MARIA DO CARMO LARA, Prefeita do Município de Betim - MG.
Discurso
Comenta o tema do evento, dentro do 3º painel.
Reunião
64ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 16ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 11/09/2010
Página 76, Coluna 2
Evento Ciclo de debates: "Desafios da Mobilidade Urbana na Região Metropolitana de Belo Horizonte".
Assunto TRANSPORTE. TRÂNSITO.
Legislatura 16ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 11/09/2010
Página 76, Coluna 2
Evento Ciclo de debates: "Desafios da Mobilidade Urbana na Região Metropolitana de Belo Horizonte".
Assunto TRANSPORTE. TRÂNSITO.
64ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª
LEGISLATURA, EM 25/8/2010
Palavras da Deputada Maria do Carmo Lara
Boa tarde. Gostaria de cumprimentar e agradecer o convite à
Deputada Maria Tereza Lara e ao Deputado Carlin Moura, autores do
requerimento que deu origem a este evento. Parabenizo a Assembleia
Legislativa por promovê-lo. Em conversa com o professor da UFMG,
disse que há 10, 12 anos era difícil discutir sobre o planejamento
urbano e as regiões metropolitanas. Portanto, é um debate novo,
pois 10, 15 anos são recentes para nós, do ponto de vista
histórico. Cumprimento ainda todos os membros da Mesa. Além de
representantes de órgãos estaduais e federais e do movimento de
usuários de transportes, temos aqui Vereadores de Betim, como o
Vila; a Adriana, de Vespasiano; o João Luiz, do Instituto Ruaviva,
que falará amanhã; o José Abílio, do Crea; o Artur Abreu, Diretor-
Presidente da TransBetim, e toda a sua equipe; o Ricardo Mendanha;
o Prof. Lasmar, da agência metropolitana, que também falará
amanhã; o José Abílio; e o Celinho, do movimento popular de Betim,
que encampa a luta da mobilidade urbana, especificamente quanto ao
metrô. Cito esses nomes para mostrar que esta é uma plenária
qualificada. As pessoas estão aqui até agora ouvindo e discutindo
um tema que, aparentemente, é muito abstrato, mas fica cada vez
mais presente na nossa vida.
Não dá para sair daqui agora e chegar a Betim gastando 30, 40
minutos. Gasta-se cerca de 1 hora, 1h30min, se não houver
acidente. Na parte da manhã, a situação é a mesma. É preciso
torcer para que não haja nenhum acidente na 381 ou na Via
Expressa, construída há 10 anos para desafogar a BR. Hoje, nenhuma
dessas duas vias de acesso estão desafogadas, e sim superlotadas
de carros particulares e de transporte de carga, mesmo com a linha
férrea, que transporta grande número de carga.
Este debate é muito pertinente. Os atores aqui presentes são
fundamentais. A Assembleia Legislativa é uma Casa importante que
promove este tipo de evento. Não repetirei o que foi dito aqui.
Todas as falas foram fundamentais e se complementam.
Fui Deputada Federal e tive a oportunidade de acompanhar a
votação do Estatuto das Cidades e dos consórcios. Os Municípios
queriam formar consórcios, mas não podiam.
Quando fui Prefeita, fizemos um primeiro consórcio de saúde.
Tivemos problema com o Tribunal de Contas porque não podíamos
fazer consórcio de saúde. Hoje há muitas leis, como a Lei do
Consórcio, que foi votada em 2005, e o Estatuto das Cidades.
Quando a Câmara Federal - aliás, já estive lá - ou a Assembleia
Legislativa cria uma lei, é porque o fato já está acontecendo na
realidade. Quando “brigamos” ou lutamos para que o metrô vá até
Betim com a extensão da Linha 1, é porque essa demanda já é uma
realidade, ou seja, isso é o que o povo quer, e não algo com que
ainda sonharemos. Os passageiros já existem, assim como o acúmulo
de transporte. Toda a rede da Fiat e a Refinaria Gabriel Passos já
fazem essa demanda.
Como foi bem dito pela Madalena e pelo Prof. Roberto, há uma
questão interessante em Betim. Foram apresentados nos mapas os
focos de concentração de pessoas na Região Metropolitana.
Aparentemente, num deles encontram-se Belo Horizonte e Contagem.
