LUIZ ROBERTO DO NASCIMENTO E SILVA, Secretário de Estado da Cultura.
Discurso
Comenta o tema: "Modernização Administrativa e de Gestão e Qualidade dos
Serviços Públicos".
Reunião
26ª reunião ESPECIAL
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 07/11/2003
Página 35, Coluna 2
Evento Audiência Pública: "Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado - PMDI - e do Plano Plurianual de Ação Governamental - PPAG - para o quadriênio 2004-2007".
Assunto ADMINISTRAÇÃO ESTADUAL. DESENVOLVIMENTO REGIONAL.
Aparteante André Quintão.
Observação Participantes dos debates: Evaristo Garcia, Ana Cecélia Rocha, Paulo Henrique Alonso, Maria Aparecida Seabra de Carvalho Cambraia, Elisete Inácio dos Santos, Vilmar Oliveira.
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 07/11/2003
Página 35, Coluna 2
Evento Audiência Pública: "Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado - PMDI - e do Plano Plurianual de Ação Governamental - PPAG - para o quadriênio 2004-2007".
Assunto ADMINISTRAÇÃO ESTADUAL. DESENVOLVIMENTO REGIONAL.
Aparteante André Quintão.
Observação Participantes dos debates: Evaristo Garcia, Ana Cecélia Rocha, Paulo Henrique Alonso, Maria Aparecida Seabra de Carvalho Cambraia, Elisete Inácio dos Santos, Vilmar Oliveira.
26ª REUNIÃO ESPECIAL DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 30/10/2003
Palavras do Sr. Luiz Roberto do Nascimento e Silva
Exmo. Deputado Mauro Lobo, Presidente desta Comissão; Exmos.
Deputados André Quintão; Exmo. Deputado Bonifácio Mourão, que faz
um trabalho expressivo a respeito de Ary Barroso; Exmo. Deputado
Paulo Piau, demais parlamentares - faço referência apenas aos que
facilmente identifiquei neste Plenário. É com muita alegria e
honra que compareço, pela primeira vez, à Assembléia Legislativa.
Então, aproveitarei esta oportunidade única para esclarecer e
divulgar as ações da Secretaria da Cultura de Minas Gerais.
Minha participação no dia de hoje se divide, na verdade, em dois
blocos. Agora pela manhã, tentarei esclarecer a ação da Secretaria
no tocante à modernização do aparato do Estado, ao choque de
gestão e à contribuição que a Secretaria deu a esse processo. Na
parte da tarde, vou expor mais detalhadamente a questão relativa à
Praça da Liberdade. Portanto, vou-me concentrar no que já foi
feito e no que está sendo feito no âmbito da Secretaria da
Cultura.
No entanto, não posso deixar de fazer um reparo em relação à
Praça da Liberdade. Como o Secretário Anastasia bem salientou, há
uma nítida interligação entre o centro administrativo e o centro
de espaço cultural dessa praça. Vou detalhar a questão na parte da
tarde, mas já de início gostaria de informar aos parlamentares que
o espaço da Praça da Liberdade será feito com todo cuidado, após
muito debate com a sociedade, e que esta Casa será ouvida em todas
as etapas. Não se pensa, em momento algum, fazer uma coisa
apressada, açodada. Sabemos muito bem da importância da Praça da
Liberdade e de sua simbologia para todos nós. Sabemos, portanto,
que esse processo tem de ser feito de forma muito cuidadosa, para
que possamos obter êxito. Inegavelmente, alguns dos prédios ali
existentes hoje não têm mais ocupação contínua; inegavelmente, há
oportunidade de aproveitamento nobre da praça, voltado para o lado
cultural.
Mas isso só pode ser bem-feito se feito com transparência, com
debate com a sociedade, com audição da sociedade civil, desta
Casa, do Conselho do Patrimônio do Município, enfim, de todos os
atores sociológicos importantes, que vão legitimar esse processo.
Será assim que conduzirei esse trabalho. Na parte da tarde, vamos
entrar em maiores detalhes sobre o que já foi feito, mas faço
apenas esse reparo inicial para tranqüilizá-los: nada será feito
sem um amplo debate com a sociedade - aliás, o que se imagina é um
concurso público, um concurso de idéias em âmbito nacional,
escolhido por uma comissão; portanto, esse processo terá uma
transparência contínua, do começo ao fim. Mas, como isso será
objeto da exposição da parte da tarde, vou me concentrar mais nas
questões objetivas da Secretaria da Cultura.
