MARÍLIA CAMPOS, Prefeita do Município de Contagem - MG.
Discurso
Legislatura 17ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 04/05/2011
Página 94, Coluna 3
Assunto ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. CALENDÁRIO.
Proposições citadas RQS 2076 de 2010
7ª REUNIÃO ESPECIAL DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 17ª LEGISLATURA, EM 2/5/2011
Palavras da Prefeita Marília Campos
Deputado Estadual Doutor Viana, representando o Presidente Dinis Pinheiro; Deputado Federal Weliton Prado; Pier Giorgio, representando Márcio Lacerda, Prefeito Municipal de Belo Horizonte; Walter de Ávila, Delegado Regional, representando Jairo Léllis, Chefe da Polícia Civil de Minas Gerais; Gustavo Gibson, meu Vice-Líder na Câmara dos Vereadores, na pessoa de quem cumprimento todos os Vereadores aqui presentes; meu amigo Olavo Machado, Presidente da Fiemg; Deputado Estadual Durval Ângelo, companheiro de partido, autor do requerimento que deu origem a esta reunião; cumprimento Hamilton Reis, meu Secretário Municipal de Governo, e Léo Antunes, meu Secretário destacado para coordenar as ações do centenário; cumprimento os demais Deputados, as lideranças sindicais e populares, os representantes religiosos, todas as autoridades aqui presentes, os profissionais da imprensa; cumprimento, também, meu marido, José Prata, meu companheiro de todas as horas; cumprimento meu Vice-Prefeito, Agostinho Silveira; boa noite a todos e a todas.
Falarei um pouquinho sobre a história de Contagem a que o nosso Deputado Durval Ângelo já se referiu. É importante registrar essa memória porque compõe a identidade da cidade.
Não poderia deixar de cumprimentar a Orquestra Jovem de Contagem, de que tenho muito orgulho, pela música, pelo talento e por compor a identidade do nosso Município. Muito obrigada pela presença.
Segundo os registros oficiais, a história de Contagem remonta à descoberta do ouro, no século XVII, pelos bandeirantes paulistas. A origem do nome “Contagem das Abóboras” não está comprovada em documentos, mas, segundo historiadores, os bandeirantes tinham como costume plantar roças por onde passavam e entre as sementes usavam as de abóbora. O terreno úmido favorecia o plantio. Como a região das abóboras era ponto de encontro das rotas de abastecimento, a Coroa Portuguesa instalou, em 1716, o registro fiscal para a arrecadação dos direitos de carga, escravos e gado. Nascia o Registro das Abóboras, conhecido pelos tropeiros, comerciantes e viajantes em geral como Contagem das Abóboras, que seria desativado em 1759.
No início do século XIX, o arraial passou a ser chamado de “Sam Gonçalo das Abóboras”, homenagem ao santo protetor das viagens que ganhou uma pequena capela construída pelos tropeiros e viajantes que passavam pelo lugarejo. Com o tempo, surgiram plantações de roças e criação de gado para sobrevivência. E aos poucos, o arraial foi se formando em torno da capela - hoje a Igreja Matriz de São Gonçalo -, conciliando as funções comerciais e agropastoris durante os séculos XVIII e XIX até meados do século XX. Em 29/4/1854, o local passa a se chamar oficialmente Contagem. E experimenta um ciclo de crescimento a partir de 1897, quando a Capital mineira foi transferida para Belo Horizonte. Contagem se torna Município em 30/8/1911, pela Lei nº 556. Por contingências políticas, Contagem perde a sua autonomia administrativa em 1938, e ela só é restaurada 10 anos depois.
Em 1946, a instalação do Parque Industrial Juventino Dias, mais tarde denominado Cidade Industrial, impulsiona o crescimento econômico e faz nascer a cidade operária.
Olavo, o senhor já estava lá?
Em 1952, o Governador Juscelino Kubitschek cria a Cemig para fornecer energia elétrica para a Cidade Industrial, que, ao final de 1950, tinha se transformado no maior núcleo industrial de Minas Gerais, em torno do qual se desenvolveu uma extensa malha de serviços e equipamentos públicos. Em 1970, foi implantado o Centro Industrial de Contagem - Cinco - com recursos do governo federal e da Prefeitura de Contagem. O papel do Estado, que criou empresas estatais estratégicas e viabilizou investimentos, e dos empresários, que acreditaram na industrialização, mostrou-se fundamental para o crescimento econômico. Em 1971, foi criada a Ceasa-Minas - Centrais de Abastecimento de Minas Gerais.
O senhor já estava lá, Rogério?
Também na década de 1970, o Eldorado se fortalece como centro comercial da cidade, tendo como eixo principal a Avenida João César de Oliveira, que foi duplicada e neste ano terá concluída a sua primeira revitalização, que dá ares de modernidade à nossa cidade.
