JOSÉ ANCHIETA DA SILVA, Presidente da Associação dos Amigos de Santa Bárbara - ASASB.
Discurso
Transcurso do 300º aniversário de fundação do Município de Santa Bárbara.
Reunião
57ª reunião ESPECIAL
Legislatura 15ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 04/12/2004
Página 54, Coluna 3
Assunto CALENDÁRIO.
Legislatura 15ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 04/12/2004
Página 54, Coluna 3
Assunto CALENDÁRIO.
57ª REUNIÃO ESPECIAL DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 30/11/2004
Palavras do Sr. José Anchieta da Silva
Exmos. Srs. Deputado Mauri Torres, Presidente da Assembléia
Legislativa do Estado de Minas Gerais; Deputado Federal Agostinho
Patrús, Secretário de Transportes e Obras Públicas, representando
o Dr. Aécio Neves, Governador do Estado; Juiz Alvimar de Ávila,
Presidente do Tribunal de Alçada do Estado de Minas Gerais, meu
amigo pessoal; Toninho Timbira, Prefeito eleito, na pessoa de quem
cumprimento os demais integrantes desta Mesa e em que depositamos
todas as esperanças.
Como Presidente da Associação dos Amigos de Santa Bárbara - ASASB
-, dirijo-me aos convidados, aos amigos de Santa Bárbara e à
caravana da nossa terra santa, para que prossigamos na celebração
do nosso tricentenário.
Como Presidente da ASASB, responsável maior pelas celebrações dos
300 anos dessa cidade, e da Comissão Oficial dos Eventos do
Tricentenário, inicio esta oração agradecendo, em nome de cada
coração santa-barbarense, ao ilustre Deputado Mauri Torres, homem
público por vocação, e, por igual, à Mesa desta Casa, assim como a
cada um dos Deputados que a compõem, pela organização desta
reunião e pela acolhida que nos dedicaram.
Havemos de registrar também o nosso agradecimento ao Poder
Executivo do Estado, principalmente em razão da permanente
acolhida aos nossos pleitos e às nossas idéias, especialmente por
parte da Secretaria de Estado da Cultura e do Instituto Estadual
do Patrimônio Histórico e Artístico - IEPHA. De se lembrar, nesse
passo, decreto estadual de 5/12/2003, assinado pelo Sr. Aécio
Neves, Governador do Estado, declarando 2004 o ano do
Tricentenário do Município de Santa Bárbara.
Como definir essa metamorfose por que passa a nossa Santa
Bárbara, a partir da iniciativa da sociedade civil organizada e,
em boa medida, sem depender do dinheiro público? Afinal, a nossa
Santa Bárbara está vivendo uma nova inconfidência, nova
conjuração, novo movimento de sedição ou vivendo o movimento
histórico de um novo renascimento? Convenço-me de que vivemos um
pouco de cada um desses dois movimentos historicamente
consagrados.
O espírito da nossa inconfidência, nossa sedição e conjuração se
assenta no sentimento, segundo o qual, em relação ao Estado, o
cidadão há de ser, em primeiro lugar, sujeito, e não objeto de
suas relações. Acreditamos num Estado, pessoa ficta e moral,
conversando e dialogando com o cidadão, pessoa natural que não
pode aceitar a condição coisificada de objeto do Estado. Eis aí os
pilares de uma nova inconfidência.
Nossa inconfidência está a nos orientar para a necessidade de a
sociedade moderna necessita refletir sobre si mesma. O espírito e
os ideais da inconfidência mineira necessitam ser realimentados.
Agora não mais em função de um levante contra o Estado, mas em
razão de um exame de consciência de cada cidadão sobre si mesmo,
sobre os seus deveres para com a sociedade e para com o próximo. E
dessa forma haveremos de construir uma sociedade mais altruísta,
mais solidária e mais realizadora, reconstituindo e reanimando
nossos valores mais antigos e mais caros.
Estamos vivendo um renascimento melhor e diferente daquele que a
história registra, e que se baseou no antropocentrismo - o homem
como centro. O nosso renascimento adota o teocentrismo - Deus como
centro.