Aproveitarei esta oportunidade única para demonstrar o que a
Secretaria da Cultura faz, tendo apenas 0,19% do orçamento do
Estado. Portanto, é muito importante que tenhamos uma dimensão da
amplitude do que está sendo feito em nível da Secretaria da
Cultura, com impacto relativamente mínimo sobre o total do
orçamento do Estado.
Passarei a mostrar simples transparências que irão situar a ação
da Secretaria da Cultura.
Esta primeira transparência é sistemática. Demonstra de um lado
as entidades ligadas à gestão direta da Secretaria, instituições
como as superintendências de bibliotecas públicas, os arquivos
públicos e as superintendências de museus. Vemos ainda fundações
como o IEPHA, a TV Minas, a FAOP, a Fundação Clóvis Salgado e a
Rádio Inconfidência. Essa é a composição das Secretarias. Destaco
a presença do Secretário Adjunto, Dr. José Osvaldo Lasmar, que nos
honra muito.
Este quadro é o da missão institucional que os senhores conhecem
tão bem ou melhor que eu. Da mesma forma, este quadro me parece
redundante, pois são idéias de patrimônio comum. Sei que o tempo é
limitado, portanto quero aproveitá-lo da melhor maneira,
demonstrando apenas o que já foi feito concretamente.
Neste outro quadro, temos a visão da superintendência das
bibliotecas públicas. Temos uma idéia do que ela faz, o público
que ela atinge anualmente, e o controle da ação das bibliotecas
públicas de todo o Estado que ela faz.
Este é um mapa interessante, que, aliás, já foi modificado este
ano. É um mapa que demonstra com clareza a distribuição de
bibliotecas públicas no Estado. Como iremos demonstrar,
conseguimos um trabalho conjunto com o Governo Federal para que
Minas seja o primeiro Estado a ter bibliotecas públicas em todos
os municípios, ou seja, até o momento de elaboração deste mapa,
84% dos municípios tinham bibliotecas públicas. Apenas cerca de
16%, ou seja, 135 municípios não tinham bibliotecas públicas, mas
esse quadro já está sendo modificado.
Vemos aqui as Superintendência de Museus: Museus Guignard,
Mineiro, Alphonsus Guimaraens, em Mariana, Guimarães Rosa, em
Cordisburgo, e do Crédito Real, em Juiz de Fora.
A seguir, uma transparência sobre o Museu Mineiro, localizado na
Rua João Pinheiro. Vemos aqui a dimensão de sua função.
O Museu Casa de Guimarães Rosa é extremamente interessante,
porque, embora seu acervo físico seja pequeno, é muito importante
do ponto de vista de sua tradição oral na preservação da obra
desse mestre.
O Museu Guignard, em Ouro Preto, é dedicado à obra desse grande
artista.
O Museu do Crédito Real, em Juiz de Fora, representa uma
característica nova, porque é um museu ligado à história da moeda,
fugindo do viés tipicamente cultural, o que é extremamente
interessante.
Vemos aqui parte do acervo do arquivo público, bastante
expressivo.
A Superintendência de Ação Cultural cuida da Lei de Incentivo à
Cultura e trabalha, portanto, na formação permanente desse projeto
estruturante para a secretaria. Há o Sistema de Informações
Culturais; o apoio aos congados e à folia de reis e a
manifestações de raiz são feitos pelo Centro de Tradições
Mineiras. Há ainda o setor audiovisual.
A Fundação de Artes e Ofícios de Ouro Preto - FAOP - é uma
entidade que se dedica à cidade, com um trabalho importante na
área de artesanato. O IEPHA é o órgão básico de preservação do
patrimônio estadual, cuja ação no Estado equivale à do IPHAN.
