LUIZ DULCI (PT), Representante do Presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, Ministro-Chefe da Secretaria Geral da Presidência da República
Discurso
Transcurso do 25º aniversário de fundação do Partido dos Trabalhadores -
PT.
Reunião
12ª reunião ESPECIAL
Legislatura 15ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 20/04/2005
Página 41, Coluna 4
Assunto CALENDÁRIO. REPRESENTAÇÃO POPULAR.
Legislatura 15ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 20/04/2005
Página 41, Coluna 4
Assunto CALENDÁRIO. REPRESENTAÇÃO POPULAR.
12ª REUNIÃO ESPECIAL DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 15/4/2005
Palavras do Ministro Luiz Dulci
Boa-noite. Cumprimento os colegas da Mesa, Patrus Ananias,
Nilmário Miranda e Deputado Adelmo Carneiro Leão, que teve a feliz
iniciativa desta reunião. O PT já é parte integrante da democracia
brasileira, e é justo que a Assembléia Legislativa, como
instituição, lhe preste essa homenagem, pois é o maior partido
político brasileiro e tem a maior bancada de Deputados Estaduais
nesta Casa.
Cumprimento também o Deputado Rogério Correia, meu antigo colega
de cursinho. Eu dava aulas junto com sua mãe, nossa grande amiga
Marília, e em 40 cursinhos de Belo Horizonte, somente nós dois
fomos demitidos naquela greve, porque foi considerado abandono de
emprego, uma vez que os demais professores não estavam em greve.
Cumprimento nossa grande companheira Sandra, primeira candidata a
Governador, que tem uma trajetória importante e agora está
assessorando nossa bancada no Senado Federal.
Saúdo nossa Presidente Estadual do PT, Maria do Carmo. Silvinho
Rezende, muito nos honra sua presença, pois o PT tem construído
uma relação com outros partidos e com parlamentares de outras
agremiações políticas com compromissos democráticos.
Saúdo tantas pessoas, como o filho do Sr. Joaquim e o Sr. Milton
Freitas, dois baluartes da criação do PT, o Sr. Inácio e a D.
Helena, nossa primeira Vereadora na Câmara de Belo Horizonte.
Como fui nomeado para falar em nome de todos, queria discorrer a
respeito do nosso Governo, de seus avanços e desafios, pois essa é
a melhor maneira de homenagear nosso partido. Após 22 anos de
caminhada, chegamos à Presidência da República e já temos dois
anos e três meses de Governo. Não fizemos tudo o que queríamos nem
tudo o que certamente faremos, mas já fizemos muito.
Começo citando um petista de Belo Horizonte, o Gonzaguinha: “Se
muito vale o já feito, mais vale o que será.”. Faremos muito mais.
O que já fizemos é suficiente para caracterizar o Governo Federal
como o mais transformador da história do País.
Quero falar um pouco do nosso Governo. No vídeo, apareceram Paulo
Freire, Sérgio Buarque, Mário Pedrosa, Henfil e muita gente boa.
Citarei Paulo Freire porque dizia que o partido político é um
espaço educativo por excelência. Na história dos 25 anos do PT,
uma das diferenças é que ele foi um espaço de auto-educação das
classes populares brasileiras. Na minha opinião, isso é que faz do
PT um partido tão singular. Evidentemente, ele não está isento de
defeitos e de erros. Não se trata de triunfalismo nem apologia à
critica, à celebração apenas porque somos do PT. O PT é nosso.
Há 20 dias, participei de uma série de atividades nos Estados
Unidos, nas principais universidades, nos movimentos sindicais,
nas ONGs e nas igrejas. O PT é internacionalmente reconhecido como
um partido inovador nos seus conteúdos e nas suas formas de
atuação. Até os erros do PT são originais. Os nossos méritos,
nossas falhas, nossas dificuldades e nossos tropeços também são
originais. Temos razão para sentir muito orgulho do partido. Não
há motivo, ao longo desses 25 anos e muito menos durante os dois
anos e três meses de Governo, para que tenhamos uma postura
defensiva, enrustida; pelo contrário, sem arrogância, devemos ter
uma postura aberta. Uma experiência educativa significa ensinar e
aprender. Portanto temos de aprender com as dificuldades, com as
falhas e com os erros. O saldo é tremendamente positivo.
Nenhum observador sereno, equilibrado, que não seja movido por
paixões políticas - evidentemente que o juízo não é universal -,
deixará de reconhecer que o PT é uma experiência partidária ímpar,
extraordinária, uma grande inovação na história política do País.
Ele não é o único partido popular. Às vezes, costumamos falar
como se a luta política das classes trabalhadoras tivessem
começado com o PT. Não. Antes do PT, tivemos extraordinárias
experiências com partidos populares, com gente da maior
generosidade - sindicalistas, intelectuais, operários. Acredito
que podemos dizer sem exagero que, como projeto partidário para o
País, por meio do qual os trabalhadores se expressassem, no qual
os trabalhadores fossem sujeitos e não apenas platéia, não há
experiência comparável à do PT, até porque ele procurou resgatar o
que havia de melhor nas experiências anteriores dos partidos de
esquerda, dos movimentos populares, dos movimentos operários, das
lutas feministas e de combate ao racismo.
