MARCELO FRANCO, Coordenador de Bioenergia da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Representante do Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior - SECTES -, Alberto Duque Portugal.
Discurso
Comenta o tema: "A cadeia produtiva do etanol, pesquisa, tecnologia e
meio ambiente", dentro do 2º painel.
Reunião
98ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 16ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 12/11/2009
Página 45, Coluna 2
Evento Ciclo de debates: "O Impacto do Etanol no Desenvolvimento de Minas Gerais".
Assunto ENERGIA. DESENVOLVIMENTO REGIONAL. MEIO AMBIENTE.
Legislatura 16ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 12/11/2009
Página 45, Coluna 2
Evento Ciclo de debates: "O Impacto do Etanol no Desenvolvimento de Minas Gerais".
Assunto ENERGIA. DESENVOLVIMENTO REGIONAL. MEIO AMBIENTE.
98ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª
LEGISLATURA, EM 29/10/2009
Palavras do Sr. Marcelo Franco
Boa-noite. Caro Deputado Vanderlei Jangrossi, é uma satisfação
enorme estar aqui em nome do Secretário Portugal, que está em
viagem para a Europa, para falar sobre as políticas e diretrizes
do Governador Aécio Neves em relação à áreas de bioenergia e, eu
diria, das energias renováveis, incluindo outras fontes de energia
que não somente a biomassa.
Srs. Deputados, meus senhores e minhas senhoras, em face do
adiantado da hora, não utilizarei transparências, que estarão
disponíveis. Tentarei rapidamente mostrar como estamos trabalhando
a cadeia das energias renováveis no Estado de Minas Gerais. São
duas as políticas estabelecidas pelo governo nessa área: a criação
do projeto estruturador chamado APL de Biocombustível e a futura
criação, já em andamento, do Centro de Energias Renováveis do
Estado de Minas Gerais no Cetec, numa ação conjunta de três
Secretarias de Estado - de Desenvolvimento Econômico, de
Agricultura e de Ciência e Tecnologia -, uma ação do governo. No
que diz respeito ao APL de Biocombustível - é muito difícil
definirmos crosta nessa área -, optamos por trabalhar três cadeias
produtivas, procurando determinar uma região para a concentração
de esforços. Estamos trabalhando a cadeia produtiva do biodiesel e
dos óleos vegetais no Norte de Minas, integrado ao projeto da
Petrobras de produção de biodiesel. A cadeia do carvão vegetal e
da biomassa vegetal na região central do Estado, com o segmento do
ferro-gusa e ferro-liga, e especialmente a cadeia do etanol no
Triângulo Mineiro. Nessas três áreas, abrimos três escritórios de
integração para que pudéssemos ter uma base de apoio aos nossos
trabalhos. Especificamente na região do Triângulo, o escritório
foi aberto com a Fiemg regional. A Profª. Patrícia está aqui
presente, e estamos instalados no escritório, na região do
Triângulo, em Uberlândia. Vou-me ater especificamente à cadeia do
etanol e quais são as três ações pontuais básicas que estamos
desenvolvendo nesses APLs.
