MARCOS DIONE UGOSKY VOLCAN, Presidente Nacional da Renovação Carismática Católica - RCC.
Discurso
Legislatura 16ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 25/09/2007
Página 75, Coluna 3
Assunto CALENDÁRIO. RELIGIÃO.
Proposições citadas RQS 1070 de 2007
36ª REUNIÃO ESPECIAL DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª LEGISLATURA, EM 21/9/2007
Palavras do Sr. Marcos Dione Ugosky Volcan
Exmos. Srs. Deputado Weliton Prado, representando o Exmo. Sr. Presidente da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, Deputado Alberto Pinto Coelho; Deputado Federal Miguel Martini; Deputado Federal Odair Cunha; Revmo. Vice-Chanceler Pe. Alexandre Fernandes de Oliveira, representando o Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, D. Walmor Oliveira de Azevedo; Vereador Fred Costa; Revmo. Pe. Reinaldo da Silva, representando a Comunidade Canção Nova; Deputados Célio Moreira e Eros Biondini, autores do requerimento que deu origem a esta homenagem; prezados irmãos, especialmente nossa Irmã Poliana, Coordenadora Estadual da RCC de Minas Gerais, e nosso Irmão Wilson, Coordenador da Renovação Carismática da Arquidiocese; irmãos e irmãs do Conselho Nacional; demais irmãs e irmãos do Estado de Minas Gerais e aqueles que nos acompanham pela televisão.
Teríamos muitas coisas a dizer, principalmente em um momento tão significativo que vive a Renovação, em que se comemoram seus 40 anos. Tivemos a oportunidade de receber muitas homenagens e já comemoramos este jubileu em momentos significativos. Recentemente, organizamos um congresso latino-americano, com a presença de todos os países deste continente na Comunidade Canção Nova, e alegramo-nos com a grande representatividade e repercussão do evento.
Não é por acaso que, nesses dias, está acontecendo em Minas uma reunião do Conselho Nacional. Aqui, nesta Casa, há representantes dos 27 Estados do Brasil e do Distrito Federal. Estamos em uma reunião e assembléia do Conselho Nacional, que tem como objetivo avaliar a caminhada da Renovação e planejá-la bianualmente, e o ambiente é de oração e discernimento. Quarenta anos é uma data muito significativa na vida de um movimento, pois representa o tempo que o povo de Deus passou no deserto antes de vislumbrar a terra prometida.
Estamos fazendo essa experiência. Vimos no início desta reunião, de forma oportuna, um breve relato de nossa história. Lembro-me muito do Papa João XXIII diante dos acontecimentos do mundo moderno. No início do século XX, alguns profetas diziam que, ao final daquele século, o mundo ocidental não teria mais religião e não precisaria mais de Deus, pois o homem se emanciparia por meio da razão e do conhecimento. Ao contrário do que se pensava, chegamos ao final do século XX com um mundo sedento de Deus. João XXIII, observando isso, convoca um concílio que seria de diálogo com esse mundo e de atualização da Igreja. E por isso pede um ar novo, um vento novo sobre a Igreja, como o novo Pentecostes.
O que marca a vida da Renovação é esse acontecimento de 2 mil anos atrás: Pentecostes. Pentecostes, de onde nasce a nossa amada Igreja, é o evento por excelência ao qual nos remetemos, mesmo comemorando apenas 40 anos.
Estar nesta Casa, com vocês, neste Estado representa muito para nós. A Renovação cresceu muito em todo o mundo: hoje, estamos presentes em 240 países, com mais de 140 mil grupos de oração, e mais de 120 milhões de católicos fizeram essa experiência. Estar nesta Casa, em Minas Gerais, porque este é um Estado em que a Renovação é muito vigorosa; talvez o Estado em que tenhamos o maior número de grupos de oração no Brasil. E, nesses 40 anos, a Renovação Carismática está aprendendo, com sua história, que a vida “orante” leva-nos a uma vida atuante na sociedade. Com ela, despertamos desde muito cedo para a vida política, que, como disse o Deputado Eros Biondini, é uma arte e uma ciência: a arte e a ciência do bem comum. O Evangelho leva-nos a valores elevados, da busca da justiça e da solidariedade entre os povos. A Renovação Carismática tem pregado e, por meio dela, milhões de vida são restauradas pelo poder de Deus, e nós, que estamos presentes nesta Assembléia, somos testemunhas disso - testemunhas de que o poder de Deus, por meio de seu Filho Jesus Cristo, pode transformar vidas e ajudar a construir uma nova sociedade.
