, gera-se emprego. E se não der certo? Vamos acabar com os trabalhadores.

No rumo que vamos, talvez este seja o caminho: criar uma subcategoria que não seja de trabalhadores para dizer que agora há emprego, porque colocaram uma subcategoria lá embaixo. Temos de negar chamar isso de reforma. Temos de ter essa atitude.

A cada crise, este governo olha para os trabalhadores como se eles fossem culpados de tudo. Neste momento, circula nas redes sociais que há trabalho degradante em Minas, inclusive no Sul de Minas, minha região. É capaz de este governo dizer que o culpado do trabalho degradante é o trabalhador. Existe trabalho degradante porque o Estado não cumpriu o seu dever. Agora que tudo ficará muito mais complicado, muito mais perigoso, vamos esperar que o Estado cumpra o seu dever? A CLT é arcaica, mas ainda existe trabalho degradante. A CLT é uma coisa do passado, mas no campo ainda existe muita coisa acontecendo fora dessa CLT que dizem ser arcaica, pois muito dela não foi posto em prática.

O desafio está lançado: que abramos os nossos olhos, pois o próximo passo será enfraquecer o movimento sindical, enfraquecer a sociedade organizada, porque é desse campo que ainda hão de sair e vão sair mais políticos respeitados e que realmente defendam os trabalhadores. Por isso, querem o desmonte do movimento sindical.

O desafio está feito: que as centrais sindicais, e aqui também represento uma, passem, a partir deste momento, a entender que cada vez mais a disputa capital e trabalho está dada, está definida, está jogada, e precisamos ir para dentro desse jogo. Agora precisamos ir para dentro desse jogo e cumprir o nosso papel. Precisamos ir para as ruas, precisamos ir para o enfrentamento, ou vão passar por cima de nós.

Que vençam os trabalhadores.