Betim fica um pouco depois. Foi demonstrado o número tanto de
pessoas quanto de parque industrial. O parque industrial de
Contagem é grande, assim como a concentração de pessoas, ou seja,
aproximadamente 800 mil. Não é isso? O mesmo ocorre em Betim, onde
há um parque industrial que tem crescido muito. Logo após vem
Juatuba, Sarzedo e Ibirité ao lado, que estão fazendo crescer o
seu parque industrial. Portanto, está crescendo uma outra zona
industrial na Região Metropolitana, com essas cidades.
Logo em seguida vem Inhotim, em Brumadinho, que passa por Betim,
até construírem essa nova entrada. Além do parque industrial, há a
Vale Verde, que está um pouco mais junto de Esmeraldas, que,
aliás, é um outro polo turístico.
Portanto, há muitas regiões importantes nas quais pensarmos nessa
questão do transporte de massa. Não é preciso falar sobre o número
de acidentes. Basta ler os jornais e assistir à televisão para ver
o que ocorre todos os dias na BR-381, perto da Petrobras e da
Fiat, na Via Expressa entre Contagem e Betim. Há várias obras
sendo pensadas a nível estadual e federal para essa região. Como
dito aqui, a agência metropolitana tem discutido que a Alça Norte
e a Alça Sul são obras que estão em processo de estudo.
Há a questão do redimensionamento de transportes e uma outra
sobre as quais quero falar, que têm muito a ver com a Mesa de
amanhã - aliás, contaremos com a presença do João Luiz, do Vicente
de Paula, Subsecretário de Estado, do Lasmar e do José Abílio,
como debatedor. Tenho participado de reuniões em níveis federal,
na Casa Civil, e estadual, com representantes de Contagem e de
Belo Horizonte e o Secretário de Estado, para debater a questão do
transporte de massa e da mobilidade. Sabemos que não há recurso
para tudo. Aliás, recurso é o limitador da nossa caminhada. Temos
estudos que foram elaborados por técnicos de Belo Horizonte, de
Betim, de Contagem, da CBTU. O Prof. Raul disse agora... O Adão,
da CBTU, que é um funcionário de carreira e experiente - aliás,
não direi que é antigo para não pensarem que é um homem velho -,
tem um estudo sobre essa questão do metrô desde quando foi
implantado. Aliás, elaborou um estudo, juntamente com esses nossos
técnicos, mostrando que é viável a Linha 1 do metrô chegar a
Betim. Na verdade, essa viabilidade não é porque estão pensando na
Copa de 2014. Se pensarmos nela, diremos que não há recursos
suficientes para fazer isso. Precisamos pensar na Copa, sim. Fora
os de Brumadinho, como dito aqui, estão previstos - já se pensando
na Copa - em Betim três hotéis de iniciativa privada, que estão
sendo um investimento. Um é na Vale Verde; outro, na região de
Citrolândia. Tudo já está pronto, com projeto sendo encaminhado à
Prefeitura para ser aprovado. Nós, da Prefeitura, estamos juntos
incentivando e apoiando para que esses hotéis sejam uma realidade.
Estamos fazendo curso técnico de hotelaria na cidade a fim de
conseguir mão de obra para os hotéis existentes e para esses
outros. Tenho claro que talvez não consigamos a extensão da Linha
1 até 2014, para a Copa; é uma questão de tempo. É este o momento
- e aí falo para o Raul, para Belo Horizonte, para Contagem, para
Betim e para nossos Deputados Maria Tereza Lara, Carlin Moura e
demais - de fazer esse debate. Não podemos fazê-lo deixando para
depois. Há a perspectiva da linha do Barreiro, que é muito
importante e precisa ser feita; há a do Barreiro ao Calafate, que
depois vem até o Centro; e há o desejo, o trabalho de Belo
Horizonte para fazer a Savassi-Pampulha. Estava falando com o
Diretor da BHTRANS que Betim não quer parar a Savassi e a do
Barreiro. Acho que é importante - e contem comigo - fazer a do
Barreiro e a Savassi, mas cada uma em seu momento, em seu tempo.
Uma está mais adiantada do que outra, uma tem projeto, e a outra
ainda está fazendo. Mas não dá para Betim, Contagem e Belo
Horizonte não pensarem na extensão da Linha 1 do Eldorado a Betim.