Temos aqui uma série de projetos básicos do IEPHA. A Fundação
Clóvis Salgado, que todos conhecem, opera o Palácio das Artes e a
Serraria Souza Pinto. Vocês podem ver o Grande Teatro, as
galerias. Está registrada a obra de cunho social efetivada pelo
Centro de Formação Artística - CEFAR-, que, na verdade, quase
prepara os artistas do amanhã. Estamos montando permanentemente
cursos de gestão cultural e o próprio núcleo para esses artistas.
Temos aqui parte da ação dos corpos estáveis da Fundação Clóvis
Salgado, as funções da Rádio Inconfidência e ainda a Fundação TV
Minas. Felizmente, tanto uma quanto a outra retornaram ao âmbito
da Secretaria de Cultura por decisão do Governador Aécio Neves.
Em linhas gerais, quis mostrar como, com 0,19% do orçamento, a
Secretaria da Cultura realiza ação expressiva em Minas e
desempenha funções típicas de Estado na área de museus,
bibliotecas públicas, arquivística, música, dança, enfim, quis dar
uma dimensão do organograma da secretaria.
A segunda etapa refere-se ao que já foi feito concretamente a
partir de janeiro de 2003, quando assumi a pasta. A primeira
decisão que tomamos foi a criação de uma diretoria do audiovisual.
Mesmo vivendo o ajuste fiscal empreendido no Estado, achamos que
era necessário descobrir um espaço administrativo na Secretaria da
Cultura que criasse um núcleo ligado ao audiovisual. Era
inconcebível para nós que a Secretaria da Cultura não tivesse, em
pleno século XXI, nenhum departamento que se interligasse com o
cinema, a televisão e o vídeo.
Nossa primeira decisão foi criar essa estrutura, é um núcleo
ainda tímido, evidentemente, mas é um espaço administrativo
importante. Com isso, dinamizamos a relação da Secretaria da
Cultura com o Ministério da Cultura. A política maior em relação
ao cinema, pelo volume de recursos envolvidos, só é possível com
essa articulação em nível federal. Estamos ajudando não só o
Festival Curta Minas, mas contribuindo para a realização e
finalização de vários filmes neste momento. Da produção mineira,
estão sendo finalizados: “Vinho de Rosas”, de Elza Cataldo;
“Confronto Final”, de Alonso Gonçalves; “Um Espírito Baixou em
Mim”, de Jorge Moreno;” Peter Lund,” de Renato Menezes; “Amor
Perfeito”, de Geraldo Magalhães; “Pedro Nava”, de José Sette de
Barros. Estão prontos para lançamento: “Garrincha”, de Mílton
Alencar; “General”, de Fábio Carvalho.
É a inserção da Secretaria da Cultura no cinema, que, a nosso
ver, estava abandonado no Estado.
Outra ação imediata importante no Estado foi a luta que tivemos
de empreender em torno da preservação das leis de incentivo à
cultura. Como todos sabem, a reforma tributária, na sua primeira
versão, pretendia suprimir as leis estaduais de cultura. Isso
seria um equívoco grave nos Estados em que essa legislação tem
êxito, como é o caso de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande
do Sul e Bahia. Na medida em que se tentava fazer um pacto
federativo, buscando equilíbrio entre os entes federativos, União,
Estados e municípios, parecia-nos mais grave que fossem suprimidas
apenas as leis estaduais de cultura, mantendo assim as leis
federais e municipais. Participamos intensamente desse processo,
escrevendo, debatendo com o relator, o Deputado Federal Virgílio
Guimarães, e fazendo articulações com os Secretários da Cultura
dos Estados em que a lei de cultura é fundamental, como é o caso
da Bahia, do Rio Janeiro e do Rio Grande do Sul. Dessa forma,
contribuímos para que esse equívoco não prosperasse e para que a
Lei de Incentivo à Cultura fosse mantida no texto final da
reforma.
O que realmente permitiu a realização de projetos culturais nos
últimos anos foi a Lei do ICMS. Nos últimos quatro anos, Minas
Gerais recebeu apenas 9% de recursos das leis federais, um
percentual ínfimo, ridículo, que não expressa nem os PIBs
econômico e cultural do Estado. Do total de recursos das Leis
Rouanet e do Audiovisual, 86% foram para São Paulo e Rio de
Janeiro. Se a Lei do ICMS for suprimida, o setor ficará na
completa inanição, no completo abandono. O nosso trabalho foi para
a manutenção dessa lei. Agora, trabalharemos para que a
participação do Estado de Minas Gerais no conjunto de incentivos
federais seja ampliada. Estimulamos os produtores culturais a
participar dos projetos no âmbito federal. Tenho certeza de que
traremos recursos federais para nosso Estado, ampliando, assim, a
atuação do segmento cultural no País.