Nosso renascimento é, portanto, até mais fecundo porque baseado
sobretudo na fé em Deus e no voluntariado da nossa gente humilde,
inteligente e dedicada. Aliás, seria desautorizado tomar o
renascimento antropocentrista como exemplo, quando se está a
trabalhar os valores mais caros e esquecidos da nossa legítima
Minas barroca, cujas raízes na fé em Deus, cantada e decantada nas
igrejas e nos corações do nosso povo, constituem o paradigma de
toda a nossa celebração. Minas é sobretudo um estado de fé. Estado
de fé em Deus e nas crenças que o nosso povo sedimentou pelas
ladeiras de todos os nossos corações.
Revisitemos, pois, a nossa história para confirmar os eventos da
conjuração e do renascimento aludidos.
O arraial, fundado em 1704, foi elevado a paróquia em 1713,
embora haja afirmação de que teria sido, a paróquia, criada em
1724. A opção pela primeira data se nos afigura mais confiável,
porque guarda relação com o início da construção da nossa igreja
matriz, que, segundo Lúcio Costa, é a mais bonita do Brasil.
A elevação a distrito se deu em 1824, e em 1839 foi finalmente
elevada a município pela Lei Provincial n0 134, desmembrando-se do
Município de Mariana.
Por longo período o município teve a sua economia alimentada pelo
ouro farto e pela agricultura de subsistência. Ainda dentro dessa
primeira fase, apareceram as primeiras mineradoras de minério de
ferro, à medida que o ouro foi se escasseando, história esta muito
bem contada com o interminado acabamento, pintura e douração
internos da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Catas Altas.
Foi no princípio do século passado, com a chegada da estrada de
ferro Central do Brasil, que Santa Bárbara viveu o seu esplendor
de cidade-pólo. Isso porque, estando assentado na Presidência da
República o seu filho mais ilustre, Afonso Augusto Moreira Pena,
estendeu-se até lá a estrada de ferro, que, por um longo período,
antes de seguir para Nova Era e mais tarde para Vitória, no
Espírito Santo, fez de nossa cidade a chamada `ponta de trilho´.
Em função disso, os demais municípios da região tinham que
deslocar suas mercadorias para ali serem embarcadas, funcionando a
nossa cidade como o maior porto seco, acreditamos, de todo o
interior de Minas Gerais.
Ao mesmo tempo em que os municípios recebiam o carregamento
ferroviário de querosene, gasolina, tecido, mobiliário e toda a
sorte de manufaturados finos, ali se embarcava o café beneficiado,
a rapadura, a carne, o toucinho e a prestigiadíssima farinha de
mandioca. O comércio floresceu, e os nossos ricos comerciantes
foram figuras exponenciais e grandes investidores, quando se
iniciou a construção da nova Capital, a Cidade de Minas, no Curral
Del Rey, cujo nome definitivo seria Belo Horizonte. A ligação e o
estreitamento de Santa Bárbara com a nova Capital está no fato de
que foi o então Presidente da Província de Minas e filho da terra,
Afonso Pena, quem assinou o seu ato de criação. Mesmo com o
prosseguimento da estrada de ferro para o Espírito Santo, por
algumas décadas Santa Bárbara manteve o esplendor de cidade-pólo,
com comércio reconhecidamente ativo e regionalizado.
A terceira fase da vida econômica do município está fincada na
presença das grandes mineradoras, destacando-se a Companhia Vale
do Rio Doce - CVRD -, a S.A. Mineração da Trindade - SAMITRI -, a
Samarco Mineração S.A. e a S.A. Mineração São Bento.
Essa constatação histórica da maior relevância nos induz à
conclusão de que o Estado de Minas Gerais só é Minas porque nasceu
ali. Continuamos pois a afirmar que Minas nos é devedora até no
nome.
Nesse mesmo tempo, e até em decorrência da evolução da indústria
do ferro e do aço no Estado, com a indústria extrativa surgiu o
plantio do eucalipto, transformando o entorno da cidade e o seu
vasto interior em amplos campos de reflorestamento.
