MURILO BADARÓ, Presidente da Academia Mineira de Letras. Ex-Presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais S.A. - BDMG.
Discurso
Legislatura 16ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 25/09/2007
Página 74, Coluna 2
Assunto CALENDÁRIO. BANCOS.
Proposições citadas RQS 1028 de 2007
35ª REUNIÃO ESPECIAL DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª LEGISLATURA, EM 20/9/2007
Palavras do Sr. Murilo Badaró
Sr. Presidente da Assembléia Legislativa, e prezado Paulo de Tarso Almeida Paiva, Presidente do BDMG; na pessoa do nosso Silviano Cançado, o decano dos ex-Presidentes presentes, saúdo todos os companheiros e funcionários do banco e seu magnífico coral.
Quero também pedir a complacência do Plenário para esse gesto de ousadia parlamentar de quebrar o protocolo para pedir, pela ordem, a palavra, e certamente vou merecer essa generosidade dos senhores e senhoras. Sou a única testemunha viva, neste Plenário, dos atos parlamentares que deram causa ao Banco de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. Farei um relato rápido - não vou cansá-los -, mas o suficiente para deixar registrado, nesta sessão solene, ao ensejo do 45° aniversário de fundação do Banco, esta pequenina crônica de como o Poder Legislativo é capaz de, com criatividade e, sobretudo, com espírito público, causar um benefício de tal relevância a Minas Gerais, como foi o caso do Banco de Desenvolvimento.
O Partido Social Democrático, do qual fazia parte, era majoritário na Assembléia, nos anos de 1959, 1960, 1961 e 1962, no governo Bias Fortes. O Governador Magalhães Pinto, em 1961, consegue eleger-se em oposição ao governo que vigia naquela época. Nós, que éramos da bancada mais forte, comandávamos o processo parlamentar, e é claro que, guardadas as dimensões do tempo, tudo era absolutamente diferente do que é hoje. Havia homens de grande experiência, naquele tempo, no parlamento. Eu era um dos mais jovens da bancada, mas tínhamos homens experimentados, como, por exemplo, Pio Canedo, do Partido Social Democrático; Cícero Dumont, do Partido Republicano; e outros.
Quando Magalhães ganhou a eleição e assumiu o governo, em 1961, nós, que passamos vários anos no comando da situação política, viramos oposição. O Capanema, alguns anos mais tarde, disse em uma das frases que o papel da Oposição é criar dificuldades para o governo. Nós fomos conduzindo a Oposição. Vejo ali a UDN representada pelo Dr. Orlando Vaz, Presidente do Centro Jurídico Brasileiro. A UDN, muito dura no governo, resolveu implantar a sua doutrina política de conquista do poder, e instalou-se, então, o atrito. O Mílton Lucca de Paula era jornalista na Assembléia, nesse tempo, outra testemunha disso.
Acontece que, em um determinado período, o Deputado Reni Rabelo, que pertencia ao partido do Adhemar de Barros, o Partido Social Progressista - PSP -, começou uma coleta de assinaturas para criar o Banco do Desenvolvimento dos Municípios do Estado de Minas Gerais.
Essa era a ementa do projeto, seguida de uma série de artigos que davam, na sua imaginação, a consistência para o banco que ele desejava para os Municípios. E nós, da Oposição, imaginávamos que o Magalhães não poderia vetar o projeto dos Municípios, porque criaria um grande embaraço político para ele. Aí aprovamos o projeto na Assembléia Legislativa. O projeto foi à sanção, e o Governador Magalhães Pinto, assessorado por um talentoso cidadão, que depois foi Presidente do Banco, Paulo Camillo de Oliveira Penna, fez um veto cirúrgico, digamos um veto de cirurgia plástica no projeto. Vetou integralmente o projeto, menos a expressão “Fica criado o Banco de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais”.
Daí para frente, leis e projetos subseqüentes foram compondo a estrutura dessa maravilhosa instituição, que hoje comemora 45 anos, tão bem definidos pelo precioso texto do Presidente Paulo Paiva.
Fui testemunha disso e não poderia deixar de registrar para os anais essa pequena crônica, porque cada um de nós, por mais modesto que desejemos ser, temos sempre um lugar reservado, um cadinho onde colocamos os nossos troféus. E esse é um dos troféus que carrego orgulhosamente comigo. E o destino depois me premiou com a possibilidade, com a fortuna de ser Presidente da instituição que, num dia de 1962, ajudei a criar, com a minha assinatura de apoiamento. Muito obrigado.