Outra questão pontual é a atuação que desenvolvemos na área de
patrimônio. Faço essa ressalva porque essa foi a minha orientação
quando exerci o cargo de Ministro da Cultura no Governo Itamar
Franco. Se as Secretarias da Cultura não forem dotadas de agenda
específica, concreta, de atuação sobre a realidade, acabam se
perdendo no caleidoscópio das boas intenções. Inegavelmente, o
setor cultural se caracteriza por um conjunto de projetos
legítimos, mas, se não houver uma agenda executiva, objetiva, isso
se perde. Enquanto estiver no comando da Pasta, o meu lema será
trazer o diagnóstico, mas, se possível, a terapia. Ou seja, trazer
ações concretas, reais, e não idéias bem intencionadas,
filosóficas, mas que se perdem com o tempo e com a cronologia
dramática que conhecemos da administração.
Logo depois dos incidentes dramáticos ocorridos em Ouro Preto e
posteriormente em Sabará, compreendemos que precisávamos de uma
ação imediata na área de patrimônio. O que havia sido feito até
aquele momento era sempre buscar o culpado depois que a porta já
estava arrombada, colocar o cadeado depois que o problema já tinha
ocorrido. A justificativa era a de sempre transferir a culpa para
alguém, para o Prefeito, para o padre, para o IPHAN, para o IEPHA
etc. Diluíam-se as culpas sem, na verdade, avançar-se no processo
social contínuo. Invertemos a lógica desse processo e trouxemos
para a Secretaria da Cultura todos os atores sociológicos
importantes que atuam no processo de patrimônio.
Assim, incorporamos a Secretaria de Defesa Social, a Promotoria
de Justiça, a Polícia Federal de Minas Gerais, a Associação das
Cidades Históricas de Minas Gerais - entidade que acabou de ser
criada e que é fundamental -, o IPHAN e o IEPHA. Outra coisa que
seria básica também e que muitas vezes foi esquecida é a
participação da própria Igreja. Assim, trouxemos a arquidiocese e
a Igreja para participarem, com a Secretaria, dessa força-tarefa.
O que já foi feito concretamente? De um lado, o Projeto Chama,
que é um projeto de consciência mineira contra a prevenção de
incêndios, que surgiu em Ouro Preto. Fundamentalmente, esse
projeto visa detectar preventivamente todos os pontos graves de
risco nas cidades históricas. Sabemos que esses problemas se
repetem e que acontecem por causa da fiação inadequada e antiga,
ainda de pano, apesar de estarmos em pleno século XXI; da
alteração de imóveis residenciais para uso comercial sem um
cuidado maior; e da ausência de uma estrutura maior do Corpo de
Bombeiros. Esse Projeto Chama está fazendo um diagnóstico dos
problemas das cidades históricas. O diagnóstico de Ouro Preto já
está pronto. Agora está sendo feito o de Sabará, e o trabalho
seguirá continuamente, em todo o Estado. O Governador do Estado já
tornou disponível um contingente do Corpo de Bombeiros que está
trabalhando de maneira fixa nesse projeto. Meu intuito é, depois,
consolidar uma força especializada na área de prevenção de
incêndios em cidades históricas.
Ao lado disso, conseguimos recursos junto à CEMIG, num esforço
grande do Estado, para que pudéssemos adquirir cinco viaturas
modernas. A compra dessas viaturas já está sendo licitada, e elas
serão entregues às cidades históricas. São viaturas que dispõem de
tecnologia moderna. Elas são mais leves e podem andar dentro das
cidades históricas com mais facilidade. Como todos sabem, as ruas
dessas cidades são de difícil acesso, e o que é importante é que,
ao invés de tecnologia de água, elas possuem tecnologia de vapor.