O vídeo mostrou maravilhosamente. Todo o mundo que está aqui deu
a sua contribuição. Evidentemente, essa qualidade singular do PT
deve muito às lideranças, especialmente à do Lula. Mas deve mais
ao fato de que, desde o início, foi um partido das massas, no qual
centenas e milhares de trabalhadores participam. O PT nunca foi um
partido estritamente de vanguarda. Isso é muito importante.
É um partido de luta, radical, como devem ser os partidos de luta
naquilo que merece abordagem radical. É menos radical em questões
que merecem abordagens menos radicais. Mas o PT sempre foi um
partido de massas, daí advém a sua singularidade.
Como disse no início, a melhor maneira de homenagear o nosso
partido é não nos prendermos a uma fala apenas protocolar,
celebratória, mas fazermos uma certa avaliação do Governo do
Presidente Lula, que foi construído por todas as pessoas que estão
aqui e por centenas de milhares, talvez milhões de pessoas como
nós, que estão nos outros 5.522 municípios brasileiros, com
exceção de Belo Horizonte, embora tenhamos aqui muitas lideranças
importantes de diferentes regiões de Minas: Prefeitos,
companheiros que integram a equipe do Governo Federal, como o
Rodrigo Campos, Diretor de Furnas; e Carlos Calazans, que
abandonou aquele platozinho que ocupava na Praça Sete. Aliás, essa
era uma originalíssima forma de discurso político. Religiosamente,
ele usava aquele tamborete na Praça Sete para fazer seus
discursos.
Queria falar do nosso Governo da seguinte maneira: é claro que o
Governo está em debate entre nós. Podemos e devemos fazer isso no
processo do PED. Toda a militância deve fazer a análise do nosso
Governo livremente, com independência, como sempre aconteceu. Não
é apenas um direito, é uma necessidade. O que direi aqui não
pretende inibir de maneira alguma essa avaliação dos acertos, dos
eventuais erros, dos avanços, das limitações e dos desafios.
É muito importante que não celebremos os 25 anos do PT como se os
dois anos e três meses do Governo Lula não fizessem parte desse
período. Fazem parte, são resultado do processo, e um resultado
coerente até nas contradições. O PT sempre foi um partido com
contradições reais e aprende com elas. Graças a Deus, nunca fomos
um partido preso a doutrinas abstratas. Tivemos e temos
princípios. Sempre nos orientamos e continuamos a nos conduzir por
valores éticos e sociais. Isso não mudou, mas soubemos evoluir ao
longo do tempo, aprendendo com a nossa experiência parlamentar e
social, com a nossa experiência de Governos Municipais, Estaduais
e Federal.
O Governo do Presidente Lula, nos seus acertos e eventuais
limitações, é fruto do nosso processo. Pode e deve ser defendido
por todos nós, até porque começa no Brasil a haver ataques
fortíssimos pela direita. Uma coisa é debatermos entre nós, no
campo da esquerda, aquilo que avançou mais, que avançou menos e a
maneira de fazer com que o avanço seja global, sobretudo na
perspectiva das reformas estruturais. Porém, o nosso Governo
começa a sofrer ataques pela direita, acusações completamente
infundadas, ou então justificadas, mas à luz das idéias
neoliberais, e não dos compromissos que o Presidente Lula assumiu
quando venceu as eleições.
Não desejo cansar vocês, mas quero fazer uma avaliação sintética,
partindo do seguinte ponto. É muito difícil avaliar motivação
eleitoral, por que milhões de pessoas votaram no Lula para
Presidente da República, até porque pode variar. Alguns votaram
com expectativas mais marcadas ideologicamente. Outros o fizeram,
digamos, querendo que fizéssemos menos do que o que estava no
nosso programa. A motivação ideológica é muito variada, mas não
erraríamos se disséssemos que a média de quem elegeu o Lula queria
que o Brasil voltasse a crescer de modo sustentado e que esse
crescimento tivesse um ciclo histórico.
Era o primeiro objetivo. O segundo era a geração de emprego em
massa, com efetiva distribuição de renda, vasta inclusão social,
forte participação popular na definição, no acompanhamento, na
avaliação das políticas públicas, com o combate sistêmico,
permanente e implacável da corrupção e, por último, não menos
importante, com o resgate da soberania nacional. Não estaremos
errados se dissermos que, de alguma forma, esses objetivos que
anunciei, de maneira esquemática, somados, compunham o novo
projeto de desenvolvimento nacional, que levou a grande maioria do
povo brasileiro a votar em Lula. Isso evidentemente supõe muitas
coisas. A questão da igualdade social passa pela igualdade racial,
pelo combate ao racismo. Mas acho que esses objetivos traduzem
nosso projeto de Governo. A esperança que o Presidente Lula
despertou na sociedade brasileira foi imensa. Em nenhum desses
itens fizemos o que gostaríamos. Em nenhum deles já fizemos aquilo
que foi prometido para quatro anos de Governo, mas, em todos eles,
temos muito a mostrar em dois anos e três meses.
