Pronunciamentos

NEWTON CARDOSO, Governador do Estado de Minas Gerais no período de 1987 a 1991.

Discurso

Transcurso dos 50 anos de fundação do Partido do Movimento Democrático Brasileiro - PMDB.
Reunião 8ª reunião ESPECIAL
Legislatura 18ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 13/04/2016
Página 16, Coluna 1
Assunto HOMENAGEM.
Proposições citadas RQO 2447 de 2016

8ª REUNIÃO ESPECIAL DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 4/4/2016

Palavras do Sr. Newton Cardoso

Palavras do Sr. Newton Cardoso

Meu caro presidente da Assembleia Legislativa, deputado Adalclever Lopes, que tem sido, nesta Casa, um novo Metternich, da Áustria, pela sua competência, pela organização interna desta Casa, levando ao consenso; e sobretudo pela paciência de representar o PMDB nesta Casa e todos os demais companheiros.

Caríssimo vice-governador do Estado, Antônio Andrade, presidente do meu partido, hoje homenageado com muita alegria por nós; deputado federal Newton Cardoso Júnior, representando a Câmara dos Deputados em Brasília; conselheiro Sebastião Helvécio, que, com muita alegria, foi secretário de Saúde em uma época em que não havia chikungunya, nem o Aedes aegypti, graças a Deus; caro secretário de Estado de Governo, Odair Cunha, representando o governador do Estado; meu prezado companheiro deputado João Alberto, autor do requerimento, filho do nosso companheiro de feliz memória, João Bosco Murta Lages, que tive o prazer de indicar para o Tribunal de Contas, e também neto do Prof. Lages, meu professor na Escola de Direito; caro Antônio Júlio, presidente da AMM; Bruno Júlio, meu líder do PMDB jovem; PMDB nacional jovem; PMDB Afro; PMDB Mulher; deputados federais; deputados estaduais; prefeitos; lideranças de Minas Gerais; vereadores; minhas senhoras e meus senhores; gostaria de contar uma história.

Há 50 anos, Sr. Presidente, fui visitado na Magnesita, minha empresa, pelo Tancredo Neves, pelo Nogueira da Gama e pelo Jorge Ferraz, que estavam com um livro nas mãos. Era um livro para eu assinar, com a ficha do MDB. Assustado com aquele livro grande, pois não existia ficha, assinei o livro do PMDB para me candidatar a prefeito de Contagem, a convite do Nogueira da Gama, senador e presidente do MDB de Minas Gerais. Foi uma longa história. Quando hoje o PMDB recebe essa placa, sinto-me também honrado, pois essa história faz parte da minha vida. Naquela época, o PMDB era um partido de coragem: ele apoiava todas as siglas de esquerda que não podiam aparecer na época. Em seu grande guarda-chuva, cabia o PCdoB – o PT ainda não existia, mas havia uma esquerda atuante; abrigávamos todos com a força democrática.

Fui eleito prefeito, Sr. Presidente. Éramos 16 prefeitos em Minas Gerais, e o Itamar Franco era prefeito de Juiz de Fora. Éramos a resistência democrática corajosa. Ulisses Guimarães nos procurou para uma anticandidatura, enfrentando a ditadura. Fomos recebidos com cassetetes e cachorros, pois éramos um partido de coragem enfrentando a ditadura. Enfrentei tudo. Em Contagem, encontrei uma cidade pobre, com uma poluição imensa, mas o PMDB soube governá-la.

Sr. Presidente, no governo do Estado, honrei as tradições do partido e convoquei as lideranças jovens para o Estado, gente capaz e competente. E o PMDB soube apresentar ao Estado um governo construtivo, com estradas, hidrelétricas e tudo de que Minas precisava e sonhava.

Combatido fui, mas hoje me sinto engrandecido, porque aqueles bandidos, aqueles que se aureolam como santos hoje estão condenados, e meu nome, felizmente suportando, transpôs uma campanha pesada do governo do Estado de Minas com a cabeça erguida e corajosa. Isso seria um processo em minha vida pública, e hoje estamos diante de uma situação difícil.

Este auditório não comporta uma crítica em razão da nossa festa, mas tenho muita preocupação quando falam em cidadania. Usam essa palavra como se fosse água. O que é cidadania? Cidadania é uma expressão greco-romana usada para defender os ricos contra os pobres. O cidadão era o opressor contra os pobres; o cidadão era o nobre, mas essa palavra hoje é usada como se fosse signo de autenticidade e de respeito.

Ouço, a cada minuto, as palavras “Estado Democrático de Direito”; isso está em todos os jornais; toda a esquerda e a direita usam essa palavra. O que é isso? Estado Democrático de Direito é a inflação que está aí corroendo o bolso do povo brasileiro, é o desemprego que está reinando neste país, é o desgoverno e a falta de verba para tudo. Nós, do PMDB, temos que ter coragem cívica para propor um novo modelo. O PMDB, com a sua cabeça pensante, fez um programa com apoio de um plano futuro, uma ponte para transpor o tempo difícil que vivemos neste país. Como empresário, agora estou sofrendo isso na pele. Desempreguei, em meu grupo, mais de 3 mil pessoas nestes anos. A cada dia, a situação piora para o homem do campo. O assalto se tornou comum no interior do Estado sem policiamento, sem nada, sem respeito ao povo. A situação é crítica. Mas, infelizmente, o Estado federal e o Estado estadual estão inertes, não têm recursos para nada. Não existe nenhum programa de alento para o homem do campo, nem para o empresário, nem para o empregado. Por tudo isso, existem as nossas preocupações.

Não quero aqui fazer uma crítica maior porque essa presença hoje é para agradecer aos senhores por participar deste partido há 50 anos. Esse partido, o PMDB, é minha história também. Deixo um abraço para todos vocês e a esperança de um tempo novo, um tempo de coragem, um tempo de, sobretudo, esperança para o povo brasileiro. Muito obrigado.