A presença das indústrias modifica o perfil do Município, que perde características interioranas e começa a se projetar como grande centro urbano, atraindo gente de todas as partes. A mistura de desenvolvimento econômico e de crescimento desordenado, sem infraestrutura, provoca a expansão da cidade para as periferias, a criação de vilas e favelas e a explosão demográfica, com suas potencialidades e problemas a desafiar o poder público. A cidade vê surgir os movimentos populares organizados em torno de demandas por melhorias de educação, saúde, esgoto, água, luz e transporte coletivo. Em 1968, as greves vitoriosas dos metalúrgicos de Osasco, em São Paulo, e de Contagem, foram as últimas manifestações operárias da década de 1960, em plena ditadura militar.
O Sr. Paulo César Funghi se encontra presente? Como líder sindical deve lembrar-se muito bem de que, em 1989, outra greve iria chamar a atenção do País e do mundo, quando operários da siderúrgica Mannesmann ocuparam a empresa na Cidade Industrial.
Paulo, o senhor estava também?
Encapuzados e usando barras de ferro para reagirem diante de uma invasão da polícia, eles resistiram durante sete dias.
Outro movimento que marcou época pediu o fim da poluição da Itaú, fabrica de cimento que seria fechada na década de 1970 e que teve suas torres tombadas como patrimônio histórico do Município. Em 1979, quando surge o novo sindicalismo, com as greves do ABC Paulista, que revelaram a liderança de Lula, Contagem participa ativamente. É criada a Associação dos Professores - APC -, depois transformada em Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação - Sind-UTE -, e retomando-se o comando do Sindicato dos Metalúrgicos de BH, Contagem e Região.
Estão aí a Cleo e o Lindomar para testemunharem isso. Vocês estão vendo que muitos dos meus Secretários metalúrgicos e professores estão hoje comigo e estiveram à frente do movimento sindical, aliás, eu, na época, era sindicalista bancária.
Essas e outras lutas populares eram notícia no “Jornal dos Bairros”, publicação que circulava na região industrial da Grande BH e foi testemunha importante da organização popular e sindical da resistência ao regime militar. O “Jornal dos Bairros” teve a ajuda, com certeza, do meu Secretário de Governo, Hanilton Reis, que, na época, era redator desse jornal, um militante ativo.
Desde suas origens, Contagem sempre foi um lugar de acolhida. Parafraseando Guimarães Rosa, Contagem são muitas, pois acolhe pessoas de todas as partes de Minas. Primeiro, foram os tropeiros e viajantes. Depois, os imigrantes que vieram em busca de trabalho e moradia durante o processo de industrialização. E hoje, profissionais de outros Estados e estrangeiros, que chegam em busca de negócios e oportunidades, pois a cidade não para de crescer.
Sou uma das pessoas que Contagem acolheu. Mineira de Ouro Branco, vivi muitos anos no Triângulo-Uberlândia, Araguari, Uberaba, Monte Carmelo - e vim para a cidade de Contagem em 1987. Moro com a minha família no Bairro Eldorado há mais de 24 anos. Minha trajetória política, que inclui os mandatos de Vereadora e Deputada Estadual, comprovam que Contagem é uma cidade generosa. E também uma cidade ousada, que em 2004 elegeu a primeira mulher em sua história para governar a cidade e a única a ser reeleita quatro anos depois. Essa mistura de generosidade e ousadia permite que eu tenha a honra e o privilégio de ser a Prefeita do centenário.
Contagem é uma cidade múltipla. Sua identidade é forjada na interação cotidiana com os Municípios irmãos, com os quais se divide geograficamente e com os quais se integra na busca de soluções conjuntas para os problemas e desafios. Contagem tem um pouco de Betim, de Belo Horizonte, de Ibirité, de Ribeirão das Neves, de Esmeraldas, cidades com as quais tem limites que se misturam e criam uma realidade cada vez mais metropolitana. Contagem é uma cidade a ser descoberta. Uma cidade que preserva as suas tradições religiosas na Igreja Matriz de São Gonçalo, que preserva a Casa de Cultura e o Centro Cultural, partes do patrimônio histórico. Contagem das feiras tradicionais do Eldorado e do Bairro Amazonas, Deputado Carlin Moura. Da Casa de Cacos, revestida artesanalmente de cacos de louças e vidros, e que vai ser restaurada. Contagem do Parque Municipal Gentil Diniz, com quase 30.000m2 de vegetação característica do cerrado e da mata atlântica. Contagem das jabuticabeiras, árvores símbolo da cidade, e da Barragem Vargem das Flores, situada na divisa com Betim e de importância vital para o abastecimento de água da Grande BH. Contagem dos arturos, comunidade negra, formada por descendentes de escravos, que se preocupa em divulgar as suas tradições através da música e de danças religiosas de origem africana.