Outro dia, estava participando de um debate com Ciro Gomes, na
CUT nacional, e ele, que já participou de Governos passados, já
foi Ministro da Fazenda e não é do PT, desafiou, serenamente,
qualquer porta-voz dos oito anos de Governo neoliberal que o
Brasil teve a fazer uma comparação, área por área, das realizações
do nosso Governo com quaisquer indicadores, para verificar se o PT
não realizou mais, especialmente dentro dos objetivos estratégicos
de mudança, mencionados aqui.
Começando pela questão econômica, podemos debater o que
quisermos: se a taxa de juros deveria ser mais baixa - é claro que
deveria -; se a política monetária deveria ser essa ou não, se
deveria merecer alguma inflexão, se a política fiscal deveria ser
mudada. Tudo isso pode e deve ser debatido, mas o fato
insofismável é que, depois de dez anos de estagnação econômica, o
Brasil voltou a crescer. A crise econômica e financeira que o
Presidente Lula herdou, fruto de oito anos de Governo neoliberal,
foi superada. Criamos condições para que o País voltasse a crescer
5,2% no ano passado, o maior crescimento em dez anos. Ele vai
continuar a crescer neste ano porque todas as previsões
catastróficas, difundidas a toda hora pela imprensa, são
desmentidas pela realidade, paulatinamente. Diziam que haveria
crise cambial, mas não houve. Diziam que, com o dólar a R$2,60, as
exportações tornar-se-iam inviáveis, mas não se tornaram. A cada
mês, há recordes de exportações. A economia continua a crescer,
entre outras razões, porque nossa política econômica não se resume
à política monetária. A política que o Governo adota é clássica.
Não havia outros instrumentos disponíveis naquele momento para
combater a inflação, e ela precisava ser combatida. Embora a taxa
de juros esteja em patamares altos, injetamos na economia, por
meio de um verdadeiro choque de crédito popular, mais de
R$30.000.000.000,00.
Apenas nas políticas de transferência de renda - ali está o
Ministro Patrus Ananias, coordenador desse processo e que, para
nossa alegria, é nosso conterrâneo -, o máximo que o Governo
Fernando Henrique, no melhor ano dos seus oito anos, destinou à
política de transferência de renda, incluindo bolsas, idosos e
deficientes, foram R$5.000.000.000,00. Apesar de todas as
dificuldades financeiras e de todas as polêmicas sobre políticas
econômicas, já passamos de R$15.000.000.000,00, mais que o triplo
destinado à população pobre pelo Governo Fernando Henrique no
melhor ano do seu Governo. Isso é distribuição de renda, um dos
nossos compromissos.
Como todos sabem, gosto de dar exemplos específicos, pois tenho
cacoete de professor de cursinho. O máximo que o Presidente
Fernando Henrique Cardoso destinou à agricultura familiar no
melhor ano do seu Governo foram R$2.300.000.000,00. É evidente
que, para superar a crise que herdamos do período neoliberal, foi
preciso destinar à área econômica a maior parte dos recursos
financeiros disponíveis. Mesmo assim, na primeira safra do Governo
Lula, destinamos R$4.300.000.000,00 à agricultura familiar. Já na
segunda, destinamos R$7.000.000.000,00, quase o triplo dos
recursos que eles destinaram à agricultura familiar. Esse é o
motivo de, ao fazer pesquisa nas áreas rurais, o Governo Lula ter
forte aprovação; não por ignorância nem por falta de debates, mas
porque estão vendo a materialidade da política transformadora. Há
apoio para o agronegócio? Sim, já que essa área é muito
importante. Temos apoio maior para a agricultura familiar.
O fato de não termos uma política de juros ideal não impediu que,
em parceria com a CUT - central que muitos de nós ajudamos a
fundar -, com a proposta do crédito popular, injetássemos na
economia R$14.000.000.000,00, descontados em folha de pagamento. E
agora, com o ingresso dos aposentados, neste ano passaremos os
R$20.000.000.000,00. Então, na prática, nossa política econômica é
muito diferente da do Governo anterior, ainda que a política
monetária seja maior. Eles não fizeram cheque de crédito popular;
não investiram pesadamente na agricultura familiar; e gastaram
menos de 1/3 do que gastamos nas políticas de transferência de
renda. Agora os neoliberais saudosos nos acusam de excesso de
gasto público. O que fazemos é a famosa inversão de prioridades.
Não há nenhum excesso de gasto público. O gasto é criterioso. Se o
País voltou a crescer, se o País gera mais riqueza, esta precisa
ser mais bem distribuída, um dos compromissos do Presidente Lula.