Até a década compreendida pelos anos 60 do século passado, Santa
Bárbara se destacava também como um pólo de excelência em se
tratando de educação juvenil, provavelmente inigualável,
considerando-se o interior das Minas Gerais. Ao mesmo tempo, havia
os tradicionais educandários religiosos do Caraça, dos Padres
Lazaristas; o Patronato Afonso Pena, dos Padres Salesianos de Dom
Bosco, ambos funcionando inclusive como seminários; e o colégio
feminino Nossa Senhora do Sagrado Coração das Irmãs Capuchinhas,
ainda existente entre nós e prestando relevantes serviços à
educação local. O Caraça, parcialmente consumido por um incêndio
em 1968, converteu-se em aprazível praça de turismo, e o patronato
transformou-se em escola municipal de merecido respeito.
A mais antiga das nossas escolas primárias é o Grupo Escolar
Afonso Pena, onde estudamos e onde estudaram vários santa-
barbarenses ilustres. Hoje, a cidade é dotada de boa rede escolar
municipal e estadual dos ensinos fundamental e médio, existindo
ainda alguns cursos de ensino superior, produto de convênios com a
UFOP e com a Universidade Antônio Carlos, de Barbacena, dentro do
programa de incentivo federal à interiorização do ensino superior.
Confiramos agora os atos e as realizações que ocorreram em Santa
Bárbara, de modo a identificar o nosso renascimento e a nossa bem
comportada inconfidência. A nossa caminhada vem de longe, mais
precisamente do ano de 1995, quando inauguramos a restauração da
Igreja de São Francisco de Assis - ato de renascimento. Em
dezembro de 1997, foi criada a comenda oficial do município, a
Medalha do Mérito Afonso Pena, anualmente outorgada às pessoas que
se destacaram na comunidade - ato inconfidente.
Nesse mesmo ano de 1997, após a reorganização jurídica da
Associação dos Amigos de Santa Bárbara - ASASB -, deu-se início às
obras de restauração do interior da nossa Igreja Matriz de Santo
Antônio, contendo uma das maiores obras de Manuel da Costa Ataíde.
A obra foi entregue à comunidade na abertura do ano do
tricentenário, em 4/12/2003. Uma apoteose. A mais real
manifestação do nosso movimento renascentista.
O nosso arcebispo, Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida,
reconhecendo a seriedade do movimento em Santa Bárbara, brindou-
nos com a devolução da obra de arte então retida em Mariana,
denominada “Pano de Boca”. Essa obra terá a sua restauração
iniciada brevemente. Sagrada conspiração e santo renascimento.
No Natal de 2002, o nosso coral Cantares, criado e regido pela
maestrina Ângela Pinto Coelho, fez o lançamento de seu CD de Ave-
Marias, obra inigualável.
Do ponto de vista cultural, criamos e apresentamos mais de uma
dezena de vezes, em Bom Jesus do Amparo, Catas Altas, Mariana e
Belo Horizonte, a peça teatral do tricentenário, “Diálogo - Santa
Bárbara conversa com a sua História”, trazendo para o
tricentenário os personagens da nossa história: Antônio Bueno da
Silva, bandeirante; Irmão Lourenço de Nossa Senhora, criador do
Caraça; Afonso Pena, Presidente da República; João Motta, Vereador
e Prefeito que fez história; Cardeal D. Carlos Carmelo de
Vasconcellos Mota; Mozart Bicalho, nosso músico e compositor
maior; e a figura feminina de Bárbara, representando nosso povo,
nossas ruas e nossas aspirações. Nesse caso, exercitamos um
renascimento cultural com algumas pitadas de boa inconfidência.
Para a celebração do tricentenário, organizou-se um concurso
público escolar para a escolha da logomarca e do “slogan” oficiais
do tricentenário, resultando do certame a premiação e a adoção dos
símbolos oficiais.
Mediante concurso público, com participação popular de artistas
da terra e qualificadíssimo corpo de jurados, elegemos o Hino
Oficial do Tricentenário e a Marchinha de Carnaval do
Tricentenário. Foram vitoriosas duas belíssimas composições.
Em 11/9/2004, falamos sobre a história do município para os
Diretores e Conselheiros da seccional mineira da OAB,; em 14 de
outubro, na Academia Mineira de Letras; em 16 de outubro, para a
caravana do Instituto dos Advogados de Minas Gerais; em 22 de
outubro, para a caravana de magistrados do Tribunal de Justiça de
Minas Gerais. Sempre em sessões solenes e comemorativas, revivemos
um passado de glórias e falamos de nossas aspirações futuras. Foi
uma combinação de inconfidência e renascimento.