E pensar nessa extensão é pensar na possibilidade de diminuir o
número de carros que vêm de lá para cá - não vêm apenas de Betim,
mas de 12 cidades no entorno. Os Prefeitos têm esse interesse.
Podem querer dizer que hoje eles podem ir até o Eldorado. Mas não,
não vale a pena sair de Igarapé, de São Joaquim de Bicas, de
Juatuba para ir ao Eldorado; eles vêm direto pela BR-381. Mas se
for até Betim, vale a pena. Há todo um estudo feito e até uma
previsão de custo para isso. Sabemos que depende do financiamento
federal e estamos abertos a fazer o estudo, com a Metrominas ou
com outro setor, em um consórcio ou com o governo do Estado. Isso
não é problema para Betim.
Outra questão é que precisamos pensar em médio prazo. Mas, para
isso acontecer, ele deve ser iniciado. É este o momento.
Precisamos do apoio das cidades e dos governos do Estado e federal
a fim de fazermos esse debate com transparência e tranquilidade.
Não dá para Betim fazer esse debate isolada. Ao se entrar em
qualquer restaurante de Belo Horizonte, hoje, pode-se perceber que
a grande maioria dos trabalhadores que estão lá é de Betim. Nossa
cidade tem PUC há alguns anos, tem Pitágoras, Unipac. Muitas
pessoas de Contagem, do Barreiro e de outros lugares estudam em
Betim, mesmo havendo PUC no Barreiro. Hoje, a Fiat e a Refinaria
Gabriel Passos estão interessadas em buscar seus trabalhadores no
terminal do metrô, em vez de fazer o transporte de ônibus. Esse é
o interesse do Belini, Presidente da Fiat - já conversamos sobre
isso - e do Bandeira, Superintendente da Petrobras.
O que estamos trazendo aqui não é uma conversa isolada da
Prefeita da cidade. O movimento popular está trabalhando essa
questão - há representantes aqui -, há Vereadores trabalhando
todas as cidades em torno disso. Não dá para pensarmos tudo o que
está sendo feito. Concordo com o que o Raul disse: está tudo sendo
feito com muita competência, porque está-se pensando a Região
Metropolitana, fazendo-se um planejamento e discutindo-se que
Betim será um polo dentro da Região Metropolitana. Isso é real,
porque Betim agrega mais 12 cidades - e agrega também na saúde.
Temos um consórcio para a saúde, que é o Sismep; estamos fazendo
um consórcio para a questão do aterro sanitário de seis ou nove
cidades - não sei se nove já assinaram, mas seis já o fizeram - e
temos consórcio em várias outras áreas. Trabalhamos junto dessas
cidades; Betim é uma centralidade.
Se aumentamos o número de leitos em Betim, porque a população
cresceu e precisa, deixamos de mandar pessoas. Já não compramos os
tratamentos de quimioterapia e radioterapia em Belo Horizonte, mas
em uma clínica em Betim.
Betim é uma cidade considerada rica do ponto de vista da pujança
econômica e do parque industrial; tem um orçamento bom em relação
a outras cidades da Região Metropolitana, mas mais de 60% da
população ganha até dois salários mínimos. Depende de todas as
políticas públicas de saúde, educação, esporte, lazer e
transporte. Estender a linha do metrô do Eldorado até Betim, na
região de Alterosas, é muito importante para 450 mil habitantes de
Betim e mais 400 mil habitantes das outras 12 cidades. Não estou
contando Contagem, que está antes.
Para encerrar, quero sensibilizar a Deputada Maria Tereza Lara, o
Deputado Carlin Moura e a Assembleia Legislativa para estarem
atentos a esse debate, que é muito importante, e para que exponham
essa questão amanhã, novamente. Companheiro Francisco, que este
debate seja do movimento de transporte, pois não há como pensar o
tema metropolitano sem pensar o Vetor Sul quanto ao transporte de
massa e a possibilidade de se começar a construir o metrô do
Eldorado até Betim, para atender melhor a população e diminuir os
encargos e problemas no transporte e no meio ambiente, com a
emissão de gás carbônico. Peço aos Deputados que não deixem de
debater essa questão, pois, se não somarmos forças, outras áreas
terão metrô e essa possibilidade vai se esvair sem a população
concordar. Obrigada.