Durante o século XX, houve vários períodos em que o País cresceu;
chegou a crescer 8% ao ano. Entretanto, ao final desse período,
não havia distribuição de renda. É preciso distribuir. Por isso
demos início à política de valorização do salário mínimo, embora
um salário de R$300,00 não seja o ideal. Se quisermos valorizar
gradativamente o salário mínimo, precisa haver, a cada ano,
aumento acima da inflação. Não resolveremos uma defasagem
histórica apenas em um ano, nem a corrigiremos se não houver
iniciativa no nosso Governo. A Oposição, que nos criticou
duramente em 2003 porque o Governo não pôde aumentar
satisfatoriamente o salário mínimo, fingiu não haver reajuste do
salário no final deste ano.
Os Deputados Federais Ivo José, Reginaldo Lopes e Paulo Delgado,
que se encontram presentes, sabem disso. Ninguém debateu salário
mínimo no final do ano passado porque a nossa política iniciou a
sua recomposição. Estamos negociando com a CUT e com a Força
Sindical para que, nos próximos dez anos, o salário mínimo sempre
tenha aumento acima da inflação, de tal maneira que o resultado
disso seja uma recomposição histórica. Apesar do erro, do tiro no
pé que foi o “modus operandi” - para homenagear os meus latins -
da Medida Provisória nº 232, o principal é a correção da tabela do
Imposto de Renda dos assalariados, que durante todo o Governo do
Fernando Henrique não foi feita, mas que o Governo Lula está
fazendo agora. Muitas vezes, os nossos erros, que são políticos e
de forma, costumam esconder uma série de avanços econômicos e
sociais importantíssimos que contam muito mais para a população,
sobretudo de baixa renda, do que erros de forma no plano da
política.
A nossa política econômica não é a mesma. Se fosse, não teria o
resultado que teve. Pelo menos em três momentos do Governo
Fernando Henrique havia todas as condições para fazer o País
crescer, mas faltou coragem, coragem essa que não está faltando ao
Presidente Lula. Eles poderiam ter feito o Brasil crescer, pois as
condições internacionais e macroeconômicas internas eram
favoráveis, mas não o souberam e ficaram neste dilema estéril: ou
estabilidade sem crescimento ou crescimento sem estabilidade.
Optaram pela estabilidade sacrificando a sociedade brasileira.
Esse não foi o caminho do Governo Lula. Promovemos as duas coisas:
crescer com estabilidade. Já não dá para crescer num mundo
globalizado como o de hoje sem estabilidade, é um crescimento com
pé de barro. Você acha que cresceu com a inflação, mas daí a pouco
tropeça, e o País ficará nessa história de vôo de galinhas, “stop
and go”, etc. Aí não será um ciclo histórico de crescimento
sustentado, que é o compromisso programático do PT, está no
documento da campanha Lula. O nosso desafio agora é consolidar o
crescimento. Para isso, baixamos uma série de medidas: parcerias
público-privadas, nova Lei de Falências, pacotes de apoio ao setor
imobiliário e tantas outras.
A política econômica é outra, por isso está tendo outro
resultado. Se fosse a mesma, o País estava estagnado. É evidente
que precisamos falar isso, ter um discurso mais ofensivo, menos
enrustido, menos acanhado. Ainda que queiramos avançar muito mais
do que já avançamos - e é justo que isso seja desejado pelo
conjunto do partido e da sociedade -, é preciso defender e afirmar
as transformações que já conseguimos no terreno da economia,
porque todos sabem que a crítica da direita é essa. Dizem que o
que há de bom no Governo Lula é repetição do Governo anterior e
que o que há de ruim ou de supostamente ruim é aquilo que o PT
quer mudar. Não é verdade, porque as nossas políticas sociais são
melhores que a deles. Mas estou falando primeiro da questão
econômica. A qualquer país estrangeiro que vamos, ninguém diz que
a nossa política é a mesma. Sabem que a política monetária é
clássica, que a responsabilidade fiscal é enorme, que adotamos
determinados instrumentos de política macroeconômica que são
aqueles disponíveis, mas não acham que a nossa política seja a
mesma do Governo Fernando Henrique, porque sabem que os resultados
são diferentes. Políticas idênticas não produzem resultados
diferentes se as condições concretas não são tão distintas. Isso,
no plano da economia.
No plano do emprego, geramos 2.100.000 empregos com carteira
assinada nesse período. É importante lembrar que, nos dois últimos
anos do Governo Fernando Henrique, o Brasil estava perdendo
empregos. A cada ano havia um saldo negativo entre os empregos que
se criavam e os que eram extintos.