Em Mariana, em 19 de setembro, no Santuário Nossa Senhora do
Carmo, promovemos a saudação laudatória do livro da Irmã Augusta
de Castro Coifa sobre o Monsenhor José Silvério Horta, o Monsenhor
Horta. Uma manifestação cultural.
Em 5/10/2004, na Academia Municipalista de Letras, também em
sessão solene e comemorativa, tivemos a oportunidade de falar
sobre o São Francisco de Assis que viveu entre nós, Padre José
Tobias Zico, o padre do lobo guará. Foi o renascimento cultural.
Em 23/10/2004, em sessão solene na Câmara de Vereadores do
Município, falamos sobre a atividade política que deve ser
exercida pelos homens “sim” e não pelos homens “não”. Lembramos
que o político deve ser feito de argila de chefe. Segundo as
lições de Caetano Coll y Toste, dentre nós lembrado por José
Humberto Machado, advogado e acadêmico de Patrocínio, “Os homens
de enérgica vontade, os de argila de chefe, de guia, hão de sempre
dominar os trêmulos, os covardes”.
E por isso, “em todos os tempos e lugares, os homens “sim”
levarão de vencida os homens “não”. Praticamos ali a conspiração
no seu estado mais civil e mais completo.
No dia 4/10/2004, em São Paulo, no auditório da Direct TV, Santa
Bárbara recebeu, em face da restauração de sua igreja matriz, o
prêmio especial Abril Quatro Rodas de “O Melhor Restauro”. Isto é
manifestação de renascimento reconhecido.
Voltando a Mariana, agora na Academia Marianense de Letras, em
20/11/2004, em memorável sessão solene, falamos sobre o patrono da
cadeira nº 38 dessa Academia, o nosso primeiro arcebispo Dom
Silvério Gomes Pimenta; mais uma manifestação de renascimento
cultural. Promovemos, ainda, a saudação laudatória de vários
outros lançamentos literários. Do médico José Maria Martins, “A
lógica das emoções”; do Dr. Darci Duarte de Figueiredo, “Sagas de
Quatro Séculos”; de José Pedro de Araújo Silva, “Memórias
Caracences”.
Ocorreu, ainda, no Caraça, em celebração da associação dos ex-
alunos do Caraça, o relançamento do “Guia Sentimental do Caraça”,
obra de mérito histórico do Pe. Pedro Sarnel, riquíssima
manifestação renascentista. Ainda na linha cultural, criamos e
levamos à ribalta o mais original de todos os musicais, reunindo
300 anos de música, com a santa-barbarense Conceição Pinto Coelho
Cipolatti ao piano, e com Helvécio Viana ao violão, intitulando-o
“De Mozart (Amadeus) a Mozart (Bicalho)”. Foi um passear saudável
pelas músicas de Mozart, de Chopin, de Astor Piazzola, de
Chiquinha Gonzaga, de Ernesto Nazaré e do nosso Mozart Bicalho.
Santa Bárbara viveu ainda, ao longo dos últimos anos, e graças à
iniciativa de sua sociedade civil organizada, várias restaurações.
Restaurou-se o Hotel Quadrado; restaurou-se a antiga casa do
mestre de linhas da Estrada de Ferro Central do Brasil, onde foi
instalado também o “Pequeno Memorial da Grande Família Ferroviária
de Santa Bárbara”.
Encontra-se em fase de restauração, para ser inaugurada no
próximo dia 4/12/2004, data principal do tricentenário, a Igreja
de Nosso Senhor do Bonfim. Será mais uma obra de nosso
renascimento.
Receberemos a obra contemporânea de Solange Pessoa, premiadíssima
santa-barbarense, no Brasil e fora dele. A decoração de rua do
tricentenário é também uma criação da artista filha da terra Lena
Pessoa Bicalho, radicada em Paris. Tudo isso compõe o mais
autêntico renascimento da Santa Bárbara do tricentenário.