Temos o desejo profundo, como dizia João Paulo II, de sermos rosto e memória desse fato que aconteceu há 2 mil anos, que é Pentecostes, mas que se repete sempre que a Igreja necessita. Em tempos de crise, em que alguns dizem que a Igreja perde seus fiéis e que há um esvaziamento, nosso movimento, por incrível que pareça, cresce com vigor, assim como outros movimentos e comunidades que têm trabalhado porque acreditam que o Espírito Santo continua vivo e atuante no mundo.
Falamos muito, nesse ambiente das Assembléias, por onde passa a vida e o poder do País - e estamos acostumando-nos um pouco com isso - no bem comum, na justiça e na solidariedade. Em uma linguagem diferente dessa, temos aprendido que é preciso construir uma civilização que chamamos de civilização do amor. A civilização do amor não se constrói somente com palavras. João Paulo II indicou-nos também o caminho ao dizer que o único jeito de essa civilização acontecer é se ela for fecundada por uma outra cultura: a cultura da vida, que traduzimos, com as palavras de João Paulo II, como cultura de Pentecostes. A cultura de Pentecostes, da qual nasceu a Igreja, é um modo de viver diferente, de se relacionar diferente e de agir com as estruturas do mundo de forma diferente.
Agora há pouco, recebi esse símbolo: um símbolo de luta pela vida, que talvez nos possa ajudar a traduzir um pouco melhor o nosso pensamento, concluindo assim essa breve fala. No País, ainda há homens e mulheres que, tendo recebido a graça da vida, defendem uma cultura de morte; são capazes até de criar grandes teses para defender, por exemplo, o aborto, já citado aqui. Estamos falando do aborto, mas poderíamos citar outros tantos exemplos de coisas e atividades que se instauram neste país e que representam essa cultura da morte. Nós, da Renovação Carismática Católica, temos algo a dizer sobre isso: somos a favor da vida; da vida, desde a sua origem até o final. E agradecemos a Deus porque Ele tem levantado, no meio do nosso povo, homens e mulheres que têm descoberto a vocação política, um chamado. E, apesar de toda crise que muitas vezes pode parecer-nos passar a vida política do País, graças a Deus temos alguns homens e algumas mulheres - ao menos, dentro do Movimento e outros tantos que são de boa-vontade - que têm levantado essa bandeira.
Estamos aqui hoje não só para receber uma homenagem - fomos surpreendidos há poucos dias com uma proposta para estar aqui e a acolhemos de imediato -, mas também para dizer a esses homens e mulheres que queremos acompanhá-los e que esse é um caminho que a RCC tem de fazer, sim. Penso que estamos sendo agraciados por estarmos aqui, não só homenageados. Temos 27 coordenadores estaduais, Presidentes de conselhos estaduais, que têm consciência do quanto a RCC tem de estar atuante na vida pública e política do País, senão corremos o risco de acontecer o que tem acontecido na Europa, em países como Portugal, onde a cultura da morte está entrando com leis que gerarão custos, que serão pagos com os nossos impostos.
Irmãos, irmãs presentes, Srs. Deputados, autoridades religiosas, Sr. Vereador, sentimo-nos muito agradecidos por esta homenagem. Louvamos a Deus pela oportunidade de estar comemorando em mais um momento os 40 anos da RCC. Sairemos daqui com um compromisso renovado de orarmos e de incentivarmos, em nossas bases, onde vivemos. Orar pelos nossos políticos e incentivar aqueles que têm vocação política para ocupar estas cadeiras, não para defender causas próprias e oportunistas de um movimento, mas para defender aquilo que é para o bem do País, do seu Estado, do seu Município. Temos essa consciência crítica. Não estamos aqui para defender interesses particulares ou clientelistas. Nossos Deputados, graças a Deus, têm a consciência de que estão aqui porque uma comunidade os envia para defender os interesses do povo. Esse povo que, muitas vezes, infelizmente, não é assim representado. Agradecemos não só esta homenagem, mas essa trajetória, algumas recentes, como a do Eros, outros com uma boa trajetória, como a dos Deputados Miguel Martini e Odair, mas que para nós são sinal de esperança e de testemunho.
Falo em nome de todo o conselho, sentimo-nos agradecidos, homenageados e estaremos rezando e incentivando a todos que seguirem os passos de vocês. Muito obrigado.