Nos dois primeiros anos do nosso Governo, o saldo é amplamente
positivo: são 2.100.000 empregos com carteira assinada e mais de 1
milhão de postos de trabalho na agricultura familiar, que não são
empregos formais, mas reais e remunerados. São 3 milhões de postos
de trabalho. Não sei se chegaremos aos 10 milhões de que se falou,
mas, nesse ritmo, geraremos 7 milhões ou 8 milhões de empregos até
o final do Governo Lula. Isso é uma revolução do ponto de vista do
emprego neste País.
Com o Programa Bolsa-Família - e o Patrus poderá falar sobre esse
assunto melhor que eu -, estamos atendendo 6.500.000 famílias, o
que é o triplo da bolsa média concedida pelo Governo anterior. São
6.500.000 famílias, e pelo menos 28 milhões de pessoas. Quando o
Lula disse, e não era metáfora, que, se ao final de seu Governo
houvesse no Brasil alguém que não tivesse oportunidade de fazer
três refeições ao dia, o Programa Bolsa-Família asseguraria isso.
Não é tudo que gostaríamos de fazer, mas é uma política de
solidariedade social efetiva. Se em dois anos e três meses 28
milhões de pessoas estão assistidas, não acabaremos com a pobreza
no Brasil, mas reduzi-la-emos fortemente. Acabaremos com a fome,
com as políticas de transferência de renda. O Lula disse que, se
necessário, até o final do Governo, 11 milhões de famílias
receberão. Dizem que está gastando muito, mas não: está gastando o
necessário.
Poderíamos citar uma série de outros exemplos, como a área da
educação. É claro que provoca polêmica para a UNE, por exemplo. As
grandes universidades privadas deviam fortunas em impostos
atrasados ao Governo, e 70% dessas vagas, das 100 mil do Pró-Uni,
é dívida das universidades privadas que estão sendo pagas em
vagas, que vão para alunos carentes. É claro que isso provoca uma
reação tremenda das empresas de educação. Mas quem faz mudanças
sem reação? Quem transforma a realidade sem enfrentar adversários?
Mudanças geram turbulências, supõem algum tipo de conflito.
Geramos empregos, ainda não na quantidade de que gostaríamos, mas
muito mais que qualquer Governo anterior, desde a
redemocratização.
Já falei sobre a distribuição de renda. Na questão da inclusão
social, já dei exemplos que vão além do Ministério do
Desenvolvimento Social, que tem outras políticas de inclusão, mas
as políticas centrais estão lá. Temos coisas a mostrar em todas
essas áreas.
Na participação popular, nenhum Governo, na história do Brasil -
e não sou bravateiro - criou, consolidou ou fortaleceu tanto os
canais de participação popular na definição e no acompanhamento de
políticas públicas. Não há comparação com nenhum outro Governo.
Quero dar um exemplo, que é a Conferência Nacional dos Direitos da
Mulher, feita no ano passado. Mais de 2.500 municípios tiveram
reuniões de base municipal. Depois tivemos os encontros nos 27
Estados. Aproximadamente 140 mil mulheres brasileiras participaram
diretamente da definição da nova política dos direitos da mulher
no País. E, depois, houve a conferência nacional, a que muitos de
nós fomos, o Presidente Lula compareceu, com 2.500 delegadas.
Se verificarmos em todas as áreas, conselhos que acompanham,
fiscalizam e têm acesso, o nosso Governo é o mais participativo
dos Governos que o País já teve. E a participação é substantiva.
Muitas propostas elaboradas pelos movimentos populares são
acolhidas pelo nosso Governo. O plano de apoio à agricultura
familiar foi elaborado no CONSEA e proposto pelos movimentos
populares. Já mencionei a questão do crédito, com desconto na
folha de pagamento, que foi proposta da CUT, aceita pelo
Presidente Lula. Há muitas propostas importantes. Hoje os
movimentos populares e sindicais, as ONGs, etc. integram as
delegações brasileiras que negociam no estrangeiro. Uma delegação
que vai para a Organização Mundial do Comércio - OMC - tem
representantes dos movimentos populares, não só das elites
empresariais, como ocorria no passado. Hoje, elas não vão
sozinhas.
Nossa política externa também começou a ser objeto de ataque.
Vejam a cobertura da viagem à África, como é pitoresca e irônica,
num momento em que o Presidente Lula vai, mais uma vez, àquele
continente, com interesses que não são apenas comerciais. Este
País teve quatro séculos de escravidão. Durante os dois Governos
do ex-Presidente Fernando Henrique, o Brasil virou as costas para
a África, ou seja, para si mesmo. O Presidente Lula voltará à
África quantas vezes for necessário, porque nossa política externa
é a do resgate da cidadania, do MERCOSUL, da criação do G-20 e do
G-3. Não há comparação entre a atual política e a anterior.
Quando havia risco de golpe na América Latina, o ex-Presidente
Fernando Henrique emitia uma nota, fazia um comentário. Nós
agimos, interferimos respeitando a autonomia dos países. Havia
risco de golpe na Venezuela, e o Brasil propôs o Grupo de Amigos
da Venezuela. Aqueles que sempre prevêem desastres disseram que
não ia dar certo e que os EUA não iam participar. Eles entraram
para não ficar de fora. Isso é disputa de hegemonia.