Uma preocupação inicial na parte de mercado e negócios,
procurando uma base por meio de uma ação de inteligência
competitiva, em parceria com a cadeia de petróleo e gás. Na mesma
base do núcleo de inteligência competitiva dessa cadeia, estamos
em parceria com IEL-Fiemg, lançando o núcleo de inteligência
competitiva de bioenergia, que envolve a cadeia do etanol. Uma
outra ação específica comentada pelo Dr. Luiz Custódio pela manhã
refere-se ao trabalho da parte de formação de recursos humanos. A
cadeia produtiva do etanol em Minas Gerais necessita - e há um
compromisso do governo nessa direção - fortalecer a formação de
recursos humanos tanto em nível elementar básico quanto médio e
superior. E, para isso, fizemos agora um trabalho integrado,
iniciado pelo sindicato e pelas representações do Norte, de
sistematizarmos essa demanda, que chega a 30 mil pessoas a serem
treinadas em quatro anos naquela região. É um desafio gigantesco,
pois falar em substituir a colheita da cana implica sérios
problemas de alocação dessa mão de obra que será necessariamente
dispensada desse processo de colheita, que é bastante duro. Porém,
precisamos achar uma colocação melhor, e esse é um desafio de
governo. Estamos integrados com o setor privado na busca de uma
solução que não resolva o problema de forma pontual, mas que crie
uma estrutura capaz de dar andamento de forma consistente. Sem
criticar São Paulo, que está aí com 60% da produção de açúcar e
álcool no âmbito nacional, mas esse Estado busca mão de obra
formada aqui em Minas Gerais porque também não se preocupou com a
questão estrutural desse aspecto. Isso não é crítica, apenas uma
observação consistente. Não digo isso na parte de pesquisa, porque
vimos que a CTC realmente trabalhou bonito, e faremos o mesmo com
o nosso centro de energia renovável.
Outra ação diz respeito à preocupação que atenderia alguns
aspectos ambientais e econômicos quanto ao controle de qualidade e
certificação. Essas ações têm apoio do APL. No que se refere ao
centro de energias renováveis, nossa preocupação é trabalharmos de
forma integrada, baseados em duas redes: uma rede laboratorial
para o controle da qualidade de certificação em biocombustíveis -
que já está pronta -, com base no laboratório de química do Cetec
e da UFMG, que já fazem o controle de qualidade de combustíveis
ligados à Agência Nacional de Petróleo - ANP -, gás natural e
biocombustíveis. Esses dois laboratórios-âncoras estão sustentando
uma rede laboratorial composta pelas principais universidades
ligadas à área - já citada aqui pelo Prof. Maurílio -, de Viçosa,
de Uberlândia e de Lavras, além da região Norte, que ganhará um
laboratório especial para essa finalidade. Por exemplo, Jaíba já
ganhou um laboratório, que será instalado em parceria com o Senai,
para formação de cursos de nível médio e superior na área de
biocombustíveis. Pretendemos criar uma competência lá no Norte
também com essa finalidade. Assim, Minas Gerais passaria a ter uma
rede acreditada na ANP-Inmetro para dar guarida e suporte ao
programa de certificação. Dessa forma, o etanol ganhará condição
de “commodity” internacional. Com certeza absoluta, ficará entre
Minas e São Paulo essa competência, que não é simples, pois já vem
por meio de um trabalho com a ANP que exige muita tecnologia,
equipamentos e investimentos. O Estado investiu cerca de
R$5.000.000,00 nessa rede até agora.
Há uma outra rede de pesquisa, ciência, tecnologia e inovação que
daria suporte a esse centro de energias renováveis. O Prof.
Maurílio falou de um braço dela, são as tecnologias advindas da
química, da ciência agronômica e da biotecnologia. No entanto,
criamos também e estamos operando uma rede de engenharia da
biomassa. Trata-se de um projeto que estamos fechando, no valor de
R$2.000.000,00, com participação direta do setor privado e com o
Ministério de Ciência e Tecnologia, para um estudo da pirólise, da
combustão, da gaseificação da matéria da biomassa, envolvendo os
resíduos sólidos urbanos e o lixo. E estaremos voltando a essa
competência no Cetec para coordenarmos essa rede que envolve as
Universidades de Itajubá, de Uberlândia e de Belo Horizonte, além
de toda rede já tradicional e extremamente competente, da rede
conduzida na área da pesquisa florestal.