Há planos e projetos aprovados para a restauração da estação da
Estrada de Ferro Central do Brasil e para a antiga cadeia pública,
futuro museu. Isso é renascimento, mas é também produto de longa,
demorada e sadia conspiração. Já estamos cogitando a retirada da
fiação aérea do centro histórico, a retirada das árvores que
encobrem a visão do sítio histórico central, a recuperação das
escadarias da Casa Rocha, a limpeza e a urbanização -
ecologicamente corretas - do lago do Peti, ascendendo a
possibilidade da exploração do turismo lacustre e náutico no mais
belo e único lago existente na região, a menos de 100km da
Capital. Isso é um misto de conjuração e renascimento.
O Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais já deu sinais
positivos para reconstruirmos a antiga silhueta do nosso Fórum
Professor Magalhães Drumond. É renascimento.
A Associação dos Amigos de Santa Bárbara já assinou protocolo com
a Paróquia de Santo Antônio, cujo resultado final implicará a
restauração da casa onde nasceu Afonso Pena, ali instalando o
memorial vivo do nosso filho Presidente, em comunhão com as outras
instituições da cidade. Será um memorial vivo. É renascimento.
A Associação Vida Nova, incumbida de cuidar dos dependentes
químicos, com seu estatuto social já renovado, ganhará, dentro de
pouco tempo, sede nova, condigna com sua missão social. Boa
conspiração e fraternal renascimento.
O nosso Hospital Asilo Nossa Senhora das Mercês, a nossa mais
antiga instituição do gênero, já iniciou, mercê do apostolado de
suas equipes médica e paramédica, a modernização de suas
instalações.
O cidadão de Santa Bárbara e a sua comunidade, independentemente
do Governo, estão aprendendo a lição de Roberto Campos, para o
qual “nossa pobreza não pode ser vista como uma imposição da
fatalidade”. Em Santa Bárbara, desejamos mudar o rumo da história.
Para essa mudança de mentalidade e de comportamento, haurimos a
lição de Fustel de Goulange em sua clássica “Cidade Antiga”, onde
melhor se definiu a “pátria-lugar” e a “pátria-nação” que se
fundem e se confundem. Para o autor, “a palavra `pátria´ entre os
antigos teve o significado de terra dos pais, terra pátria. A
pátria de cada homem era a porção do solo que a religião doméstica
ou nacional havia santificado, a terra onde estavam depositados os
ossos de seus antepassados e por suas almas ocupada.”.
O pensador mineiro João Paulo, escrevendo no jornal “Estado de
Minas”, edição do dia 29/5/2004, no Caderno de Cultura, afirmou
com extraordinária felicidade que “amar a cidade é reinventar
nossa relação com o mundo. A cidade está triste; logo, o que cabe
a todos nós é buscar, além do trabalho duro para ganhar o pão e do
combate às injustiças, descobrir onde começa a nossa capacidade de
felicidade. Pode ser o samba, o futebol ou a boêmia. Não vai nunca
apenas conquistar o poder”.
A nossa primeira pátria, a cidade onde nascemos, é lugar
santificado. É por isso que em torno dela conspiramos, conjuramos,
manifestamos nossa sedição, mas o fazemos em forma de um
organizado renascimento. Agindo dessa forma, estamos nos
inspirando em conterrâneos de fibra, santa-barbarenses ilustres
que, de alguma forma, pontificaram também nesta Assembléia
Legislativa. Referimo-nos ao Dr. Hélvio Moreira dos Santos, que em
vida foi Deputado e médico desta Casa. Referimo-nos ao Dr. Adonis
Martins Moreira, que aqui ocupou o cargo de Diretor-Geral.
Referimo-nos ao Dr. Duílio Guedes, que aqui ocupou o cargo de
Superintendente.
Em nome de cada coração, da gente simples, humilde, mas
realizadora da nossa Santa Bárbara que já foi do Mato Dentro, o
nosso agradecimento mais sincero ao Deputado Mauri Torres,
Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, à
Mesa da Assembléia a todos os Deputados, aos servidores do Poder
Legislativo, à ilustre caravana de Santa Bárbara, nossa terra
santa, e aos convidados pela organização, pela realização e pela
presença nesta reunião comemorativa do nosso tricentenário.
Em Santa Bárbara pratica-se a virtude da gratidão como um dos
valores integrantes da nossa personalidade. Portanto, de braços
abertos, dedicamos a todos, nesta noite, o nosso melhor e mais
integral muito-obrigado. É assim que se celebra um centenário.