Grande parte do saldo exportador brasileiro - passamos de
US$100.000.000.000,00 em um ano - vem da diversificação de
mercados e da neutralização do protecionismo dos países. Do
comércio exterior brasileiro, 25% eram com os EUA, mas os pacotes
protecionistas daquele país - principalmente os da agricultura e
da siderurgia - restringiram a possibilidade de venda. Os Governos
passados ficavam lamentando, e o nosso diversifica os parceiros
culturais, políticos e econômicos. Não queremos depender
exclusivamente de um país.
Todos aqui são militantes. É bom lembrar que o Brasil conduziu
equilibradamente o processo da ALCA. O Presidente Lula afirmou
que, em tese, a integração das três Américas poderia ser benéfica
para todos os países, mas ressalvou que, em seu Governo, o Brasil
não assinaria um acordo se fosse desigual e danoso - e não
assinou. Não fez bravata, não provocou. Sempre que uma reunião não
produzia os resultados desejados, o Brasil era o primeiro a propor
uma nova reunião. Não brigamos com o prazos, que, aliás, venceram.
O acordo não deixou de ser assinado por causa de prazo, mas porque
se trata de uma questão de legítimo interesse dos países. Como os
interesses dos 36 países das Américas não foram assegurados, o
Brasil não assinou. E sem grandes alardes ideológicos, mas com
muita firmeza política.
Nestes dois anos e três meses - não estou escondendo os erros -,
o saldo é muito positivo; caso contrário, não teríamos, em todas
as pesquisas, o apoio majoritário da sociedade brasileira ao
Governo do Presidente Lula. Todos sabem que o fogo inimigo é
enorme, pois grande parte dos instrumentos de formação da opinião
pública no Brasil são controlados pela direita, por adversários do
Governo. Assim, o que é bom não tem destaque, e o que é ruim tem,
muitas vezes, uma visibilidade desproporcional à dimensão do
problema. Não nego os erros.
Pelo contrário, o debate no partido, durante o processo do PED,
contribuirá para que o Governo consolide os seus acertos e avance.
Por exemplo, na agricultura familiar, a reforma agrária é um
sucesso. O Lula já é o Presidente da agricultura familiar. Essa é
uma das marcas do nosso Governo. Na reforma agrária, não
realizamos tudo o que pretendíamos. No primeiro ano, fixamos a
meta de 60 mil famílias e assentamos 37 mil. No segundo, a meta
era de 115 mil, e assentamos 90 mil. Neste ano, assentaremos 115
mil famílias.
Indagarão por que isso ocorreu. Podem ter ocorrido falhas nossas.
Um Governo de esquerda não deve ter pudor de assumir falhas de
execução e de concepção. Durante os últimos 10 anos, herdamos 400
mil famílias assentadas sem água, luz nem casa e longe das
estradas e dos mercados consumidores, ou seja, jogadas na terra.
Nos últimos 10 anos, 80% das famílias assentadas não produziam
nada, viviam da doação de cestas básicas do Governo. O Presidente
Lula resolveu adotar um caminho, que tem riscos e desgaste,
porque, evidentemente, os movimentos de trabalhadores rurais
desejam que, ao mesmo tempo, superemos os problemas que havia nos
assentamentos anteriores e assentemos muita gente nova. Não
conseguimos realizar isso; porém, os assentamentos agora possuem
assistência técnica, por meio do Programa Luz para Todos. Até o
final do nosso Governo, todos os assentamentos terão luz elétrica
não somente para a vida doméstica, mas também para produzir. Além
disso, obterão escola, serviço de saúde, assistências técnica e
jurídica e cooperativas. A reforma agrária não pode ter somente
sentido ético, tem que ter também sentido econômico. Para
equilibrar o jogo do agronegócio, a agricultura familiar
resultante da reforma agrária precisa possuir não somente economia
de subsistência, mas também força econômica e escala de produção.
Estamos avançando. Reconstituímos o Estado democrático
republicano no Brasil. Não listei isso aqui. A Caixa Econômica
estava virtualmente privatizada e voltou a ser um Banco público. O
Banco do Brasil reaprendeu a lidar com os pobres, promovendo o
empréstimo de agricultura familiar. O IBAMA, o INCRA e a FUNAI
estavam sucateados. Como realizamos concurso público, acusam-nos
de inchar o Estado. Isso não é verdade. Realizamos o mínimo
necessário. Não repunham os professores universitários. As pessoas
se aposentavam, e não havia reposição com servidores concursados.
É evidente que deve haver novos concursados. Acusam-nos de dar
reajuste acima da inflação para os servidores públicos federais.