Contagem dos ciríacos, da festa de Nossa Senhora do Rosário, da Folia de Reis e da gincana anual que envolve a sua juventude. Contagem do Poliesportivo do Riacho, que recebe competições do circuito nacional, do ginásio de hóquei e dos Parques do Eldorado e do Tropical.
Contagem é uma cidade que combate o preconceito e a discriminação. Desde o início do governo, em 2005, foram realizadas seis Paradas do Orgulho “Gay”, com apoio total da administração pública. Por iniciativa da Câmara Municipal foi criado o Dia da Parada do Orgulho LGBT, comemorado todo primeiro domingo de agosto. Entre outras iniciativas da Prefeitura estão o Programa Gênese - Gênero e Sexualidade, na rede municipal de ensino e cursos de Educação sem Homofobia, ofertados aos professores. São políticas públicas que estimulam o respeito à orientação sexual. E que são tratadas com a mesma prioridade de ações que combatem a discriminação racial, defendem a liberdade de religião e de expressão, a inclusão de portadores de deficiência, o fim da violência contra mulheres e crianças e o respeito aos idosos e aos direitos humanos, conforme estabelece a Constituição Federal, que diz ser dever do Estado "promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação".
Contagem das praças e das áreas de lazer construídas ou revitalizadas, nas quais as crianças brincam, as famílias se encontram, os namorados passeiam. E nas quais os idosos utilizam as Academias da Cidade, que viraram objeto de desejo em todas as regiões nas quais estão instaladas. Contagem das obras de saneamento, de moradia e de requalificação dos centros comerciais. Contagem que cresce, bate recordes de empregos de carteira assinada e que se insere no bom momento das economias nacional e mineira como a 3ª maior economia do Estado e uma das maiores do Brasil. Contagem que valoriza os seus servidores públicos, implanta planos de carreira e garante outros benefícios. Contagem que recebe a obra do PAC Arrudas, a primeira no Brasil feita por meio de parceria inédita entre os governos federal e estadual e as Prefeituras de Contagem e Belo Horizonte, beneficiando milhares de pessoas nos dois Municípios. Contagem que integra as suas oito regiões administrativas através da boa prestação de serviços à comunidade e com um conjunto de realizações, entre elas, a expansão da rede municipal de saúde, que por meio das Unidades Básicas de Saúde implementa um novo modelo de atendimento. Ainda os Centros de Educação Infantil - Cemeis -, que acolhem as crianças desde o berçário, além de muitas outras melhorias.
Muitas dessas conquistas se devem à participação dos moradores através do orçamento participativo, que garante a escolha de obras que a comunidade considera prioritárias. Uma dessas escolhas foi a maternidade municipal. As obras da maternidade começam neste ano e são um presente para o centenário.
Hoje Contagem é uma cidade democrática, na qual conselhos paritários e conferências asseguram a discussão sobre os rumos de cada segmento social organizado.
As decisões agora são coletivas, definidas de acordo com o interesse da maioria, deixando para trás o clientelismo que no passado permeava as relações entre o governo e a população. Medidas de transparência, como a prestação de contas permanente na internet e através de um jornal com 200 mil exemplares entregues mensalmente de casa em casa, fortalecem o vínculo da Prefeitura com os cidadãos e cidadãs e permite o campanhamento das ações do poder público municipal.
É essa a Contagem que temos orgulho de apresentar a Minas e ao Brasil, nas comemorações do centenário de sua emancipação política. Uma cidade plural, uma cidade democrática, uma cidade próspera, com mais justiça social, com a qual as pessoas se identificam e que as leva a afirmar: aqui é o meu lugar. Um lugar de gente feliz, de bem com a vida, com a autoestima em alta. Um lugar de gente trabalhadora, honesta e produtiva. Uma cidade que não se deixa vencer pelos problemas e que enfrenta sem medo as dificuldades do dia a dia. Uma cidade que respeita o seu passado, que cuida do seu presente e que planeja o seu futuro. Uma cidade que se prepara para se fortalecer como um pólo gerador de trabalho, ideias e cultura. É essa Contagem que olha para o amanhã com otimismo e com disposição para seguir em frente. É essa Contagem que vamos deixar como legado para nossos filhos e netos e para aqueles que virão depois deles. Sabemos, Agostinho, que a tarefa é árdua, mas se estivermos todos juntos, irmanados nos mesmos propósitos e ideais, fica mais fácil desafiar as impossibilidades e construir o melhor caminho, e que esse caminho seja capaz de nos conduzir no rumo de uma cidade que se torne cada vez mais um lugar melhor para se trabalhar, amar e viver. Parabéns, Contagem. Obrigada.