Minas Gerais detém, sem dúvida alguma, o maior plantio florestal
do País, com quase 1.270.000ha de florestas plantadas, e consome
70% do carvão vegetal do Brasil, numa siderurgia limpa. Entretanto
estamos com um problema sério, pois a nossa siderurgia está usando
carvão mineral, que, além de poluir o ambiente, é importado e não
dá os resultados sociais do carvão vegetal, que pode e tem de ser
tratado de maneira diferente. O produtor de carvão sempre foi um
pária da sociedade, mas, em Minas Gerais, ele vai deixar de sê-lo,
pois ele precisa de conhecimento, de tecnologia e apoio. O pequeno
produtor tem de se integrar na cadeia produtiva do ferro-gusa, do
ferro-liga e da indústria sementeira, que é a principal indústria
de Minas Gerais, mas, infelizmente, ainda detém pouca tecnologia.
Estamos investindo pesadamente na expectativa de que um Estado
mediterrâneo como o nosso, com 11 universidades federais, 2
Cefets, 2 Embrapas federais, 1 Cetec e 1 Epamig, tem competência
de sobra para ser a base de todo o desenvolvimento intelectual do
Brasil central e caminharmos na área de energias limpas. Não
queremos ser bons somente nas três áreas da biomassa, mas nas
quatro. Em relação ao biodiesel, nenhum outro Estado tem a
competência de Minas nem a vantagem comparativa de produzir
oleaginosas, diferentemente dos outros Estados. Temos a cana-de-
acúcar, mas, como o Prof. Maurílio disse, temos outras
oportunidades com o etanol. Temos o parque florestal, e o setor
siderúrgico está mostrando o combustível sólido como extremamente
importante. Também temos a questão da suinocultura, dos resíduos
agrícolas e urbanos, o lixo para ser tratado na produção do
biogás, e produzir energia dessa biomassa. Mas queremos, e a Cemig
está entrando - o Secretário expôs isso claramente - de forma
diferenciada nessa questão. Diria que a Cemig é muito mais que um
orgulho nacional, é um orgulho mineiro. Estamos
internacionalizando a Cemig. Quando digo nós, refiro-me ao Estado,
ao Governador. A Cemig está entrando na compra de cogeração de
energia - um exemplo para o Brasil -, com os setores já citados, e
também entrando na energia eólica e na solar.
O Governador entendeu que a energia renovável é prioridade, e
estamos trabalhando na construção desse centro, baseado nessa ação
de suporte nas duas redes e criando, novamente, com a
revitalização do Cetec. Vamos trabalhar em três áreas no Cetec:
uma de química da biomassa, num primeiro momento direcionada para
óleos. Queremos lubrificantes, aditivos e resinas do óleo.
Queremos agregar valor a essa cadeia produtiva, como está sendo
feito na Europa. Como essa pesquisa integrada da Itália, também
estamos fazendo da mesma forma com a Espanha, num projeto já
estruturado, como o Maurílio expôs. Pretendemos, sem dúvida
alguma, trabalhar na engenharia da biomassa, na área de
equipamentos, desenvolvendo turbinas, geradores e rotores. Enfim,
temos de diversificar a forma de conduzir a economia mineira com
uma preocupação de agregação de valor às nossas cadeias
produtivas. Somos extremamente competentes na produção de leite,
mas infelizmente agregamos pouco valor. No café, não agregamos
praticamente nada e somos o 2º maior produtor do mundo, e também
na pecuária.
Temos de agregar valor às áreas de mineração, eletrônica, aço,
siderurgia, enfim, às cadeias que são muito consumidoras de
energia, que necessitam de muita tecnologia. É essa a preocupação
do Estado quando determina que a Secretaria de Ciência e
Tecnologia tenha programa direcionado ao suporte na geração de
conhecimento, tecnologia e inovação para a área energética do
Estado.
Sinto-me honrado por estar ajudando um pouco nessa direção. No
momento em que esta Casa promove debate dessa natureza - e tem
promovido debates em outras linhas da energia renovável -, deve
promover também ações concretas elogiando o governo e, acima de
tudo, mostrando à sociedade que podemos e devemos trabalhar
integrados. Tem sido essa a nossa proposta. Boa-noite. Obrigado.