Com isso, sua eficiência no combate ao fogo aumenta, e a
preservação dos bens próximos aos locais atingidos não é
prejudicada. Essas unidades serão entregues até o final do ano,
ficarão em cinco cidades históricas, mas atenderão a núcleos. Por
exemplo, a unidade de Ouro Preto atenderá também a Mariana, e
assim sucessivamente. Então, trata-se de uma ação objetiva e
concreta que já está sendo implementada.
Por outro lado, criamos um “site” que é fundamental, porque vimos
o clamor da sociedade contra dilapidação, roubo e extravio de
peças em nosso Estado. Não tínhamos dados técnicos precisos que
permitissem e amparassem esse controle. Portanto, nossa primeira
providência foi a criação dessa força-tarefa preventiva do Projeto
Chama para o combate ao incêndio e ao acidente nas cidades
históricas, com a criação de unidades modernas do Corpo de
Bombeiros, que serão entregues rapidamente. O processo licitatório
já está em curso. Ao mesmo tempo, estamos nos estruturando
juridicamente e de forma moderna para que essas informações que
estavam dispersas - seja no IPHAN, seja no IEPHA, seja em
entidades civis - estivessem à disposição da comunidade. Esse
“site” está criado, e tomo a liberdade de exibi-lo para vocês. É
um “site” da Secretaria de Estado da Cultura. Acionando a parte do
patrimônio, ele aparecerá imediatamente. Com isso, todos podem
obter informações sobre qualquer cidade da região, escolher a
cidade e obter a descrição clara da característica da peça, sua
origem, fotografia e data da ocorrência, ou seja, quando ela foi
furtada ou desapareceu.
Pela primeira vez estão catalogadas no Estado de Minas Gerais 250
peças, com sua descrição completa, com fotografia, com dados, numa
revolução tecnológica que até hoje não havia sido feita. Como o
“site” é interativo, estamos recebendo contribuições de todo o
Estado, aperfeiçoando essas informações com novas ocorrências e
atualizando dados. Com isso, já conseguimos impedir que leilões
criminosos fossem feitos em outros Estados da Federação,
notadamente no Rio de Janeiro, onde recuperamos peças que seriam
leiloadas. Com a ajuda da Polícia Federal, recuperamos em todo o
País cerca de 200 peças, em um prazo de dois meses. Essa é uma
ação objetiva e concreta, que demonstra a forma de atuação da
Secretaria de Estado da Cultura.
Já entregamos algumas das peças recuperadas em Brumal e vamos
entregar em Monsenhor Horta. Nossa única exigência é que os
municípios comprovem ter instalado alarme de proteção para a
segurança no retorno dessas peças.
O último programa ao qual gostaria de me referir é o das
bibliotecas públicas. Em conjunto com o Governo Federal, pela
primeira vez conseguimos articular um programa que busca eliminar
o déficit de bibliotecas públicas no Estado. Comparando-se ao
restante dos Estados da Federação, Minas tem uma posição bastante
boa, na medida em que 84% da rede municipal já é atendida por
bibliotecas públicas. Mas cerca de 135 municípios ainda não as
tem. Obviamente, são os municípios mais pobres, localizados em
regiões mais distantes e menos atendidas pelo Estado. São cidades
cuja população varia entre 5 mil e 10 mil habitantes. Conseguimos
negociar com o Governo Federal, com o Estadual e com o Municipal.
O Governo Federal fornecerá o acervo básico de livros e um
computador. O Governo Estadual será o responsável pela
profissionalização e capacitação. O município indicará a sede onde
as bibliotecas serão instaladas. Serão cerca de 78 mil exemplares,
envolvendo quase R$2.000.000,00. Até fevereiro do ano que vem, as
bibliotecas já estarão implantadas. Podemos dizer com alegria que
Minas será o primeiro Estado a ter uma rede de bibliotecas
públicas cobrindo 100% do Estado, numa demonstração de articulação
entre os diferentes níveis do poder público, ou seja, União,
Estados e municípios, e de parceria com a sociedade privada.
Em linhas gerais, são essas as idéias. Alonguei-me pela
oportunidade única de expor o que foi feito pela Secretaria da
Cultura, qual é sua função e como age. Estarei à disposição dos
senhores na parte da tarde para discutir o projeto estruturador.
Muito obrigado pela atenção e pela oportunidade que me concederam.