Isso é verdade. No ano passado, 1.500.000 servidores federais
obtiveram reajuste acima da inflação, de 12% a 42%, inversamente
proporcional, ou seja, quem ganhava menos obteve reajuste maior;
quem ganhava mais, reajuste menor. Isso não está errado. A nossa
visão de Estado é essa. O Estado republicano não precisa ser
gigantesco nem atrofiado. A nossa visão do Estado não é a mesma
dos neoliberais. Para promover boas políticas públicas, é
necessário o maior esforço possível, dentro das limitações, para
valorizar. Todos os setores do funcionalismo federal terão plano
de carreira. Isso foi negociado no ano passado. Portanto, muitos
que não tinham passarão a ter.
Enfim, temos todos os motivos para assumir o que chamaria de nova
atitude. Isso vale para nós, do Governo, para os parlamentares da
Câmara, do Senado, das Assembléias, das Câmaras de Vereadores,
para os Prefeitos, Vereadores e dirigentes partidários e para a
militância de base. Além disso, devemos assumir uma atitude mais
ofensiva na disputa política, sem prejuízo do debate que visa a
aperfeiçoar o que pode e deve ser aperfeiçoado.
Temos todos os motivos e a necessidade de assumir uma atitude
mais defensiva. Evidentemente, os partidos transcendem os
Governos, mas o destino do PT está muito vinculado ao destino do
nosso Governo. O PT tem de saber isso, e o Governo, também. O
nosso Governo deve ser adequadamente avaliado ao final de quatro
anos. Até agora, as conquistas são parciais. Não poderia ser
diferente. Se temos um programa para quatro anos - há
transformações que não se podem realizar em quatro anos -, não se
pode exigir que o nosso programa tenha sido plenamente cumprido em
dois anos e três meses. A avaliação tem de ser parcial. Quais
foram os avanços na metade do Governo? Foram muitos, repito,
apesar das falhas, dos tiros no pé, do fogo amigo, dos erros
econômicos e políticos, de tudo o que pode acontecer e acontece
com qualquer governo, por melhor e mais transformador que seja.
Mas o saldo é muito positivo. Isso fica muito claro nas
pesquisas. As classes populares brasileiras têm uma avaliação
fortemente positiva deste Governo. E não é das suas promessas, mas
das suas realizações. Estou me lembrando dos 28 milhões que
recebem o Bolsa-Família. A avaliação do Governo não é feita em
tese. As pessoas passaram a receber o triplo do que recebiam.
Milhões e milhões de pessoas que não recebiam passaram a receber.
Os cadastros estão sendo aperfeiçoados, as críticas justas foram
incorporadas e traduzidas em iniciativas práticas de fiscalização
pelo Ministério do Desenvolvimento Social, para citar um exemplo,
entre muitos outros ministérios que poderiam ser mencionados.
Tomei a liberdade de falar sobre o nosso Governo porque essa é a
disputa central da vida brasileira, hoje. O debate que faremos no
PED, no PT, no processo de eleições diretas internas, não é apenas
interno. Toda a sociedade brasileira acompanhará o debate que
faremos. Podemos e devemos analisar criticamente tudo o que nosso
Governo fez. Não há nenhuma limitação. Nenhum debate faz sentido
se não houver plena liberdade de análise.
Quero, com muita franqueza, ser coerente com estes 25 anos de
história do PT, no momento que vivemos hoje e com o tipo de
disputa com a direita brasileira, que se rearticulou. O PSDB e o
PFL se rearticularam. Têm agenda própria, que estão tentando nos
impor. Querem nos acusar injustamente de arrocho tributário e de
farra fiscal. Não aumentamos a carga tributária brasileira, que é
alta, mas já o era e não pode ser modificada tão rapidamente, por
causa dos compromissos do País, e muito menos estamos fazendo
gasto público sem critério. Mas é preciso fazer disputa política e
ideológica, como disse o Presidente Lula outro dia.
No Brasil, quando se investe na indústria, em setores
empresariais, isso é considerado investimento. Quando se investe
nos pobres, é considerado gasto. Não podemos aceitar isso, porque
as duas coisas são investimentos no desenvolvimento social. Temos
de travar disputa na rua dizendo que o que se gasta com o pobre
também é investimento. E é investimento tão importante e
necessário quanto o que se faz com estradas, portos, aeroportos,
infra-estrutura de escoamento da produção, energia elétrica,
gasodutos. É justo gastar com infra-estrutura. É justo dar isenção
às exportações. É justo ter uma política industrial que favoreça a
indústria brasileira. Mas é igualmente justo investir nos pobres,
nos trabalhadores, nas classes populares, senão não haverá
distribuição de renda.
Defendemos o PT hoje, sem prejuízo da liberdade de análise, de
crítica, dos aperfeiçoamentos que devem ser feitos no Governo.
Somos os primeiros a reconhecer que há muita coisa a ser
aperfeiçoada, melhorada; muita coisa que não fizemos ainda ou
fizemos aquém do que gostaríamos. Por isso citei o Gonzaguinha,
numa belíssima música: “Se muito vale o já feito, mais vale o que
será”.
O que nos autoriza a dizer que até o final de 2006 consolidaremos
nossas realizações é a disputa afirmativa em defesa do que foi
feito, mesmo que tenhamos críticas. Deveríamos ter feito mais?
Então trabalharemos para isso. Mas vamos valorizar o que foi
feito, pois é muito.
Lembro-me bem do nosso primeiro Governo em Belo Horizonte. Nós,
do PT, temos uma exigência maior dos nossos próprios Governos. É
bom que seja assim. O cidadão comum, que não é militante político,
avalia o Governo com menos rigor. É bom que o PT tenha o máximo de
rigor ao avaliar seu Governo para que não fiquemos satisfeitos com
conquistas parciais. Mas também é muito importante
instrumentalizar-nos e fazer as informações chegarem a segmentos
mais amplos da opinião pública. Este é um Governo transformador.
Quando atacaram o Bolsa-Família, sabiam o que esse programa
significava do ponto de vista histórico e ético. Não se trata de
uma política de assistência no mau sentido, mas, sim, no sentido
forte de atenção, promoção e transformação. Sabem o que significa
um partido que lidera os setores organizados criar um laço
estrutural permanente com os setores desorganizados. Portanto, não
nos atacaram por falhas técnicas, mas porque não querem que o
Estado democrático liderado pelo PT construa essa ponte com os
miseráveis - 40 milhões de pessoas que nunca tiveram a atenção
devida do Estado. Se receberem essa atenção do nosso Governo, será
o início de um processo de conscientização política e de
integração na vida democrática. Isso reduz o espaço do
clientelismo e do fisiologismo, práticas tradicionais da direita
brasileira.
Após estes 25 anos, por tudo o que se fez antes de chegarmos ao
Governo Lula, o saldo é fortemente positivo, apesar dos problemas
que tivemos. Temos muito orgulho do nosso Governo e do nosso
partido, inclusive de sua capacidade de superar os erros. Poucos
partidos na história da esquerda brasileira tiveram tanta
capacidade de se renovar internamente. Acusam-nos de mudar de
opinião. Porém, seria errado se, em 25 anos, um partido como o
nosso não tivesse evoluído e incorporado as experiências. O que
sabíamos antes de governar Belo Horizonte não é o mesmo que
sabemos hoje. Nossa capacidade de resposta mudou e tornou-se
maior. O Brasil de 1980 não é o mesmo de 2005. A classe operária
não é a mesma. É próprio da esquerda democrática que não fica
esclerosada dar respostas novas a problemas novos. A vida social,
cultural e psicológica muda. O Presidente Lula disse que, hoje, o
operário do ABC tem uma cabeça muito diferente da que tinha nos
anos 70, tem outras expectativas e outros ideais de vida.
Precisamos dialogar com a vida real, estando sempre do mesmo lado,
sem abrir mão de princípios e valores, evoluindo. Não devemos
sentir vergonha de haver evoluído, pois isso é sinal da vitalidade
do PT. Se houvéssemos jogado fora nossos princípios e valores,
seria diferente. Mas evoluir, mantendo a fidelidade aos
princípios, aos valores e aos ideais de aprofundamento da
democracia e de combate à desigualdade não é motivo de vergonha.
Agradeço o fato de haver sido escolhido e temos todas as razões
para ter orgulho da história do PT e das suas realizações no
Governo.
Devemos ser os primeiros a reconhecer publicamente os erros.
Teremos mais credibilidade se reconhecermos os erros e afirmarmos
os acertos do que tentarmos passar uma visão falsa, sem
verossimilhança, apologética, como se tudo no nosso Governo fosse
bom. Não é isso o que digo. Ressalto que, entre erros e acertos, o
Brasil nunca teve um Governo tão transformador, que, em dois anos
e três meses, o levasse a avançar tanto no rumo da cidadania, da
soberania e da democracia.
Acredito que falo em nome dos presentes. Muitos poderiam falar
melhor do que eu, pois participam desse processo em diferentes
espaços. Não se trata apenas de homenagear o passado do PT, ainda
que ele mereça homenagens. Hoje falamos do Sr. Mílton, do Sr.
Joaquim, dos militantes, dos dirigentes vivos e ativos e dos que
já nos deixaram. Mas estamos aqui para celebrar o passado, o
presente e o futuro, que valerá mais do que fizemos, porque o
Presidente Lula será reeleito, não por qualquer promessa. Ele será
reeleito pela avaliação lúcida da sociedade brasileira, por causa
dos avanços que conseguiremos realizar. É isso o que queremos. Não
queremos que ele seja reeleito por algum tipo de manobra. Apesar
das falhas e das limitações, a sociedade brasileira dirá que valeu
a pena o primeiro mandato, e dará o segundo mandado ao Presidente
para que avance ainda mais e consolide o processo de transformação
da sociedade brasileira. Obrigado.